fevereiro 21, 2026

GRANDES LOJAS UNIDAS DA ALEMANHA – FRATERNIDADE DOS MAÇONS - Izautonio Machado

 


Em setembro de 2024 representei a GLOMARON na Conferência Trienal das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, a convite daquela Potência, em virtude do Tratado que havíamos recentemente celebrado. Por ocasião do evento, uma Carta foi distribuída aos presentes. Ao refletir hoje sobre o seu conteúdo, que – sendo sintético - toca na questão das transformações sociais contemporâneas, ética e humanismo, e por crer que o texto pode ser do interesse de alguns Irmãos estudiosos do tema, sendo mais direcionado para a realidade europeia, compartilho a tradução. Qualquer dúvida, tenho o original digitalizado.

Att, Izautonio Machado

Texto traduzido:

O Grão-Mestre

Boas-vindas e discurso do Grão-Mestre durante a Convenção de 25 a 27 de setembro de 2024

Mui Respeitáveis Grão-Mestres,

Valorosos e amados Irmãos, em todos os vossos graus,

Dou-lhes as boas-vindas aos nossos trabalhos rituais por ocasião da Convenção das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. É com grande satisfação que recebo os senhores, as delegações internacionais vindas de todo o mundo e os Irmãos das Grandes Lojas-membro sob o teto da VGLvD, para este evento.

Esta convenção é um sinal da estreita ligação que mantemos com as Grandes Lojas que reconhecemos. Aguardo com entusiasmo o aprofundamento dessas boas relações.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, tomo a liberdade de estender um pouco mais estas palavras de boas-vindas. Na Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, algo singular foi alcançado em nossa fraternidade global. Sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, reunimos cinco Grandes Lojas-membro, diversas em suas estruturas, rituais e costumes. O renascimento da Maçonaria na Alemanha teve início em 19 de junho de 1949. Contudo, nossa tradição remonta à fundação da primeira Grande Loja regular em 13 de setembro de 1740, em Berlim.

Em retrospecto, pode-se afirmar que a história da Maçonaria na Alemanha está longe de ser comum. Isso também se reflete na história da fundação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Foram necessários mais de trinta anos para que a Maçonaria regular na Alemanha se unisse sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Sem a ajuda das Grandes Lojas europeias, provavelmente não teria sido possível preservar a diversidade da Maçonaria na Alemanha.

Cito:

“Em grata lembrança da ajuda fraternal concedida no verão de 1957 pelos Grão-Mestres europeus reunidos em Londres à Maçonaria alemã, para sua unificação final em uma fraternidade dentro de uma ordem nacional comum, em reconhecimento à disposição demonstrada e declarada não apenas de participar, mas também de resolver amigavelmente questões aparentemente insolúveis, as duas Grandes Lojas fundadoras:

Grande Loja Unida dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha

e a Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha

apresentaram a seguinte CARTA MAGNA, não apenas às suas fraternidades, mas também às Grandes Lojas amigas.”

(Fim da citação)

Nossa história singular e, em particular, a grande solidariedade fraternal das Grandes Lojas europeias no período pós-guerra formam a base da estreita ligação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha com as Grandes Lojas da Europa. A partir dessa ligação, é natural moldar ativamente a fraternidade europeia e global.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, sinto-me comprometido com essa estreita ligação.

Infelizmente, foi apenas após a reunificação, em 3 de outubro de 1990, que pudemos levar a Luz maçônica ao leste da Alemanha.

Isso quanto a um fragmento da história maçônica alemã. Voltemo-nos agora ao presente.

A Maçonaria na Alemanha, assim como a Maçonaria na Europa, enfrenta novos desafios. As sociedades estão mudando. Elas não mudam apenas porque as pessoas mudam — o que se poderia chamar de evolução —, mas porque vivemos uma revolução tecnológica global sem precedentes. Isso contribui significativamente para esse processo. Teremos de lidar com temas que jamais estiveram em nossa agenda anteriormente.

Nossa fraternidade sempre prosperou quando a sociedade mudou. Durante tais processos, os valores fundamentais da sociedade foram abalados. Existem inúmeros exemplos disso.

Atualmente, estamos vivenciando uma mudança social fundamental. Há uma tentativa de alterar valores centrais. Muito se torna arbitrário; aquilo que ontem era importante e correto é hoje questionado. Cada um de nós conhece inúmeros exemplos.

O populismo de direita, exibindo seus traços anti-humanistas, firmou-se em nossa sociedade. Isso já não são apenas ruídos de fundo. Isso me preocupa profundamente, pois não se trata apenas de um fenômeno alemão, mas europeu. Como maçons, devemos estar vigilantes.

Estou convencido de que, em um processo de mudança social sob as condições atuais, as pessoas, diante de grande incerteza, buscam pontos de ancoragem para sua orientação de valores. Nós valorizamos e nos comprometemos com nossa tradição de 300 anos. Antigos landmarks e valores são nossos pontos de ancoragem. Isso é importante e correto.

