Michael Winetzki
ESCRITOR - PALESTRANTE - CONSULTOR (61.9.8199.5133)
agosto 29, 2025
ARLS GONÇALVES LEDO 1785 - Vicente Pires
INICIAÇÃO - Jorge Levi Salles Pereira,
Iniciação origina-se da palavra latina initia, na acepção de adquirir os primeiros rudimentos de uma ciência.
Inúmeros e antigos são os processos iniciáticos e temos que ter consciência de que outras escolas de iniciação esotérica existem, além da Ordem Maçônica, Rosa Cruz, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, Ordem Martinista, etc.
O Ato Iniciático é contribuição da Ordem para que se tenha uma sociedade mais justa, com mais amor, mais humildade, mais tolerância, enfim, que exercite realmente os bons sentimentos.
A Iniciação aos nossos Mistérios é uma tradição antiga, sagrada, tanto para aqueles que chegavam quanto para os que os receberiam. Existia um fator importantíssimo que envolvia tal momento: o Respeito.
Hoje, todavia, muito se perdeu, muito nos falta para entendermos o que seja um Ato Iniciático. Lamentavelmente, muitos vêm até nós por curiosidade, com interesses em bens materiais, porque querem obter privilégios, ou, comuníssimo, porque são amigos de um Irmão, mas não têm a mínima condição para serem Maçons e, assim, a Iniciação vai perdendo seu valor de transformação do homem.
Precisamos entender que, trabalhando ou assistindo a um Ato Iniciático estamos presenciando o nascer de uma nova vida e somos responsáveis pelo ingresso de um novo homem, não somente em uma Loja, mas, principalmente, na Maçonaria Universal.
É mais um momento de refletirmos, deixarmo-nos envolver pelo amor ao Ser que ora nasce, sentirmo-nos esperançosos, acreditando que é mais um que lutará para atingir aquela Sociedade mais justa, que tanto almejamos. Aí estão verdadeiro e profundo significado da frase Sic transit Gloria Mundi - assim caminha a Glória do Universo.
Lembremos que o Ato Iniciático não é o instante que precede ao ágape e tampouco uma peça de teatro, onde os erros dos atores serão comentados de uma forma jocosa, que não nos leva a nada. Somos Maçons, homens que praticam puros e belos atos. Dentro da Ordem, sendo educados e educando fora dos nossos Templos, servindo de exemplo para os demais cidadãos do Mundo.
Cada Loja Maçônica, além do Proponente e dos Sindicantes, terá uma plêiade de Maçons para analisar o currículo de um candidato e, assim, responsabilizar-se por seu ingresso na Ordem. O candidato deverá ser, obrigatoriamente, um homem probo, cortês, de bom nível cultural, situação financeira razoável, discreto, maduro, crente em Deus ou em um Ente Superior, etc.
Cremos que um excelente proponente deva ser um Mestre Maçom ativo, conhecedor das necessidades de sua Loja e da Ordem, de conduta profana e maçônica ilibadas e de maturidade maçônica suficiente até, para entender, se for o caso, que um proposto seu não foi aceito pela Loja por motivos que ele desconheça e tenha sido detectado pelos Sindicantes.
Segundo Marivalde Calvet Fagundes, emérito pensador e escritor maçônico, iniciar um profano para o ingresso na Maçonaria não é colocá-lo dentro da Instituição. É permitir, solicitar e ensejar que a vida desse profano seja vasculhada, analisada e pesada por três Mestres Maçons encarregados da sindicância.
Quem na realidade concede o ingresso do profano na Maçonaria é uma Loja, reunida regularmente e mediante escrutínio secreto. A responsabilidade, portanto está repartida por muitos.
Muitas sindicâncias não significam necessariamente muitas iniciações. Significam, sem dúvida alguma, à luz da Ciência Estatística, maior oportunidade de seleção e melhor escolha.
O que nós temos, inapelavelmente, de começar a abolir é a figura do "padrinho", que não se justifica, uma vez que ela não dispensa a sindicância nem o escrutínio.
A transformação do "padrinho" em "proponente" dá maior liberdade de ação ao mesmo, tirando-lhe o medo de cometer um engano. Além disto, concede aos sindicantes, também, maior liberdade de ação, porque estes sabem que não irão suscetibilizar o proponente, caso as sindicâncias sejam desfavoráveis, o que tem acontecido com frequência, no sistema atual.
Por falar em medo de cometer engano, lembremo-nos que Jesus Cristo, ao escolher doze apóstolos, cometeu um engano, logo...
Muitos outros aspectos da iniciação poderiam ser discutidos neste trabalho, mas, para não cansar o leitor; paramos por aqui, conclamando a todos que cumpramos o que determinam os nossos Rituais e assim teremos novos e brilhantes Maçons para honra e glória do G∴A∴D∴U∴
Publicado na Revista Astréa – Órgão Oficial do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil - Ano LXXVII – no 14 – Rio de Janeiro – Out 2003 / Abr 2004 – pág 23/24.
agosto 28, 2025
ARLS FRATERNIDADE DE SAMAMBAIA 3230 - Taguatinga
Estando em Taguatinga, cidade satélite do Distrito Federal, decidi visitar uma Loja que eu ainda não conhecia, a ARLS Fraternidade de Samambaia n. 3230, que funciona no mesmo templo da ARLS Gonçalves Ledo, esta já visitei inúmeras vezes.
