novembro 30, 2025

A Ponte da Azenha, o Estandarte Farroupilha e o Ideal de Liberdade - Leonardo Redaelli




A liberdade 

**As Origens da Ponte e do Nome “Azenha”**

No século XVIII, antes mesmo de Porto Alegre se firmar como cidade, o som das águas do **Arroio Dilúvio** movia as rodas de um velho moinho. Seu construtor, **Francisco Antônio da Silveira**, era um açoriano que se estabeleceu nas margens do arroio por volta de **1777**.

Ali ergueu uma **azenha**, um moinho de pedra e madeira movido pela força da correnteza, e sobre o arroio construiu uma **ponte rústica** para facilitar o transporte do trigo e da farinha.

O povoado começou a se referir ao lugar como **“a azenha do Chico”**, e com o tempo, o nome “Azenha” passou a designar toda a região.

A ponte, por sua vez, tornou-se **a única ligação entre o sul e o centro de Porto Alegre**, papel que a faria entrar para a História como o cenário do primeiro confronto da **Revolução Farroupilha**.

 O Chamado das Armas

É noite de 19 de setembro de 1835.

O frio sopra dos pampas, e a capital da província de **São Pedro do Rio Grande do Sul** dorme inquieta.

Nos campos próximos à cidade, **os rebeldes farroupilhas** — estancieiros, soldados, peões e idealistas — marcham sob o comando do **General Bento Gonçalves da Silva**.

As tensões com o governo imperial atingiram o limite. O **Império do Brasil**, centralizador e distante, impunha impostos pesados sobre o charque e desprezava as necessidades da província.

Os gaúchos, orgulhosos e autônomos, exigiam liberdade administrativa e respeito às suas terras.

Naquela noite decisiva, os rebeldes acampam **no morro ao sul da Várzea**, local hoje tomado pelo coração urbano de Porto Alegre.

Fogueiras iluminam a planície e, ao longe, a **Ponte da Azenha** é vislumbrada sob o luar. O plano é audaz: **atravessar a ponte ao amanhecer e tomar a cidade**.

Do **Palácio do Governo**, o presidente da Província, **Antônio Fernandes Braga**, alarmado, ordena ao **Visconde de Camamu** que reúna homens para resistir. Mas o povo, solidário aos farroupilhas, não se mobiliza.

O Combate da Ponte da Azenha

Nas primeiras horas da madrugada, **o Capitão José Gomes de Vasconcelos Jardim**, braço direito de Bento Gonçalves, envia o **Cabo Manuel Vieira da Rocha** com um pequeno destacamento para reconhecer as forças inimigas.

Avançam pelas sombras, em silêncio, mas são surpreendidos por um grupo legalista.

O confronto é rápido, intenso, iluminado apenas pelas fagulhas das descargas de pólvora.

O **Visconde de Camamu**, temendo enfrentar um exército inteiro, ordena a retirada. Seus homens batem em retirada, e **a primeira vitória farroupilha está consumada**.

Ao amanhecer de **20 de setembro de 1835**, Porto Alegre desperta sob o domínio dos rebeldes.

O presidente da província foge, e o estandarte da insurreição tremula sobre a cidade.

Esse dia seria para sempre lembrado como o **Dia do Gaúcho**, símbolo da coragem, da liberdade e da lealdade à terra.

A Bandeira Farroupilha

Em meio à guerra que se seguiu, nasceu também um **símbolo eterno**: a **bandeira farroupilha**.

Suas cores — **verde, vermelho e amarelo** — foram escolhidas pelos republicanos de São Pedro como representação da terra, do sangue e do ouro, valores que expressavam a natureza, o sacrifício e a riqueza moral de seu povo.

O verde simboliza **as coxilhas e a esperança**;

o vermelho, **o sangue derramado pela liberdade**;

e o amarelo, **a lealdade e o ouro espiritual da causa justa**.

Essa bandeira, inspirada nos ideais republicanos franceses e italianos, **nasceu do mesmo espírito que inflamava as lojas maçônicas da época** — lugares onde se falava em liberdade, igualdade e fraternidade, quando tais palavras ainda eram perigosas.

A Presença Maçônica e o Ideal Republicano

A **Maçonaria** teve papel silencioso, porém decisivo, na formação do pensamento farroupilha.

Muitos de seus líderes — **Bento Gonçalves, Domingos José de Almeida, José Gomes de Vasconcelos Jardim** e outros — eram **maçons iniciados**, formados sob o ideal da **Liberdade, Igualdade e Fraternidade**.