No entanto, não podemos evitar que nossa fraternidade se envolva com as transformações da sociedade. Envolver-se com as mudanças não significa abandonar aquilo que se mostrou válido. Nesse contexto, gostaria de enfatizar que a Maçonaria na Alemanha, sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, é uma fraternidade, uma irmandade!

Em uma fase como esta de mudanças sociais, nossa fraternidade tem as melhores oportunidades para dialogar com homens de boa reputação. A Maçonaria na Alemanha e na Europa não deve se esconder atrás de sua tradição de 300 anos. Com essa tradição, temos os melhores pressupostos para oferecer respostas. Precisamos utilizá-los.

Cada Grande Loja seguirá seu próprio caminho, com base em sua situação nacional, história e integração na sociedade. Isso é bom. Contudo, nós, os Grão-Mestres das Grandes Lojas da Europa, podemos trocar ideias de forma ainda mais estreita. Se nos aproximarmos mais e discutirmos juntos as questões do nosso tempo, encontraremos as respostas corretas.

Aguardo com expectativa esse caminho.

Michael Volkwein

Grão-Mestre da VGLvD

A POLÍTICA ESTÁ IMPEDINDO MUITAS PESSOAS DE VIVEREM - Cesar Romão

 



Nunca se falou tanto de política como agora. 

Ela está na mesa do almoço, no grupo da família, nas redes sociais, no trabalho, no bar e até nos momentos que antes eram reservados ao silêncio ou ao afeto. 

A política deixou de ser apenas um instrumento de organização coletiva e passou a ocupar o centro da vida emocional das pessoas. 

O problema não é discutir política, isso é saudável e necessário. O problema é quando essa discussão se transforma em obsessão, substituindo a própria experiência de viver.

A política contemporânea, especialmente em tempos de polarização extrema, deixou de ser um campo de ideias para se tornar um campo de identidades. As pessoas já não debatem propostas; defendem rótulos. 

Não buscam compreender; querem vencer. O outro não é mais um cidadão com visão diferente, mas um inimigo moral. Nesse ambiente, a política passa a funcionar como uma religião secular: há dogmas, hereges, profetas, fanáticos e condenações públicas. E como toda fé mal digerida, ela exige devoção total.

Enquanto isso, a vida real vai ficando em segundo plano. As conversas perdem leveza, os encontros perdem espontaneidade e as relações se tornam condicionais: só permanece quem pensa igual. 

Muitos já não sabem mais escutar sem preparar o contra-ataque. Outros acordam e dormem consumindo indignação, como se estivessem permanentemente em estado de guerra. Viver, nesse contexto, passa a ser apenas reagir.

Há um paradoxo cruel nisso tudo. A política deveria servir para melhorar a vida concreta, o trabalho, a saúde, a educação, o lazer e a dignidade. No entanto, quando ela se torna o eixo absoluto da existência, acaba produzindo o efeito contrário: mais ansiedade, mais rupturas, mais frustração e mais amigos se afastando. Pessoas brigam por políticos que nunca as conhecerão, rompem amizades por ideologias que não lhes darão colo e sacrificam momentos únicos em nome de discussões repetitivas e estéreis.

Esquecer-se de viver não significa alienar-se. Significa lembrar que a vida é maior que o debate. Que existe beleza fora das manchetes, sentido fora das timelines e humanidade fora dos discursos prontos. Viver é conversar sem transformar tudo em trincheira, é rir sem culpa, é amar sem pedir declaração ideológica. É compreender que nenhuma causa vale a perda completa da sensibilidade e do bom senso. 

A política tem origem na necessidade humana de viver em comunidade. Desde os primeiros agrupamentos sociais, os seres humanos precisaram criar regras para organizar a convivência, distribuir recursos, resolver conflitos e tomar decisões coletivas. Essa prática antecede qualquer teoria formal e nasce da própria vida social.

O termo “política” vem do grego politiké, derivado de pólis, que significava cidade-estado. Na Grécia Antiga, especialmente em Atenas, a política passou a ser compreendida como a arte de governar a cidade e buscar o bem comum. Participar da vida política era considerado parte essencial da condição humana, pois o homem era visto como um “animal político”, como definiu Aristóteles.

Com o tempo, a política evoluiu e assumiu diferentes formas: impérios, monarquias, repúblicas e democracias. Apesar das mudanças históricas, sua essência permaneceu a mesma: organizar o poder e mediar interesses dentro da sociedade. Assim, a política surge não como um fim em si, mas como um instrumento para tornar possível a vida coletiva.

Talvez o maior ato político, hoje, seja resgatar o ser humano. Defender a convivência, o diálogo imperfeito, a pausa, o afeto. A política passa; a vida, quando não vivida, não volta.