Entrei em contato com o Venerável Mestre Eduardo Aquino poucas horas antes da sessão e de maneira extremamente cordial e simpática, não só aceitou a minha visita como se prontificou a me dar carona até a Loja.
Ao chegar encontrei irmãos que já conhecia de longa data, o irmão Wellington, que era VM da Loja Renascença durante uma de minhas visitas àquela Loja, os irmãos Sérgio Rocha Machado (ocupando o cargo de Mestre de Cerimonias) e Luiz Paulo N. Neto (secretário), que são parceiros de primeira hora da ARLS Virtual Lux in Tenebris, e outros que já haviam assistido palestras minhas.
A Ordem do Dia foi a apresentação de um excelente trabalho de um irmão aprendiz, Murilo Salas Ferreira, de qualidade incomum pela erudição e conteúdo. E o Venerável Mestre pediu que eu apresentasse um resumo de uma minhas palestras, "Maçonaria, da Pedra Bruta a Inteligência Artificial" que fiz com muito prazer. Também expus os livros editados pela Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras e fiz o convite para que os irmãos se inscrevessem na XXX Jornada Maçônica do Brasil que será realizada no próximo dia 28 de setembro em Santos.
A sessão foi encerrada com um delicioso ágape.
PARA QUE ME FORAM DADOS ESTES ANOS?
Às vezes eu penso: para que me foram dados esses anos? Fico no portão, olhando para a rua, e lá a vida corre — alheia e rápida. Carros, pessoas, vozes. E em minha casa apenas o silêncio, só o relógio que tica alto.
Antes era diferente. A casa estava cheia de sons: o barulho de pequenos pés, risadas cristalinas, os gritos eternos de «papai, papai, olha!». Eu me lembro de quando meu filho corria pelo quintal com uma espada de madeira, e minha filha constantemente pegava minhas camisas, fazendo delas vestidos para suas bonecas. Naquela época, parecia que nunca iria acabar, que eles sempre estariam por perto.
E então os anos passaram, e as crianças cresceram. Foram embora, formaram suas próprias famílias, empregos, preocupações. Eu entendo tudo: eles estão ocupados, têm suas próprias famílias, preocupações... Mas o coração não entende. O coração espera todas as noites que o telefone toque, que ouça uma voz familiar. Mas a resposta é apenas silêncio.
Guardo seus desenhos, recortes de revistas, cartões caseiros com "para o papai". Passo por eles com mãos trêmulas e sorrio, mas logo as lágrimas caem por si só. Eles eram tão pequenos, gentis, delicados, precisavam de mim... Mas agora essa necessidade passou. Pareço ter me tornado uma sombra em suas vidas, da qual se lembram, talvez, uma vez por mês com uma ligação. «Como você está, papai?» — perguntam rapidamente, e eu respondo: «Tudo bem», mesmo que por dentro esteja vazio.
Às vezes sonho que sou jovem novamente: carregando meu filho nos ombros, segurando minha filha pela mão, minha amada esposa ao meu lado, rindo todos juntos. Acordo — estendo a mão, mas não há ninguém ao lado. Apenas o travesseiro frio.
Não peço muito. Gostaria de sentar um pouco ao lado deles, ouvir uma voz viva, sentir que ainda faço parte de suas vidas. Mas, parece que cada um tem seu próprio tempo. O meu já passou. Agora só importo para essas paredes, fotografias nas paredes e memórias, que a cada dia queimam mais o coração.
Sabe, a velhice não é assustadora pelas rugas. A velhice é assustadora quando você percebe que não é mais necessário para ninguém.💔
Fonte: Facebook
PARALELOS ENTRE OSÍRIS E HIRAM ABIFF
A lenda de Hiram Abiff na Maçonaria é frequentemente comparada ao mito egípcio de Osíris, pois ambas as histórias compartilham elementos simbólicos de morte, desmembramento e ressurreição. Embora sejam narrativas de contextos culturais e históricos distintos, a Maçonaria moderna, em sua tradição esotérica, reconhece e utiliza essas semelhanças para transmitir ensinamentos sobre a imortalidade da alma e a superação da morte.
Paralelos entre Osíris e Hiram Abiff
As principais similaridades entre as duas lendas são:
* O "Filho da Viúva": Tanto Hiram Abiff quanto Osíris são considerados filhos de uma viúva. Na mitologia egípcia, Osíris é o filho de Nut (o Céu), mas seu pai, Geb (a Terra), é "morto" em sentido simbólico após Osíris ser assassinado por seu irmão Set. Sua esposa Ísis, que é também sua irmã, o chora como uma viúva. Na lenda maçônica, Hiram é explicitamente chamado de "filho da viúva", uma designação que os maçons usam para se referir a si mesmos, honrando a Hiram.
* Assassinato por Inveja: Em ambas as narrativas, a morte do protagonista é motivada por inveja e traição. Osíris é assassinado por seu irmão Set, que cobiçava o seu trono. Hiram Abiff é morto por três mestres artesãos que o invejavam e queriam extrair dele a "Palavra do Mestre Maçom", um segredo que ele se recusou a revelar.