As **Lojas Maçônicas** serviram de espaço de reflexão, instrução política e articulação. Ali se discutia não apenas o descontentamento local, mas o conceito de uma **República federativa e justa**, onde o homem fosse livre em consciência e em ação.

Sob a luz da estrela flamejante, os irmãos traçaram planos, firmaram juramentos e, nas sombras dos templos simbólicos, sonharam com uma província livre.

A **Revolução Farroupilha**, portanto, não nasceu apenas das lanças e espadas — mas também **das ideias lapidadas nos altares do conhecimento maçônico**.

 Garibaldi e Anita: o Amor e a Pátria

Entre os nomes imortais da revolução, destaca-se **Giuseppe Garibaldi**, marinheiro italiano que chegou ao Rio Grande em **1836**.

Exilado por lutar pela liberdade em sua terra natal, encontrou nos Farrapos um ideal semelhante ao que o moveria por toda a vida: a luta contra a tirania e pela unificação dos povos.

Foi no litoral gaúcho, em **Laguna**, que conheceu **Anita Ribeiro de Jesus**, a jovem que se tornaria **Anita Garibaldi**, sua companheira de armas e símbolo de coragem feminina.

Juntos, conduziram batalhas pelo mar e pela terra, levando os ideais farroupilhas até **Santa Catarina** e além das fronteiras brasileiras.

O episódio da **Tomada de Laguna**, em 1839, marcou o auge da revolução, quando foi proclamada a **República Juliana**, efêmera, mas vibrante em seus ideais de emancipação.

 O Fim da Revolução e o Tratado de Poncho Verde

Após uma década de lutas, privações e heróis anônimos, a revolução se encaminha para seu desfecho.

O **Duque de Caxias**, enviado pelo Imperador, compreende que a força sozinha não derrotaria os ideais.

A guerra se encerra com dignidade, em **março de 1845**, com a assinatura do **Tratado de Poncho Verde**.

Os farroupilhas depõem as armas, mas garantem **anistia, integração dos oficiais ao exército imperial** e a **libertação dos escravizados que combateram na causa republicana**.

A província retorna ao Império, mas o espírito de liberdade **permanece aceso como chama eterna**.

Legado e Simbolismo

A **Ponte da Azenha**, o **estandarte farroupilha**, e os **nomes de Garibaldi, Anita e Bento Gonçalves** são mais do que marcos históricos — são **símbolos da alma do Rio Grande**.

E nas colunas do Templo Maçônico, onde se cultua o espírito da liberdade e o labor da consciência, o eco desse ideal ainda ressoa.

A **Revolução Farroupilha** ensinou que a liberdade não se conquista com violência, mas **com o esclarecimento da mente e a elevação do espírito**.

Por isso, ela permanece viva — não apenas nas ruas e bandeiras, mas **nos corações daqueles que veem na luta dos Farrapos um reflexo da busca humana pela verdade e pela luz.**


É DEVER SER SINCERO - Adilson Zotovici

Explanação analítica

Face o cargo que opero

Sobre visão apolítica

A bom enlace assevero


Basta sensata autocrítica

De forma exata pondero

Sem tornar-se hipercrítica

Ou julgamento severo


Pelo cargo o qual lidero

Por alguma razão mítica

Mas traz encargo austero


Sem tremer em Loja...espero

De quem se arroja à crítica

O " dever de ser sincero" !




A MAÇONARIA E A RELAÇÃO COM AS NOVAS TECNOLOGIAS/ I. A. - Newton Agrella


A famigerada frase do químico francês Lavoisier :  

“...Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...” , talvez se encaixe como uma interessante alegoria para a perspectiva que dá conta sobre a Maçonaria e as novas tecnologias.

A Maçonaria, enquanto uma instituição de caráter eminentemente filosófico, traz em sua essência uma complexa propriedade dialética que  confere-lhe um perfil único e incomparável.

Historicamente suas origens são imemoriais, seus postulados e princípios se baseiam na Tradição Oral e em Códigos Morais moldados pela civilização humana.

Assim como a nossa Existência se manifesta e se desenvolve ao longo do tempo e naturalmente leva-nos a nos adaptar às circunstâncias, sem que percamos  nossa identidade, o mesmo podemos dizer com relação à Maçonaria.

O nosso corpo sofre transformações, crescemos, engordamos, emagrecemos, entretanto a nossa alma continua lá, intacta e singular.  O que mudam são as vestimentas. Adaptamo-nos à moda; revestimo-nos de novos paramentos e damos ares de mais modernidade e requinte às aparências.

Assim ocorre com a Sublime Ordem. 

Ela conserva seus princípios, mantém sua identidade e acima de tudo, continua valendo-se da Simbologia (entre símbolos e alegorias) como sua "piece de résistence".

