janeiro 04, 2026

RONDÔNIA, 44 ANOS - Aldino Brasil


Rondônia, 44 anos! O Estado de Rondônia foi criado oficialmente pela Lei Complementar nº 41 em 22 de dezembro de 1981, sendo instalado em 4 de janeiro de 1982, quando Jorge Teixeira de Oliveira tomou posse como o primeiro governador, marcando a transição do antigo Território Federal de Rondônia para um estado, comemorando-se o aniversário nesta data de instalação, ressaltando sua jovem história e importância para o desenvolvimento do Norte do Brasil.

A região era o antigo Território Federal do Guaporé, criado em 1943, desmembrado de Mato Grosso e Amazonas.

Em 1956, foi rebatizado como Território Federal de Rondônia, em homenagem ao Marechal Rondon.

O grande passo foi dado com a sanção da Lei Complementar nº 41, em 22 de dezembro de 1981, pelo presidente João Batista Figueiredo, elevando o Território à categoria de Estado.

A data de 4 de janeiro de 1982 é a da instalação, com a posse do primeiro governador, Cel. Jorge Teixeira de Oliveira, marcando o início da administração estadual e a comemoração anual.

(Por iniciativa dos ilustres maçons deste Estado nasceu em Rondônia, há 5 anos, a a Loja Maçônica Virtual Lux in Tenebris 57, a primeira do Brasil e também a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras que tenho a honra de presidir - Michael Winetzki)

MACONARIA E PROTESTANTISMO - Viviane Ribeiro


 A Curiosa Relação da Maçonaria Brasileira com a chegada dos primeiros missionários protestantes ao Brasil Império. Os missionários protestantes norte-americanos, de origem sulista, que chegavam ao Brasil em 1862, foram os primeiros protestantes a chegarem no País com o objetivo de proselitismo religioso. 

Há anos já havia comunidades de protestantes alemães e ingleses, mas que não tinham nenhuma intenção de expandir sua fé. A Imigração dos confederados que resultou na fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil, foi sugerida pelo Grão Mestre do Grande Oriente e líder da Maçonaria Conservadora, Visconde do Rio Branco, ao missionário presbiteriano, Alexander Blackford, fundador do primeiro órgão de imprensa Protestante no Brasil, contou com o apoio e colaboração de Joaquim Nabuco, considerado líder da Maçonaria Liberal. 

A  proteção dispensada aos agentes bíblicos e aos missionários por parte da maçonaria, e a defesa da liberdade religiosa, foi apenas parte de uma jogada política contra o poder da Igreja Católica. A maçonaria via os protestantes como os representantes da “modernidade” no Brasil, daí surgiu a crença entre a elite liberal e maçônica de que o atraso brasileiro era consequência da dominação Romana, tal situação seria resolvida mediante a imigração em massa dos povos protestantes e da imposição de seu estilo de vida baseado na valorização do trabalho e da educação.

Paralelamente à construção das igrejas, os missionários criaram escolas com a finalidade de instruir e educar os filhos dos fiéis dentro da ética protestante. Contudo, essas escolas passaram a receber os filhos da elite liberal-republicana e da maçonaria, uma vez que foram organizadas segundo o modelo norte-americano de educação moderna, pragmática e cientifica.

Fonte: PROTESTANTISMO, LIBERALISMO, MAÇONARIA E A EDUCAÇÃO NO BRASIL, NA SEGUNDA METADE DO Século XIX. 


2026 - Adilson Zotovici



Rogo-te Grande Arquiteto

Muita Luz na nova estação

Um próspero ano repleto

De paz, saúde e união


Dá vida ao bom projeto

Força na realização

Torna o bom sonho concreto

No tempo certo a solução


Com o Teu Manto dileto

Cobre a Sublime Instituição,

A família, nosso teto,

O carente, a população...


Que a sabedoria o objeto

Equilíbrio e resignação

Frente a algum desafeto

Em conceder-lhe o perdão


Tua proteção no trajeto

À vida, que em Ti a razão

Por ela, por tudo, com afeto...

Nossa eterna Gratidão !