* O Desmembramento e a Perda: Osíris é desmembrado em 14 partes por Set, que as espalha pelo Egito. Ísis parte em uma busca incansável para encontrar e reunir os pedaços do corpo de seu marido. Da mesma forma, o corpo de Hiram Abiff é enterrado de maneira secreta e desmembrada, e seus companheiros partem em busca de seu túmulo.
* A "Ressurreição" Simbólica: Osíris, com a ajuda de Ísis, é magicamente ressuscitado, tornando-se o rei do mundo dos mortos e simbolizando o renascimento e a vida após a morte. Hiram Abiff não retorna fisicamente à vida, mas sua memória e os ensinamentos que ele representava são "ressuscitados" na forma de uma nova palavra secreta, a ser utilizada até que a palavra original seja reencontrada. Isso simboliza o triunfo do espírito sobre a matéria, da moralidade sobre o mal e a imortalidade da alma.
* A Acácia e a Imortalidade: Na lenda de Hiram Abiff, uma acácia é usada para marcar o local de seu túmulo. Essa árvore de folhas perenes é um símbolo da imortalidade da alma. Da mesma forma, a acácia está associada a Ísis e à lenda de Osíris.
Em suma, a relação entre Osíris e Hiram Abiff não é histórica, mas sim alegórica. A lenda de Hiram Abiff é considerada por muitos estudiosos maçônicos como uma versão mais moderna e adaptada do mito de Osíris, com o objetivo de ensinar os princípios da moral, da imortalidade da alma e da persistência da verdade.
Fonte: Filhos da viúva
HIRAM ABIFF E O CULTO SOLAR - João Anatalino Rodrigues
Os cultos solares
Como todos os maçons sabem, a sua Arte, embora encontre os seus fundamentos organizacionais entre os pedreiros medievais, mais propriamente na estrutura das corporações dos chamados pedreiros-livres (chamados masons pelos ingleses e maçons pelos franceses), têm, na sua filosofia e princípios fundamentais, um pé firmemente fincado na estrutura do antigo reino de Israel. Tanto isso é verdade que encontraremos no catecismo dos graus superiores da Maçonaria uma verdadeira profusão de temas e ensinamentos inspirados no Velho Testamento.
Isto é interessante, porquanto, sendo a Maçonaria ocidental uma instituição tipicamente cristã, é bastante estranho que sejam, primordialmente, os temas da Bíblia hebraica a inspirar a liturgia desenvolvida nos graus superiores da Maçonaria e não a teologia dos Evangelhos cristãos. Esta é, sem dúvida, uma das razões que fazem católicos e evangélicos, especialmente aqueles menos informados, desconfiarem da Maçonaria e levantarem contra os maçons as mais estúpidas e ridículas acusações.
A verdade é a que a doutrina maçónica – se assim podemos chamar os preceitos cultuados pelos maçons estão muito mais fundamentados em fontes hebraicas do que cristãs. E no que toca à influência cristã que aparece em alguns dos graus (especialmente o 18- O Cavaleiro da Rosa-Cruz), ela tem um parentesco mais próximo com o gnosticismo do que com o cristianismo ortodoxo, propriamente dito.
Como sabemos, o cristianismo ortodoxo, seguido tanto pelos católicos quanto pelos evangélicos, é uma criação do apóstolo Paulo de Tarso. Não fosse ele a doutrina pregada por Jesus jamais teria saído dos estreitos limites do território de Israel e não se teria tornado uma crença mundial. E foi o apóstolo Paulo que transformou Jesus, o Messias cristão, (um herói tipicamente da cultura israelita) no Cristo grego, um arquétipo de carácter universal, cultuado por praticamente todos os povos antigos.
A tradição de um herói sacrificado, no entanto, que dá a sua vida pela salvação do povo, não é específica da cultura de Israel, mas sim um tema existente em praticamente todas as culturas antigas. É, na verdade, uma inspiração derivada das antigas religiões solares, na qual o sol, sendo aquele que permite a existência da vida, por efeito da energia que ele prodigaliza, é o “herói que morre todas as noites”, e ressuscita pela manhã, energizando a terra para que ela produza os seus frutos.
Daí os povos antigos desenvolverem o culto ao sol, fazendo desta crença uma verdadeira religião, criando ritos de fertilização como os praticados no Egipto, com os Mistérios de Ísis e os praticados pelos gregos, com os Mistérios de Elêusis, o persas com os Mistérios de Mitra, os hindus com os Mistérios de Indra, etc.
O mito do herói sacrificado
Todo Maçom que tenha sido elevado ao mestrado na Arte Real já fez a sua marcha ritual em volta do esquife do Mestre Hiram Abiff. A alegoria da morte de Hiram é uma clara alusão ao mito do sacrificado. Ele está conectado, de um lado ao simbolismo da ressurreição e de outro lado ao mito solar. Pois nas antigas religiões solares, como vimos, o sol, princípio da vida, morria todos os dias para ressuscitar no dia seguinte, após passar uma noite no meio das trevas.
Assim como toda a teatralização dos Antigos Mistérios, fosse na Grécia ou no Egipto, ou em qualquer outra civilização que praticasse esses festivais, mais do que uma simples homenagem aos protetores da natureza, esses rituais simbolizavam a jornada do espírito humano em busca da Luz que lhe daria a ressurreição.
