janeiro 09, 2026

FIBONACCI - O MATEMATICO QUE DIVULGOU OS NUMEROS ÁRABES - Giih de Figueiredo


Leonardo Fibonacci: O Matemático que Trouxe os Números Árabes ao Ocidente

Leonardo de Pisa, mais conhecido como Fibonacci, nasceu por volta de 1170 na República de Pisa, um dos centros comerciais mais influentes da Itália medieval. Sua vida e obra representam um ponto de inflexão na história da matemática ocidental, fruto de um fascinante encontro entre culturas.

O pai de Fibonacci, Guglielmo Bonacci, era um comerciante e cônsul na cidade de Bugia, uma próspera colônia mercantil no norte da África (atual Argélia). Foi nesse ambiente multicultural, onde o mundo islâmico florescia como uma das principais civilizações científicas da época, que o jovem Leonardo teve seu primeiro contato com os avanços matemáticos árabes.

Sob a orientação de estudiosos locais, Fibonacci aprendeu sobre o sistema numérico hindu-arábico, uma inovação que contrastava fortemente com os numerais romanos usados na Europa de seu tempo. Essa nova abordagem matemática, baseada em dez símbolos simples (0 a 9) e na posição dos números para indicar valores, oferecia uma eficiência revolucionária para cálculos.

Quando retornou à Itália, Fibonacci trouxe consigo essa poderosa ferramenta intelectual, bem como um vasto conhecimento acumulado nas viagens pelo Mediterrâneo. Em 1202, ele publicou o "Liber Abaci" (O Livro do Ábaco), uma obra seminal que introduziu o sistema numérico hindu-arábico aos mercadores e acadêmicos europeus. Embora o livro abordasse diversos problemas práticos, como cálculo de juros, conversões monetárias e pesos, foi sua defesa do uso do número zero e dos algarismos arábicos que marcou a história.

Curiosamente, o nome Fibonacci não está associado apenas aos números que ele ajudou a popularizar. Em um dos capítulos do Liber Abaci, ele apresentou uma sequência numérica enquanto resolvia um problema sobre reprodução de coelhos. Essa sequência, hoje conhecida como a Sequência de Fibonacci, segue uma lógica em que cada número é a soma dos dois anteriores (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, e assim por diante). Séculos depois, essa sequência seria redescoberta como uma constante matemática de grande beleza, presente em fenômenos naturais, como a disposição de pétalas em flores, a estrutura de conchas e até galáxias.

A influência dos matemáticos árabes no trabalho de Fibonacci é inegável. Ele reconhecia abertamente suas fontes de inspiração, incluindo as obras de Al-Khwarizmi, cujo nome deu origem à palavra "algoritmo", e as tradições matemáticas que floresceram nas cortes islâmicas de Bagdá, Damasco e Córdoba. Essa troca de conhecimento foi possível graças ao dinamismo cultural e comercial do Mediterrâneo medieval, que, por meio de figuras como Fibonacci, conectou o Oriente e o Ocidente em uma rede de aprendizado e inovação.

A obra de Fibonacci, embora inicialmente recebida com resistência, gradualmente transformou a matemática europeia. O sistema numérico que ele introduziu tornou-se fundamental para o desenvolvimento do comércio, da ciência e da engenharia, pavimentando o caminho para o Renascimento e para os avanços tecnológicos que moldariam o mundo moderno.

Assim, a história de Leonardo Fibonacci é mais do que a trajetória de um matemático brilhante. É o testemunho do poder do intercâmbio cultural e da curiosidade humana em transcender fronteiras, trazendo luz às sombras do desconhecido e abrindo novas possibilidades de pensamento e criação.



MAÇOM NÃO É DE VIDRO - Sergio Quirino



Neste primeiro tema do vigésimo ano dos artigos dominicais, não haverá uma mensagem de esperança ou de bons desejos, mas um chamamento à mudança ou a reafirmação de uma postura real e verdadeira: Maçom não é de vidro.

Decerto, trabalharemos o tema com analogias, símbolos e alegorias. Para tanto, destacamos algumas características do vidro:

- Fragilidade. Pode haver a contestação de que há os de forte blindagem, porém não são “puros”, visto que em sua constituição estão agregados outros elementos além da sílica.

-Transparência. Sim, todo vidro “expõe” o outro lado.

- Mil utilidades. Será?

- Reciclagem. Infinitas reutilizações.

O Maçom não é de vidro. Sendo assim, observemos o quanto o mundo, a sociedade e as pessoas estão cada vez mais frágeis. O politicamente correto não é uma política de proteção. É a afirmação da fragilidade das pessoas em se defenderem e se blindarem em novas regras de convivência que nos segmentam e, aí sim, nos segregam. Um afrodescendente, se chamar outro afrodescendente de “negão”, pode ser preso por injúria racial.  

O Maçom não é de vidro, porque ele lembra que, em sua iniciação, foi-lhe instruído que deve gozar os prazeres da vida com moderação, não ostentando o bem que goza. Contudo, vemos hoje, nas redes sociais, pessoas cada vez mais “transparentes”: expõem sua casa, sua família e seus vícios. O comedimento sempre foi um traço marcante do Maçom.