Tanta discussão sobre política parece não resultar em nada, as eleições surgem e os mesmos que criticamos, elegemos mais uma vez. Quando um político duvidoso sem ética surge, é um empurra empurra para se fazer uma self com ele. 

Diógenes de Sinope filósofo grego da escola cínica andava pelas ruas de Atenas em pleno dia com uma lanterna acesa, afirmando estar “procurando um homem honesto”. Esse ato era uma performance satírica que criticava a hipocrisia, a corrupção e a falta de virtude genuína na sociedade da época. 

A Lanterna de Diógenes teria ótima função nos dias de hoje. 

A vida surgiu há pelo menos 3.8 bilhões de anos no planeta, o ser humano surgiu há 300 mil anos, a política surgiu há 5 mil anos a.C. Como devemos muitos respeito aos mais velhos, devemos dar mais valor e atenção a nossa vida. 




fevereiro 20, 2026

CONVITE PARA SESSÃO DE ELEVAÇÃO - Jorge Gonçalves




ARLS CONSTANCIO VIEIRA 3300 - ARACAJÚ 

Dia 24 de fevereiro de abril às 19:30

Segundo Harry Carr, entre os séculos XIV e o início do século XVI da *Maçonaria operativa documentada* existia apenas um grau, o Companheiro, o pedreiro plenamente formado. Nesse período, o Aprendiz era juridicamente considerado propriedade de seu mestre, tratado como um ativo do ofício.

Somente a partir do início do século XVI, com mudanças graduais nas leis de trabalho e no reconhecimento da condição humana do Aprendiz, surgiram cerimônias específicas para esse grau.

Portanto, meus inestimáveis Irmãos, venham participar desta *Sessão Magna de Elevação*, testemunhando a passagem do nosso Irmão para o grau que representou, por séculos, o coração da Maçonaria operativa e o verdadeiro ingresso pleno na Arte Real.



DO CONTRAPONTO - Heitor Rodrigues Freire

 


No campo das relações humanas, destaca-se como parte importante o contraponto, que é um outro ponto de vista acerca do tema central em uma discussão – diga-se, discussão em alto nível –, e não uma briga ou disputa.

Na música, o contraponto é a arte de combinar duas ou mais melodias independentes que soam simultaneamente de forma harmoniosa, criando uma textura rica.

No sentido figurado, que é o que nos interessa neste texto, o contraponto se refere a algo que serve de contraste ou que se contrapõe a uma ideia, adicionando uma perspectiva diferente e complementar, como, por exemplo, um sabor salgado que equilibra um doce. 

Em uma discussão ou debate, o contraponto é a argumentação ou perspectiva que se opõe ao ponto de vista principal, servindo para balancear a discussão ou introduzir mais complexidade ao tema.

Na arte, literatura ou design, um contraponto pode ser um elemento que contrasta fortemente com os demais para criar interesse visual, tensão ou profundidade, destacando as diferenças e gerando um efeito de equilíbrio ou conflito.

No direito, o contraponto aparece como o contraditório, ou seja, uma outra versão que contrasta com a inicialmente proposta. Ele está embasado no princípio da dúvida.

Essencialmente, a ideia central do contraponto, mesmo em contextos não musicais, é a combinação de elementos distintos que funcionam em conjunto para criar um todo mais complexo ou equilibrado, seja uma discussão, uma obra de arte ou uma situação social.

Vejamos, a seguir, algumas situações em que se apresenta o contraponto:

Em um debate: Uma pessoa defende um ponto, e outra apresenta um contraponto, uma ideia oposta que rebate ou questiona a primeira;

Em um livro: O autor usa o contraponto para mostrar a visão de um personagem contrastando com a de outro, ou para apresentar fatos históricos sob diferentes óticas;

Na música (origem do termo): A sobreposição de melodias independentes, como uma linha de baixo e uma melodia vocal, que juntas formam uma harmonia. 

Filosoficamente, o contraponto de ideias refere-se ao uso de ideias opostas, conflitantes ou alternativas usadas para promover o pensamento crítico, aprofundar a compreensão e, em algumas correntes, impulsionar o progresso do pensamento ou da história. 

Embora o termo "contraponto" tenha origem na música (que significa "ponto contra ponto"), na filosofia ele é usado metaforicamente para descrever o choque, a justaposição ou a interação de teses ou pontos de vista distintos. 