É neste sentido que a marcha dos Irmãos em volta do esquife de Hiram, sempre no sentido do Ocidente para o Oriente, nada mais é que uma imitação desse antigo ritual, que espelha a ansiedade do nosso inconsciente em encontrar o seu “herói” sacrificado (ou seja, o sol), para nele realizar a sua ressurreição. Pois o sol, em todas essas religiões, era o doador da vida. Ele fertilizava a terra e fazia renascer a semente morta. Destarte, toda a mística desses antigos rituais tinha essa finalidade: o encontro com a luz que lhe proporcionaria a capacidade de ressurreição.
Esta é a razão da estranha marcha praticada pelos maçons em volta do corpo assassinado do arquitecto Hiram Abiff, sempre no sentido do ocidente para o oriente, pois o que ali se simboliza é a marcha do espírito humano em busca da luz (a luz solar) que nasce no oriente e caminha para o ocidente. Desta forma, o espírito humano, fazendo o caminho inverso, há de encontrar o seu “herói sacrificado” e com ele realizar a união, obtendo a sua “iluminação.” Este é, pois, o sentido simbólico da cerimónia de elevação do Irmão ao grau de mestre.
O sacrifício da completação
Conectado com este simbolismo, os antigos povos, nas suas tradições iniciáticas relacionadas com grandes obras arquitectónicas, desenvolveram o chamado “sacrifício da completação”. Este sacrifício consistia em oferecer ao deus a quem era dedicado o edifício um sacrifício de sangue, que podia ser o holocausto dos inimigos aprisionados em guerra ou pessoas escolhidas entre próprio povo. Muitas vezes essa escolha recaia sobre mulheres virgens (as vestais) ou jovens guerreiros, realizadores de grandes feitos na guerra. Acreditava-se que assim os deuses patronos dos poderes da terra se agradariam daquele povo, prodigalizando-lhes fartura de colheitas e protecção contra os inimigos. [1]
Este tema remonta a antigas lendas, cultivadas pelos povos do Levante, segundo o qual nenhuma grande empreitada poderia obter bom resultado se não fosse abençoada pelos deuses. E esta bênção era sempre obtida através de um sacrifício de sangue. Este costume era praticado inclusive pelos israelitas, como mostra o texto bíblico ao informar que Salomão, ao terminar a construção do Templo de Jerusalém “sacrificou rebanho e gado, que de tão numeroso, nem se podia contar nem numerar.” [2]
Desta forma, na Maçonaria, o Drama de Hiram tem uma dupla finalidade iniciática: de um lado presta a sua referência ao culto solar, sendo Hiram, nessa mística, o próprio sol que é homenageado; de outro lado, cultua o herói sacrificado, pois é nele que se consuma a obra maçónica. A Maçonaria, como se sabe, é uma sociedade de “pedreiros”, que visa construir uma sociedade justa e perfeita.
Nesta mística podemos incluir o simbolismo que está no centro do próprio mistério que informa a crença cristã. Pois Jesus Cristo, o sacrificado do credo cristão, também é imolado para que a obra de redenção da humanidade seja realizada. A Maçonaria, como vimos, trabalha especificamente com esse simbolismo no grau dezoito, o chamado Cavaleiro da Rosa-Cruz.
Concluindo, podemos dizer que a Maçonaria é uma sociedade teosófica e humanista que no seu propósito místico está centrada na estrutura do antigo reino de Israel. Como se sabe, a doutrina que fundamenta a formação e a existência do povo israelense, como se comprova na sua própria saga histórica, é a de que Israel, como povo e nação, é uma espécie de “maquete da humanidade autêntica”, ou seja, o povo modelo que Deus escolheu para que a humanidade nele se espelhasse. E na sua face mística, o povo de Israel seria a estratégia pela qual Deus reuniria “os cacos do vaso sagrado (o universo)” quebrado pela acção impensada de Adão e Eva. Ou seja, Israel seria o próprio “Messias” realizando a Tikun olam. [3]
É neste sentido que a Maçonaria, adoptando a estrutura e o simbolismo do Velho Testamento, na sua ritualística procura desenvolver o mesmo sentido que Israel dá à sua doutrina. Por isso podemos dizer que a Maçonaria é a Cabala do Ocidente.
Notas
[1] Veja-se o relato bíblico em Juízes: 11;30,31, na qual o juiz Jefté sacrifica a própria filha em razão de um voto feito a Jeová.
[2] Reis I- 8:5 – Na imagem, gravura mostrando os maçons em volta do esquife do Mestre Hiram. Fonte: “Morals and Dogma”, de Albert Pike – Kessinger Publishing Co. 1992.