O que muda é o jeito de fazer as coisas, de administrar, de gerenciar e conduzir a instituição.

A cada pouco, novas ferramentas tecnológicas são introduzidas, visando criar mecanismos mais seguros, ágeis e complexos para que a engrenagem possa operar com maior efetividade. É o que chamamos de Maçonaria Exotérica. Sim com "x" evidenciando o âmbito exterior da mesma 

Isso contudo, não pode contaminar ou tampouco extinguir o legítimo caráter esotérico de uma entidade que promulga antes de mais nada o aprimoramento da consciência humana.

Não se aprimora a consciência tampouco se conquista a felicidade humana através de procedimentos high-tech,  de tecnologia sofisticada ou mesmo de uma inteligência artificial.

Da mesma forma que a Maçonaria não é e nunca foi Religião, como alguns tantos insistem em afirmar; o mesmo se aplica ao fato de que a Maçonaria não é e nunca será um Laboratório de Experimentos ou uma Ilha de Inteligência Artificial - onde o Livre Pensador fica desestimulado e impedido de exercitar toda sua capacidade especulativa em nome de Dogmas ou Verdades Prontas - contribuindo para que a Filosofia perca a sua função precípua.

A filosofia especulativa maçônica tem como propósito estabelecer uma concepção dinâmica e relacional entre atualidades e virtualidades, relacionalidade e existência. 

A existência não é uma condição vazia e amorfa, portanto a Maçonaria pode e deve conviver com as circunstâncias inovadoras para a sua legítima prática, porém  sem que isto descaracterize suas disposições filosóficas, simbólicas, alegóricas, intelectuais e ritualísticas.

A Inteligência Artificial  carece de criatividade, inteligência emocional e consciência para igualar a capacidade humana em sua totalidade.

Difícil afirmar se isso poderá acontecer.


A DERIVA - Cesar Augusto Garcia


 

novembro 29, 2025

ACADEMIA MAÇÔNICA BRASILEIRA DE LETRAS ...


 

Na foto, da esquerda para a direita os acadêmicos Adilson Zotovici, Oduwaldo Álvaro, Michael Winetzki, José Maldonado Gualda e Julio Cadamuro.

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Realizou-se nesta manhã de sábado, no auditório do Hotel Leques, a Assembleia Anual da Academia Maçônica Brasileira de Letras, Teatro, Ciências, Artes e Música, presidida pelo Confrade, escritor e editor Mauro Ferreira, e da qual tenho a honra de ser um dos fundadores.

Cerca de 50 acadêmicos, de diversas regiões do país, e suas famílias estiveram presentes, para participar da posse de novos acadêmicos e assistir a diversas apresentações de poesia, arte, humor e motivação.

Foram ainda votadas algumas mudanças de estatuto e apresentados os projetos para as atividades da Academia no próximo ano, entre os quais um livro dos panegiricos dos patronos e uma revista cultural trilíngue .

O evento culminou com um magnífico almoço no restaurante do hotel 

A VIAGEM SINFONICA DOS SÍMBOLOS - Pierre d’Allergida


Uma Odisseia Maçônica para a Harmonia Interior”

• Situada no cenário sagrado da loja maçónica, onde cada símbolo vibra com um significado profundo, a Viagem Sinfonica dos Símbolos oferece uma meditação fascinante sobre a iniciação, a vibração universal e a procura do amor incondicional

Estes três conceitos – viagem, sinfonia e símbolos – entrelaçam-se para formar uma partitura filosófica e espiritual, uma canção que convida os maçons a redescobrirem a sua ligação com o Universo e consigo próprios.

Inspirado por um texto vibrante que amplifica a mensagem ao explorar todas as facetas desta odisseia interior, desde a geometria do ritual à memória cósmica, desde os desafios da modernidade ao apelo à liberdade autêntica. 

Através de uma prosa rica e evocativa, celebramos a Maçonaria como uma Arte viva, uma sinfonia onde cada nota única ressoa com o eterno.

A viagem de iniciação: um ciclo de viagens de ida e volta

A viagem, no coração da iniciação maçónica, não é uma simples deslocação, mas um caminho cíclico, uma viagem de regresso ao essencial. 

Etimologicamente, a palavra “viagem” tem as suas raízes no latim viaticus, derivado de via, caminho. 

Este caminho é o da iniciação, o início de uma busca espiritual em que o leigo, ao bater à porta do templo, se lança numa profunda transformação. 

Não é um caminho linear, mas um ciclo completo, um regresso enriquecido à origem, semelhante a uma melodia que, depois de explorar novas tonalidades, regressa à sua nota fundamental.

