março 23, 2026

POR QUE A CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO EXISTE EM TODOS OS RITOS DA MAÇONARIA? - Alexandre Fortes



A Câmara de Reflexão é um dos elementos mais emblemáticos da Iniciação Maçónica, mas a sua presença não é universal para todos os Ritos. 

A existência ou ausência desse espaço decorre da origem histórica de cada rito e da ênfase (filosófica ou litúrgica) que os seus fundadores deram ao processo do “morrer para a vida profana” (ou morrer para a vida não maçônica).

A divergência reside na matriz cultural de cada sistema maçónico:

• A Influência Alquímica vs. Pragmática

A Câmara de Reflexão é uma herança direta do Hermetismo e da Alquimia. 

Ritos que surgiram na França no século XVIII incorporaram o conceito da “viagem à terra” (o elemento Terra das provas). 

Já os ritos baseados na “Maçonaria de Ofício”, (Inglaterra e Escócia, por exemplo), focam na preparação moral imediata.

• Diferença entre “Preparação” e “Prova”

Nos ritos anglo-saxões, a preparação é vista como um ato de humildade e confiança no guia (Diáconos). 

Nos ritos continentais (franceses/latinos), a preparação é uma prova introspectiva e solitária.

A Câmara de Reflexão é a fronteira entre a Maçonaria Ocultista/Esotérica (que busca a “Pedra Filosofal” ou a “Reintegração”) e a Maçonaria Racionalista/Bíblica (que busca o aperfeiçoamento social e a prática cristã/humanista).

Enquanto os ritos de origens ou influências francesas e latinas mergulham o homem nas trevas para que ele encontre a sua própria luz (VITRIOL), os ritos de origens ou influências anglo-saxónicas e alemãs, por exemplo, tomam o homem pela mão e o levam diretamente à luz do Templo, focando no seu carácter e na sua fé à busca da Verdade. 

A presença ou ausência da Câmara de Reflexão dependerá da origem histórica de cada rito maçónico e da ênfase (filosófica ou litúrgica) que os seus fundadores deram ao processo do “morrer para a vida profana” (ou “morrer para a vida não maçônica”).



UMA INICIAÇÃO NA PRISÃO - Luciano J. a. Urpia



Em março de 1769, uma cerimônia incomum aconteceu nos arredores de Londres: um homem foi iniciado na Maçonaria dentro dos muros de uma prisão. Tratava-se de John Wilkes, jornalista e político radical, conhecido por seus ataques ferozes ao rei George III e ao governo britânico. Na época, Wilkes cumpria pena de 22 meses na Prisão do Banco do Rei, condenado por difamação sediciosa e blasfêmia após a publicação do polêmico exemplar nº 45 de seu jornal The North Briton.

Apesar das regras maçônicas proibirem reuniões em prisões, membros da Loja Jerusalem Tavern nº 44 obtiveram uma autorização especial do Grão-Mestre Adjunto, datada de 2 de fevereiro de 1769, e realizaram a iniciação de Wilkes na própria cela em 3 de março. O evento foi noticiado por publicações da época, como a Gentleman's Magazine (impressa na própria Jerusalem Tavern) e o Lloyd's Evening Post, que chegaram a publicar uma carta do Venerável da Loja confirmando a cerimônia. Curiosamente, o livro de atas da Loja não registra o local da reunião, o que alimentou debates históricos sobre a veracidade do evento.

A iniciação de Wilkes teve forte tom político. Ocorreu poucos dias após a fundação da Sociedade dos Cavalheiros Apoiadores da Carta de Direitos (20 de fevereiro de 1769), grupo criado para defender sua causa e do qual faziam parte vários maçons influentes, incluindo George Bellas e John Churchill, que foram iniciados junto com Wilkes naquela noite. Mais tarde, Wilkes abandonou o radicalismo, tornou-se Lord Mayor de Londres (Prefeito) (1774-1775) e magistrado, morrendo em sua cama aos 72 anos em Grosvenor Square.