O Maçom não é de vidro, pois ele não pode servir a dois senhores. Uma garrafa pode armazenar água ou álcool, mas o Maçom não pode ter “mil utilidades”, dado que acabará sendo “multifacetado”. A Maçonaria como escola de moral e ética nos imprime valores, ações e condutas únicas e não adaptáveis. Somos recipientes de virtudes, e não de vícios.

O Maçom não é de vidro, porque não passamos por reciclagem. Nosso processo é evolutivo e não reutilizável. Na reciclagem, o vidro vai se distanciando de sua gênese. O vidro virgem é produzido com três matérias-primas puras: sílica, bicarbonato de sódio e calcário. Quando é descartado, retorna ao forno, triturado, misturado com outros produtos de origens diversas e com traços que nem a purificação pela água ou pelo fogo eliminará as nódoas. Dessa forma, será destinado cada vez mais para uma utilização inferior. Não se recicla cristal em cristal. Uma vez Companheiro, não se retorna a Aprendiz.

Diante do exposto, o que ser em 2026?

SER PEDRA!  DEIXAR DE MELINDRAR!  TER CONSISTÊNCIA! 

ASSUMIR SUA MISSÃO!  NÃO ESPERAR UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE! 

O Malho e o Cinzel não são instrumentos nem para debilitados nem para materiais fracos. Portanto, fortaleça-se pelo estudo das instruções e enrijeça-se estruturalmente pela prática delas.

NÃO ENCARE 2026 COMO UM ANO NOVO, MAS COMO 365 GRAÇAS DE DEUS

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor

Maleikosalam  -  Rubor e Furor

POSSIVEL ORIGEM DAS TRES BATIDAS


O uso de batidas para chamar a atenção de pessoas presentes em uma reunião é um antigo costume. Tanto é verdade que, numa fábrica de tecidos, em 1335, em York Minster, Inglaterra, foi registrado os detalhes de uma construção que estava sendo feita nessa fábrica, por um grupo de Maçons Operativos. Ali é mencionando o trabalho em si, descanso, etc, e menciona, também, que os Maçons eram chamados após a refeição para assumirem novamente o trabalho, por batidas dadas na porta da Loja. Esta Loja, como já foi dito em outras Pílulas, sem dúvida, deveria ser um abrigo coberto perto da referida construção. 

Hoje em dia, na Maçonaria Especulativa, as batidas foram deliberadamente variadas para distinguir os três Graus Simbólicos, uns dos outros.

Muitas das praticas maçônicas tem forte semelhança com as práticas Eclesiásticas, apesar que, muitas vezes, falta uma evidência definitiva. Entretanto, é fato que a Maçonaria Operativa foi empregada largamente nas construções de Catedrais e outras construções para a Igreja, onde podemos supor que as práticas e costumes dos monges, abades, etc, não eram inteiramente desconhecidas dos integrantes da Maçonaria Operativa, da qual a Maçonaria Especulativa derivou.

Um exemplo do uso eclesiástico de batidas é visto quando um novo Bispo está sendo entronado. Ele se aproxima da porta Leste da Catedral e com três pancadas nesta, com o seu Bastão Pastoral, obtém a atenção do Deão e dos membros do Capitulo, dos quais ele obterá permissão para entrar na conclusão da Cerimônia para sua total introdução no Episcopado.

Fonte: Pílulas Maçônicas.

janeiro 08, 2026

STEPHEN HAWKING



 Em 8 de janeiro de 1942, nascia em Oxford, na Inglaterra, Stephen William Hawking, um dos físicos teóricos mais influentes da história. Doutor em cosmologia e professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge — cargo que já havia sido ocupado por Isaac Newton —, Hawking se destacou por contribuições fundamentais à cosmologia teórica e à gravidade quântica.​

Diagnosticado aos 21 anos com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa progressiva, contrariou todas as expectativas médicas e seguiu produzindo ciência de alto impacto por décadas. Entre suas descobertas mais conhecidas estão os teoremas das singularidades, desenvolvidos com Roger Penrose, e a chamada radiação Hawking, que demonstrou que buracos negros podem emitir partículas e perder energia.​

Além do meio acadêmico, Hawking se tornou uma referência mundial na divulgação científica, alcançando milhões de leitores com livros como Uma Breve História do Tempo. Também marcou presença na cultura pop, participando de séries, animações e até de um álbum do Pink Floyd. Stephen Hawking faleceu em 14 de março de 2018.​


Fonte:#StephenHawking #Ciência #Física #Cosmologia

O TERMÔMETRO DA DESIGUALDADE - André Naves


Uma sufocante onda de calor se abateu sobre São Paulo e desvelou uma enorme mazela social. Enquanto o asfalto derretia e o ar pesado tornava a respiração um esforço, uma realidade brutal se revelava nos termômetros da cidade: o calor, como tantas outras mazelas, não é democrático.

A temperatura que você sente ao sair de casa em nossa metrópole é, cada vez mais, um reflexo direto do seu CEP e, por consequência, da sua renda.

Estamos vivendo a era da desigualdade climática!