RELIGIÃO E MAÇONARIA: DOIS CAMINHOS, UMA MESMA PERGUNTA - Rui Calado


Religião e Maçonaria nascem do mesmo ponto original: a inquietação humana diante do mistério. 

Ambas procuram responder à pergunta fundamental — de onde venho, quem sou, para onde vou? — mas fazem-no por vias distintas, quase opostas na forma, ainda que não necessariamente no fim.

A religião estrutura-se a partir da revelação. 

Parte de uma verdade transmitida, fixada na palavra, no livro, no dogma. 

Organiza a relação com o sagrado através da crença, do culto e da pertença. 

A sua força reside na capacidade de criar comunidade, sentido partilhado, narrativa comum. 

O seu risco está em confundir o símbolo com a realidade, a mediação com o absoluto, a obediência com a consciência.

A Maçonaria, pelo contrário, estrutura-se a partir da iniciação. 

Não transmite verdades finais; propõe experiências simbólicas. 

Não exige fé; exige trabalho sobre si. 

Não define Deus; aponta para um Princípio, deixando à consciência de cada um a forma de o nomear. 

Onde a religião afirma, a Maçonaria sugere; onde a religião prescreve, a Maçonaria simboliza.

Do ponto de vista simbólico, a diferença é clara: a religião eleva o olhar para o céu; a Maçonaria baixa-o para a pedra. 

Uma fala da salvação da alma; a outra da construção do homem. 

Uma promete redenção; a outra exige lapidação. 

Não são caminhos rivais, mas planos distintos.

A confusão começa quando a religião pretende ser iniciática sem o ser, ou quando a Maçonaria é lida como religião alternativa — erro frequente de críticos e de alguns entusiastas. 

A Maçonaria não substitui o sagrado religioso nem o combate; trabalha antes num plano ético, simbólico e antropológico, anterior a qualquer confissão. 

Por isso pode acolher homens de diferentes crenças sem lhes pedir renúncia.

Historicamente, a tensão entre ambas nasce quando a religião institucional se sente ameaçada por um espaço onde a consciência não é tutelada. 

A Maçonaria afirma a liberdade interior, o uso da razão, a dignidade do símbolo. 

Não nega Deus; recusa falar em nome de Deus.

Esse silêncio ativo é, talvez, a sua maior heresia aos olhos do dogma.

Iniciáticamente, a religião tende a oferecer um caminho vertical — do homem para o divino — mediado por uma autoridade espiritual. 

A Maçonaria propõe um caminho horizontal e circular — do homem para si mesmo, e deste para a humanidade. 

O divino, se existir, manifesta-se como ordem, harmonia, lei moral inscrita no coração do ser humano.

Num tempo em que as religiões perdem autoridade simbólica e a espiritualidade se fragmenta, a Maçonaria permanece como um espaço raro de trabalho simbólico não dogmático. 

Não promete sentido; constrói-o. 

Não impõe valores; exercita-os. 

Não oferece certezas; educa para a dúvida fecunda.

Religião e Maçonaria não se anulam. 

A religião pode nutrir o sentido do transcendente; a Maçonaria disciplina a ética da ação. 

Quando separadas, empobrecem; quando confundidas, pervertem-se.

Talvez o equilíbrio esteja aqui: uma religião que volte a ser simbólica e humilde, e uma Maçonaria que permaneça fiel à sua vocação discreta de escola de humanidade. 

Não para salvar almas, mas para formar homens justos, conscientes e livres — capazes, talvez, de tornar o mundo um lugar um pouco menos indigno do mistério que o habita.

Porque, no fim, não foram as religiões que falharam totalmente.

Falhou o esquecimento de que o caminho é sempre interior, e que nenhum deus substitui a responsabilidade de tornar-se humano.


SALOMÃO LUIZ GINSBURG - Luciano J. A. Urpia .



 Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) foi um dos missionários batistas mais importantes para a evangelização e expansão da Igreja Batista no Brasil. Nascido na Polônia, era judeu e filho de rabino, mas se converteu ao Cristianismo e foi para a Inglaterra. Seu pai, o deserdou por isso.

Chegou ao Brasil e logo se batizou na Igreja Batista, por influência do missionário Zacarias Clay Taylor. Também Iniciado na Maçonaria (como outros batistas), Ginsburg chegou a narrar sobre sua condição de maçom em seu livro “Um Judeu Errante no Brasil”.

