abril 19, 2026

AS CHAVES MAÇÓNICAS DA CASA BRANCA - Javier Banco




Com pouco mais de dois séculos de idade, a residência presidencial, agora icónica, tem uma história curiosa por trás dela, que a liga, a partir do momento da sua fundação e construção com a maçonaria, uma irmandade a que pertenceram quinze presidentes dos Estados Unidos.

A  ligação entre a Casa Branca e a Maçonaria remonta a 12 de Outubro de 1792. (véspera da cerimônia de lançamento da pedra fundamental) 

Naquele dia, a taverna “Fountain Inn” em Georgetown – agora um dos bairros históricos de Washington DC – estava cheia de gente. 

Multidões de vizinhos tinham ido testemunhar a cerimónia de colocação da primeira pedra do que seria a “Casa do Presidente” (como era então chamada).

Entre a multidão estava um grupo de homens usando vestes maçónicas, que iniciaram a marcha até ao local de construção. 

Uma vez lá, o Venerável Mestre da Loja n° 9 de Maryland – o espanhol Pedro Casanave – oficiou a cerimónia, colocando a pedra fundamental no canto sudoeste do sitio e depositando uma placa de metal que comemorou o evento.

Entre os presentes, além dos comissários do distrito federal e dos curiosos de Georgetown e cidades vizinhas, estava o arquiteto do edifício, o irlandês James Hoban, que também era Maçom.

Após a Guerra da Independência dos Estados Unidos, Hoban decidiu tentar a sorte na nova nação; deixou a sua terra natal e estabeleceu-se em Charleston. 

Foi lá que o arquiteto irlandês teve a oportunidade de conhecer George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, e também membro da Maçonaria.

Aquele primeiro encontro foi frutífero, porque quando algum tempo depois Washington convocou uma competição para a construção da futura Casa do Presidente, ele escolheu – entre dúzias de propostas – o desenho feito pelo jovem James 

Naquela época (Julho de 1792), Hoban já era membro da Loja nº 9 de Maryland

Entre os diferentes edifícios da sua terra natal, que o inspiraram a projetar a Casa Branca, havia um prédio em Dublin, a chamada Casa Leinster. 

Esta mansão foi construída por James Fitzgerald – Duque de Leinster – que, segundo vários autores , também era Maçom e fundador de uma Loja em Kilwinning. 

Aparentemente, Fitzgerald usou a mansão de Leinster para celebrar as “reuniões” da sua Loja.

Em todo o caso, não há razão para suspeitar que Hoban fez um projeto semelhante ao da Leinster House pelas suas supostas ligações com a Maçonaria. 

De fato, muito provavelmente, a sua decisão tinha apenas um sentido estético, já que era um edifício que ele conhecia dos seus anos em Dublin.

Por outro lado, existem outras ligações entre a Casa Branca e a Maçonaria. 

Pouco depois de Hoban e os seus irmãos maçons da Loja n° 9 de Maryland terem realizado a cerimónia da pedra fundamental, os trabalhadores começaram o trabalho de construção sob as ordens de Colin Williamson, mestre de obras de origem escocesa.

Williamson era sobrinho de John Suter, proprietário do “Fountain Inn”, onde se celebravam as Sessões da Loja de Mariland. 

Ambos, tio e sobrinho, eram maçons. 

John Suter pertencia à Loja nº 9 e Williamson pertencia a uma Loja escocesa.

A participação de Williamson nas obras durou até 1794, quando ele discutiu com Hoban e cessou a sua colaboração. 

Este revés forçou-o a procurar novos trabalhadores, que finalmente chegaram da Escócia. 

Especificamente, a maioria dos trabalhadores eram maçons da Loja n° 8 em Edimburgo.

Alguns dos maçons que vieram de Edimburgo para trabalhar na Casa Branca ficaram nos EUA no final do trabalho, e acabaram fazendo parte da Loja Federal n° 15 de Maryland , criada em Setembro de 1793 pelo próprio James Hoban.

Curiosamente, durante a remodelação da Casa Branca feita pelo presidente Harry Truman, um outro Maçom, em 1949, foram descobertas algumas pedras com marcas de lapidação usados pelos maçons de Edimburgo.

Estas pedras foram espalhadas entre diversas Lojas maçónicas no país.

Menos de um ano depois da impressionante cerimónia de fundação da Casa Branca, a cena repetiu-se no local do edifício do Capitólio. 

Em 18 de Setembro de 1793 , um grupo de pessoas, incluindo numerosos membros de várias lojas maçónicas, desfilou solenemente para o local escolhido.

Uma pessoa se destacou entre as outras: o próprio George Washington, que vestia os habituais paramentos maçónicos. 

Foi ele quem oficiou a cerimónia, colocando a primeira pedra e acompanhando o ato com vinho, milho e azeite. 

Hoje, numerosas pinturas, gravuras e relevos – como o que existe numa das portas do Capitólio – relembram o episódio daquele dia.

Apesar do tão impressionantes que estes atos possam nos parecer hoje e que certos rumores e “teorias de conspiração”, essas cerimónias maçónicas – e a ligação de personagens relevantes no nascimento dos EUA – não implicam que a Maçonaria estivesse por detrás da Revolução Americana, nem da criação da nova nação nem da construção do distrito federal.

A filiação à Maçonaria era mais do que usual naquela época nos dois lados do Atlântico, especialmente entre certos círculos, e as cerimónias de fundação de pedras também eram comuns, não apenas entre os maçons, como acontece hoje em dia.

De fato, ainda hoje, lojas maçónicas por todo o mundo, continuam a fazer aberturas semelhantes em hospitais, faculdades ou universidades, com o único propósito de “desejar” um bom final para as atividades que lá acontecerão.