[3] O termo Tikun olam (תיקון עולם) significa “reparar o mundo”. É um termo cabalístico que sustenta a crença de que Deus escolheu o povo de Israel para reparar o caos causado pelo pecado de Adão. Vide neste sentido a obra de Gershon Scholen – A Cabala e Seu Simbolismo, Ed. Perspectiva, São Paulo, 2015. É neste sentido, também, que a Maçonaria adoptou o lema “Ordo ab Chao”, que significa Ordem no Caos, pois sendo a Maçonaria uma espécie de sucedâneo do reino de Israel, essa seria a sua missão no mundo: realizar a ordem no caos, construindo uma sociedade justa e perfeita.
agosto 27, 2025
I CONGRESSO NACIONAL DAS ACADEMIAS MAÇÔNICAS DE LETRAS - CONAMA - Hélio P. Leite
A Academia Goiana Maçônica de Letras, sob a presidência do confrade José Mariano Fonseca, planejou, organizou e realizou entre os dias 22 e 24 deste mês, o I Congresso Nacional de Maçons Imortais - CONAMA, tem como sede a cidade turística de Caldas Novas, Goiás e como cenário as instalações de um dos 14 hotéis do Sistema DiRoma.A abertura deste mega evento lítero cultural aconteceu na noite de sexta-feira, presentes todos os congressistas e seus familiares, convidados, autoridades maçônicas, autoridades de Caldas Novas, Secretária de Turismo, representando o Prefeito e o Deputado Federal, irmão Pedro, nascido em Caldas Novas. Foi sem dúvida um momento apoteótico, com apresentação músical da Banda de Caldas Novas e de dois grupos de jovens bailarinas que se apresentaram em grande estilo, e que emocionou a todos que ali assistiram suas performances em ballet Clássico.Na ocasião, o Presidente da Academia Anfitriã, confrade José Mariano Fonseca, coadjuvado pelos confrades Michael Winetzki, Presidente da Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras e o confrade Helio P. Leite, Presidente da Academia Internacional de Maçons Imortais, procedeu a Abertura Solene do Congresso. E em seguida o doutor Nilson Jaime, Presidente do Instituto Cultural Bernardo Élis para os Povos do Cerrado - ICEBE (GO), discorreu sobra Bernardo Élis, sua vida e sua obra. Após esta cerimônia foi servido um jantar nas dependências do Hotel.No sábado, na abertura dos trabalhos, fez uso da palavra o confrade Helio Pereira Leite, discorrendo sobre a importância cultural do CONAMA para a literatura e a cultura da Maçonaria no Brasil, ressaltando a oportuna iniciativa da Academia Goiana Maçônica de Letras, que por certo muito enriquecerá o saber e conhecimento dos participantes.Em seguida, foram proferidas várias Conferências todas em nível acadêmico, com destaque para os seguintes temas:
"As Vigas Mestras da Maçonaria", Conferencista - contrade Denizart Silveira de Oliveira Filho(RJ);
"Empatia e Liderança: combinação perfeita para um bom caminho de uma gestão maçônica exitosa", Conferencista - Mario Martins de Oliveira Neto, Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás;
"Tradição, arte e cultura: maçonaria e a escola autêntica para a busca do conhecimento", Conferencista - confrade Eleutério Nicolau da Conceição (SC);Em prosseguimento, apresentaram suas conferências, o Confrade Antonio Rosário Leite Filho (GO), sob o tema:
"Filosofismo: uma escola de formação de líderes";
Professor Lindonor Ribeiro, sob o tema: "Por que ser maçom ainda?Na parte da tarde se apresentaram os seguintes conferencistas:
Desembargador Adegmar José Ferreira, sob o tema: "Qual o papel e como aproximar o mundo jurídico e os pólos da arte e da cultura em nossas práticas na Maçonaria?";
Professor Getúlio Targino Lima, sob o tema: "É possível encontrar espaços na Maçonaria para a boa prosa, poesia e demais gêneros literários entre os jovens frente às imposições do mundo digital? Como?";
Dr. Michael Winetzki, sob o tema: "Em tempos digitais, entre tantos desencontros e encontros: é possível ver e ter um caminho para a felicidade?".
Professor Anderson Lima Silveira, sob o tema: "Brindando a um até logo !!! - Degustando um papo reto".Nas considerações finais sobre a realização do I CONOMA, vários participantes fizeram uso da palavra, bem como algumas cunhadas presentes. Solicitado por um dos participantes, o confrade Michael discorreu sobre os caminhos para a Felicidade, fechando, assim, com chave de ouro o ciclo de conferências apresentadas no decorrer do Congresso. E finalmente o Congresso foi encerrado de forma conjunta pelos confrades Helio Michael e José Mariano. Sendo que o domingo ficou reservado para os participantes e seus familiares desfrutarem da estrutura turística, das águas termais, oferecidas pela Cidade de Caldas Novas.Na minha avaliação pessoal, o I CONAMA alcançou sucesso exponencial. Em organização, na escolha do local - a aprazível cidade de Caldas Novas, a capital do turismo no Estado de Goiás; na escolha dos conferencistas, todos eles possuidores de vasto conhecimento literário e cultural, maçônico e não maçônico, que nos brindaram com temáticas importantíssimas e em nível de excelência.Outro detalhe importante, que muito me surpreendeu foi a presença de nossas cunhadas em todo o decorrer do Congresso, com destaque para a Irmã Maçona Célia Barbara Amorim, viúva, iniciada há 29 anos atrás na GLADA ( Grande Loja Mista), Mestra Instalada e Grau 33. Seu esposo foi iniciado na Loja Maçônica Cavaleiros dos Templo nº 85, da GLMEGO, transferindo-se para o GOB, filinando-se nas Lojas Guimarães Natal e Liberdade e União. Ou seja, pela primeira vez em meus 59 anos de maçonaria tive a oportunidade de privar da companhia de uma cunhada e confrade maçônica.Enfim, para mim valeu a pena me deslocar de Brasília para a cidade de Caldas Novas, para participar do I CONAMA, representando os 193 membros da Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI, pois tive a oportunidade de ver e ouvir conferencistas de alto nível intelectual e ainda mais por ter conquistado para os quadros da AIMI dois membros correspondentes nacionais, um de Goiás e o confrade Presidente da Academia Maçônica de Letras da Paraíba José Lima e como membro honorário o Sereníssimo Irmão Mário Martins, Grão-Mestre da Grande Loja da Estado de Goiás.