Para entender essa injustiça, basta comparar duas realidades paulistanas. Em bairros nobres e arborizados como Pinheiros, a cobertura vegetal funciona como um ar-condicionado natural. Um estudo do Instituto Pólis aponta que distritos como Pinheiros e Moema possuem mais de 12 m² de área verde por habitante. Durante os picos de calor, seus moradores encontraram refúgio sob árvores frondosas, em parques bem cuidados, com temperaturas mais amenas.

Agora, vamos imaginar uma outra realidade? Para Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, a realidade é outra. A imensa densidade populacional, a escassez de parques e a onipresença de cimento e asfalto — que absorvem e irradiam o calor — criam as chamadas “ilhas de calor”.

A diferença não é pequena!

Medições da ONG MapBiomas e de outras iniciativas de monitoramento climático cidadão atestam que, em dias extremos, a sensação térmica em áreas como Heliópolis pode ser até 10 graus Celsius mais alta que a registrada em Pinheiros.

Essa diferença abissal não é um capricho da natureza. É o resultado de um desenvolvimento urbano historicamente excludente, que concentrou investimentos, infraestrutura verde e qualidade de vida em poucas mãos e poucos bairros, enquanto empurrava a maioria da população para áreas desprovidas de planejamento e dos serviços mais básicos.

O calor extremo em áreas vulneráveis não é apenas desconfortável; ele agrava problemas de saúde, como doenças respiratórias e cardiovasculares, diminui a produtividade no trabalho e na escola e representa um peso econômico para famílias que, sem poder contar com a sombra de uma árvore, se veem obrigadas a consumir mais energia elétrica e água — quando podem pagar por ela.

A pergunta que se impõe é: como quebrar esse cicloo? A resposta tradicional se limitaria a pedir mais investimentos públicos, um caminho necessário, mas frequentemente lento e sujeito às amarras fiscais.

Proponho aqui um caminho que une justiça climática à dignidade econômica: a solução para o calor da periferia passa, fundamentalmente, pelo incentivo ao trabalho e ao empreendedorismo local.

Pode parecer contraintuitivo, mas a lógica é direta. Uma comunidade economicamente forte é uma comunidade com poder de transformação. Quando fomentamos um ambiente de negócios saudável, estamos plantando as sementes da qualificação urbana.

A burocracia excessiva, a complexidade tributária e a falta de acesso a crédito não sufocam apenas o pequeno comerciante ou o prestador de serviços; sufocam a capacidade de uma comunidade inteira de gerar a riqueza que, em parte, poderia e deveria ser reinvestida em seu próprio entorno.

Imagine o potencial de cada novo negócio formalizado em Heliópolis, Cidade Tiradentes ou Brasilândia, entre tantas outras… A riqueza gerada pela padaria da esquina, pela oficina mecânica, pela startup de tecnologia social, seria o motor para a construção de parques, a arborização de calçadas, a criação de “telhados verdes” e outras soluções baseadas na natureza.

Facilitar a vida de quem empreende na periferia não é um favor, é o caminho mais curto para que o asfalto quente dê lugar à sombra de uma árvore. Desburocratizar, simplificar e racionalizar o sistema tributário não são apenas pautas econômicas abstratas; são as ferramentas mais eficazes que temos para combater a desigualdade climática na prática.

Ao empoderar os cidadãos com a capacidade de gerar renda, estamos lhes dando também as ferramentas para redesenhar sua própria realidade urbanística.

A luta por um clima mais justo em São Paulo não será vencida apenas com discursos ou planos diretores que demoram a sair do papel. Ela será vencida com ação concreta, que reconhece que a vitalidade econômica e a sustentabilidade ambiental não são opostas, mas sim interdependentes.

É pela geração de trabalho e pela força do empreendedorismo que as comunidades mais afetadas pelo calor poderão, finalmente, construir um futuro mais fresco e digno.

Um futuro onde o direito a uma brisa não seja um luxo, mas um direito de todos. É hora de manter a esperança acesa, usando-a para iluminar um caminho onde a prosperidade floresce junto com as árvores.

 

PERSONAGENS BÍBLICOS DA MAÇONARIA SIMBOLICA - Almir Sant’Anna Cruz





No Painel de origem inglesa de autoria do Irm.’. John Harris, usado no Grau de Aprendiz por algumas Obediências e Ritos, estão presentes na Escada de Jacó os símbolos representativos das Virtudes Teologais e nos quatro cantos do Painel, Borlas representando as Virtudes Cardeais.

De acordo com os Rituais que fazem uso do Painel inglês, as três principais virtudes são a Fé, a Esperança e a Caridade, representadas nos degraus da Escada de Jacó, respectivamente, pela Cruz, pela Âncora e pelo Cálice ou Taça com a mão em atitude de a alcançar.

Digno de nota é o fato dessas virtudes serem consideradas pela Igreja Católica como sendo as Virtudes Teologais, ou seja, as virtudes infusas na alma por Deus, por terem o próprio Deus por objeto imediato.