Há alguns conceitos filosóficos relacionados ao contraponto:

Na dialética: O contraponto de ideias é central para o método dialético, que tem raízes em filósofos como Sócrates e, mais proeminentemente, em Hegel. Na dialética, uma ideia (tese) é confrontada por uma ideia oposta (antítese), e dessa interação (que pode ser vista como um contraponto) emerge uma terceira ideia (síntese), que supera e incorpora aspectos das duas anteriores. Esse processo é visto por Hegel como o motor do progresso do pensamento e da história;

Unidade dos opostos: Filósofos pré-socráticos como Heráclito já abordavam a importância dos opostos, argumentando que a harmonia e a própria existência surgem da tensão e da interdependência entre elementos contrários (como dia e noite, guerra e paz). A tendência de um extremo conduzir ao seu oposto é vista como um princípio fundamental da realidade;

Ceticismo e relativismo: A apresentação de argumentos opostos (contrapontos) é uma técnica usada por correntes céticas, como a sofística, para demonstrar que para cada tópico existem dois argumentos igualmente fortes (equipolentes), o que mina a possibilidade de uma verdade absoluta, que cá para nós, não existe;

Argumentação e senso crítico: Em um sentido mais contemporâneo, o contraponto de ideias é essencial para o desenvolvimento do senso crítico e do diálogo racional. A exposição a perspectivas diferentes desafia pressupostos, permite a análise de um problema sob múltiplos ângulos e refina a capacidade de contra-argumentar e construir posições mais robustas, e esse refinamento estimula e enriquece o debate.

Em resumo, o contraponto de ideias é um mecanismo filosófico vital que reconhece e utiliza a oposição e a contradição como ferramentas para a exploração intelectual e a busca por uma compreensão mais profunda da realidade ou da verdade. 

Não é bonito, isso?

A MODALIDADE DE ANALFABETISMO DA MAÇONARIA OPERATIVA - Octavio Botelho

 



Os historiadores são unânimes em afirmarem que, durante a Antiguidade e a Idade Média, de 80% a 90% da população destas épocas era analfabeta. 

O alfabetismo era um privilégio de poucos, pois não existia o imenso sistema de educação em grande escala, aberto para todos, como actualmente. 

Porém, dentro desta grande população analfabeta, existiam os que eram apenas analfabetos funcionais (aqueles que só conseguiam ler ou escrever os assuntos dentro da sua ocupação funcional). 

Bem como os que só eram treinados na sua profissão, através de um processo de treino, geralmente passado de pai para filho, o qual os historiadores da educação denominam, para diferenciar da educação propriamente, de “aprendizagem do trabalho” ou de “tecnização do conhecimento” (Manacorda, 2006: 70-2, 106-10; 138-9 e 161-7). 

Este processo consistia inicialmente da aprendizagem das técnicas da profissão (artesãos, lavradores, carpinteiros, etc.) transmitida pelos pais aos filhos, sem a necessidade da alfabetização, até a formação das primeiras corporações de aprendizagem na Europa (Manacorda, 2006: 161-7).

A corporação (Craft) dos maçons operativos pode ter sido uma das primeiras corporações de aprendizagem a surgir, cuja transmissão não era aquela de pai para filho, mas de um Maçom para outro. 

Com isto os maçons operativos superavam nas suas habilidades profissionais os outros trabalhadores do mesmo ofício, os escravos, daí a suposta origem da denominação “pedreiros livres” (free masons). 

Que os maçons operativos eram hábeis nas técnicas da construção, pois conheciam até Aritmética e Geometria que eram aplicadas nas construções, está bem confirmado, no entanto, fortes indícios levam a supor que eram despreparados, quanto à capacidade de ler ou de escrever textos. 

As principais pistas para tal suspeita estão na inexistência de escritos, de autoria de maçons, durante o período medieval, bem como a conclusão de Edmond Mazet de que: 

• “… não é difícil adivinhar qual deve ter sido o conteúdo da Maçonaria Operativa na Idade Média. 

Ele só pode ter sido inteiramente cristão e certamente refletiu os ensinamentos dos padres; que é, foi fundado na Bíblia e na exegese bíblica, que os maçons não conheciam de ler o livro ou os comentários sobre ele, mas de ouvir os sermões dos padres sobre eles e de esculpir cenas históricas e simbólicas extraídas deles” (Mazet, 1992: 252).

Os escassos conhecimentos que temos da Maçonaria operativa da Idade Média são extraídos dos Old Charges (Antigos Deveres), sobretudo os dois textos mais antigos: o manuscrito Regius (1390 e. c.) e o manuscrito Crook (1450 e. c.), sendo que, curiosamente, ambos foram escritos por padres (Haywood, 1923b e Mazet, 1992: 251). 

Segundo E. Mazet, “eles contem (especialmente o Regius) um conjunto de instruções religiosas e morais que expressam o interesse dos padres em moralizar e catequizar os maçons” (Mazet, 1992: 251). 

Os Old Charges seguintes, que só aparecem a partir de 1583 e. c. (Mazet, 1992: 253), podem ter sido escritos por maçons. 

Portanto, mais uma evidência de que, quanto mais antiga a referência aos maçons operativos, maior a confirmação do seu analfabetismo. 