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Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


OUTONEAR - Heitor Rodrigues Freire

 



Novamente, chegou a vez da melhor estação do ano. Pelo menos para mim, que nasci “outoneado”, no mês de maio. O outono é a estação da meditação, da paz, da contemplação. A estação do amor e do desapego.

Eu sempre penso que não faço primaveras, faço outonos.

Ao cantar glórias para o outono, me rejubilo com um texto meu escrito especialmente para esta estação, há cinco anos: “Sua majestade, o outono”. Por isso, considero oportuna sua republicação.

É a minha estação. Eu nasci no outono. Daí a minha profunda identificação com esta estação maravilhosa. Também no outono, nasceram três das minhas filhas: Flávia, Thaís e Raquel. Eu me casei também no outono, há 63 anos – sem dúvida, o acontecimento mais importante da minha encarnação. Assim, tenho uma identificação mental e espiritual com esta estação que me inspira e me estimula. Quando chega o outono, eu sempre sinto um novo renascer.

A chegada do outono se dá pelo fenômeno astronômico do equinócio, pelo qual o período diurno permanece igual ao noturno, com a temperatura mais amena.

O outono é a estação mais espiritualizada do planeta e está no ar, de novo e sempre, trazendo em seu bojo a dimensão da transitoriedade, da renovação, da transformação, do desapego, do esvaziamento, para o preenchimento pelo novo: o outono chegou! 

É uma estação tão marcante que renova e embeleza tudo. É a estação do silêncio, que resplandece em sua plenitude, é o momento do recolhimento, da meditação, da reflexão. É a chegada da serenidade. Saber esperar é uma virtude. Aceitar, sem questionar, que cada coisa tem seu tempo certo para acontecer ... é ter fé! 

O outono nos leva à meditação serena e silenciosa, quando também aprendemos que cada um deve viver sua vida de forma natural, sem permitir influências externas e deve ser vivida sempre de uma nova maneira. Aprendemos, ao mesmo tempo, que cada um vive em função do outro. Ninguém vive para si mesmo. Aquele que se fecha no seu invólucro íntimo acaba se isolando do todo e perdendo a grande oportunidade que a vida nos proporciona, o crescimento interior pela convivência com o outro.

Terminado o verão com sua agitação inerente, nos encaminhamos para o recolhimento do outono, passando por uma transição natural, num momento próprio para encontrarmos serenidade e prazer, a fim enfrentarmos os obstáculos e os problemas da vida. 

Quando chega o outono, com a harmonia de um céu cristalino, advém uma lição de sabedoria, a pessoal e intransferível responsabilidade de cada um, de buscar, e aproveitar a inefável experiência da vida. Esse momento nos proporciona a oportunidade de um encontro íntimo, convidando e estimulando nossa espiritualidade para um encaminhamento único em busca do bem.

Já se percebe a presença do espírito da fé, da gratidão, da perseverança e da solidariedade, indispensáveis para este momento.

Precisamos seguir em frente, encarar todos os obstáculos com consciência – mesmo porque não há outro jeito –, e assim fazer de nossas vidas um hino de amor e de gratidão a Deus, cumprindo os ensinamentos que Jesus nos proporcionou de forma simples, clara e verdadeira. 

Vamos unir a espiritualidade e o recolhimento do outono com os momentos que estamos vivendo. 

Quando toda essa angústia, dor, e sofrimento passarem – e isso acontecerá –, utilizemos os momentos vividos como lição perene de aprendizado e de elevação espiritual. 

O outono tem um poderoso simbolismo, pois se trata da estação do ano em que o verão acabou de ficar para trás, e inicia-se um período de introspecção. Nessa época, assim como as árvores deixam suas folhas caírem, nós também somos influenciados a deixar para trás o que já não nos serve mais, o que já está terminado, para que assim possamos criar um espaço em nossas vidas para florescermos novamente.