Na Loja, esta viagem manifesta-se através dos rituais, onde cada gesto, cada símbolo, é um passo em direcção à unidade. 

Ao entrar no templo, o neófito começa por ouvir três pancadas na porta, uma vibração inicial que marca o início da sua viagem. 

Este som inicial, longe de ser insignificante, é um convite a sintonizar o ritmo do Universo, a redescobrir a harmonia original que vibra no coração de tudo. 

A viagem maçónica torna-se assim uma busca de reconciliação, um esforço para reencontrar o “som puro” da criação, a frequência primordial que liga o homem às leis universais da criação expressas por cada símbolo do primeiro grau.

A sinfonia dos símbolos: uma orquestra espiritual

O conceito de sinfonia, no centro deste texto, é uma poderosa metáfora da experiência maçónica. 

Derivada do grego sym, que significa “junto“, a palavra “sinfonia” evoca a união de sons, vibrações que se harmonizam para criar uma obra coerente. 

Do mesmo modo, o symbolon, um objeto partido em dois para selar um acordo, encarna a ideia de uma unidade reencontrada através da reunião de partes separadas. 

Estas duas noções, unidas pela sua raiz comum, refletem a essência da loja: um espaço onde as diferenças – entre indivíduos, ideias, energias – se fundem numa harmonia superior.

A loja maçónica, adornada com os seus símbolos – malhete, compasso, esquadro, régua, mosaico – é uma partitura geométrica, uma orquestra em que cada elemento desempenha um papel preciso. 

Estes símbolos não são meros objectos, são instrumentos vibratórios, vectores de energia que permitem aos maçons sintonizar-se com o Universo. 

A sinfonia maçónica é o eco do “verbo criador“, a vibração inicial que, segundo as tradições espirituais, deu origem ao cosmos.

• Ao participar nos rituais, o Maçom torna-se simultaneamente músico e ouvinte, procurando encontrar dentro de si o eco desta música primordial, que ressoa em cada átomo, em cada estrela, em cada alma.

Geometria vibratória: a música dos rituais

Um dos aspectos mais fascinantes é a decodificação dos rituais maçónicos como uma experiência vibratória, uma geometria de sons que deixa a sua marca na mente e no corpo do receptor. 

Desde o momento da iniciação, o leigo é imerso num Universo de sons: as três pancadas na porta do templo, o rufar dos tambores dos oficiais, o golpe do martelo do Venerável Mestre. 

Estes sons não são acidentais; são estruturados, geométricos, reflectindo a própria arquitetura da loja.

• No Rito Francês, as três luzes – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes – formam um triângulo isósceles, enquanto que no Rito Escocês Antigo e Aceite, formam um triângulo equilátero. 

• Esta geometria reflete-se nos tambores, cujo ritmo – duas pancadas próximas, uma mais afastada ou três pancadas iguais – reproduz a forma do triângulo.

Cada gesto ritual amplifica essa vibração. 

Durante a iniciação, o neófito caminha ao longo da coluna do meio-dia, traçando com os seus passos uma linha reta, semelhante a uma régua. 

Faz um semicírculo em frente ao Oriente, evocando o compasso, e depois sente a inclinação da prancha, simbolizando o quadrado e a passagem da horizontal à vertical. 

Estes movimentos não são apenas simbólicos, são físicos, vibratórios, imprimindo na carne do receptor as “três jóias da loja“: a régua, o compasso e o esquadro. 

Cada ritual torna-se uma onda concêntrica, uma vibração que se estende do centro da loja para tocar cada participante, ligando-os através do tempo e do espaço.

Agora associamos os oficiais da Loja a notas musicais e planetas, inspirando-nos na “música das esferas” contextualizada por Plutarco, Kepler e Newton. 

O Venerável Mestre, ligado a Júpiter e à nota SOL, encarna a Sabedoria; 

O Primeiro Vigilante, associado a Marte e à nota FA, representa a Força; 

O Segundo Vigilante, ligado a Vénus e à nota RÉ, simboliza a Beleza. 

O Orador, o Secretário, o Experto e o Mestre de Cerimónias completam esta orquestra cósmica, contribuindo cada um com a sua nota única – Mi, Si, Lá, Dó – para formar uma harmonia que reflecte a ordem universal. 

A Loja torna-se assim um microcosmos, um espaço onde os Maçons podem ouvir e sentir a música das esferas.