Enfim, sendo analfabetos, eles só podiam registar através de símbolos e de ritos, o que aprendiam com os padres cristãos e com as esculturas que esculpiam nas catedrais, nas fortalezas e nos mosteiros.


fevereiro 19, 2026

MAÇONARIA ECLÉTICA - Kennyo Ismail

 


De vez em quando você pode se deparar com alguns maçons incomodados com a variedade de ritos na Maçonaria, argumentando que os “Altos Graus” se distanciam da maçonaria operativa e crentes que os vários ritos mais dividem do que unem os obreiros da Arte Real.  

Ou talvez você mesmo pense assim. 

Saiba que esse incômodo não é coisa nova na Maçonaria, e já até originou Ritos e Obediências.

A Maçonaria Eclética, que também ficou conhecida como União Eclética, teve início como uma espécie de confederação de algumas Lojas alemãs. 

Essa união de Lojas se baseava no desejo de praticar um sistema mais puro de Maçonaria, mais próximo das antigas práticas da Maçonaria Operativa, ou seja, sem as influências de Cabala, Alquimia, Astrologia, Hermetismo, Cavalaria, Teosofia ou outras ciências ocultas e religiões que os diversos ritos do século XVIII na Europa apresentavam.

A União Eclética teve início em 1779 sob a liderança do Barão Von Ditfurth, que havia sido um importante adepto do Rito da Estrita Observância, o qual estava em decadência por conta da indevida influência da cavalaria nos graus simbólicos e de sua “liderança oculta”. 

Desse movimento eclético, concentrado em Frankfurt, surgiu o Rito Eclético, composto por apenas os três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Em 1783 duas “pequenas Grandes Lojas” adotaram o Rito Eclético: Grande Loja de Frankfurt am Main, e Grande Loja de Wetzlar. 

Elas enviaram uma carta a todas as Lojas da Alemanha convidando-as para se aliarem à União Eclética e assim praticarem a legítima Arte Real. 

Algumas Lojas atenderam o chamado, o que serviu de base para a fundação, em 1823, da “Grande Loja Mãe da Eclética União”, a qual, obviamente, somente reconhecia o Rito Eclético. 

Porém, essa receita de simplicidade não encontrou muitos adeptos ao longo dos anos: a Grande Loja da Eclética União nunca passou da casa dos 20 em número de Lojas.

Já a Maçonaria de Hamburgo nutria da mesma insatisfação com o Rito da Estrita Observância e o mesmo desejo pela prática de uma Maçonaria mais “pura”, mas de uma certa forma optou por trilhar o seu próprio caminho, adotando o Rito Schroeder em 1801. 

Pelo tamanho e importância de Hamburgo no cenário alemão, o Rito Schroeder obteve mais êxito.

Tais fatos evidenciam mais uma vez que, durante o século XVIII e início do século XIX, os maçons europeus, em vez de se submeterem à Maçonaria, submetiam-na a si mesmos.





I M A G E M - Newton Agrella



A imagem pode revelar muitas coisas, desde um abrigo para a nossa alma até um grito de liberdade, preso no mais longínquo recinto de nossa memória.

O tempo parece que pára. 

Não há nenhum sinal de trilha ou de algum caminho a ser seguido.

É nesse cantinho do mundo que nossa imaginação se revela uma usina de idéias.

Não há submissão ou predomínio.

O que de fato existe somos nós e o infinito que o Universo rege.

Nesse lugar, a vida segue a inspiração dos dias.

Não se contam horas,  apenas contemplam-se as mais sutis sensações que o cérebro e o coração conseguem produzir.

As chances do ser humano dar certo são incontáveis, bem como as de dar errado encontram um território um tanto arriscado.

Viver é um ritual inesgotável de cerimônias. 

Algumas mais  requintadas, que nos impõem uma dose mais generosa de circunspecção e outras que são frutos da própria dinâmica de nossa existência. 

A perspectiva vai aos olhos de cada um de nós.

Afinal de contas, a rigor, a Imagem é filha do Imaginário e da Imaginação



fevereiro 18, 2026

FELIZ 4a FEIRA DE CINZAS - Newton Agrella

                                      



Você já experimentou perguntar-se  a si mesmo se a Indulgência pode ser interpretada como uma espécie  de alvará oferecido pela Igreja como forma de perdoar pecados ou de amortizar dívidas contraídas pelo comportamento que atenta contra a própria moral estabelecida através de códigos consagrados pela sociedade ?

Pois é, mais ou menos por aí, que a Quarta Feira de Cinzas incorpora seu significado.

Apesar do Carnaval no Brasil exortar a alegria através da música, da dança, da aglomeração de pessoas e dos desfiles e blocos, invariavelmente regados a muita bebida e outros ingredientes, é impossível disassociá-lo do lado obscuro do comportamento humano.

Essa Quarta Feira portanto, é algo como se a Igreja tivesse que ligar um sinal de alerta e puxar o freio das atitudes humanas que se deixam levar incontidamente pela lascívia e despudor, durante a festa da carne que se prospera durante ruidosos e inebriantes 7 dias.   