Segundo a interpretação da Igreja Católica, “A Fé inclina e capacita o intelecto e a vontade a aceitar a palavra de Deus e a aderir à sua autoridade, que a revela. A Esperança inclina e capacita a vontade a ter confiança que Deus lhe dará a vida eterna e a graça para merecê-la. A Caridade inclina e capacita a vontade a amar a Deus, por ser quem é, a si mesmo e ao próximo por causa de Deus”.

No Ritual do Rito de York – Emulação, encontramos a seguinte explicação: “Fé no GADU, Esperança na salvação e Caridade para todos os homens (...), porque, pelas doutrinas contidas no L das SSEE somos ensinados a crer na benevolência da Divina Providência, crença que reforça a nossa  fé (...); esta fé, naturalmente, cria em nós a esperança de nos tornarmos participantes das promessas abençoadas ali descritas (...) O Maçom que possui essa virtude (a Caridade), no mais amplo sentido pode ser considerado como tendo atingido o apogeu de sua profissão”.

Além das três Virtudes Teologais, a Igreja Católica destaca ainda quatro outras, chamadas Virtudes Cardeais, por serem as quatro principais virtudes morais: a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança.

Para os budistas, a Fé está presente em qualquer consciência saudável e se faz necessária enquanto não se alcança a Sabedoria, que é a verdadeira semente sem a qual o crescimento espiritual não pode começar. 

As Virtudes Cardeais dos budistas são: a Sabedoria, a Fé, o Vigor (a Força), a Atenção e a Concentração.

Além de todas essas virtudes já mencionadas, muitas outras deverão ser estudadas e praticadas pelo Maçom que efetivamente aspire a Perfeição.

Excertos do livro Personagens Bíblicos da Maçonaria Simbólica - Interessados Contatar o Irm.’. Almir no WhatsApp (21) 99568-1350

janeiro 07, 2026

É TEMPO - Adilson Zotovici


Chega o ocaso de mansinho

Nova estação se assenhora

Tempo de ação que sublinho

Dum novo ano a aurora


Houve pedra no caminho

Qual Drummond dissera outrora

Inda que algum espinho

Feito flor nos deu escora


Com penhor e com carinho

Saturnalias mundo afora

Com amor, com pão e vinho

Alegria o quão sonora


Mas o tempo que avizinho

Com excelência diz que agora

De volver ao meu cantinho

Sem indolência, sem demora


Labutar...jamais sozinho

Com ferramental que aflora

Da Arte Real qual me alinho

Sem perder um segundo...é hora !




CRUZANDO O PORTAL - Newton Agrella



Dá pra mudar algumas coisas, sim !

Dá pra abrir este novo portal do tempo com uma dose mais generosa de empatia, acolhimento e tolerância.

Dá pra fazer do mero exercício do discurso, uma ação ritualística mais consistente

Dá pra transformar a reles convivência humana em fraternidade

Dá pra olhar do lado e enxergar alguém, que de fato, precise de um ombro amigo ou de um braço estendido.

Dá inclusive pra escutar muito mais e falar bem menos. Ainda que isto seja bem complicado.

Dá pra compartilhar mais experiência e acumular mais conhecimento através da sabedoria...

E não muito longe disso, diante desse portal que mal estamos cruzando, dá pra se valer do discernimento e do bom senso, antes da tomada de qualquer atitude impulsiva.

Dá pra pensar mais detidamente e especular  ainda mais, pela busca da evolução e do nosso aprimoramento conciencial.

E aí sim... depois dessa bateria de ginástica mental, dá pra se fazer uma avaliação mais significativa sobre o nosso próprio entendimento entre Viver e Existir.

Sempre dá pra ser melhor !



E OS ADVÉRBIOS? - Heitor Rodrigues Freire



Neste início de um novo ano, surgem muitas propostas de mudança de comportamento, prometendo verdadeiros “milagres”, caso se adotem as medidas mirabolantes. Mas, na realidade, são meras ilusões que as mentes influenciáveis aceitam como possibilidade real – no entanto, são panaceias, sem nenhuma eficácia.

Recebi uma mensagem simples que considero verdadeira, que não promete nada, mas condensa uma verdade: “Gratidão em retrospectiva; esperança em perspectiva”.  Isso tudo para dizer que desejo a todos os meus leitores um Feliz e Próspero Ano Novo. 

E, dando continuidade às minhas incursões no campo da gramática, mais do que a função de cada parte, o que mais me inspira é sua função filosófica, e não os elementos gramaticais ou a classe das palavras. Como sabemos, gramática é o conjunto de regras que indicam o uso correto de uma língua, tanto em relação à escrita quanto à leitura. É por isso que a palavra gramática, de origem grega (grámma), significa “letra”.

Elementos gramaticais, ou classes de palavras, são as dez categorias que organizam o português: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, preposição, advérbio, conjunção e interjeição, cada qual com sua função específica (nomear, indicar ação, caracterizar, etc.) e que podem ser divididas entre variáveis (mudam gênero/número) e invariáveis (não mudam).  

Há quatro tipos de gramáticas: normativa, descritiva, histórica e comparativa. Ao mesmo tempo, a gramática da língua portuguesa é dividida em fonologia, morfologia e sintaxe. Nessa divisão, há gramáticos que incluem a semântica, que, aliás, já foi objeto de um artigo anterior.