A memória de Mnemosine: levantar o véu do esquecimento

No coração da iniciação maçonica encontra-se uma dialética entre o esquecer e o recordar, encarnada pela bebida do esquecimento e a de Mnemosine, a deusa grega da memória. Durante a cerimonia, o Venerável Mestre declara:

• “Antes, bebeste a bebida do esquecimento, destinada a te despersonalizar […]. Aqui está um segundo copo, o da bebida da memória, a água de Mnemosine”.

Este duplo movimento é essencial: o esquecimento apaga os condicionamentos profanos, enquanto a memória revela uma verdade enterrada, uma ligação com o divino.

Esta verdade, conhecida em grego como Alêtheia (“levantar o véu sobre o que foi esquecido“), está no centro da busca maçônica. 

Não se encontra no conhecimento intelectual, mas numa intuição profunda: o amor próprio incondicional. 

O texto propõe uma hipótese ousada: o “segredo” da Maçonaria reside neste amor puro, sem expectativas nem juízos de valor, semelhante ao de uma mãe pelo seu filho. 

No entanto, este amor é assustador porque nos obriga a confrontar com as nossas dúvidas, medos e ilusões. 

Para escapar a este encontro, a humanidade moderna está inquieta, procurando a imortalidade na tecnologia, no entretenimento ou nas promessas de paraísos futuros.

A Loja, por outro lado, oferece um lugar para regressar ao essencial. 

Através dos seus rituais, símbolos e vibrações, convida os maçons a recordar a sua própria luz, a frequência original que os liga ao Universo. 

A memória de Mnemosine não é apenas uma recordação de fatos; é uma reativação da harmonia interior, um regresso à unidade perdida.

Uma sinfonia para a eternidade

A Viagem Sinfonica dos Símbolos é uma ode à Maçonaria, um apelo à escuta da música interior que ressoa dentro de cada ser. 

A Loja, com os seus símbolos, rituais e vibrações, é uma orquestra onde cada nota contribui para a harmonia cósmica. Inspirado nas intuições de Nikola Tesla

• “Se queres descobrir os segredos do Universo, pensa em termos de energia: frequência e vibração”.

e Albert Einstein:

• “Aquilo a que chamamos matéria é energia, cuja vibração foi muito reduzida”.

Lembre-se que tudo no Universo é vibração, energia e música.

Para os maçons, o trabalho da Loja é um convite a sintonizar esta música primordial, a redescobrir a memória da sua própria luz. 

É um caminho de paciência, de perseverança e de amor. 

Todos devem sentir o eco de uma sinfonia universal, um apelo a caminhar, passo a passo, para uma liberdade que começa no amor-próprio e se estende a toda a humanidade. 

A Maçonaria, na sua beleza intemporal, continua a ser um caminho de esperança, um lugar onde podemos aprender a vibrar em uníssono com o Universo.





TEMOS TEMPO OU APENAS PRESSA? - João B.



Há dias em que sinto que o tempo já não é meu, desde que o teletrabalho se instalou como o "novo normal", no pós confinamento pandémico, o que era suposto trazer liberdade trouxe, afinal, uma aceleração quase silenciosa. 

Já não há separação entre o que é trabalho e o que é pausa, e mesmo quando há, é invadida por notificações, prazos, chamadas e a estranha urgência de responder a tudo.

Se me perguntarem quando foi a última vez que parei mesmo, sem celular, sem tarefas, sem estímulos, talvez tenha de recuar até à última sessão de Loja e a todas as ultimas sessões. 

Isso, por si só, já diz muito.. 

Na vida profana, tudo parece correr, nas estradas, nos corredores dos supermercados, nos gabinetes e nas escolas., até os reformados. 

Aqueles que deveriam ter tempo para o “dolce far niente” ou descansar à sombra do chaparro, parecem sempre com algo urgente para fazer. 

O tempo tornou-se um luxo e a lentidão, um pecado.

Quem abranda é ultrapassado. 

Quem pára, fica para trás.

E, no entanto, o tempo continua a ser o mesmo... 

Não é o mundo que gira mais depressa, somos nós que deixámos de o escutar. 

O tempo não se mede apenas em minutos, mas em presença, talvez seja por isso que vivemos com tanta pressa, para não estarmos realmente onde estamos, para não sentir o peso de cada instante. 

A pressa não é apenas um vício, é uma forma de ausência, uma fuga bem disfarçada.

Em Loja, tudo muda, o tempo não acelera ou abranda, assume um ritmo próprio, cadenciado, harmonioso, quase litúrgico. 

O ritual não está feito à medida da pressa, mas da harmonia. 

Há pausas e há compassos. 

Há silêncio e nesse silêncio, não há vazio,  há sim construção.