A QUALIDADE DA PEDRA BRUTA - Jorge Gonçalves


CONVITE

          Na próxima terça-feira, 24 de março, às 19h30, a Loja Constâncio Vieira nº 3300 convida os irmãos para um período de estudos sobre um ponto central da Arte Real: nos canteiros medievais, apenas algumas pedras eram escolhidas para sustentar a obra, e é na escolha da pedra bruta que se define, em silêncio, tudo aquilo que a estrutura poderá ou não suportar.



março 22, 2026

ASSEMBLEIA DA GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DE SAO PAULO





Realizou-se na manhã de ontem, sábado, mais uma Assembleia Trimestral da GLESP, sob o comando do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad, com a presença de cerca de mil irmãos e cunhadas que vieram de todas as regiões do Estado.

A parte formal ocorreu no Teatro Liberdade, que pertence a GLESP e a parte informal e festiva, inclusive das cunhadas, no Palácio Maçônico Francisco Morato, sede da Potência, e que fica em frente ao Teatro.

Mais uma vez eu ocupei um importante espaço com a exposição de livros dos acadêmicos de nossa Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras, expondo também medalhas históricas e revistas maçônicas distribuídas gratuitamente. Esteve conosco durante a exposição o confrade Adilson Zotovici e diversas outras autoridades maçônicas prestigiaram a exposição.

A mostra de livros gerou grande interesse dos irmãos presentes e a renda de algumas obras vendidas, doadas por confrades, será utilizada para auxiliar famílias desabrigadas pelas intensas chuvas que recentemente ocorreram em minha cidade. Com o apoio do Eminente Grão Mestre Adjunto Cesar Augusto Garcia, conseguimos também a doação de um razoável volume de medicamentos infantis que serão utilizadas para atender àquelas crianças.

Cada exposição consolida a presente da AMVBL no cenário da cultura maçônica nacional.

A JUSTIÇA DIVINA QUE FAZ O FLUXO CIRCULAR - Lucius Cohen

 



A letra Tsade (צ) representa o justo que se curva para doar. A palavra Tzedakah (צדקה) não significa caridade. Ela significa justiça. Este é o segredo que poucos compreendem: quando você “dá”, você não está fazendo um favor. Você está devolvendo o que já pertence ao outro. Deus lhe deu algo a mais — um excedente, uma bênção, um lucro —para que você o faça circular. Guardar o excedente é roubar do seu irmão. Devolver o excedente é cumprir a justiça cósmica. Dar por favor não é caridade, é interesse. A própria palavra revela o mecanismo divino:

(צ) (Tsade) = 90: Justiça, retidão, o justo que sustenta o mundo. 

(ד) (Dalet) = 4: A porta, o pobre (delet), aquele que recebe. 

(ק) (Kuf) = 100: Santidade, o círculo que sobe e desce. 

(ה) (Hei) = 5: A mão de Deus. O sopro divino, a redenção, o Nome que multiplica.

Soma: 90 + 4 + 100 + 5 = 199.

Mas o verdadeiro segredo está na estrutura interna. Tzedakah (צדקה) contém a raiz (צדק) (Tzedek = Justiça), cujo valor é 194 = 14 = 5, e sua (ה) final (5) é o sopro que ativa a misericórdia. Perceba as mãos de Deus nessa palavra, tal e como no Tetragrama (יהוה‎), onde Suas mãos (as duas Hei do Tetragrama) ladeiam a letra Vav, aqui temos Tzedek (צדק) que vale 5 e a própria Hei (ה) final com o mesmo valor. Mas na palavra Tzedakah (צדקה) não há uma letra central, revelando que o justo (Tzadik) é quem deve realizar a caridade. Deus já criou o mundo para que você exista, agora é com você. São as mãos de Deus abençoando sua doação, e o que será doado não está definido na palavra, há um vazio, porque há o livre-arbítrio. É o Tzadik quem decidirá. A Tzedakah não é uma ordem, há a liberdade, porque Deus observa o que faremos com nossa liberdade de agir. É uma escolha (הקטף: chaktaf, 194) que revela quem você é.

O Tehilim, Salmos 133, “Vejam como é bom e agradável quando os irmãos vivem juntos!” revela que a Tzedakah deve ser realizada para as pessoas necessitadas que estão em seu convívio, algo que muitas vezes serve de barreira na hora de doar. Seu irmão está necessitado, sua família necessita sua ajuda, ajude os irmãos, os que estão próximos devem ser amparados primeiro. As ordens iniciáticas fazem isso, ajudam primeiro os irmãos que estão sob o mesmo Templo.