Não foi um simples Irmão da Ordem, pois tinha uma vida maçônica ativa e atuante: podemos destacar que Ginsburg em 02.07.1894, foi um dos fundadores, na cidade de São Fidélis (RJ), da Loja Maçônica “Auxílio à Virtude”. Na mesma cidade e ano, fundou a “Egreja de Christo” (depois chamada Batista), com auxílio financeiro dos maçons.

Também foi membro de diversas Lojas Maçônicas, como a “Duke de Clarence Lodge” (Salvador-BA), “Restauração Pernambucana” (Recife-PE), PE, “Progresso” (Campos-RJ), e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo, é patrono da Loja “Salomão Ginsburg” no 3.

Além de fundador de inúmeras Igrejas Batistas pelo país, criou o hinário das Igrejas Batistas no Brasil.



Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA



janeiro 03, 2026

POR QUE O IMPACTO DA MAÇONARIA DIMINIU - Rogério Paschoal

 



O fascínio exercido pela Maçonaria no século XVIII em comparação com a atualidade pode ser compreendido através de uma análise que envolve o monopólio do conhecimento, a estrutura de classes e a dessacralização da informação.

Aqui está o raciocínio lógico e sociocultural dividido em três eixos:

1. O Monopólio da Vanguarda vs. A Diluição da Informação

No século XVIII (O Século das Luzes), a Maçonaria era o principal "hub" de inovação intelectual. Em um mundo dominado pelo absolutismo monárquico e pelo dogma religioso, as lojas maçônicas ofereciam um espaço único de livre-pensamento. 

Raciocínio: O fascínio ocorria porque a Ordem detinha o "fogo prometeico": as ideias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade que moldariam as revoluções (Americana e Francesa).

Hoje: Na era da internet e das redes sociais, não existem mais "segredos intelectuais". O conhecimento filosófico e os ideais políticos estão democratizados. A Maçonaria perdeu o monopólio da vanguarda ideológica, tornando-se uma instituição de preservação de tradição, o que gera menos curiosidade transformadora. 

2. Sociabilidade Seleta vs. Entretenimento de Massa

No século XVIII, a Maçonaria funcionava como a rede social definitiva para a ascensão da burguesia e o diálogo com a aristocracia esclarecida.

Raciocínio: O fascínio residia no exclusivismo. Pertencer a uma loja era o sinal máximo de distinção social e acesso a círculos de poder restritos. Era o local onde o "mérito" começava a desafiar o "berço".

Hoje: A sociedade atual é hiperconectada e valoriza a transparência e o alcance de massa. Clubes de serviço, fóruns de networking online e associações profissionais cumprem o papel prático que antes era exclusivo das lojas. O "mistério" maçônico, em um mundo que exige exposição constante, é visto por muitos mais como uma excentricidade do que como um privilégio aspiracional.

3. O Espaço do Sagrado e o Impacto do Segredo

A mentalidade do século XVIII era profundamente simbólica e ritualística. O segredo maçônico tinha um peso existencial e político real; traí-lo poderia significar ostracismo ou perseguição estatal.

Raciocínio: O impacto (fascínio) era alimentado pelo perigo e pela mística. A sociedade via a Maçonaria como uma força invisível capaz de derrubar tronos. O segredo era uma arma de proteção e uma ferramenta pedagógica de autoconhecimento.

Hoje: Vivemos em uma era de profundo ceticismo e pragmatismo. O "segredo" maçônico é frequentemente ridicularizado por teorias da conspiração na internet ou visto como um anacronismo. Para o homem moderno, o mistério ritualístico muitas vezes não compete com o fascínio imediato da tecnologia e do consumo.

Conclusão: Por que o impacto diminuiu?

O real motivo do maior impacto no século XVIII foi a necessidade histórica. A Maçonaria era a resposta para os anseios de uma classe emergente que precisava de um refúgio para construir um novo mundo.

Hoje, a Maçonaria enfrenta o desafio de ser uma instituição estática (focada na preservação de ritos) em uma sociedade líquida (focada na mudança constante). O fascínio diminuiu porque a Ordem deixou de ser a "sala de máquinas" da mudança social para se tornar um "museu vivo" de valores éticos que, embora nobres, não possuem mais o caráter de urgência ou de exclusividade que tinham no passado.