Dizem que os antigos sabiam viver devagar. Os monges, os operários, os mestres de ofício, sabiam que ouvir o tempo era ouvir-se a si mesmos. 

Hoje já não o fazemos, corremos. 

Mas corremos para onde?

Gostava de mudar isso, de ter a capacidade para conseguir parar dez minutos por dia, só para refletir, para me ouvir. 

Não para produzir, não para responder a ninguém, apenas para reencontrar o compasso interior que o mundo me rouba.

Talvez um dia volte a conseguir, talvez seja esse o verdadeiro trabalho de uma vida, recuperar o tempo.





novembro 28, 2025

OLHA O BLACK FRIDAY AÍ GENTE !!! - Newton Agrella



Fazer um Black Friday dentro de nós mesmos pode ser uma boa iniciativa para depurar muitas das insatisfações que carregamos conosco e estào acumuladas no nosso estoque. 

É Limpa Total !!!

O momento parece bem convidativo para promovermos verdadeiros descontos com relação às nossas expectativas, nossas divergências e até mesmo às nossas frustrações.

Afinal de contas, Black Friday é tempo de trégua e de darmos menor valor às coisas e atitudes que porventura nos tenham desagradado, bem como a ressentimentos represados.

Porém, o desconto tem que ser real, vir lá do fundo do coração.

Não vale remarcação, nem desconto maquiado...senão deixa de ser Black Friday.

A bem da verdade, esse período de liquidação tem que contar com uma alta dose de altruísmo, paciência, tolerância e entendimento.  

Trata-se da liquidação de valores que tornaram-se um fardo dentro da alma e precisam ser expurgados.

Nossa alma pede oxigenação, pede calma, pede amor e  compaixão...

Tem que ser Black Friday total !!!

Tem que ser aquele que não engana o consumidor e que nos ajuda a tornar todas as nossas relações de vida mais leves, menos tensas e mais fraternas.

O Black Friday taí !!!

Cumpre-nos agora, promovê-lo conforme nossa consciência e nossa disposição nos permitirem.

Que o saldo de nosso Black Friday Interior nos dê a chance de nos aprimorarmos como seres humanos cada vez mais dignos, menos egoístas, menos arrogantes e que de fato, possamos conceder 100% OFF às angústias e a sentimentos menores que ainda estiverem expostos em nossa vitrine.



TU OU VOCÊ? - Heitor Rodrigues Freire


Ultimamente tenho feito incursões pelo mundo da gramática com abordagens filosóficas sobre os seus diversos aspectos. E tenho o privilégio de contar, entre meus leitores, com um em especial, da estirpe do professor Cezar Mafuz Maksoud, advogado e professor emérito que dedicou mais de 50 anos de sua vida ao magistério.  Idealista que é, tornou-se um dos líderes pela luta da volta da nossa linha ferroviária. Além disso, muito me honra a leitura que ele faz de meus artigos.

Um dia desses, o professor Cezar me chamou a atenção para uma anomalia da língua portuguesa, como ele mesmo explica: 

“Consideremos: 

Eu: o que fala (primeira pessoa); Tu: com quem se fala (segunda pessoa); Ele: de quem se fala (terceira pessoa); O motivo disso pode ser explicado!

Quando tu falas com alguém, podes dirigir-se à pessoa, usando “você”! 

Por exemplo, dirigindo-me ao Heitor, posso dizer: 

- Tu escreves muito bem (segunda pessoa)!

Ou - Você escreve muito bem (apesar de falar com alguém [tu], uso a terceira pessoa: você) !!!

Quando conversamos com alguém, podemos usar o pronome “tu” (segunda pessoa) ou o pronome “você” (terceira pessoa)! 

O curioso é que, com quem se fala (vous em francês, you em inglês) temos no nosso vernáculo, além do ‘tu’, o ‘você’: particularidade de nossa língua! O ‘você’ (pessoa com quem se fala), excepcionalmente, é pronome de terceira pessoa e é usado como segunda pessoa!!!!!

Parte de um princípio antigo: não dirigir-se diretamente a uma pessoa hierarquicamente superior! Constituía uma falta de respeito! Então, ao invés de dirigir-se diretamente à pessoa, na interlocução, apelava-se para esta situação: a indagação era dirigida a uma qualidade da pessoa: Assim, ao invés de dizer: 

- Tu podes me dar uma permissão, dizia-se:

‘A vossa mercê pode me dar uma permissão?’

Daí ‘vossa mercê’ gerou ‘vosmicê’ e vosmicê gerou ‘você’!

Esta “anomalia” só se encontra na língua portuguesa!”