E quanto doar? A palavra revela o valor, Tzedakah (צדקה), que termina com (ק) 100 e (ה) 5, revela que quem tem 100 doa 10 e quem tem 5 doa 1 — 10% ou 20%.

E a quem doar? O valor da palavra Tzedakah é 199, está a 1 de 200, revelando que quem precisa receber é aquele que não consegue completar o valor para honrar com seus compromissos. O que lhe falta está trocado, quebrado, incompleto. Cabe ao Tzadik, com Chesed, perceber quem está necessitado, e com Gevurah, julgar se deve ou não ajudar.

Tzad (צד), Plural: צדדים (Tzdadim), é um substantivo hebraico que significa "lado", "flanco", "aspecto" ou "partido" (em uma disputa ou acordo). É usado para descrever uma localização (צד הכביש, lado da estrada), uma perspectiva (צד חיובי, lado positivo) ou uma direção. A palavra Tzedakah (צדקה) começa com Tzad, indicando a partilha, e termina revelando o quanto deve ser compartilhado.

A palavra “vestes” no Salmos 133 (חלוקים: chalukim,194), em contextos místicos (especialmente Chabad, Breslov ou outros), simboliza as "porções" ou "vestimentas" da alma, ou as bênçãos que se distribuem (חלוק: chaluk = distribuição, porção). A Tzedakah é vista como “veste da alma” ou como algo que "veste" o outro (dá dignidade, cobre a nudez espiritual/material do pobre).

O óleo que desce até a "borda das vestes" (pi midotav) simboliza a bênção que se espalha e chega aos mais baixos níveis — tal e como a Tzedakah, que é uma mitzvah que "desce" do doador (cabeça) para o receptor (borda/inferior), unindo e santificando a comunidade.

Em ensinamentos chassídicos (baseados em Rashi ou em obras como Likutei Torah, ou comentários de rabinos como o Lubavitch Rebe em alguns sichot), o fluxo do óleo até as vestes (chalukim/midot) representa achdut (אַחְדוּת: unidade, união, solidariedade ou harmonia) que gera Tzedakah como fruto natural.

A caridade não fica "presa" no topo (cabeça/sabedoria), mas desce em abundância, alcançando todos — como o óleo que perfuma e unge até a borda.

A gematria 194 serve como "prova" numérica de que as vestes (chalukim) são canais para a Tzedakah (ou retidão que se "veste" no mundo).

Em alguns ensinamentos midráshicos ou chassídicos, as vestes do sacerdote (incluindo a borda que toca o povo ou o chão) simbolizam como a santidade / unção desce e alcança os níveis mais baixos da sociedade — inclusive os pobres. O óleo que chega à "borda das vestes" seria uma imagem de bênção que não fica restrita à elite (cabeça/Arão), mas se estende a todos os que ladeiam o sumo sacerdote (aquele que tem a benção para dar), o que pode ser paralelizado com a Tzedakah como canal de bênção divina para os necessitados.

A tzedakah é vista no judaísmo como algo que "desce" de cima (Deus) para baixo (pobres), trazendo bênção ao doador e ao receptor, semelhante ao fluxo do óleo.

O Zohar (I, 54a) ensina que Tzedakah é o canal que liga Chesed (caridade) a Malkhut (manifestação). Quando você devolve o excedente, você completa o circuito entre o Alto e o Baixo. Deus, então, olha para você e diz: “Este é um bom sócio. Vou investir mais Nele.”

O empreendedor é o sócio de Deus. Deus é o Investidor Supremo. Ele procura parceiros fiéis. Ele observa: “A quem posso confiar mais recursos? Quem vai guardar tudo para si ou quem vai fazer circular?” Aquele que guarda o excedente é visto como mau parceiro. Aquele que devolve o excedente é visto como sócio leal. É por isso que o profeta Malaquias (3:10) diz:

Trazei todo o dízimo à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, por favor, diz YHWH dos Exércitos: se eu não vos abrir as janelas dos céus e não derramar sobre vós bênção até que não caiba mais.