Considerando que vários maçons ocuparam posições importantes no nascimento da capital federal, não é estranho que eles quisessem “iniciar” a nova Nação da melhor maneira possível, por um ato que era de grande importância para eles e que foi imbuído de ideais com profundo significado.



ESTRELA DE SEIS E DE CINCO PONTAS - Pedro Juk



A Estrela de Seis Pontas, o Hexagrama, não é o símbolo apropriado para o REAA, mas é comum no Craft inglês com o título de Blazing Star e até mesmo como a Magsen David (teísmo inglês).

Para a vertente inglesa de Maçonaria a Estrela Hexagonal encaixa-se perfeitamente na doutrina teísta que é comum ao Craft. 

Destaque-se que nos trabalhos ingleses não é corriqueira a liturgia da circulação da bolsa para a colecta tal como acontece na vertente francesa. 

A propósito, nunca escrevi que a Estrela de David não é um símbolo utilizado pela Maçonaria. 

Mencionei sim que ela não é condizente como a do REAA, pois no Escocesismo esse símbolo estelar refere-se à estrela de cinco pontas.

Desafortunadamente alguns oportunistas, provavelmente pela incompetência de distinguir a existência de duas vertentes maçónicas principais, uma teísta (inglesa) e outra deísta (francesa). 

E, sempre pela lei no menor esforço, inventaram justificativas para alguns procedimentos que no mínimo são contraditórios desde que bem compreendida a Arte.

Cada rito ou ritual maçónico possui característica própria que vai moldada conforme o seu arcabouço doutrinário. 

Nesse caso, por exemplo, distinguem-se as duas Estrelas (hexagonal e pentagonal) como elementos de estudo conforme o grau e a raiz maçónica.

Comum à vertente francesa e em particular ao REAA a Estrela Flamejante possui apenas cinco pontas e traz consigo característica hominal haurida dos ensinamentos especulativos pitagóricos.

Assim, não existe na simbologia do Escocismo simbólico nenhuma estrela Hexagonal. 

Muito menos a esdrúxula invenção de que o trajeto para a colecta com as bolsas por primeiro deve representar uma pretensa estrela com seis pontas, cuja qual necessita de muita imaginação para que esse percurso possa ser comparado a uma perfeita estrela com seis pontas. 

Os incautos antes de imaginar essas firulas ritualísticas deveriam aprender que as circulações que envolvem as coletas, tanto nas propostas e informações como do óbolo, respeitam simplesmente a hierarquia das Luzes da Loja e das duas outras Dignidades constituídas pelo Orador e Secretário, somados todos ao Cobridor Interno (elemento indispensável na composição para abertura da Loja).

No caso do REAA esses seis cargos prioritários mais o do Mestre de Cerimónias correspondem aos “sete mestres”, ou o número mínimo necessário para se abrir uma Loja, onde três a governam, cinco a compõem e sete a completam (todos Mestres no GOB).

Racionalmente se explica então que nada disto tem a ver com “Estrela de Seis Pontas” no REAA .

De fato a Estrela de Seis Pontas existe na Maçonaria, mas não no Escocesismo, portanto não há o porquê de se inventar nele justificativa que denote a representação de uma figura estelar de seis ápices. 

A Estrela de Seis Pontas é sim um elemento simbólico, mas na Maçonaria inglesa. 

É sabido que o REAA é filho espiritual da França.

Para melhores esclarecimentos, seguem algumas definições despidas de apreciações fantasiosas sobre o Hexagrama e o Pentagrama utilizado no simbolismo da Maçonaria.

_*Hexagrama* – designa a reunião de seis letras ou caracteres; é também a estrela de seis pontas formada pela união entre os vértices de um hexágono regular (polígono de seis lados iguais, cujos lados se igualam ao comprimento do raio da circunferência onde o polígono é inscrito).

A representação do símbolo estelar hexagonal corresponde à sobreposição de dois triângulos equiláteros que se cruzam e coincidem cada um com um dos ângulos adequados aos seis vértices do hexágono.

Como símbolo maçónico, nos trabalhos do Craft inglês, a exemplo do Ritual de Emulação (também conhecido inapropriadamente como York) o hexagrama é a Estrela Flamejante (Blazing Star). 

Do judaísmo ela é a Magen David (Estrela de Davi ou o Selo de Salomão).

Como uma insígnia muito antiga, a sua interpretação mística mais corrente e que é aproveitada pela Maçonaria, envolve a relação espírito-matéria; 

• _o triângulo componente da estrela que vai com o ápice apontado para cima representa os atributos da espiritualidade 

• _e o que vai com o ápice voltado para baixo representa os atributos da materialidade. 

Na realidade essas concepções tratam do aprimorar do espírito sobre a matéria, alegoria altamente representativa na jornada evolutiva do simbolismo maçónico.

Infelizmente alguns tratadistas compararam equivocadamente esses triângulos, espiritual-material, a determinados cargos em Loja, o que acabou dando na falsa estrela que determinados articulistas ainda insistem em disseminar essa ideia anacrónica.

_*Pentagrama* – dentre outros, menciona a figura simbólica composta por cinco letras ou sinais. 

É o pentágono regular estrelado (estrela de cinco pontas) que recebe concepções particulares de determinados credos. 

Em Maçonaria, particularmente da vertente deísta francesa, tem em alguns ritos importância mística e é representada pela Estrela Flamejante de Cinco Pontas ou Pentalfa.

Na realidade o Pentagrama estelar maçónico derivou-se especulativamente do pentagrama das escolas pitagóricas. 

Dentro das concepções filosóficas do pitagorismo a Estrela Pentagonal na sua posição normal – uma só ponta voltada para cima – representa o homem e a sua alta espiritualidade. 

Nela simbolicamente inscreve-se a figura de um homem, cujo ápice superior é a sua cabeça e os demais representam os seus membros. 