A semana de Carnaval.

Tal qual uma varinha mágica, a Igreja interpõe estratégicamente um dia, logo após os festejos, para lembrar às pessoas que na Quarta Feira, as Cinzas devem se manifestar na mente humana, como uma sutil lembrança de que a vida é efêmera, breve e transitória, e que o caminho entre a Terra e Céu deve passar por um processo de purificação.

A Antítese desse processo é a confirmação da contrariedade e da insensatez que se travestem de arrependimento.  

Na sede de provar esse sentimento, a pessoa se submete a um período de retratação, que obedece o nome de Quaresma.

Jejuar, orar, refletir e entregar-se a uma vida espiritual, tornam-se "lição de casa",  pelo menos até a Páscoa.  

O paradoxo desse exdrúxulo comportamento é uma tênue linha da ética e da moral, que mal se sustenta diante da débil oferta da Indulgência.

As cinzas continuam flanando no aguardo de arrependidos, que durante dias se esbaldam na Festa Pagã e ao término dela buscam a absolvição da Matriz, por quem os sinos dobram em sinal de compaixão.

E assim começa a Penitência, num país sobejamente cristão, mas que traz consigo o Carnaval como manifestação primitiva e degradante do comportamento de muitos.



INICIAÇÃO COMO PRINCÍPIO DA VIDA, TEOLOGIA E CIÊNCIA - Júlio Aquino


 

Com inusitado e merecido brilho, reverencio inicialmente a memória do Apóstolo São Pedro, notável e aplaudível, rico de delicados sentimentos, que fez majestosa síntese sobre a Fraternidade, na sua segunda (2a) Carta Universal, capítulo primeiro (1°), versículo sétimo (7°):

 “A Fraternidade é que gera o Amor”!

E esse amor jamais prescreve pelo lapso do tempo.

Com efeito, o amor ao GADU e ao próximo é inseparável, sumamente majestoso, sumamente glorioso e sumamente elevado.

As muitas águas não poderiam apagar esse amor, nem os rios afogá-Io.

Assim também, outro exponencial, nimbado de auréola refulgente, é o profeta Amós que exerceu o seu ministério nos reinados de Azias, rei de Judá e de Jeroboão II, rei de Israel, 752 anos A.C..

Ele pugnava pelo trabalho, justiça e a retidão,.

Usava nos seus ensinos as mesmas ferramentas que usamos na Maçonaria.

Razão pela qual, a luz da face do GADU resplandece em toda a sua beleza no rosto do Maçom, manifestada pelo ditame da consciência.

Maçom é um estado de espírito e a razão da vida, começa grandiosa e altaneira, em levantar Templos a Virtude.

E a razão da morte, para nós, não se constitui um mal.

A morte que é um mal, é aquela que provém do vicio, do crime e da barbárie.

A morte não é o apagamento da luz, mas o simples ato de dispensar a lâmpada.

Ponha-se em evidência, a nossa Ordem, essa acrópole magnífica, que tem na grandeza da sua excelência, uma dimensão transcendental, porque nasce nos desígnios do GADU – Um Deus que não morre, sentando num trono que não se desmorona, e se finaliza no absoluto desse mesmo Deus que é a luz que espanta as trevas da nossa ignorância insolente.

Convém lembrar, que o maçom não pode desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão e do entendimento, e ninguém poderá aprisionar a nossa esperança e nem exilar a nossa inteligência.

A partir de então, o maçom descobre o descortinamento exuberante da Razão e fascínio de ditosas riquezas que provem dos sete triângulos:

1 – Triângulo Equilátero,2 – Triangulo Isósceles,3 – Triangulo Escaleno,

4 – Triangulo Retângulo,5 – Triângulo Obtusângulo,

6 – Triângulo Acutângulo,

7 – Triangulo Esférico.

Evidentemente, todos esses Triângulos, abrem-nos as portas do campo da educação matemática, das leis de proporção mecânicas, da aritmética, representada pelos números e da geometria, representada pelos símbolos.

Também da raiz quadrada, das equivalências, das equações, das formas, dos axiomas, dos teoremas, dos corolários, dos escólios, das retas, dos planos, das perpendiculares, dos ângulos, dos seguimentos lineares e das poligonais.

Do Sodalício, com o verbo franjado de ouro e púrpura, enalteço a grandeza e o valor das leis das equivalências do Físico Newton, entre as temperaturas do sol e as propriedades de absorção da clorofila, para que a fotossíntese possa se realizar.

Assim também se as cargas de elétrons, prótons e nêutrons não tivessem precisas ressonâncias, os planetas não poderiam orbitar o sol com estabilidade.

E nos seres vivos, as interconexões para o fluxo de sangue e o sistema nervoso seriam impossíveis.

Os quantitativos constantes da física que define o universo são espetacularmente precisos.