O DECLÍNIO DAS AMIZADES - Lauro Barcellos
Recentemente, um artigo na Harvard Business Review analisa como a "recessão das amizades", ou a tendência de declínio de amizades significativas, está lentamente se enraizando em nossas vidas.
De acordo com a Pesquisa American Perspectives, o número de adultos americanos que afirmam não ter "nenhum amigo próximo" quadruplicou desde 1990, chegando a 12%. Enquanto isso, o número de pessoas com "dez ou mais amigos próximos" diminuiu em um terço. Uma tendência semelhante está surgindo em áreas urbanas da Índia: enquanto o número de conhecidos aumenta, as amizades profundas estão se tornando cada vez mais raras.
No passado, as pessoas conversavam facilmente com estranhos em cafés ou bares. Agora, as pessoas sentam-se sozinhas, desconectadas da multidão. Nos Estados Unidos, o número de pessoas comendo sozinhas aumentou 29% nos últimos dois anos. A Universidade Stanford até lançou um curso chamado "Design para Amizades Saudáveis", que destaca que formar e manter amizades agora exige aprendizado e esforço.
Este não é apenas um problema social, mas uma crise cultural. Reservar um tempo para a amizade não deve mais ser um luxo, mas sim uma prioridade. A solidão não é mais uma escolha; está se tornando um hábito. Se não priorizarmos conscientemente a amizade, não só será difícil fazer novos amigos, como também perderemos conexões antigas.
Reuniões religiosas, clubes, esportes e organizações voluntárias — todos os quais antes fomentavam a amizade — estão em declínio. Nos limitamos às mídias sociais, às responsabilidades familiares e até mesmo aos animais de estimação. Sim, alguns amigos não se veem mais porque não conseguem deixar seus animais em paz!
Hoje, a amizade não faz mais parte da vida cotidiana; ela só acontece quando outras responsabilidades são cumpridas. No entanto, pesquisas enfatizam a importância da amizade. No livro de Bonnie Ware, "Os Cinco Maiores Arrependimentos dos Moribundos", ela destaca um lamento pungente: "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos..."
Pesquisas mostram:
• O isolamento social aumenta o risco de doenças cardíacas, demência e mortalidade.
• É tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia.
• As amizades melhoram a saúde mental, física e emocional.
• O estudo de 80 anos de Harvard concluiu que a maior fonte de felicidade e saúde na vida não é riqueza ou carreira, mas relacionamentos próximos.
A verdadeira amizade é como um investimento: perdoe, ligue, crie memórias e passem tempo juntos.
HIRAM RESSUSCITA - Jules Boucher
Nos antigos rituais, nove Mestres, por grupos de três, partem à procura do cadáver de Hiram. No Rito Francês, o Experto faz três viagens, acompanhado cada vez por dois Mestres; portanto, só sete Mestres participam da procura.
Essa divergência provém do fato de os números sete e nove pertencerem ao grau de Mestre. Sete é a idade do Mestre e Nove o número da bateria. O Rito Francês observa, assim como o Rito Escocês, a bateria de nove golpes, mas adotou o número de sete \Mestres em lugar de nove, o que nos parece um erro.
Entre os nove Mestres, apenas três operam a ressurreição de Hiram. Como se convencionou que os três Companheiros “assassinos” representam a Ignorância, o Fanatismo, a Inveja, os três “ressuscitadores” não poderiam deixar de serem qualificados, por antinomia: Saber, Tolerância, Desprendimento. Isso constitui somente o exoterismo da lenda e , digamo-lo, um exoterismo bastante grosseiro de que o Mestre, recém-criado, dificilmente poderá se libertar se seu espírito não estiver aberto à transcendência do simbolismo.
Hiram ressuscitado é o Mestre “individualizado”, é o “homem verdadeiro”, como diz Guénon. Se, por outro lado, a Franco-Maçonaria é uma “comunhão” (de cum, com, união) que une os homens mediante uma mesma liturgia, isto é, mediante ritos comuns, por outro lado, ela tende a criar homens “indivíduos” (indivis,indivisível), tendo cada um consciência do próprio valor
Isso explica a hostilidade encontrada pela Maçonaria por parte da Igreja e dos governos ditatoriais. Eles não podem admitir que um indivíduo se distinga do resto do rebanho, do servum pecus. Ora, a liberdade de pensar é também a liberdade de passar, que às vezes é simbolizada por um ponto com a três letras L.'.D.'.P.'., letras que, numa intenção política, foi interpretada pela formula latina: Lilia Pedibus Destrue, “pisa aos pés os lírios”.Essas três letras são a iniciais das palavras Liberdade, Dever, Poder.
A liberdade do Maçom, submisso a seus deveres, dá-lhe o poder, isto é, a força, a capacidade de agir, a autoridade – tendo essa última palavra o sentido de criador...