MAIS DE QUATRO MIL...- Adilson Zotovici



Adilson Zotovici

Homenagem ao 

*BLOG MICHAEL WINETZKI* 

“*4000 POSTAGENS* “


Nunca houve tempo perdido 

Em tão colossais viagens 

Vez que tesouro erigido 

Nas culturais reportagens 


Um grande livro aguerrido

Levado às tantas paragens 

Pelo mentor escolhido 

Cada autor e suas mensagens 


Diário e esculpido 

Literário sem blindagens  

Um relicário exibido 


Anos a fio suas tiragens  

Blog dum “Mestre”, tão lido 

Mais de "quatro mil" postagens !



ENCONTRE SUA TURMA - Sidnei Godinho



Ontem ouvi um Aprendiz dizendo de sua empolgação por ter "Encontrado sua Turma". 

Ainda que nos primeiros passos, mas já aos 43 anos, casado, filhos e bem sucedido profissionalmente, faltava-lhe um grupo social para chamar de "Turma".

Ontem também uma outra reunião, de ex-integrante da Base Aérea dos Afonsos, renovaram uma tradição cinquentenária, da confraria dos Filhos da Pauta.

Samba, Pagode, Chopp, churrasco, muita Água Mineral e o tradicional batismo de cerveja, sob a centenária Tamarineira.

Mais um grupo que se identificou por Turma.

Semana passada foram os ex-alunos do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, em Santa Cruz que, igualmente, constituíram sua própria Turma e comemoraram a vida, através da amizade e das lembranças.

Por fim, tudo isto me chamou a atenção após assistir ao programa "Pequenas Empresas & Grandes Negócios", quando o repórter afirma que o segredo do sucesso de qualquer empreendimento é:

_ Ter um Propósito;

_ Encontrar sua Turma e

_ Dar significado ao seu Propósito.

A vida é, também, um negócio onde diariamente transações (algumas emocionais) são realizadas para dar sustento ao dia seguinte.

Muitos são os Propósitos ao longo da jornada, mas um nos é comum e basilar: "Ser Feliz!"

Que ganha significado nas realizações como Filho, Marido, Pai, Amigo, Aluno, Professor...

Mas é preciso, primeiro, Encontrar Sua Turma!

Sentir-se parte do todo, ser recebido como é e aceito por como se tornou, evoluir

O sucesso só faz sentido se compartilhado, ninguém é FELIZ sozinho.



janeiro 02, 2026

4000 POSTAGENS

 


        Iniciamos este novo ano com 4.000 postagens publicadas, fruto do trabalho de vários anos, e que foram selecionadas entre milhares de outras, nas áreas de maçonaria, ciência, cultura, história e entretenimento.

        Quem se dispusesse a ler apenas 4 postagens por dia, levaria mil dias, ou cerca de três anos, para abranger todo o conhecimento publicado.

        Começamos muito modestamente, e atingimos hoje mais de 774.000 acessos, o que para um blog específico de maçonaria, sem divulgação pública e com um nome tão complicado como o meu é um numero extraordinário.

        Agradeço aos meus 256 seguidores, que representam a elite do conhecimento maçônico do país, e lhes dedico meu trabalho, meu esforço e compartilho o amor pela Ordem;

        Muito obrigado, e um feliz e abençoado 2026.

CONJECTURAS SOBRE SER RECONHECIDO - Newton Agrella



(reminder)

Uns querem entrar na Ordem, porque acham que isto lhes confere um "status" social.

Outros assim o fazem, porque ouvem dizer, que ao ingressar na Maçonaria ficarão ricos e poderosos.

Há uma parcela que supõe que ser Admitido, seja um passaporte para fazer uma exitosa carreira política.

Nem tão distante disto, há os que acreditam, que em sendo Iniciados, todas as portas do mundo ser-lhe-ão abertas.

E finalmente, há um raquítico contingente de candidatos, que esperam, caso sejam admitidos, possam vir a desempenhar um trabalho de aprimoramento interior,  humanístico, ético, moral e intelectual, que possa torná-los mais consistentes como seres humanos.