A partir daí, fui pesquisar, e encontrei algumas informações: a diferença entre "tu" e "você", como já dito acima, está na pessoa gramatical e no nível de formalidade, mas a conjugação verbal correta é frequentemente diferente do uso coloquial. "Tu" é um pronome da 2ª pessoa do singular e, gramaticalmente, exige verbos conjugados na 2ª pessoa (ex: "tu comes"). "Você" é gramaticalmente um pronome da 3ª pessoa do singular, exigindo verbos na 3ª pessoa (ex: "você come").  Mas como estamos no Brasil, e por aqui costumamos subverter toda a ordem, na prática quando usamos o “tu”, embaralhamos a conjugação e misturamos a segunda com a terceira pessoa (“tu vai lá?), de um modo  completamente informal. Quando usamos “tu” conjugado corretamente (“tu gostarias?”), é como se vestíssemos um figurino de Dom Pedro e ouvíssemos alguém dançando um minueto ao fundo. Quando usamos “vós”, então, aí é papo de Antigo Testamento, e olhe lá. Praticamente um túnel do tempo.

No uso cotidiano, "você" é mais versátil, e se tornou o padrão em muitas regiões, sendo usado tanto em situações informais quanto formais. O uso de "tu" com a conjugação trocada (em terceira pessoa) é mais restrito a um contexto informal e familiar. 

Na norma culta, a distinção entre "tu" e "você" está na concordância verbal. Quando se usa "tu" corretamente, o verbo é conjugado na segunda pessoa, e quando se usa “você”, o verbo é conjugado na terceira pessoa.

Mas o rumo evolutivo da língua aponta a supremacia absoluta do você e a retirada de cena de tu/vós. A conjugação verbal se reduzirá a três pessoas: eu, ele, você; nós, eles, vocês.

A sociolinguística, que dialoga com a filosofia da linguagem, mostra que a variação e a escolha entre "tu" e "você" estão ligadas a fatores como região, classe social, idade e o grau de intimidade entre os falantes. Pra variar, a ausência de uma regra uniforme em todo o Brasil (em algumas regiões predomina o "tu", em outras o "você", e em muitas há a mistura informal) demonstra fluidez nas relações sociais. A língua reflete a forma como os brasileiros navegam entre a intimidade e a distância, a horizontalidade e a hierarquia, em diferentes contextos. 

Em resumo, enquanto o "tu" aponta para uma conexão intersubjetiva direta e um reconhecimento mútuo da individualidade, o "você" – com sua raiz em pronome de tratamento e concordância de terceira pessoa – introduz uma camada de mediação, distanciamento histórico e flexibilidade social na comunicação.

Professor Cezar, suas observações geraram um aprendizado para todos nós. Muito obrigado!

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novembro 27, 2025

MAÇONARIA: TEMPO x EXPERIÊNCIA - Kennyo Irmail

 


Já dizia Einstein que o tempo é relativo. Isso não se aplica apenas à ciência, mas na vida também. E sendo o tempo relativo, não é indício de experiência, pois enquanto o tempo é relativo, a experiência é absoluta.

A dependência entre o tempo e a experiência é de que o tempo não garante experiência, enquanto que para se ganhar experiência precisa-se de tempo. Isso porque a experiência depende de atividades, trabalhos, esforços, e esses gastam tempo para serem realizados. A verdade é que você pode ver os anos se passarem e não ganhar experiência alguma, ou pode agir e ganhar experiência a cada dia.

Na Maçonaria isso não é diferente. Você pode ter 40 anos de Maçonaria e não ter experiência alguma. Basta você não visitar outras Lojas, não conhecer outros Ritos, não visitar Obediências amigas, não participar dos mais diversos eventos maçônicos, não ingressar nos Altos Graus, não ler e estudar. Você terá muito tempo de Maçonaria, mas não terá experiência alguma além daquela obtida em sua própria Loja. Em contrapartida, a realização de tais atividades é diretamente proporcional à experiência maçônica, o que significa que um maçom atuante e estudioso, com o passar dos anos, poderá acumular bagagem o bastante para ser uma boa referência em seu meio e colaborar para o desenvolvimento de seus irmãos.

Em outras palavras, tempo está relacionado a sobreviver, enquanto que experiência está relacionada a viver. Se você viver a Maçonaria, você ganhará experiência, e se você apenas sobreviver na Maçonaria, apenas acumulará tempo. É uma questão de escolha e de vontade. Tempo só é sinal de experiência quando bem aproveitado. Então faça a escolha certa e aproveite o tempo, e assim você viverá experiências maravilhosas na Maçonaria.