...Enfim, o Mestre, na plenitude de seus direitos maçônicos e de seus deveres, verdadeiramente individualizados, será na Loja um elemento, uma Pedra perfeita, indispensável à existência dessa Loja.
Jules Boucher – A Simbólica Maçônica, Pág.293 – Ed. Pensamento – 1979. Original: Paris, 1948
agosto 26, 2025
ARLS THERMAS DE CALDAS 164 - Caldas Novas
A ARLS Thermas de Caldas 164 foi sagrada em 2013, com um dos mais espetaculares templos do país na icônica Estância Termal de Caldas Novas em Goiás. Eu era assessor do então Grão Mestre da Grande Loja do Estado de Goiás, irmão Rui Rocha de Macedo e com uma grande comitiva de irmãos de todo o Estado participei desta cerimônia. Fiz depois a primeira palestra nesta Loja.
Doze anos depois retorno para visitá-la e a Loja que já era muito grande, ostentando orgulhosamente suas colunas de quatro andares de altura, dobrou de tamanho com um espaçoso salão de festas e anexos.
O extremamente simpático Venerável Mestre Felix Emiliano da Rocha me recebeu com toda a cortesia e conduziu brilhantemente a sessão de elevação, ao fim da qual proferi umas palavras sobre o assunto.
O Venerável Mestre da época da inauguração, irmão Mauro Henrique estava presente e trocamos algumas recordações sobre aquele dia.
Apos a sessão encerrada foi servido um lauto churrasco.
MÚSICA NA CÂMARA DO MEIO - .Pedro Juk
Em 13/08/2018 o Respeitável Irmão Acácio Siqueira, Loja Iara do Rio Pardo, 242, REAA, Grande Oriente Paulista – COMAB, Oriente de Santa Rosa do Viterbo, Estado de São Paulo, pede esclarecimento para o seguinte:
Espero poder contar com sua ajuda nesta questão que foi levantada em nossa Loja: existe alguma regra para a execução de músicas quando a Loja trabalha no Grau de Mestre? A pergunta se deve ao fato de que houve defesa da não execução de músicas, considerando que a Loja, no Grau de Mestre, trabalha em luto pela morte do mestre Hiram Abif.
CONSIDERAÇÕES:
Existem dois aspectos a serem considerados. O primeiro é o do que prevê o ritual do REAA∴ da sua Obediência nesse caso. Se porventura ele previr alguma harmonia musical nessa ocasião, então que se cumpra o que está escrito. Posso dizer que já vi rituais que mencionam “música apropriada” em Câmara do Meio, o que pode ser constatado, dentre alguns, nos famosos rituais de capa vermelha elaborados há muito tempo atrás pelo saudoso Irmão Theobaldo Varolli Filho no Estado de São Paulo.
O segundo aspecto é o que envolve o roteiro iniciático do Terceiro Grau, onde a Loja, pela perda do Mestre, é decorada como ambiente de luto e consternação. Toda essa alegoria iniciática se desenvolve como que em clima de pesar, portanto não é um ambiente apropriado para música, senão o de um silêncio respeitoso. Nunca é demais lembrar que já durante a Iniciação, por ocasião da terceira viagem (prova do fogo), onde se simula o final da jornada, há um ambiente de maturidade (fim da vida/meia-noite) quando o trajeto se desenvolve no mais absoluto silêncio – é o que preveem os rituais autênticos do REAA. Na verdade, essa terceira viagem é um pequeno trailer do que se dará futuramente na Exaltação.
Sob esse feitio, entendo que a Câmara do Meio não é ambiente apropriado para execução de música, embora alguns até defendam que nela possa se admitir canções próprias para exéquias, a exemplo da Marcha Fúnebre de Ludwig Van Beethoven.
agosto 25, 2025
UM TRIBUTO AO SOLDADO - Bruno Bezerra de Macedo
As forças armadas, no sentido de organizações militares estruturadas para defesa territorial e ataque a inimigos são atribuídos às cidades-estados da Suméria, na Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C. Curiosamente, o Exército Romano, inicialmente um exército miliciano de cidadãos, passou por reformas que o tornaram uma organização profissional, utilizando também tropas auxiliares de outros povos.
Os primeiros exércitos nacionais, como são conhecidos hoje, surgiram com os processos de centralização política na Europa, especialmente após a Idade Média. Cumpre destacar a Honourable Artillery Company (HAC), fundada em 1537, como a mais antiga unidade militar em existência, segundo o Exército Britânico. E, neste influxo, por oportuno, enaltecer a infantaria, primaz força militar da História.
Destaco a primaz Força Armada da América do Sul, nascida em 1822, a Marinha “invicta” de Tamandaré, assim chamada em perene evocação das qualidades do seu patrono o Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré ao passo que reconhece sua história de dedicação e feitos notáveis na formação do país, servindo como inspiração para os soldados da marinha e a toda a nação brasileira.
Cumpre ressaltar que a História do Glorioso Exército de Caxias, embora remonte à independência do Brasil em 1822, tem suas origens associadas a mobilizações de brasileiros contra invasores durante o período colonial, especialmente na Batalha dos Guararapes (1648), celebrada como seu marco inicial. O nome "Caxias" evoca os valores de seu patrono: disciplina, lealdade e autoridade.
Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, principal ícone do militarismo brasileiro, subiu meritoriamente os degraus da carreira militar, sendo a figura central em diversos momentos históricos do Brasil, como a Balaiada e a Guerra do Paraguai. Mas, também, foi um importante político do período da monarquia. É conhecido como "O Pacificador" por seu papel na resolução de conflitos internos do Império.
Filha de Titãs, emergiu em 1941 a Força Aérea de Gomes com a primazia de unificar as forças aéreas do Brasil, separadas entre o Exército e a Marinha, para uma atuação mais eficaz, que fora provada e aprovada durante a Segunda Guerra Mundial, participando da guerra antissubmarino no Atlântico Sul e combatendo na Itália. Seu protagonismo é tão incessante quanto o orgulho que imprime ao Brasil.
O Marechal do Ar Eduardo Gomes, reconhecido por sua dedicação, patriotismo e integridade, sendo uma referência que continua a inspirar as gerações de militares e civis na Força Aérea Brasileira. Destacou, também, como impulsionador do Correio Aéreo Nacional e o primeiro a comandar o seu desenvolvimento. Assim, além de ser o patrono da FAB, também, é o Patrono do Correio Aéreo Nacional.
Por justo mérito, evoco o Arguto General do Exército de Caxias Morivalde Calvet Fagundes, que valora a literatura como formadora de homens probos e dignos da sociedade que constroem, posto que, a literatura fomenta o desenvolvimento da imaginação, da criatividade, do senso crítico e da interpretação do mundo. E preceitua que leitura é uma atividade que transcende a simples aquisição de conhecimento.
Neste toar, as instituições militares e/ou civis, os soldados e o povo brasileiro evocam os ideais e os exemplos de Tamandaré, de Caxias, de Gomes e de Calvet como contumaz referência para suas funções e identidade, pois, são eternos soldados a serviço dos valores que promanam, a fomentar a ordem e o progresso, a incitar o vanguardismo e, principalmente, a animar o protagonismo de um por vir glorioso.
O AVENTAL DE COMPANHEIRO - Rui Bandeira
Ao contrário do que ocorre com o ritual de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito, o ritual de Companheiro não faz qualquer referência ao avental usado pelos obreiros da oficina do segundo grau.
Os Companheiros podem – como todos os maçons, quaisquer que sejam os seus graus ou qualidades – usar o avental todo branco de Aprendiz maçon. Simplesmente, enquanto os Aprendizes o usam com a aba levantada, os Companheiros usam-no com a aba deitada sobre o corpo retangular do artefato.
A necessidade de proteção do Companheiro é menor, o seu progresso na Arte Real já lhe permite dispensar uma maior área de proteção. O seu trabalho na moldagem do seu caráter, no aperfeiçoamento de suas qualidades, na luta contra seus defeitos, já lhe permitiu determinar a forma como a sua pedra se integrará no grande templo projetado pelo Grande Arquiteto do Universo, laboriosa e demoradamente edificado pela Humanidade, desde o alvorecer da Criação.
Agora o tempo é de limar as arestas que ainda subsistem, de polir a pedra, de a aparelhar para que cumpra a sua função, não apenas bem, mas de forma bela e agradável, contribuindo não só para a edificação, mas também para a decoração do Templo Coletivo Supremo.
Tenho para mim que, originariamente, a única distinção que, a nível do avental, existia entre Aprendizes e Companheiros era a forma como era posicionada a aba. O avental, em ambos os graus, era o mesmo.
Modernamente, o avental de Companheiro, continuando a ser confeccionado em pele ou tecido de cor branca, de forma retangular e cortado em ângulos retos nas quatro extremidades, apresenta um debruado estreito, na cor do rito, ao longo das suas extremidades (as quatro linhas delimitadoras da sua forma retangular, mais as duas linhas delimitadoras da aba), formando, em conjunto com a linha superior do avental, um triângulo.
A cor do rito é a vermelha, no Rito Escocês Antigo e Aceito e a azul clara, no rito de York e na sua variante (rito de Webb) em uso nos Estados Unidos. A Maçonaria irlandesa usa a cor verde.
A fina linha colorida delimitadora das extremidades do avental simboliza o estado dos trabalhos do maçom: a sua pedra já tem forma, já é cúbica, o seu trabalho agora é alisá-la, aperfeiçoá-la, desde logo limando as suas arestas.
Na Maçonaria Continental Europeia, o avental de Companheiro acaba por ser o menos usado, apenas durante o tempo em que o maçom permanece no segundo grau.
Um pequeno detalhe, mas, importante, para evitar a possibilidade de confusões. Os aventais comumente em uso nas lojas americanas pelos Mestres que não sejam Oficiais da Loja ou Grandes Oficiais é muito semelhante ao avental de Companheiro europeu. Assim, se porventura algum visitante americano comparecer numa loja europeia envergando um avental com linhas de cor estreitas, delimitando as suas extremidades, atenção que, em princípio, não é um Companheiro, é um Mestre Maçom, embora não seja Oficial de Loja ou Grande Oficial.
Para finalizar, e a título de mera curiosidade: o "M" do logótipo do Gmail não tem nada a ver com o avental de Companheiro Maçom. É apenas a dita letra desenhada a vermelho num sobrescrito. Não vale a pena imaginar teorias da conspiração…