Outro astrofísico, chamado Fre Hoyle, no seu livro intitulado, A Arquitetura do Universo, diz que tudo foi meticulosamente planejado para a chegada da vida na terra.

Segundo ele, existe um fio de felizes e estranhas coincidências.

..."E assim se fez a Vida e tudo que nela há"... 





 

fevereiro 17, 2026

GIORDANO BRUNO

 



Em 17 de fevereiro de 1600, o filósofo italiano Giordano Bruno foi executado na fogueira, em Roma, após ser condenado pela Inquisição. A sentença foi cumprida na praça Campo de’ Fiori, diante do público, como exemplo contra ideias consideradas heréticas.

Bruno defendia conceitos revolucionários para a época, como a infinitude do universo e a existência de inúmeros mundos habitados. Suas reflexões iam além do heliocentrismo de Copérnico e questionavam pilares da cosmologia tradicional.

Além das teorias astronômicas, também sustentava posições filosóficas e teológicas que confrontavam dogmas centrais da Igreja Católica. O processo contra ele durou anos, marcado por interrogatórios e tentativas de retratação.

Recusando-se a renegar suas convicções, manteve suas ideias até o fim, mesmo diante da ameaça de morte. A execução transformou seu nome em símbolo da repressão intelectual na Europa moderna.

No local aonde foi executado a maçonaria construíu o monumento que aparece na foto acima, perpetuando a sua memória .

Fonte: Wikimedia Commons - curiosidades na história 

AS PRINCIPAIS ESCOLAS DE PENSAMENTO MAÇÓNICO - Alexandre Fortes



As escolas de pensamento maçónico não foram “criadas” por uma única pessoa ou numa data específica como instituições físicas, mas sim categorizadas por historiadores e estudiosos para organizar as diferentes visões sobre a origem, a finalidade e a filosofia da Ordem.

O autor que consolidou a nomenclatura moderna dessas escolas (especialmente as oito divisões clássicas) foi o pesquisador H. L. Haywood.

No Brasil, autores como Roberto Bondarik e José Castellani são as referências principais para o estudo dessas correntes. 

As escolas dividem-se conforme o “foco” de estudo do Maçom (histórico, antropológico, místico, filosófico, religioso, científico, social, etc.).

O pesquisador H. L. Haywood (Harry LeRoy Haywood), na sua obra seminal de 1923, The Great Teachings of Masonry (Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria), foi de facto um dos primeiros a organizar o pensamento maçónico em escolas específicas. 

Embora outros autores como Roscoe Pound tenham listado quatro ou cinco vertentes, Haywood expandiu essa análise para oito escolas principais, conforme detalhado no Capítulo 17 do seu livro.

AS OITO ESCOLAS DE PENSAMENTO (segundo H. L. Haywood)

Estas divisões representam as diferentes abordagens que os maçons utilizam para interpretar a Ordem:

1. Escola de William Preston (Instrução): Foca na Maçonaria como um sistema de educação e disseminação de conhecimento (ciências e artes liberais).

2. Escola de Karl Krause (Sócio-Política): Vê a Maçonaria como uma ferramenta para a perfeição da humanidade e a organização da sociedade sob princípios morais.

3. Escola de George Oliver (Religiosa): Interpreta a Maçonaria estritamente sob a óptica cristã e teológica, vendo-a como uma instituição divina.

4. Escola de Albert Pike (Filosófica): Busca a “Verdade Absoluta” e a harmonia do universo através de uma síntese profunda de filosofia e religião.

5. Escola Histórica (ou de Roscoe Pound): Defende que a Maçonaria deve ser interpretada através da sua própria evolução histórica contínua.

6. Escola Simbólica (ou Esotérica): Foca no significado oculto atrás dos rituais e símbolos como chaves para o despertar da consciência.

7. Escola Romântica: Formada por aqueles que acreditam em origens lendárias e românticas (como a conexão directa e ininterrupta com os Templários).

8. Escola Autêntica (Científica): Baseada no rigor documental da Loja Quatuor Coronati, rejeitando mitos em favor de evidências históricas comprovadas.

Historicamente, o desenvolvimento dessas vertentes deve muito a autores da Escola de Pesquisa (Quatuor Coronati), na Inglaterra, que separaram o “facto histórico” da “lenda”:

A Loja de Pesquisa Quatuor Coronati nº 2076 (Londres), fundada em 1884, é o berço do que chamamos de Escola Autêntica de pesquisa maçónica. 

Embora a Quatuor Coronati seja a representante máxima da Escola Autêntica, a classificação das “escolas de pensamento” como um todo (que inclui as vertentes não-históricas) é frequentemente atribuída a autores que analisaram o movimento iniciado por ela.