Do ponto de vista filosófico, a gramática é vista como um espelho do pensamento e da razão, refletindo a estrutura subjacente à realidade ou à mente humana. A filosofia da linguagem, que aborda essas questões, investiga a relação entre a gramática, o pensamento, a realidade e a forma como a linguagem organiza a experiência humana. 

Em resumo, a filosofia vê a gramática não apenas como um conjunto de regras normativas para se falar corretamente, mas como uma janela para a natureza da mente, a organização do pensamento e da própria realidade. 

Dentro desse contexto, hoje vamos abordar, do ponto de vista filosófico, os advérbios, elementos cruciais para a modulação da realidade e da verdade proposicional, atuando como ferramentas linguísticas que permitem expressar nuances de circunstância, modalidade e perspectiva subjetiva. Eles transcendem a função puramente gramatical de modificar verbos ou adjetivos, impactando diretamente na forma como percebemos e descrevemos o mundo. 

O significado filosófico dos advérbios reside na sua capacidade de refinar a descrição da ação ou do estado, introduzindo complexidade à representação da realidade:

1. Circunstancialidade e contexto: advérbios de tempo, lugar e modo situam eventos e ações em contextos específicos. Isso é fundamental para a ontologia (estudo do ser) e a metafísica, pois ajuda a definir onde e quando algo existe ou acontece, em oposição a uma existência atemporal ou abstrata.

2. Modalidade e verdade: advérbios de afirmação, negação e dúvida são essenciais na lógica e na epistemologia (teoria do conhecimento). Eles expressam o grau de certeza ou a atitude do falante em relação à verdade da proposição, afetando o valor de verdade da frase como um todo.

3. Subjetividade e perspectiva: advérbios modais ou de comentário inserem a avaliação ou o ponto de vista do sujeito na descrição objetiva. Isso levanta questões filosóficas sobre a separação entre fato e valor, e como a linguagem codifica a experiência subjetiva. 

A importância dos advérbios para a filosofia reside em:

Precisão da linguagem: na filosofia, a busca por clareza e precisão é primordial. Os advérbios permitem uma descrição mais matizada e exata dos fenômenos, evitando generalizações excessivas.

Análise da ação: para a ética e a filosofia da ação, os advérbios de modo são cruciais. Descrevem como uma ação foi executada (ex: intencionalmente, acidentalmente), o que é vital para atribuir responsabilidade moral ou legal.

Reflexão sobre o tempo e espaço: advérbios de tempo e lugar incitam a reflexão sobre a natureza do tempo e do espaço. A gramática, através destas classes de palavras, espelha e, de certa forma, molda nossa compreensão intuitiva destas categorias metafísicas. 

O advérbio é uma classe de palavra invariável que tem como principal função modificar o sentido de um verbo, adjetivo, outro advérbio ou até mesmo uma frase inteira, indicando uma circunstância específica. 

Os advérbios são classificados de acordo com a circunstância que exprimem. Tipos de advérbio: lugar, tempo, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida.

Em suma, os advérbios são ferramentas linguísticas poderosas que permitem à filosofia explorar as complexidades da existência, do conhecimento e da moralidade, indo além da simples descrição de objetos e ações para especificar as circunstâncias e as atitudes envolvidas. 


janeiro 06, 2026

A 'ESPINHA DORSAL" DA MAÇONARIA - Rogério Paschoal



Se tivéssemos que escolher um único filósofo cujo pensamento é a própria "espinha dorsal" da Maçonaria moderna (especialmente a partir do século XVIII), este nome seria Immanuel Kant (1724–1804).

Embora nomes como John Locke (política) e Spinoza (panteísmo/natureza) sejam fundamentais, é na obra de Kant que encontramos a estrutura da autonomia da vontade, o conceito do dever e a busca pela paz perpétua, que definem o Mestre Maçom ideal.

Abaixo, apresento os aspectos de sua filosofia que impactaram diretamente a Maçonaria:

1. O Imperativo Categórico: A Lei Moral em Si Mesma

A maior contribuição de Kant para a Maçonaria é o Imperativo Categórico: "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal".

Impacto Maçônico: Este conceito é a tradução filosófica da "Lei Moral" exigida nas Constituições de Anderson. O Maçom não é ético por medo do castigo ou promessa de recompensa (Ego), mas porque reconhece que a ética é uma necessidade da razão. Isso define a retidão do Mestre que não precisa de um vigia para agir corretamente.

2. A Autonomia da Vontade: O Homem como Senhor de Si

Kant define o Iluminismo como a saída do homem de sua "menoridade intelectual" (incapacidade de pensar por si mesmo).

Impacto Maçônico: É o cerne da transição da Pedra Bruta para a Pedra Polida. O Maçom busca a autonomia — a capacidade de legislar sobre si mesmo, dominando seus instintos e paixões através da razão. Ser um "Homem Livre e de Bons Costumes" é, em termos kantianos, ser um homem autônomo que não se deixa escravizar por dogmas ou impulsos externos.