Em Maçonaria a Estrela Pentagonal é sempre representada como figura de alta espiritualidade, isto é, com um único ápice para cima.

A Maçonaria francesa ao adoptar o símbolo da Estrela Hominal do pitagorismo busca mostrar ao Iniciado no Segundo Grau que a obra de aperfeiçoamento do ser humano é feita através do preparo e da elevação das qualidades espirituais (carácter, inteligência, moral, etc.). 

Assim, nada disto têm a ver com formação abstrata de uma eventual estrela construída a partir de deslocamentos sobre o piso da sala da Loja e muito menos envolve com concepções de magia, de feiticeiros, de bruxarias e outras rumores desse género.

Com este pequeno demonstrativo arrazoado espero ter trazido um pouco de conhecimento a respeito dessas alegorias maçónicas.



FÉ - Adilson Zotovici



Tantos e tantos  sentimentos

Pelo Senhor  Poderoso  dotados 

Alegrias, tristezas, encantamentos...

Sublimemente  arquitetados,

Pra vivê-los em propícios  momentos 


Quão perfeito é o dia à dia,

Foge até  da compreensão 

Tanta vida  que extasia 

Onde em tudo, há razão

E o acaso... é utopia 


Desde os sentidos vitais

Mesmo até os  intuitivos,

Os complexos ou os frugais 

Todos são imperativos

Ao livre arbítrio,  cabais 


Como a esperança, a caridade,

Entre as disposições da alma

Desponta  com  notoriedade 

Uma virtude que acalma

Que gera força e vontade 


E em quaisquer  vicissitudes

Em dificuldades tamanhas

Por si só,  gera  atitudes

Dizem até, mover montanhas

“ A  Fé ” , mãe de todas  virtudes !





abril 18, 2026

O EX-PADRE QUE SE TORNOU MAÇOM





O Ex-Padre que se tornou Maçom e o Primeiro Pastor Brasileiro da Igreja Batista.

Em 1878 uma charge de autoria de Angelo Agostini estampou o Períodico "O Mosquito"  Se trata do "diabo" abençoado o casamento do ex-padre alagoano Antônio Teixeira de Albuquerque com Francisca de Jesus, fato que foi um grande escândalo social e religioso na época.

Antonio Teixeira de Albuquerque nasceu em 15 de abril de 1840, na cidade de Maceió, em Alagoas. Era filho único de Felipe Ney de Albuquerque e Helena Maria da Conceição.

A pedido dos pais, ele devotou a sua vida à vocação sacerdotal e, em 1868, pode-se, através dos registros do seminário, acompanhar a sua estadia no Seminário Católico de Olinda. No final de 1871, na cidade de Fortaleza, ele foi ordenado ao sacerdócio

Iniciando a vida sacerdotal já com pouca fé na Igreja, O jovem padre Antônio Teixeira de Albuquerque foi Influênciado por um conhecido Revolucionário Brasileiro: o General Abreu e Lima, ajudante de campo de Simon Bolívar e autor do livro: "As Bíblias falsificadas" que defendia a liberdade Religiosa no Brasil.

Convencido de que o catolicismo não era a religião Verdadeira, o padre Albuquerque decidiu abandonar a batina em 1874 e passou a se integrar com um grupo de protestantes que estudavam a bíblia em língua portuguesa.

Se casou com sua amiga de infância Francisca de Jesus, que já era protestante em 7 de setembro de 1878, na cidade de Recife, em Pernambuco. Por pressão de sua família e ameaçado de morte, Antônio Teixeira de Albuquerque foge para a capital do Império do Brasil com sua esposa, onde é iniciado na maçonaria, que o ajudou na sua fuga, e logo depois se torna o primeiro Pastor brasileiro na  Igreja Batista do Catete. O desejo de se casar foi um dos argumentos dados para sair da Igreja Católica.

Em 1882, Voltou para Maceió para fundar a 1ª Igreja Batista de Maceió. Lá ordenou o pastor Wandragésilo Melo Lins. Também escreveu o opúsculo Três razões porque deixei a Igreja romana. A sua igreja batizou 80 pessoas nos dois anos em que ficou lá, incluindo seus pais, que o haviam renegado. Faleceu em 1887 aos 47 anos de idade, deixando mulher e cinco filhos. 

Fonte: O protestantismo Brasileiro: estudo de eclesiologia e [de] historía social.Ref Brazil Imperial

MARXISMO E A MAÇONARIA - João Anatalino

 

À primeira vista é muito difícil ligar as teses marxistas a qualquer ensinamento maçónico. 

Nada parece estar mais distante um do outro do que os postulados marxistas e a filosofia praticada pelos Irmãos da Arte Real. 

Marx era um revolucionário, um racionalista por excelência, que aplicava as teses de Darwin para explicar o movimento da História e o desenvolvimento do indivíduo e dos grupos sociais.

Mas ao se verificar o momento histórico em que viviam os maçons nos meados do século XIX, é bem possível que esta moldura histórica tenha influenciado os organizadores do Rito Escocês, sugerindo-lhes a postura filosófica adoptada para o grau 26.

Afinal, por que, entre tantos símbolos herméticos, motivos gnósticos, alegorias alquímicas e evocações cavalheirescas, iriam ser introduzidos motivos políticos e sociológicos de tal conteúdo? 

Só podemos mesmo entendê-los à luz dos acontecimentos históricos da época. 

Afinal, para um bom entendedor não é preciso muitas palavras. 

A preocupação com a igualdade social e a justa valorização do trabalho não é uma concessão ao trabalhador, mas uma necessidade que se faz presente em face da própria evolução da história. 

E depois, quem melhor do que a Maçonaria, uma congregação de obreiros, ou seja, trabalhadores, para defender tais postulados? 

Afinal de contas, não é a Fraternidade dos Obreiros da Arte Real uma Confraria fundamentada exatamente sobre os sacrossantos valores do trabalho, da justiça, da igualdade em todos os seus termos?