Por obra de fortuitas circunstâncias, o que se percebe, especialmente em tempos mais recentes, é um "descompasso" entre o que se jura ou se compromete durante a Iniciação e o comportamento após um breve período de convivência.

Uns acabam simplesmente querendo contestar o que desconhecem. 

Outros, travestem-se de reinventores da história e buscam inócuas invencionices, como forma de querer deixar uma pretensa marca registrada.

Há também a legião dos que decidem incorporar o espírito divinal e messiânico durante sua pseudo-jornada filosófica, evocando preces, orações e citações religiosas, como se a Arte Real se constituísse num permanente e extenuante encontro ecumênico.

E para fechar com chave de ouro, existe aquele grupo de Iniciados, que prefere abdicar inclusive da crença num "Princípio Criador e Incriado" de tudo o que gira em torno de sua própria existência, como se isso fosse um sinal de consistência intelectual.

A bem da verdade, não é assim que a banda toca...

O mérito de toda essa história está na medida do equilíbrio, da ponderação e do bom senso.

Aquiescer a ideia de que a busca da Verdade (leia-se : "Conhecimento") está no exercício do pensamento, da reflexão, do raciocínio e da especulação ilimitada em prol do aprimoramento da Consciência, muito provavelmente seja o primeiro passo para que de fato, o suposto Obreiro, possa vir a ser reconhecido como um verdadeiro maçom.

Maçom é pedreiro, é construtor, é arquiteto de seu próprio templo interior, cuja missão é tornar-se cada vez melhor, assim como tornar a própria humanidade mais feliz, compartilhando e agregando os valores mais virtuosos do bem contidos na alma humana.

A essência filosófica e moral da Maçonaria reside em sempre  lutar pela Liberdade, promover a Igualdade, e fazer da Fraternidade seu instrumento perene de diretos e obrigações.

O Maçom é soberano juiz de seu tempo e de sua consciência.



A “VELHA” VERSUS A “NOVA” MAÇONARIA - Tiago Valenciano

 


A “VELHA” VERSUS A “NOVA” MAÇONARIA: OS DESAFIOS DA IRMANDADE NA PÓS-MODERNIDADE

Na teoria sociológica, as questões voltadas às concepções de identidade estão sendo amplamente discutidas. 

Discute-se o termo identidade para designar características específicas de um sujeito, isto é, aquilo que o diferencia das demais pessoas. 

Este princípio de identificação não está preso somente às discussões da sociologia. 

É algo que ultrapassa as fileiras académicas e atinge pessoas nas diversas relações sociais estabelecidas no quotidiano. 

O objetivo deste trabalho é problematizar a noção de identidade nos dias de hoje e indagar: 

A Maçonaria parou no tempo, como muitos dizem, ou ela não se adequou ao novo estilo de vida pós-moderno

Stuart Hall (2006) argumenta que existem três concepções de sujeito:

1. o sujeito do iluminismo (aquele centrado, unificado, voltado essencialmente para a razão); 

2. o sujeito sociológico (produto das reflexões complexas do mundo moderno, não autónomo e formado nas relações com as outras pessoas); 

3. e o sujeito pós-moderno (que celebra o móvel, que assume diferentes identidades em diferentes momentos, uma “multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis”).

Estas três definições dadas por Hall demonstram um panorama da concepção de identidade do sujeito ao longo dos séculos. 

Lá, no sujeito do iluminismo, a Maçonaria especulativa ganhava força, estruturando os ritos e rituais, organizando os templos e abandonando a sua fase operativa – fruto do medieval – e iniciando a fase especulativa, na qual a moral, os bons costumes e o estilo de vida do profano valem mais do que o trabalho concreto na pedra bruta. 

Pelos ensinamentos morais, o Maçom aprende a vencer as paixões, submeter as suas vontades e alcançar novos progressos na Maçonaria, atravessando por três grandes viagens simbólicas: a aprendizagem, o companheirismo e o mestrado maçónico. 

Nesta fase que experimentamos até hoje, o Maçom cuida da sua moral e, costumeiramente, ouvimos dizer que “estamos em constante processo de aprendizagem, construindo o nosso templo interior”.