3. A Dignidade da Pessoa Humana

Kant formulou que o ser humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo, e nunca apenas como um meio.

Impacto Maçônico: Este é o fundamento da Fraternidade. A Maçonaria moderna adota esse princípio para combater a exploração, o preconceito e a superioridade de castas. Se todo homem tem dignidade inerente, a desigualdade profana deve ser deixada na porta da Loja, tratando a todos pelo nível da igualdade.

4. A Paz Perpétua e o Cosmopolitismo

Em seu ensaio "À Paz Perpétua", Kant propõe uma federação de estados livres e uma cidadania mundial baseada na hospitalidade universal.

Impacto Maçônico: A Maçonaria é a personificação dessa ideia. A "Cadeia de União" que atravessa fronteiras e une homens de diferentes nações e crenças é a aplicação prática do cosmopolitismo kantiano. A Loja Maçônica é vista como o "laboratório" onde a paz perpétua é ensaiada através da convivência tolerante entre opostos.

5. A Religião dentro dos Limites da Simples Razão

Kant argumentava que a verdadeira religião consiste na intenção moral, e não em rituais externos ou dogmas irracionais.

Impacto Maçônico: Isso justifica o conceito do G.A.D.U. (Grande Arquiteto do Universo). A Maçonaria adota uma visão de divindade que é compatível com a razão e que foca na prática das virtudes (o trabalho), exatamente como Kant propôs ao separar a moralidade do dogma eclesiástico.

Síntese para o Mestre Maçom (2026)

Em janeiro de 2026, o Mestre que estuda Kant entende que o verdadeiro "Segredo" não é uma palavra, mas a lei moral inscrita no coração. Kant trouxe a luz necessária para transformar a Maçonaria de uma guilda de construtores em uma escola de cidadania ética universal.

Para aprofundar, recomenda-se a leitura da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, onde o rigor e a disciplina da mente (tão valorizados no século XVIII) são apresentados como o único caminho para a verdadeira liberdade.

VIDA SIMPLES - Juarez Castro



Se pensarmos bem, o que a Maçonaria pede de cada um de nós? 

Não pede grandes coisas. 

Não pede que sejamos perfeitos. 

Nem que sejamos super-homens. 

Ela pede que sejamos simples. 

Que tenhamos uma vida simples.

Uma das coisas que chama sempre a atenção em nossa Iniciação é que nos são tirados todos os bens materiais. 

Nós entramos na Maçonaria sempre: “nem nu nem vestido”. 

Entramos simples. Despojamo-nos de tudo para ver que a vida é simples. 

Tanto é verdade que assistimos o ato dramático do Hospitaleiro que nos pede “um pequeno auxílio para os desgraçados que vamos socorrer” e não temos nada. 

E isso é uma falta aos princípios de caridade da Maçonaria. 

Este ato não foi para colocarmos em situação de vexame, nem de humilhação, mas para mostrar que a Maçonaria quer que sejamos simples. 

Que sejamos despojados de vaidades e do luxo da sociedade.

O “Nem nu nem vestido” quer dizer que fomos privados dos bens materiais para lembrar que nascemos sem nada e que devemos primar pelo aprimoramento espiritual e, pela simplicidade para fazer o bem a humanidade pelos nossos próprios esforços. 

Fazer o bem sem olhar a quem.

Na realidade, diz-nos frei Jonas Nogueira da Costa, que

• “A simplicidade nos obriga a olhar para nós mesmos”.

E é isso que a Maçonaria quer de cada um de nós: Olhar-nos.  

Por isso que ela nos fez fazer algumas viagens para entender o que ela queria de nós. 

As viagens foram por caminhos escabrosos, semeados de dificuldades, repletos de dificuldades, em meio a ruídos e de trovões atordoadores, e depois por uma estrada menos difícil.

E finalmente por uma terceira viagem por um caminho plano e suave envolto no maior silêncio, demonstrando o caminho da simplicidade.

Esta última viagem nos mostra o “estado de paz e tranquilidade resultante da ordem e da moderação das paixões do homem, que atinge a idade da maturidade e da reflexão”. 

É a vida simples do Maçom.

Primeiro a Maçonaria nos dá, para depois cada um dar-se ao próximo. 

Dar aquilo que temos de mais profundo em nosso ser: Amor. 

E para isso precisamos ter uma vida simples. 

Porém, cheio de vontade de colaborar com o desenvolvimento da humanidade.

Para isso, precisamos agir como “Pedra Polida que representa o homem instruído que dominou as paixões e abandonou os preconceitos e se libertou das asperezas da Pedra Bruta” que diligentemente a poliu.




janeiro 05, 2026

ANTES DE O ESTADO SER UMA MÁQUINA, ELE FOI UM RITO

 


Catedral de Reims


Antes de o Estado ser uma máquina, ele foi um rito.

Na França medieval, o poder real não se legitimava apenas pela força ou pela herança: ele era sagrado. O rei não governava “por si”, mas por Deus. Dessa sacralização nasceu, lentamente, algo novo: o Estado moderno.