A JUSTIFICATIVA DO TEMA 

A preocupação com a ascensão dos trabalhadores, a melhoria das condições de vida do povo, uma “redenção social” a partir da elevação das classes obreiras faz sentido dentro de um sistema de pensamento que pugna pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

Especialmente a primitiva ideia da Maçonaria, que se fundamenta na mística de elevação de um grupo de “eleitos”, cooptados no seio da comunidade para se tornarem líderes de uma nova sociedade, justa, equânime e ordeira deve ter sido simpática aos organizadores do ritual. 

Dentro deste pressuposto, a doutrina de valorização do trabalho, mesmo com a sua inspiração socialista, serviu de fundamento aos postulados da Maçonaria, que é, na origem, uma sociedade fundada sobre a ideia de que somente o trabalho produz valor.

É verdade, porém, que o Marxismo, na sua concepção autoritária de organização política e social se opõe a qualquer tipo de sociedade secreta, bem como a qualquer particularização de ideias ou atitudes, sendo, portanto, avesso a qualquer coisa que se pareça com a prática maçónica. 

Razão pela qual, uma das primeiras providências dos regimes revolucionários de orientação marxista, quando tomam o poder, é banir as organizações dessa espécie.

A Maçonaria implica, ainda que seja forçoso ao Maçom reconhecer, numa ideia de elitismo. 

Mas este elitismo, da mesma forma que Platão o imaginou na sua República, é um plano de criação de um grupo seleto, no qual a sociedade encontre um celeiro de virtude e sabedoria, e onde possam ser encontrados dirigentes maduros e capazes para conduzi-la. 

Não é, em síntese, a perpetuação da aristocracia, da oligarquia e das castas, mas sim, da salvaguarda de valores e da seleção natural, aplicada ao desenvolvimento da sociedade. 

Isto faz-nos pensar que quando o ritual se refere à reabilitação das classes menos favorecidas, o que se pretende é que o Maçom desperte para a necessidade de trabalhar para permitir que as desigualdades sociais se tornem cada vez menores e todos tenham oportunidade de lutar, com iguais armas, para ascender socialmente.

Daí, talvez, a evocação de que a pedra filosofal do Maçom está embaixo da bandeira de três tons, oculta da vistas dos profanos e só a vê aquele que é capaz de entender o seu profundo significado. 

A bandeira, como se sabe, é a bandeira francesa. 

Estas cores são evocativas da aura de romantismo que norteou os revolucionários franceses de 1789, e foram introduzidas na bandeira daquele país por força dos ideais professados por aqueles patriotas. 

Entre eles havia muitos maçons.

A tradição de evocar questões sociais nos ritos iniciáticos maçónicos já existia em 1788, véspera da eclosão da Revolução Francesa, como bem lembra Jean Palou. 

Esta preocupação transparece no “interrogatório” dos profanos que se iniciavam na Loja da cidade de Privas, segundo aquele autor. 

Este “interrogatório” consistia no seguinte:

P.: – Que achais das questões que perturbam o reino?

R.: – É uma calamidade que toda a Franco-Maçonaria deveria em geral procurar remediar.

P.: – Se o Rei, vosso Mestre, lhe ordenasse pegar em armas contra Vossa Província, ou mesmo contra qualquer uma da França, que faríeis?

R.: – Pediria a minha demissão.

P.: – Que achais de M. de Briene, de M. de Lamoignon e, por conseguinte, daquele e daquelas que os autorizam?

R.: – Que esses senhores fossem enforcados. E que aqueles que os autorizam, um aos filhos enjeitados, e o outro que procurasse um melhor conselho.

Noutra Loja, em Pas-de-Calais, o discurso de recepção de profanos dizia: 

_“Encontrareis aqui a paz e a candura de vossos costumes; aqui desaparecem as classes sociais; o nível maçónico torna todos os homens iguais”.

Todos estes discursos são evocativos de um ideal libertário sufocado por uma aristocracia insensível, mas não de um ideal socialista, como parecem ter entendido alguns autores do ritual Moderno em Portugal. 

Quanto à bandeira tricolor, escreve J. M. Ragon que ela foi criada por um Maçom, de nome Laffayette, que era comandante da guarda nacional francesa por ocasião da Revolução.

As cores azul, branca e vermelha, corresponderiam aos graus da Maçonaria praticada naquele tempo, ou seja:

_ A Maçonaria simbólica (azul), 

_ O Capítulo (Maçonaria vermelha) 

_ E os graus filosóficos e administrativos (Maçonaria branca). 

Jean Palou, no entanto, contesta essa informação dizendo que a Maçonaria branca, correspondente aos 31 º, 32° e 33 º graus e é posterior a 1789.

O que talvez possa ter ocorrido, neste caso, é uma readaptação dos graus, passando os graus filosóficos a ser divididos de outra forma, diferentes daquela citada por Ragon. 

Tudo isso, são especulações que não podem ser comprovadas por falta de documentos específicos. 

De qualquer forma, esta informação é valiosa para o perfeito entendimento do simbolismo do grau 26 e seu conteúdo filosófico voltado à igualdades social através do trabalho. 

A aplicação das ideias de Marx não resolveu os problemas sociais e económicos dos países que as adoptaram, mas fez com que os países capitalistas adoptassem medidas para minorar o sofrimento das classes trabalhadoras e ajudar na sua ascensão social. 

Talvez por isso a Maçonaria possa lhe ter tido como uma referência para convocar à reflexão sobre a importância do Trabalho para a igualdade. 



MAIS IMPORTANTE QUE OS TITULOS - Jorge Antônio Vieira Gonçalves


Na última quinta-feira, 16 de abril, antes das 19 horas, eu já me encontrava pronto, como convém a todo maçom que se dirige a uma Sessão Magna, vestido a rigor, de terno e gravata pretos, com os paramentos devidamente guardados, para representar a Loja Constâncio Vieira nº 3300.