A Maçonaria enquanto instituição assistiu e assiste a estas alterações de identidade colocadas por Hall. 

Convivemos bem com a égide iluminista – afinal, nascemos na era das luzes e fatalmente muitos autores desta linha ideológica sustentam a moral maçónica. 

Convivemos com a identidade sociológica, uma vez que o Maçom é um ser social, reúne-se em loja com maçons de diversas profissões e, consequentemente, há o estímulo fraternal da instituição. 


Para além dos templos, fazemos campanhas beneficentes, socorremos as viúvas necessitadas e auxiliamos as áreas da filantropia e do civismo, às vezes até confundindo actos políticos como legítimos da Maçonaria…

Mas, a Maçonaria está preparada para viver a pós-modernidade?

Ela sabe lidar com as identidades flexíveis, mutáveis, indefinidas

Com o advento da tecnologia, os rituais já não são mais secretos; os sinais, toques e palavras estão disponíveis na internet; a compra de aventais está fácil; e esta própria mobilidade faz com que os irmãos muitas vezes não permaneçam nos ágapes, tenham diversos compromissos nas suas agendas e o espírito fraternal se perca pouco a pouco.

Não proponho que retornemos ao passado imbuído de um pensamento nostálgico. 

A Maçonaria não pode viver do passado: ela deve analisar o presente e intervir, no sentido de oferecer à sociedade melhores condições de vida no futuro, agindo em torno das lojas ou dos próprios irmãos nos seus lares e locais de trabalho, enfim, no dia-a-dia.

A Maçonaria deve permanecer com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. 

Mas tem que se preparar para o futuro. 

Já encaramos pranchas e convites on-line, dispensamos os boletins impressos e uma carta enviada às coirmãs pelo correio não é mais algo de praxe. 

Precisamos refletir que o sujeito pós-moderno (ou que vive da modernidade tardia, como alguns autores dizem) é participativo, mutante, irónico, indeterminado, flexível, comprime as relações espaço-tempo, desconstruidor e anárquico.

Todas estas características levam à criatividade própria das pessoas de hoje, que se engajam em manifestações via internet, que trabalham por projetos sem estarem presas a horários e regras e que prezam pela segurança financeira aliada a novos desafios.

O argumento deste artigo é que a ação da Maçonaria precisa ser repensada. 

As relações sociais mudaram, as pessoas mudaram, a sociedade mudou, o modo de vida mudou e a Maçonaria continua lá, intacta. 

É claro que não é necessário revolucionar a Maçonaria, até porque os princípios gerais da ordem devem ser mantidos. 

Mas precisamos repensar a escolha dos irmãos, pois alguns postulados antigos caíram por terra. 

É preciso repensar as ações para além das paredes dos nossos templos, pois ajudar financeiramente quem precisa (quando isso ocorre…), contribuir com rifas e promoções ou votar em candidatos irmãos não basta.

Sugiro que a Maçonaria passe a refletir os caminhos que a pós-modernidade nos tem levado. 

Trabalhar por projetos, envolver os irmãos e explorar a criatividade são tarefas básicas. 

Agiremos, dessa maneira, como uma elite estratégica, colocada em postos fundamentais e que faz a diferença nas profissões, nos projetos que nos engajamos, nas empreitadas que topamos. 

Quando isso ocorrer, aproveitaremos a nossa união, reforçando os laços de amizade e prosperidade entre os irmãos e, por conseguinte, pensando numa nova atitude maçónica, totalmente condizente com a geração do novo século que já estamos vivenciando.




OS ESCRAVOS BRANCOS EUROPEUS - Fabio Monteiro


Entre os anos 1600 e 1900, os piratas norte-africanos capturaram e escravizaram até 1,25 milhão de europeus.

Eles passaram a ser conhecidos como os escravos brancos da Barbaria.

O comércio de escravos da Barbária envolveu a captura e venda de escravos europeus em mercados de escravos nos estados bárbaros otomanos em grande parte independentes. 

Eles foram capturados por piratas bárbaros em incursões de  navios em cidades costeiras da Itália até  a Irlanda.

No sudoeste da Grã-Bretanha, tão ao norte da Islândia e no Mediterrâneo Oriental.