Deus permite que você O teste. Este é o único preceito em que Ele diz de forma explícita: “Me teste”. Aquele que cumpre a Tsedakah, ativa o fluxo no sentido Chesed a Malkhut. Aquele que retém, ativa a Klipah Gargarnut (gula) e bloqueia o canal. Quando é chamado a doar, a raiva daquele que se nega a doar é ira (Za’am) a Klipah de Malkuth, que revela o coração do caído. Aquele que doa com misericórdia e justiça, revela sua transcendência sobre a cobiça (Chamdanut), a Klipah da Gevurah. Sua ira não se manifesta porque está domada pelo amor que emana em Chesed.

O Tsadik não é aquele que acumula. O justo é aquele que faz o dinheiro circular como sangue nas veias do corpo cósmico. Quando ele dá, ele não perde — ele multiplica. Porque o que ele devolve não era dele. Era de Deus passando por suas mãos.

A justiça (צדק: Tzedek) é "feita" ou completada pela palavra/sopro divino (Hei), transformando-se em Tzedakah — é a caridade que Deus realiza para que a justiça prevaleça no mundo. Isso reforça o Salmo 133: a unidade permite que o fluxo divino (óleo/orvalho) desça, trazendo bênção e vida eterna através de atos de retidão ativa. É 194 + 5 = 199, +1 que é você doando para que o necessitado alcance 200.

A letra Resh (ר) vale 200, revelando que aquele que já não necessita (que tem mais que 199), passa a ser “cabeça”, rosh (ראש, cabeça, Gênesis 40:20) e pode reiniciar sua vida com normalidade, reishit (ראשית, começo, Gênesis 1:1).

Portanto, meu irmão empreendedor, pare de pensar em “doação”. Comece a pensar em justiça. Separe seu percentual sagrado. Devolva o que pertence ao outro. E observe como as janelas do céu se abrem sobre o seu negócio. Porque Tzedakah não é caridade. É o ato mais elevado de parceria com o Criador.


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OBRIGAÇÃO - Adilson Zotovici

 


Não vejo qualquer engano

Na simplória afirmação

Glória “ser bom”...se profano

Ao livre pedreiro “obrigação”


Cada qual é ser humano

E como tal tem sua missão

Segue o obreiro algum arcano

Profano sem cognição


Cada Rito Soberano

Dá o caminho à perfeição

Que restrito a fulano


E sem medo a conclusão

Ao pedreiro é ledo engano

Que roteiro igual seu bordão !



FUNDAMENTOS JUDAICOS DA MAÇONARIA - Michael Winetzki


 Palestra realizada para a ARLSV LUZ E CONHECIMENTO em 06 de março de 2021

março 21, 2026

SÉTIMO LIVRO DE ADILSON ZOTOVICI NO DIA DA POESIA




      O Dia Internacional da Poesia foi ontem, dia 20 de março, e em comemoração a está data o maior poeta da maçonaria brasileira, irmão Adilson Zotovici, lança o seu sétimo livro de poemas, cuja capa está reproduzida acima.

O talento de Zotovici, na construção de sua obra em versos é excepcional. Os leitores deste blog já o conhecem, uma vez que  há anos marca presença aqui  todos os domingos, e quando se imagina que não há mais o que criar, o autor nos surpreende indo muito mais longe.

O livro traz o prefácio de outro grande poeta, o irmão César Augusto Garcia. que neste momento é o Grão Mestre Adjunto da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, e que, de quando em quando, também aparece nestas postagens.

E a mim coube a alegria e a honra de comparecer com o posfácio, modesta chave que encerra as páginas de ouro deste agradabilíssimo livro. 

A maçonaria, as Academias e os irmãos se rejubilam com mais esta obra, que enriquece de cultura e beleza a nossa Ordem.