Há momentos em nossa vida em que as palavras parecem migalhas diante da grandeza da emoção que se sente. Aquela noite era uma dessas. Lembro-me bem de quando segurei meus dois filhos nos braços pela primeira vez.

Naquela noite, a Sessão de Iniciação na Loja Tiradentes nº 2530 também celebrava a inauguração da reforma de seu templo, sob a liderança de seu Venerável, o irmão Raul. O nome do iniciado era Bruno, agora já nosso irmão. Até aqui, tudo parecia absolutamente semelhante ao que se vê em qualquer iniciação maçônica. O que, porém, tornava aquela noite tão especial era o fato de um pai estar prestes a acompanhar a iniciação do filho.

Esse pai era o irmão Lourival Mariano, nosso ex-Grão-Mestre Estadual, que conduziu o GOB-SE de forma extraordinária durante oito anos. A Loja estava completamente lotada, como eu jamais havia presenciado em uma iniciação destinada a um único candidato. Quem não conhece o irmão Lourival talvez imagine que tão expressiva presença se explicasse pelos cargos que exerceu ou pelos muitos títulos que acumulou ao longo da vida maçônica. Ledo engano. Títulos e cargos passam.

O que reunia tantos irmãos era algo mais raro. A iniciação do filho de um irmão que atingiu os píncaros de nossa Ordem e que, ainda hoje, participa das sessões com a mesma simplicidade e o mesmo entusiasmo de um Aprendiz. Suas inúmeras visitas a outras Lojas, a participação no Coral Canto Fraterno, as incontáveis sindicâncias realizadas e os muitos anos de serviço prestado à Maçonaria ajudam a compreender a estima, o respeito e a admiração que conquistou entre seus irmãos.

Diante dos meus olhos estava um pai tomado pela expectativa de assistir à iniciação do próprio filho. Aquele abraço e aquele beijo entre pai e filho foram, para mim, a imagem mais emocionante daquela noite.

abril 17, 2026

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ - Newton Agrella



Na qualidade de "livres pensadores"  temos a oportunidade de enxergar e interpretar conceitos filosóficos sob prismas diferenciados.

 Alguma vez você ousou pensar a Câmara de Reflexão não como um cubículo escuro, desconfortável, com cheiro de enxofre e ornamentado com inúmeros símbolos e inscrições, mas sim como um estágio de sua Existência,  ou como se fosse o fim de um ciclo e o sinal de passagem para um recomeço ???

Experimente imaginar essa Câmara de Reflexão sem considerar seus valores estéticos.

Ouse elaborar um conceito de um hiato de vida.  Ou seja, uma parada em que você se defronta com a sua própria existência.

Você inicia uma conversa consigo mesmo, avalia tudo o que você já viveu até aquele instante e faz um brevíssimo flashback dos momentos mais marcantes de sua história.

A encruzilhada está na sua mente. 

Encontra-se recôndita no seu coração... 

O momento é só seu....

Cabe a você persistir ou não no seu intento.  

Corpo, Alma e Espírito confabulam freneticamente dentro de sí.

Você é o agente de sua conduta e a Câmara de Reflexão reside unicamente em você.

O que você vê no cubículo em que se acha encarcerado é uma mera e circunstancial projeção estética e formal.

Porém o que você enxerga é o seu comprometimento para com uma vida diferente.

É o adeus ao profano e o renascimento para a Arte Real....

A Reflexão contudo, pede um compromisso com o seu interior e com os valores mais intrínsicos que a alma humana requer.  

Diante disso, fica renovado o convite para que de agora em diante você considere a Câmara de Reflexão, não apenas como um lugar simbólico, porém como um intervalo especial e incomparável entre o que você viveu e o que a sua consciência passou a viver.

Entre ver e enxergar reside o discernimento.


MARTIM AFONSO DE SOUZA - Hamilton Sampaio Jr.




Martim Afonso de Sousa, o português que ajudou a estruturar o Brasil

Martim Afonso de Sousa nasceu em Vila Viçosa, por volta do ano de 1500. Oriundo de família nobre, foi amigo de infância de D. João III. Na sua juventude, estudaria matemática, cosmografia e navegação.

Com a morte do Rei D. Manuel I, em 1521, é enviado para Castela com a missão de acompanhar Dona Leonor, viúva do falecido Rei, que retornava à sua terra natal.

Em terras espanholas, acompanha Carlos V nas lutas contra a França e casa-se com Dona Ana Pimentel, fidalga oriunda de uma família de grande prestígio. Em 1525 torna a Portugal, acompanhando a infanta espanhola Dona Catarina, irmã de Carlos V, que iria casar-se com Dom João III.

Em 1530, o rei Dom João III organiza uma expedição com o intuito de colonizar as terras brasileiras, entregando o comando da mesma a Martim Afonso de Sousa. 

No dia 3 de dezembro de 1530, partia de Lisboa a nau capitânia com Martim Afonso e o seu irmão Pero Lopes de Sousa, o galeão São Vicente, a caravela Rosa e a caravela Princesa, com uma tripulação conjunta de cerca de quatrocentas pessoas, na sua maioria navegadores, padres e soldados.

A missão principal de Martim Afonso de Sousa era instalar no Brasil a administração portuguesa, colocando os marcos indicativos de posse, doando as terras e definindo quem as administraria.

Já no Brasil, mais concretamente na costa pernambucana, combateria os franceses que contrabandeavam pau-brasil, tomando-lhes os navios, que seriam incorporados na esquadra portuguesa. 

Seguindo para o sul, chegaria ao Rio de Janeiro no dia 30 de abril de 1531. 