O rei ungido

A cerimônia de coroação, celebrada em Reims, era o coração simbólico do poder. Ali, o rei era ungido com o óleo da Sainte Ampoule, gesto que o separava dos demais homens. Não era apenas coroado: era consagrado. Seu corpo tornava-se inviolável; sua autoridade, transcendental.

Essa unção criava uma ideia poderosa: o rei possuía dois corpos — um natural, mortal; e outro político, eterno. Mesmo quando um rei morria, a realeza permanecia. O poder deixava de ser pessoa para tornar-se instituição.

Justiça como missão sagrada

A sacralização não era só ritual; era prática. Governar significava fazer justiça. Reis como Luís IX encarnaram esse ideal: julgavam pessoalmente, protegiam os fracos, apresentavam-se como árbitros supremos. A justiça real tornava-se o eixo do reino — e o embrião do direito público.

Do sagrado ao administrativo

Com o tempo, o poder ungido precisou de mãos, olhos e voz. Surgiram conselhos, escribas, tribunais, impostos, arquivos. A fé sustentava a coroa; a administração sustentava o governo. Paris concentrou esses instrumentos: leis, registros, finanças. O Estado começava a ter forma própria, independente do rei individual.

Absolutismo: a ponte

No século XVII, a sacralização alcança sua expressão máxima. Com Luís XIV, o rei afirma: “O Estado sou eu.”

Não é apenas arrogância; é a culminação de um processo. O poder, antes distribuído entre senhores, Igreja e cidades, concentra-se no centro. O sagrado legitima a centralização; a centralização cria o Estado.

O paradoxo fundador

Mas a sacralização traz uma contradição: ao tornar o poder absoluto, ela o torna também visível — e, portanto, questionável. Quando o rei falha, não falha apenas um homem: falha um sistema. A crítica cresce, a razão ilumina, e a fé política se desgasta.

Assim, aquilo que criou o Estado moderno também preparou sua transformação. A soberania deixa o corpo do rei e migra, pouco a pouco, para a nação.

O legado

O Estado moderno nasceu ajoelhado, entre óleo sagrado e altar.

Aprendeu a andar com leis, arquivos e impostos.

E, mais tarde, aprendeu a caminhar sem coroa.

A sacralização do rei não foi ilusão: foi fundação.

Sem ela, não haveria continuidade.

Sem superá-la, não haveria modernidade.


Fonte: Facebook



MEMÉTICA NA MAÇONARIA - Charles Boller



Que fascínio exercem os contadores de histórias, romancistas e dramaturgos? 

Porque é que os seres humanos dedicam tantas horas concentrados, até alienados, a assistir a filmes, ler livros ou jogar conversa fora? 

E como é gratificante ouvir o som das palmas de uma criança quando lhe é prometido um conto; júbilo este que se propaga entre adultos. 

São atitudes que certificam que a espécie humana é a única que troca histórias entre si. 

O hábito provavelmente estabeleceu-se na pré-história do homem, em momentos de ociosidade dentro das cavernas, onde contavam histórias entre os acontecimentos do dia. 

Isto propiciou o fato da maioria dos conceitos éticos e morais aportarem no presente por intermédio de parábolas. 

Em função disto determinou-se que a sociedade humana só está no seu atual desenvolvimento em resultado da transmissão dos mitos e de como estes influenciaram na psique humana. 

É tanto que, são as ficções as responsáveis pelas explicações das mais diversas realidades espirituais, transcendentais, sociais e cósmicas.

O iniciado na Ordem Maçónica é diversas vezes conduzido em viagens simbólicas; conduzem-no por sendas imaginárias que lhe são dadas a desbravar física, emocional e mentalmente. 

Para aumentar o impacto e aguçar a sensibilidade emocional e cognitiva, alguns destes passeios são feitos às cegas, com os olhos vendados. 

Mesmo na rigidez ritualística com que estes deslocamentos físicos são efetuados, em virtude da individualidade, cada indivíduo os percebe psicológica e racionalmente à sua maneira, alicerçado nos seus próprios referenciais, baseado nos mitos e sistemas de crenças previamente fixados pela sua experiência de vida.

Surge uma questão: até onde é que estas jornadas da Maçonaria conduzem? 

Até a morte; a maior ameaça que pode atingir alguém. 

Cada vez que um Maçom passa de grau por iniciação, dispara-se nele simbolicamente uma angústia existencial aterradora, experimenta o fim, a morte. 

Estas reiteradas mortes fictícias têm por objetivo negociar com o pavor da abominável destruição. 

Ao homem Maçom é dado aprender a morrer para condições anteriores; a valores morais e éticos, e ao mesmo tempo é auxiliado emocionalmente a superar a angústia da morte. 

Resumindo: aprende a morrer bem, para viver bem. 

Para Sócrates, o homem virtuoso não pode sofrer nenhum mal, nem da vida, nem da morte. 

Nem da vida porque os outros podem danificar-lhe os haveres ou o corpo, mas não arruinar-lhe a harmonia interior e a ordem da alma. 

Nem na morte, porque, se existe um além, o virtuoso será premiado; se não existe, ele já viveu bem no aquém, ao passo que o além é como um ser no nada” (G. Reale). 