O PERIGO MORA AO LADO - Sidnei Godinho


 

O texto que inspira é do Pastor e Palestrante Júlio César Franco e aborda o conflito ideológico e sentimental que aflige todo ser humano, à começar em sua própria casa. 

Desde que o arquétipo da primeira pessoa, (Adão), Instituída por Deus no Éden, da pureza das boas intenções em uma vida no paraíso, bastou acrescer uma segunda opinião, (Eva), e o conflito foi gerado, revelando a fragilidade do ser criado em interagir com seu próprio semelhante. 

E bastou formar a primeira família com seus filhos (Caim e Abel) e logo as mazelas da relação social, a vaidade e a inveja, manifestaram-se no primeiro crime da humanidade, um fraticidio.

Assim se sucederam diversos exemplos desta falha comportamental que aflora em alguns e cega a razão, levando um irmão a agredir seu semelhante pela incompreensão e não aceitação de ser preterido por Deus, por seus Pais, por seu Chefe, por seus Amigos, por alguns ditos irmãos em loja... 

É o desespero dos despreparados que apelam para a agressão ao invés de focar em suas debilidades e tentar melhorar. 

Atacar um inocente é mais fácil que se olhar no espelho e se deparar com o fracasso, porque para mudar é preciso coragem para se perdoar e principalmente HUMILDADE para se reconhecer mais falho do que a quem acusa. 

Aproveite o dia de hoje, vá ao seu quarto, olhe-se no espelho e responda para si mesmo o quê vê. 

Aliás, vá além e pergunte para si *QUEM* você vê??? 🤔 🤔 🤔 

..."Quem matou Abel?

 - Seu irmão.

Quem vendeu José?

 - Seus irmãos.

Quem expulsou Jefté?

 - Seus irmãos.

Quem tinha inveja de Davi?

 - Seus irmãos.

Quem não ficou feliz com o retorno do filho pródigo?

 - Seu irmão.

Quem tenta abalar sua desenvoltura no seu trabalho em Loja? 

- Um dito irmão. 

Dentre tantos exemplos da Bíblia e da vida em sociedade, percebemos que todos os traídos e maltratados por seus próprios irmãos foram muito abençoados e os mais protegidos por Deus.

Portanto, não pare de frequentar sua Loja e jamais pare de buscar por seu crescimento porque alguém o feriu ou tentou desacreditar seu trabalho por pura inveja ou incapacidade de compreensão. 

Lembre-se que no final quem vai te julgar, te dar a salvação e reconhecer o trabalho sincero e correto que está fazendo é Deus, o Grande Arquiteto do Universo, e não o dito Irmão invejoso sentado ao seu lado!!!"...

novembro 26, 2025

DENIS - 50 ANOS DE MAÇONARIA







 

Na noite de ontem, terça feira, a minha querida ARLS Tríplice 341 de Mongaguá comemorou os 50 anos de maçonaria do irmão Geraldo José Denis, dentista, piloto, pescador, amado por todos por seu caráter, temperamento e dedicação a Ordem. 

Cada cadeira da belíssima Loja tem uma placa com o nome gravado, do irmão do quadro ou do doador, e esta é apenas uma das muitas contribuições deste irmão para a Loja.

Foi um momento de plena felicidade compartilhado com todos os irmãos e simbolizado por um delicioso bolo.


Primeiras mulheres vão ser iniciadas em Portugal - Catarina Guerreiro




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As novas "irmãs" vão ser integradas na Loja Delta, em Lisboa que passou a ser mista, pondo fim a uma regra de séculos que proibia a entrada do sexo feminino

 Grande Oriente Lusitano (GOL), a obediência mais antiga e influente do país, vai esta terça-feira, dia 25 novembro, pela primeira vez na história, passar a ter mulheres entre os seus membros. A iniciação – ritual maçónico em que os novos membros são apresentados aos restantes – vai decorrer no templo José Estevão, que existe no Palácio maçónico, no Bairro Alto, em Lisboa, segundo documentos internos a que a CNN Portugal teve acesso.

As duas primeiras mulheres maçons do GOL vão pertencer à Loja Delta, liderada por Leonel Gonçalves, que é assim a primeira loja da obediência a deixar de ser exclusiva para homens.  Mas não será a única, uma vez que já outras lojas iniciaram o processo para também terem “irmãs” entre os seus elementos, de acordo com fontes da maçonaria. Estão em processo de entrada várias "irmãs". 

A entrada de mulheres, aprovada no parlamento maçónico em maio deste ano e promulgada em junho pelo grão-mestre Fernando Cabecinha, gerou grande polémica interna e levou a que, pelo menos, 40 maçons saíssem do GOL por não concordarem com a decisão.