No dia 20 de janeiro de 1532, Martim Afonso de Sousa manda instalar o primeiro marco real da colonização na capitania de São Vicente, onde é construído um forte e, com a preciosa ajuda de João Ramalho, português casado com uma índia, fixa a primeira povoação permanente. Lá, iniciou a cultura da cana-de-açúcar e ordenou a instalação do engenho dos Erasmos, que ajudou na crescente prosperidade da região.

Aos poucos, Martim Afonso de Sousa ia cumprindo a importante missão para a qual fora destacado, instituindo o domínio português no Brasil. Em outubro de 1532, D. João III decide dividir o território em 14 capitanias hereditárias, doadas a 12 donatários. Martim Afonso de Sousa recebe São Vicente, posteriormente denominada Vila de São Paulo e seu irmão Pedro Lopes de Sousa é agraciado com Sant’Ana.

Retornando a Portugal em 1533, Martim Afonso de Sousa é, apenas quatro meses depois, nomeado Capitão-Mor do mar das Índias, sendo-lhe confiada uma armada de cinco naus, ficando assim encarregue de proteger as possessões portuguesas no Oriente.

Logo ao chegar, prestaria ajuda militar ao sultão de Cambaia, em troca da construção de uma fortaleza portuguesa em Diu. Derrotaria ainda o Marajá de Calecute e combateria os corsários que saqueavam as embarcações portuguesas na região.

Seria nomeado em 1542, por Dom João III, “governador das partes das Índias”, o equivalente ao mais comummente falado Vice-Rei da Índia, posto onde permaneceria até o ano de 1545.

Retornado a Portugal, Martim Afonso de Sousa tornar-se-ia Conselheiro de Estado, acabando por falecer em Lisboa, no ano de 1571, tendo sido enterrado no Convento de São Francisco da Cidade.


Ref Miguel Louro

abril 16, 2026

RESERVA DE IDENTIDADE - Rui Bandeira



Na Inglaterra considera-se uma honra ser admitido maçom. 

Nos Estados Unidos, ser maçom é uma natural forma de integração na sociedade local e, para muitos, uma preservação da tradição familiar. 

No Brasil, apesar de subsistirem, aqui e ali, algumas desconfianças, a assunção pública da condição de maçom é natural. 

Nestas paragens e noutras em que a realidade seja similar, parecerá talvez bizarro, excêntrico, que um dos deveres essenciais dos maçons seja a reserva de identidade dos seus Irmãos que não se tenham publicamente assumido como maçons. 

No entanto, este princípio continua – infelizmente – a ter justificação.

Séculos atrás, quando as guerras religiosas estavam no auge e quando parecia que todos os contendores seguiam a máxima quem não é por mim, é contra mim, ser maçom, pregar e praticar a tolerância para com quem tinha ideias diferentes ou professava diversa fé, era perigoso. 

A ideia de haver estruturas e locais em que homens que se deveriam situar em campos opostos confraternizavam e trocavam ideias de forma livre e aberta era, para muitos, insuportável e assumindo a natureza de traição. 

Nos países católicos, a dita Santa Inquisição perseguia e torturava maçons, com o mesmo zelo e fervor com que perseguia e torturava judeus, bruxas e correlativos.

Nessa época, não divulgar a identidade de seus Irmãos maçons era uma regra absoluta e essencial para a segurança de todos. 

Mas era sobretudo, um elemento essencial do laço de fraternidade que une os maçons. 

Aquele podia pensar de modo diferente deste, ou professar uma religião diferente ou até pertencer ao exército inimigo daquele em que este se alistara. 

No campo de batalha, podiam ter o dever de lutar um contra o outro. 

Mas – ainda que porventura inimigos – ambos eram essencialmente e sobretudo Irmãos. 

Ambos podiam compartilhar o mesmo espaço e debater as suas ideias, quiçá descobrindo que, afinal, não eram tão diferentes quanto julgavam. 

Ambos podiam confraternizar pacificamente, armas pousadas, guardas baixadas e descobrir como isso melhorava cada um deles. 

Ambos sabiam que, se um deles denunciasse o outro, o denunciado sofreria grave perda, seguramente da liberdade, inevitavelmente da sua segurança, quase certamente da sua integridade física, porventura da própria vida. 

Em resumo, ambos sabiam que cada um deles se colocava inteiramente nas mãos do outro. 

E ambos protegiam o outro. Isso era e é Fraternidade!

Nos dias de hoje, ainda há locais onde é perigoso ser maçom. 

E a mesma regra de reserva da identidade do Irmão maçom tem de ser escrupulosamente seguida. 

Outros locais há em que ser maçom não será propriamente perigoso, mas poderá ser incómodo, trazer prejuízos. 

Onde o preconceito contra a Maçonaria e os maçons ainda dura e ser maçom e ser conhecido como tal ainda pode causar danos profissionais ou sociais. 

Também nestes locais se justifica, e facilmente se percebe que justifica, a reserva de identidade do maçom, a não divulgação dessa condição.

Mesmo nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria, mesmo no Brasil, nos Estados Unidos ou na Inglaterra, existem preconceituosos contra a Maçonaria que, se tiverem o poder e a posição para tal, podem prejudicar um maçom apenas por o ser. 

(– embora porventura ocultando o seu preconceito e usando uma qualquer outra desculpa ou justificação…) 

Também nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria se continua a justificar uma atitude prudente em relação aos preconceituosos e, portanto, o cumprimento do princípio de não revelar que alguém, que não tenha assumido publicamente essa condição, é maçom.

Uma outra razão justifica ainda o cumprimento deste princípio. 

A Fraternidade implica o reconhecimento da dignidade do outro em todas as circunstâncias. 

Implica o respeito pelo outro, pela sua inteligência, pelas suas escolhas. 