Michael Winetzki 



O CONCRETO ROMANO - Fabio Monteiro


 

Há dois mil anos, enquanto o mundo ainda tateava na escuridão do desconhecido, os romanos já desciam ao fundo do mar - não por poesia ou superstição, mas por engenharia. Sem oxigênio, sem neoprene, sem Google. Apenas com tubos de junco, coragem e uma ideia fixa na cabeça: domar a natureza.

Foram eles que inventaram o concreto que endurece dentro d'água - um milagre que nem o cimento armado moderno consegue igualar. Com esse segredo, ergueram portos no fundo do mar, como o de Cesareia, encomendado por Herodes. Uma obra tão ousada que ainda hoje faria um engenheiro suar frio.

Os mergulhadores? Desciam com sinos de ar presos na cabeça. Trinta metros abaixo da superfície, de peito aberto, enfrentando a pressão, a escuridão, o desconhecido. Buscavam restos de naufrágios, construíam fundações, venciam Poseidon na unha.

A Roma Antiga não era só toga, senado e pão com circo. Era suor, cálculo, engenharia e um pacto com o impossível. E é isso que ainda está de pé dois mil anos depois: não o império, mas o concreto permanece.

O FAMOSO CONCRETO ROMANO, TAMBÉM CONHECIDO COMO OPOUS CAEMENTICIUM, permanece como um testemunho da proeza de engenharia da Roma antiga. 

Este notável material de construção desempenhou um papel crucial nas construções mais duradouras do Império.

O segredo para a longevidade e força do concreto romano está na sua composição.

Um dos ingredientes chave do concreto romano era uma cinza vulcânica. A pozzolana.

Quando misturado com cal e água, pozzolana criou uma reação química que produziu um aglutinante resistente à água. 

Este aglutinante, combinado com entulho, pedras e tijolos, formou um forte material composto resistiu ao teste do tempo.

Eles também incorporaram outros aditivos em suas misturas.

Um desses aditivos era a água do mar, que reagiu com a cal para formar minerais adicionais reforçando o concreto e tornando-o mais resistente à erosão. 

Esta inovação permitiu que os romanos construíssem portos, pontes e aquedutos resistiram aos efeitos corrosivos da água do mar.

A durabilidade do concreto romano permitiram aos romanos construir estruturas enormes que perduraram séculos. 

O Panteão em Roma, com a sua icônica cúpula feita de concreto romano, é um excelente exemplo do legado duradouro deste notável material de construção.

Além de suas propriedades estruturais, o concreto romano também tinha apelo estético. 

Os romanos moldavam desenhos e padrões complexos, permitindo a criação de obras-primas arquitetônica. 

O uso de concreto na arquitetura romana abriu o caminho para o desenvolvimento de novos estilos e técnicas de construção que influenciariam as práticas de construção durante séculos.

O concreto romano permanece como uma conquista notável da engenharia e arquitetura antigas. Sua durabilidade, resistência e versatilidade deixaram uma marca indelével no ambiente construído do Império Romano e continuam a inspirar admiração e estudo até hoje

Fonte: #historiailustradaeafins


A FORMAÇÃO DO MAÇOM NO SÉCULO XXI - Helio P. Leite


 A FORMAÇÃO DO MAÇOM NO SÉCULO XXI: ENTRE A ESTRATÉGIA, GESTÃO E A LOJA

Quem afinal, é responsável por formar o maçom contemporâneo no âmbito do Grande Oriente do Brasil? A resposta revela não apenas uma estrutura de poder, mas, sobretudo, um modelo de responsabilidade compartilhada – e, muitas vezes, mal compreendida.

No debate recorrente sobre a formação maçônica, é comum a tentativa de atribuir a responsabilidade a uma única instância: ora ao Grão-Mestrado Geral, ora aos Grão-Mestrados Estaduais, ora ainda aos Veneráveis Mestres. Essa busca por um “centro exclusivo” de formação, contudo, parte de uma premissa equivocada. A formação maçônica não é um monopólio – é um sistema. E como todo sistema, exige integração, coerência e propósito.