AS ESCOLAS DO PENSAMENTO MAÇÓNICO (Ars Quatuor Coronatorum – AQC)

De acordo com a metodologia científica e os estudos publicados nas Transactions da Loja (conhecidas como Ars Quatuor Coronatorum – AQC), as escolas são geralmente divididas em quatro categorias principais:

1.1 Escola Autêntica (ou Histórica): Criada pelos fundadores da Quatuor Coronati. Rejeita lendas e mitos, exigindo provas documentais e evidências históricas. Considera que a Maçonaria evoluiu das guildas de pedreiros medievais (Teoria da Transição).

1.2 Escola Antropológica: Aplica os métodos da antropologia e sociologia. Estuda a Maçonaria como um sistema de ritos de passagem e costumes humanos universais, buscando paralelos em civilizações antigas, mas sem necessariamente afirmar um vínculo directo de sucessão.

1.3 Escola Mística (ou Iniciática): Vê a Maçonaria como um sistema de desenvolvimento espiritual e autoconhecimento. Foca no “Trabalho Interno” e na jornada da alma, utilizando o simbolismo como linguagem para verdades metafísicas.

1.4 Escola Oculta (ou Esotérica): Busca as raízes da Ordem em sociedades secretas, como os Templários, os Rosa-cruzes, a Cabala ou os Mistérios do Egipto e da Grécia. Muitas vezes é criticada pela Escola Autêntica pela falta de rigor documental.




.

"LAVAR A CABEÇA DE BURRO COM XAMPU" - Newton Agrella



É do ser humano se recusar a tentar entender um assunto e não admitir a hipótese de rever seus conceitos e mudar de idéia, mesmo diante da tácita demonstração de uma percepção inconsistente.

Este tipo de comportamento, muito aquém de uma atestado de opinião própria ou de uma ratificação de juizo de valores, por vezes, acaba se transformando numa ausência injustificável de espírito de consciência crítica.

Em analogia a isto, encontramos respaldo em um dito popular, que um grande amigo meu e irmão costuma se valer, que traduz com muita sutileza e maestria a imagem real de seu significado : 

"...lavar a cabeça de burro com xampu.." 

Nessa prosaica figura de linguagem, que se reveste de um provérbio, deparamo-nos com três situações desconcertantes:

- perde-se tempo;

- gasta-se água, e

- e não se embeleza o burro

Algo que nos deixa perplexos para dizer o mínimo.

Afinal de contas, as propriedades de que dispomos de pensar, refletir e raciocinar, são condições mais do que suficientes para que possamos criar subsídios necessários de modo a proporcionar autenticidade à noção intelectual das coisas.

O xampu está caro.

A água precisa ser utilizada com a devida parcimônia.

E finalmente o burro, bem o burro está lá, parado, estagnado no vazio de sua postura e "ruminando pensamentos" , como se pudesse entabular um exercício  filosófico para justificar sua visão caolha do mundo.

É por aí, que grande parte da banda toca, numa insistente receita monocórdica, com abordagem fatídica e inócua, em contraste com o espírito que se espera perpetrar diante de uma matéria que impõe uma visão e uma análise antropocêntrica, antes de mais nada.


CARNAVAL DA SAUDADE - Joab Nascimento


 

I

Quanta saudade que dá,

Dos ranchos e das marchinhas,

Dos grandes bailes nos clubes,

Animadas por bandinhas,

Multidão atrás da banda,

Famílias com criancinhas.

II

O teu cabelo não nega,

Me dá um dinheiro aí,

Cabeleira do Zezé,

Saca-rolha vem aí,

Cidade maravilhosa,

Carmen Miranda e taí 

III

Allah-lá-ô com Aurora.

Ô balancê, balancê,

A jardineira está triste

Quero dançar com você

Venha cá linda morena

Anavatu, anarriê.

IV

Está chegando a hora,

Muitas águas vão rolar,

Pedindo mamãe eu quero,

Abre'alas que vou passar,

Vou amar as pastorinhas,

Se a canoa não virar.

V

Da folia, daqui não saio,

Acorda Maria bonita,

Oba, ali tem só cachaça,

Bem alegre alguém grita,

Pierrô apaixonado,

Com o seu traje de chita

VI

Quanta saudade me dá,

Desse tempo de outrora,

Dos carnavais de clubes,

Não existem mais agora,

Da paz e tranquilidade,

De brincar a qualquer hora,

VII

Hoje o velho carnaval,

Faliu está tão doente,

É vandalismo na rua,

Cada qual o mais valente,

Muita droga, morte e furto,

Que domina essa gente.

VIII

Não existe marcha e rancho,

Só axé onde estiver,

A mulher já virou homem,

Homem já virou mulher,

Inventaram abadá,

E só compra quem puder.

IX

A massa dominadora,

Que faz parte da folia,

Não se arruma pra brincar,

Investe em sexo e orgia,

Pensa apenas no dinheiro,

Esqueceram da alegria.

X

Hoje o carnaval apenas,

É bagunça e confusão,

Pierrô e colombina,

Se afastaram do salão,

Deixaram muita saudade,

Dentro do meu coração.