O Mediterrâneo Oriental foi palco de intensa pirataria. 

Até no século XVIII, a pirataria ainda  continuava a ser uma "ameaça consistente ao tráfego marítimo no Egeu".

O tráfico de escravos bárbaros só  chegou ao fim nos primeiros anos do século XIX, depois que os Estados Unidos e os aliados da Europa Ocidental venceram a Primeira e Segunda Guerras, quando a região foi conquistada pela França, colocando um fim ao comércio na década de 1830.

Até Miguel de Cervantes,  autor espanhol de Dom Quixote foi capturado em 1575 por piratas bárbaros e levado para Argel. 

Lá, ele foi mantido como escravo por cinco anos, antes de ser resgatado pela família e amigos comprando-o de volta do seu dono mouro

Fonte: História Ilustrada, Facebook 

janeiro 01, 2026

SACRIFICA AGORA. APROVEITA DEPOIS.....



O homem que guardou a vida inteira numa caixa. quando abri essa caixa depois da morte dele, meu coração se partiu e eu entendi o maior erro que um ser humano pode cometer...

Meu tio Maurício era o homem mais disciplinado que já conheci. Trabalhou 42 anos na mesma metalúrgica em São Caetano do Sul. Era o primeiro a bater ponto e o último a sair. Economizava cada centavo. Não tirava férias "pra não gastar à toa". Não trocava de carro "porque o velho ainda anda". Não ia em festa de família "porque compromisso social é desperdício de tempo e dinheiro".

A filosofia dele cabia numa frase que ele repetia como mantra:

"Sacrifica agora. Aproveita depois."

Quando abri minha primeira loja, ele me chamou no porão da casa dele. Com solenidade de quem guarda uma relíquia sagrada, mostrou uma caixa de madeira envernizada, trancada a cadeado, coberta de poeira.

Destravou devagar. Abriu como se dentro houvesse algo explosivo.

Eram garrafas de vinho. Quatro delas. Importadas. Rótulos em francês que eu nem sabia pronunciar.

"Olha isso, sobrinho", sussurrou com a voz embargada de orgulho. "Essas garrafas custaram mais de quinze mil reais. Comprei com o décimo terceiro de 2005. São de uma safra lendária. Château Margaux. Especialistas dizem que cada uma vale hoje mais de cinco mil dólares."

Meus olhos arregalaram.

"Caramba, tio! E quando a gente vai abrir?"

Ele fechou a caixa num estalo seco.

"Abrir?! Você enlouqueceu? Isso não é pra dia qualquer, não. Isso aqui é pra Ocasião Especial. Tô guardando pro dia que eu me aposentar e comprar o sítio que sempre sonhei. Naquele dia, vou sentar debaixo de uma mangueira, abrir essas garrafas e beber uma a uma, celebrando que venci."

Aquela "Ocasião Especial" virou o motor da vida dele. Tudo era pra "esse dia".

O sítio. O descanso. A recompensa. O merecimento.

Passaram-se 11 anos.

Tio Maurício se aposentou aos 67 anos. A festa de despedida na metalúrgica foi linda. Ele chorou. Abraçou os colegas. Disse que finalmente ia viver.

Uma semana depois, enquanto assinava a escritura do sítio no cartório de Mogi das Cruzes, ele desabou.

AVC fulminante.

Morreu antes de chegar no hospital.

O velório foi silencioso, pesado. Mas o mais doloroso não foi o caixão. Foi entrar na casa dele depois do enterro pra recolher os pertences.

Desci ao porão.

A caixa de madeira continuava lá. Fechada. Intocada. Empoeirada.

A promessa não cumprida.

Decidi que aquele vinho não ia morrer junto com ele. Liguei pro meu pai, irmão do tio Maurício, e chamei meus primos. Nos sentamos na cozinha velha, ao redor da mesa onde ele comia sozinho todo dia depois que a tia faleceu.

"Vamos abrir por ele", eu disse, com a voz embargada. "Vamos celebrar a vida que ele viveu."

Peguei a primeira garrafa. Empoeirada. Pesada. Com um rótulo que parecia uma obra de arte.

Enfiei o saca-rolhas.