Se um maçom divulgasse que outrem tem essa qualidade, sem que o visado tivesse previamente assumido a mesma publicamente, estaria, sobretudo a desrespeitá-lo, a desrespeitar essa sua escolha. 

Se o visado não se tinha assumido publicamente como maçom, isso resultava de uma análise do mesmo, de uma escolha sua. 

Análise e escolha que era seu direito fazer e que só a ele competia fazer. 

Divulgar que esse que se não assumiu como maçom é maçom corresponde a substituir, a desvalorizar, a desconsiderar, o juízo por ele feito, em favor do juízo (ou da falta de juízo…) do próprio.

A decisão de cada um se assumir publicamente como maçom a cada um pertence. 

Não pode, não deve, ser apropriada por nenhum outro maçom. 

E não o é. 

Em nome do respeito pelo outro, pela sua inteligência, pela sua capacidade de análise, pelas suas escolhas, que é inerente ao elo que une todos os maçons: o elo da Fraternidade. 

Trair esse elo, mais do que trair o outro seria traição ao próprio e a todos.




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KIM PEEK - UM GÊNIO ESTRANHO

 


Os médicos disseram que o cérebro dele não poderia funcionar — faltava a parte que conecta os dois lados. Ele memorizou 12.000 livros. E a ciência ainda não tem explicação.

Quando Kim Peek nasceu, em 1951, em Salt Lake City, o diagnóstico foi imediato e desanimador.

Sua cabeça era anormalmente grande. O cerebelo apresentava danos. E o corpo caloso — o feixe de cerca de 200 milhões de fibras nervosas que conecta os dois hemisférios do cérebro — simplesmente não existia.

Os dois lados do cérebro não podiam se comunicar da forma normal.

Aos nove meses, os médicos recomendaram: institucionalização.

Disseram que ele nunca andaria. Nunca falaria. Nunca aprenderia. Seria, segundo eles, um peso.

Seus pais, Fran Peek e Jeanne Peek, disseram não.

O que aconteceu nas décadas seguintes desafiou tudo o que a ciência acreditava sobre inteligência.

Kim só começou a andar aos quatro anos. Suas habilidades motoras foram sempre limitadas. Não conseguia abotoar a própria camisa, amarrar os sapatos, lidar com dinheiro ou atravessar a rua sozinho.

Mas, aos 16 meses, começou a memorizar livros.

Aos três anos, já lia — e lembrava de tudo.

Aos seis, havia memorizado toda a Bíblia.

Ele desenvolveu uma forma extraordinária de síndrome do sábio. Diferente da maioria dos savants, que se destacam em uma única área, Kim dominava múltiplos campos:

História, geografia, literatura, música clássica, estatísticas esportivas, matemática, calendários, códigos postais, rodovias.

Ele lia duas páginas ao mesmo tempo — cada olho em uma página — e terminava livros rapidamente.

E guardava quase tudo: cerca de 98% do que lia.

Ao longo da vida, memorizou aproximadamente 12.000 livros.

Ele podia recitar William Shakespeare inteiro, calcular datas históricas instantaneamente, mapear rotas completas pelos Estados Unidos com precisão absoluta.

Era uma biblioteca viva.

Em 2004, cientistas da NASA estudaram seu cérebro com tecnologia avançada. Criaram modelos, mapearam conexões, analisaram tudo.

Não encontraram uma explicação clara.

O cérebro de Kim parecia ter criado caminhos alternativos — conexões que não deveriam existir.

Mas há algo ainda mais profundo nessa história:

Toda essa genialidade não se traduzia em autonomia.

Kim dependia do pai para tarefas básicas. Não conseguia interpretar ironia, lidar com abstrações ou realizar ações simples do dia a dia.

Ele podia memorizar milhares de livros.

Mas não conseguia abotoar uma camisa.

Isso levanta uma pergunta desconfortável:

O que é, afinal, inteligência?

Em 1984, o roteirista Barry Morrow conheceu Kim e ficou profundamente impactado. Passou anos escrevendo um roteiro inspirado nele.

Esse roteiro se tornou Rain Man.

O ator Dustin Hoffman estudou Kim de perto para compor o personagem. Quando o filme ganhou quatro Oscars, ele reconheceu publicamente:

“Posso ser a estrela do filme, mas você é a inspiração.”

Depois disso, Kim encontrou um novo propósito.

Ele e o pai viajaram milhões de quilômetros, falando para milhões de pessoas — especialmente jovens com dificuldades de aprendizagem.

Mais do que demonstrar suas habilidades, ele ensinava algo maior:

Que a inteligência não tem uma única forma.

Que genialidade e limitação podem coexistir.

Que “diferente” não significa “menos”.

O especialista Darold Treffert disse que Kim era um caso único — uma mente extraordinária em amplitude e profundidade.

Kim Peek morreu em 19 de dezembro de 2009, aos 58 anos. Seu pai morreu cinco anos depois.

Seu legado não está apenas nos números impressionantes.

Está nas perguntas que ele deixou.

Ele podia memorizar 12.000 livros, mas não abotoar uma camisa.

Podia calcular qualquer data, mas não entender um cumprimento simples.

Então o que define inteligência?

O que define valor?

O que define uma vida?

Talvez a resposta seja que ainda não sabemos.

Kim Peek foi a prova viva de que a mente humana é maior do que nossas teorias.

Que nossas categorias são pequenas demais.

E que, talvez, existam formas de genialidade que ainda confundimos com limitação.

Ele não foi inesquecível pelo que sabia.

Mas pelo que nos mostrou que ainda não sabemos.