As religiões criaram mecanismos para atenuação emocional deste trauma: promessa de uma vida futura num jardim de delícias; restauração num novo sistema de governo mais justo aqui na Terra mesmo. 

Outras declaram que o adepto será levado a um lugar onde será servido por dezenas de virgens pela eternidade. 

O Maçom, por experimentar repetidas mortes simbólicas, e tendo compreendido e praticado o seu sentido simbólico, passa a gozar a vida em graus de harmonia correspondentes ao quanto ele absorveu e vivenciou daquelas experiências. 

E passa a ser afetado de forma positiva no conjunto de circunstâncias físicas e de relacionamento interpessoal; aproveitando no aquém as benesses de levar vida virtuosa.

A morte, por ser única, é destino que a mente humana não aceita, haja vista os genes imporem a sobrevivência a qualquer custo. 

Os psicodramas vividos nas passagens de grau, sabidamente lendas, objetivam e ensinam a morrer.

Ao vivenciar a morte, de imediato o recipiendário normalmente alcança um entendimento razoável da mensagem, e, se mudar os seus parâmetros de vida, passa a viver cada vez melhor desde entã

Entretanto, ele também é atingido por sugestões subliminares; outros pensamentos são incompreensíveis por não disporem de referenciais na base do seu entendimento. 

No exato instante da transferência da informação para o seu cérebro, a informação pode não ficar clara quanto ao objetivo, mas, ao longo do crescimento dentro do contexto da lenda do grau, ou noutros mais elevados, se houver esforço pessoal, despertarão percepções que linguagem alguma teria condições de verbalizar.

Porque os mitos se espalham e se mantém ao longo da linha do tempo? 

A ideia foi lançada pela primeira vez em 1976, por Richard Dawkins, que partiu do princípio de, sendo as leis físicas verdadeiras, e, alicerçado na ação biológica da replicação; uma vida gera a outra vida apoiada nos genes, ele transportou os conceitos da imutabilidade das leis físicas e da capacitação replicante da genética para a capacidade humana em transmitir ideias. 

A cada unidade de informação ele denominou meme. Provinda do verbete grego mimeme (imitação), abreviando-o depois para meme apenas para ficar parecido com gene. 

Sugeriu que, assim como os genes induzem a desejar a sobrevivência pela replicação, também os memes se propagam e reproduzem no tempo pulando de um cérebro para outro. 

Ao aportarem no receptor, os princípios e conceitos recebidos são agrupados ao referencial existente, fundem-se ao que ele já possui. 

Se encontradas condições favoráveis, acabam por se transformarem em algo aceitável, trabalhando no sentido de beneficiar o seu utilizador; à semelhança das mortes sucessivas das iniciações maçónicas levarem a intuir o viver bem na vida aquém.

Considerando que “somente o sábio, que esmagou os monstros selvagens das paixões que lhe agitam no peito, é verdadeiramente suficiente a si mesmo: ele aproxima-se ao máximo da divindade, do ser que não tem necessidade de nada” (W. Jäger). 

Outras transações meméticas entre os maçons se fazem necessárias para o entendimento do que realmente a Maçonaria intenciona que cada um descubra durante a sua edificação interna. 

Sem a troca memética não é possível descobrir que dentro de si se encontra a lei que levará ao despertar para o culto do amor fraterno, verdade que a maioria dos grandes iniciados da história descobriram como solução única aos problemas da humanidade.

Que vindes fazer aqui? 

Se não for para transmitir memes às mentes de teus irmãos, quer perda de tempo maior? 

Depois de aprender, é só pensar, filosofar, contar histórias, enfim, transmitir memes; propiciar que os interlocutores efectuem ligações neurais e gerem em si o alimento para que se autoconstruam dentro do objectivo do “conhece-te a ti mesmo”. 

Partindo do princípio que todos os seres humanos são tripulantes desta linda nave espacial Terra e dependerem uns dos outros para manter a supremacia como espécie, a memética é fator fundamental para manter esta condição. 

E como se faz isto na Maçonaria? 

Apresentando peças de arquitetura; lançando novas ideias; conversando após as sessões; visitando outras lojas; visitando os irmãos nas suas residências; visitando aqueles irmãos que passam por situações difíceis; replicando e criticando construtivamente, dicotomizando, reconstruindo pensamentos pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese; derrubando conceitos antigos e construindo novos, num processo continuo de transmissão e replicação memética.

A memética é a técnica utilizada para revelar o conhecimento ao iniciado na ordem maçónica. 

Com esforço, dedicação e perseverança, o Maçom vai misturando as histórias que lhe são contadas ao referencial pessoal e então os insights explodem em fascínio e admiração; outros pensamentos ficam dormentes no limiar da consciência para despertarem mais tarde; outros, nunca aflorarão. 

Certamente este é um dos caminhos que conduzem ao encontro da luz emanada do Grande Arquiteto do Universo. 

Como se certificar disto? 

Apoiando-se na memética e viajando pelos caminhos da jornada solitária que cada um faz a sua alma, e cuja aplicação é oportunizada em cada encontro Maçom.