A rolha saiu quebradiça, ressecada, desintegrando em pedacinhos.

Servi cinco taças.

O líquido era turvo. Escuro demais. Com um cheiro estranho, azedo.

Levantamos as taças, chorando:

"Pelo tio Maurício."

Bebemos.

E cuspimos quase ao mesmo tempo.

Estava horrível.

Tinha gosto de vinagre. De podre. De morte.

O vinho tinha oxidado. Virado. Perdido toda a nobreza, todo o valor, toda a razão de existir.

Aquelas garrafas que um dia valeram uma fortuna agora não valiam nem o vidro.

Abrimos as outras três. Todas iguais. Estragas. Intragáveis.

Despejamos tudo na pia.

Ver aquele líquido escuro, caro, carregado de sonhos adiados, descendo pelo ralo... foi a coisa mais devastadora que já presenciei.

Meu primo Júlio, o mais velho, encostou as mãos na pia e começou a chorar.

"Ele fez isso com a vida dele", murmurou. "Guardou tanto pro depois... que estragou no durante."

Aquela frase me atravessou como uma lâmina.

Saí daquela casa e, pela primeira vez, entendi o que meu tio nunca entendeu:

A vida não é um ensaio geral pra uma estreia futura. É o espetáculo acontecendo agora, ao vivo, sem replay, sem segunda chance.

Naquela mesma noite, abri a garrafa de champanhe que eu guardava "pra quando a loja faturasse o primeiro milhão".

Vesti o terno que eu guardava "pra casamento importante".

Peguei minha esposa pela mão e fomos comer pastel na feira, numa terça-feira qualquer, usando a louça de porcelana que a sogra deu "pra ocasiões especiais".

Porque eu entendi, tarde, mas entendi:

Estar vivo hoje, respirando, com saúde, com quem você ama ao lado... já É a ocasião especial.

O espiritismo ensina algo que meu tio nunca quis ouvir: a Terra é escola, não sala de espera. Não viemos pra guardar experiências numa caixa trancada. Viemos pra viver, amar, errar, aprender, sentir. A reencarnação nos dá outras chances, sim — mas não a mesma chance. Não o mesmo corpo. Não as mesmas pessoas. Não o mesmo agora.

Cada momento que você adia por medo, por economia, por "não ser a hora certa"... é um momento que apodrece. Assim como o vinho do tio Maurício.

Quantas coisas você tem guardadas pra "algum dia"?

Aquele vestido com etiqueta?

Aquele perfume caro?

Aquela viagem que você vai fazer "quando os filhos crescerem"?

Aquele "eu te amo" que você não diz porque "ele já sabe"?

Aquele perdão que você vai pedir "quando o orgulho passar"?

Te digo uma coisa com o coração na mão:

Se você morrer amanhã, outra pessoa vai usar seu vestido, seu perfume, vai dormir na sua cama e vai viver a vida que você guardou pra depois.

Meu tio Maurício trabalhou 42 anos. Economizou cada centavo. Abriu mão de alegrias, de abraços, de risadas.

Morreu uma semana depois de se aposentar.

As garrafas que ele guardou por 11 anos viraram vinagre.

O sítio que ele comprou ficou vazio.

A vida que ele prometeu viver "depois"... nunca chegou.

E eu aprendi, da forma mais dolorosa possível:

"Algum dia" é o cemitério dos sonhos.

"Quando eu tiver tempo" é a desculpa dos mortos-vivos.

"Vou guardar pra ocasião especial" é o epitáfio de quem nunca viveu.

Hoje, eu uso o perfume caro na segunda-feira.

Abro o vinho bom pra comer pizza com a família.

Digo "eu te amo" todo dia, porque amanhã posso não estar aqui.

E toda vez que passo na frente daquela casa em São Caetano, olho pro porão e sussurro:

"Desculpa, tio. Eu entendi. Tarde. Mas entendi."

A vida não espera você estar pronto.

Ela acontece agora.

E se você não viver hoje, amanhã pode ser tarde demais.

Você tem algo guardado pra "ocasião especial"? Você acredita que a vida é pra ser vivida agora, ou você também está esperando um "depois" que pode nunca chegar?

Fonte: Facebook