Fonte" Facebook - Estudos Históricos 


abril 15, 2026

TORAH E O NÚMERO PI, UM CÓDIGO MATEMÁTICO OCULTO - Lucius Cohen




 A Bíblia registra a criação do mar de bronze pelo Rei Salomão com estas palavras: "Fez também o mar de fundição, de dez côvados de uma borda à outra, redondo ao redor, e de cinco côvados de altura; e um fio de trinta côvados o cercava em redor" (1 Reis 7:23; 2 Crônicas 4:2). O texto apresenta uma bacia circular com um diâmetro de dez côvados e uma circunferência de trinta côvados. A divisão de trinta por dez resulta em três. Este número configura-se como uma aproximação primitiva de Pi.

Historiadores atribuem a primeira aproximação precisa de Pi aos egípcios e à construção da Grande Pirâmide. O abade Moreux expõe este relato em seu livro La Science Mystérieuse des Pharaons (Paris, 1923). O Gaon de Vilna, um estudioso lituano do século XVIII, chama a atenção para um detalhe no texto bíblico. Ele observa que a palavra "linha" (fio) recebe duas grafias diferentes nos dois versículos que descrevem a bacia de Salomão.
O exame da gematria — os valores numéricos dessas grafias — revela um padrão claro:
Em 1 Reis 7:23, a palavra aparece como Kuf-Vav-Hei e possui o valor 111.
Em 2 Crônicas 4:2, a grafia muda para Kuf-Vav e possui o valor 106.
A divisão de 111 por 106 resulta em 1,0472 quando calculada com quatro casas decimais.
A multiplicação desta razão por três (o valor bíblico de Pi obtido pela divisão simples) produz 3,141509.
Este valor corresponde ao valor matemático de Pi em quatro casas decimais (Pi = 3,14159265359).
1 Reis 7:23: (קוה) = linha = 111
ויעש את הים מוצק עשר באמה משפתו עד שפתו עגל סביב וחמש באמה קומתו וקוה שלשים באמה יסב אתו סביב׃
2 Crônicas 4:2: (קו) = linha = 106
ויעש את הים מוצק עשר באמה משפתו אל שפתו עגול סביב וחמש באמה קומתו וקו שלשים באמה יסב אתו סביב׃
A Torah opera como um código. Ela detém um vasto conhecimento antigo. O caminho para seus segredos passa por uma análise estruturada, em vez de uma leitura superficial do texto.

T:.F:.A:.
Com luz e mistério, 
Lucius Cohen
Business Kabbalah

A GRANDE PIRAMIDE DE GIZÉ - Rogério de Paula

 


A Grande Pirâmide de Gizé: Brancura Reluzente no Deserto Egípcio

A Grande Pirâmide de Gizé, também conhecida como Pirâmide de Quéops ou de Khufu, é a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e a única que ainda permanece de pé. Ela foi construída por volta de 2.580 a.C., durante a IV Dinastia do Antigo Império Egípcio, em um período de grande centralização do poder e prosperidade econômica. O faraó Quéops, sucessor de Snefru, foi o responsável por essa colossal obra arquitetônica, que simbolizava seu poder divino e sua conexão com os deuses.

A construção da pirâmide é um feito impressionante, composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de calcário, alguns pesando mais de duas toneladas e meia. Seu projeto não apenas exigiu um domínio avançado de engenharia, mas também uma força de trabalho estimada entre 20 e 30 mil pessoas, composta por trabalhadores especializados, camponeses temporários e artesãos.

O que muitos não sabem é que, em sua época de auge, a Grande Pirâmide não tinha o aspecto erodido e amarelado que vemos hoje. Ela era originalmente revestida, a partir externa dos blocos tinha acabamentos lisos de calcário branco altamente polido, extraídos de Tura, que refletiam a luz solar, fazendo com que a pirâmide brilhasse como se fosse feita de luz no meio do deserto. No topo, havia um píramideon — uma pedra angular — que, segundo algumas fontes, teria sido revestido de ouro ou eletro (liga de ouro e prata), conferindo à pirâmide um ápice dourado reluzente.

Imagine o impacto visual dessa estrutura: um gigante branco cintilante sob o sol do Egito, coroado por um topo dourado que resplandecia à distância. Para os antigos egípcios, essa visão devia parecer um verdadeiro símbolo da eternidade e da glória do faraó divinizado.

Com o passar dos séculos, os blocos de revestimento foram removidos, principalmente durante terremotos e para uso em outras construções no Cairo islâmico. O que resta hoje é o núcleo da pirâmide, ainda imponente, mas despojado de seu brilho original.

A pirâmide continua a fascinar arqueólogos, historiadores e visitantes do mundo inteiro, tanto por sua magnitude quanto pelos mistérios que ainda a envolvem.

Fontes:

Lehner, Mark. The Complete Pyramids: Solving the Ancient Mysteries. Thames & Hudson, 1997.

Verner, Miroslav. The Pyramids: The Mystery, Culture, and Science of Egypt's Great Monuments. Grove Press, 2001.

Brier, Bob. The Secret of the Great Pyramid. Smithsonian Books, 2008.

Hawass, Zahi. Pyramids: Treasures, Mysteries, and New Discoveries in Egypt. National Geographic, 2004.

A ARTE REAL - Izautonio da Silva Machado Junior_


 

A palavra Geômetra vem de GEOMETRIA, que é um ramo da matemática. Em grego, "Geo" significa terra, e "metria" quer dizer medida. É, portanto, a ciência da medida das coisas, sendo ela considerada na antiguidade como uma ciência Divina, que poucos dominavam, e que deve grandes avanços ao sábio Pitágoras de Samos.

Os maçons faziam uso da Geometria para seu ofício, razão pela qual esta bela ciência ficou conhecida como a ARTE REAL (uma das Artes Liberais que compõem o Quadrivium) durante os primórdios da maçonaria, em sua fase operativa, termo que adquiriu novo significado na fase especulativa.

Além de GRANDE ARQUITETO, os antigos maçons também costumavam denominar O Todo Poderoso de GRANDE GEÔMETRA, em alusão à Arte dos maçons.