O Grão-Mestrado Geral ocupa o vértice da estrutura. É dele que deve emanar a visão de futuro da Ordem, a definição de diretrizes doutrinárias e os grandes eixos formativos. Sem essa orientação superior, a formação perde unidade, compromete a identidade institucional. Cabe, portanto, ao nível central pensar o maçom que deseja formar: ético, consciente, preparado para os desafios contemporâneos e fiel aos princípios iniciáticos. Entretanto, diretrizes, por si só, não transformam realidades.

É nesse ponto que entram os Grão-Mestrados Estaduais, responsáveis por traduzir a estratégia em prática. São eles que operacionalizam programas, organizam cursos, capacitam lideranças e adaptam conteúdos às especificidades regionais. Funcionam como o elo vital entre o pensamento e a execução. Quando essa instância falha, o que se tem é uma doutrina bem escrita, porém ineficaz – um projeto que não sai do papel.

Mas é na Loja que tudo se decide. O Venerável Mestre não apenas administra trabalhos: ele forma homens. Sua influência é direta, cotidiana e, muitas vezes, silenciosa. É pelo exemplo, pela condução ritualística, pelo estímulo ao estudo e pela observação  atenta dos irmãos que a formação se concretiza. Nenhuma diretriz nacional, por mais bem elaborada, substitui a liderança efetiva no chão da Loja.

Se o Grão-Mestrado Geral pensa, e os Grão-Mestrados Estaduais executam, é o Venerável Mestre que realiza.

Essa constatação impõe uma reflexão necessária: a crise de formação, quando existe, não pode ser atribuída isoladamente a um desses níveis. Ela decorre, quase sempre, da desarticulação entre eles. Diretrizes sem execução tornam-se meras intensões. Execução sem liderança local transforma-se em burocracia. Liderança sem orientação doutrinária degenera em improviso.

O século XXI impõe à Maçonaria um desafio adicional. Não basta transmitir conteúdos ou repetir rituais. É preciso formar líderes capazes de compreender a complexidade do mundo contemporâneo, atuar com responsabilidade social e preservar, ao mesmo tempo, a essência iniciática da Ordem.

A ideia de uma estrutura nacional integrada de formação – como uma Escola de Administração Maçônica – não surge como luxo acadêmico, mas como necessidade estratégica. Um sistema que alinhe visão, execução e prática pode ser o caminho para superar a fragmentação e elevar o padrão formativo.

No fim, a resposta à pergunta inicial não está em escolher um responsável, mas em reconhecer uma verdade mais exigente: A formação do maçom não pertence a uma autoridade. Pertence a um compromisso coletivo.

E, como todo compromisso coletivo, só se realiza plenamente quando cada nível cumpre, com excelência, o papel que lhe cabe.



A CRUZ ANSATA - Abel Tolentino



Ao fundo a cruz egípcia.

A Ankh, conhecida como cruz egípcia ou cruz ansata, é um antigo hieróglifo egípcio que simboliza a "chave da vida" e a imortalidade. Com formato de 'T' e um laço no topo, representa a união do espírito (laço) com a matéria (cruz), sendo usada pelos deuses para dar vida e como amuleto de proteção.

Significados e Simbolismo da Ankh (Cruz Egípcia):

Chave da Vida: Representa a vida eterna, a força vital imperecível e o poder dos deuses de sustentar a existência.

União de Opostos: A alça representa o feminino (espírito/Ísis) e a parte inferior o masculino (matéria/Osíris), simbolizando equilíbrio.

Proteção: Usada como amuleto no Antigo Egito para afastar energias negativas e proteger a vida e a saúde.

Ressurreição: Frequentemente associada à vida após a morte e à jornada no pós morte, especialmente ligada ao deus Anúbis.

março 20, 2026

EQUINÓCIO DE OUTONO - Adilson Zotovici


 

E chega uma nova estação 

Evento de astronomia 

Na terra a transição 

Na igualdade a energia 


Momento de renovação 

À desbastar à porfia 

Em cada passo motivação 

Que em “Áries” inicia 


Com a terra em inclinação 

Outono, Equinócio vigia   

Em torno do Sol translação  


Tal qual a maçonaria 

“Claridade e escuridão” 

Iguais...a noite e o dia !