março 08, 2026

8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER - Gabriel Valentini


 

A própria linguagem já nos oferece um belo ponto de partida para refletirmos sobre o feminino no universo simbólico da Maçonaria. Dizemos *a Maçonaria*. A palavra que designa nossa Ordem é feminina, como se a própria instituição carregasse, em sua essência, um princípio gerador, acolhedor e formador, quase maternal em sua natureza simbólica.

Dentro do vocabulário maçônico encontramos outra expressão igualmente significativa, *Loja-Mãe*. O termo é tradicionalmente utilizado para designar a Loja onde o maçom foi iniciado, aquela que o recebeu pela primeira vez em seus augustos mistérios e onde teve início sua jornada na senda iniciática. É ali que ocorre o nascimento simbólico do maçom para uma nova vida moral, filosófica e espiritual. Assim como uma mãe que conduz os primeiros passos de um filho, a Loja-Mãe acolhe, orienta e transmite os primeiros ensinamentos que guiarão o iniciado na difícil, porém nobre tarefa de lapidar a própria pedra bruta.

A simbologia maçônica também preserva, em diversos momentos, referências ao princípio feminino. Em antigas representações alegóricas, a própria Maçonaria aparece personificada como uma figura feminina serena e majestosa, guardiã da sabedoria e da virtude. No interior do Templo, encontramos ainda a Coluna da Beleza, que nos recorda que nenhuma construção se sustenta apenas pela força ou pela sabedoria. É a beleza, entendida como harmonia, sensibilidade e equilíbrio, que confere plenitude à obra.

Esses elementos não surgem por acaso. A tradição simbólica da Maçonaria é construída com profundo sentido pedagógico e filosófico. Ela nos ensina que a verdadeira edificação do homem exige não apenas rigor, disciplina e estudo, mas também sensibilidade, cuidado, equilíbrio e capacidade de acolhimento.

E é justamente nesse ponto que a reflexão se torna ainda mais significativa.

Muitas das virtudes que buscamos cultivar dentro da Loja, a paciência, a tolerância, a capacidade de escutar, o espírito de cuidado, a sensibilidade diante do sofrimento humano e a dedicação silenciosa ao bem, são qualidades que, com frequência admirável, encontramos naturalmente presentes na vida e na conduta de inúmeras mulheres.

Enquanto nós, maçons, dedicamos anos de estudo e reflexão para aprender a exercitar tais virtudes, muitas mulheres as praticam diariamente, de forma espontânea e generosa, no cuidado com a família, na educação dos filhos, na dedicação ao próximo e na força silenciosa com que enfrentam os desafios da vida.

Talvez por isso a tradição simbólica tenha preservado, ainda que discretamente, essa presença do feminino em sua própria linguagem e em seus símbolos. Como se nos lembrasse que nenhuma construção verdadeiramente humana se sustenta sem a delicadeza, a sensibilidade e a força moral que tantas mulheres demonstram em sua caminhada.

Neste *Dia Internacional da Mulher*, fica nossa sincera homenagem a todas elas, *mães, esposas, filhas, irmãs e amigas* que, com sua presença, tornam o mundo mais humano e mais luminoso.

Porque, se a Loja-Mãe nos concede o nascimento maçônico, a vida nos ensina que muitas das virtudes que buscamos aprender dentro do Templo já habitam, desde sempre, no coração das mulheres, como uma forma serena de sabedoria, uma beleza discreta e uma força capaz de transformar o mundo com gestos simples, mas profundamente humana.



JOIA OU OBRA ESPLENDOROSA - Adilson Zotovici




Bem difícil a definição 

Joia, obra esplendorosa 

A qual sobra em perfeição  

Rara pedra preciosa


Que medra em cada missão 

Destemida e poderosa 

E movida pela razão 

Com sua força espantosa 


Muito além de geração

Ou amante extremosa 

Avante em cada profissão 

Que se mantém grandiosa


A guardiã por vocação 

Da família, cautelosa 

Com elã e abnegação 

No afã o quão bondosa 


Ser inefável, de visão 

Oprimida e corajosa 

Que em sua lida o bordão 

Afável líder, auspiciosa 


Tema de grande inspiração 

Tal qual oração gloriosa 

Que o poeta, há muito, à exaustão 

Diz em poema...glamurosa !  


Assim mistér a conclusão :

Ser de amor, prodigiosa 

É a “Mulher”, que a CRIAÇÃO... 

Do SENHOR a mais formosa !



PALESTRA CONSIDERAÇÕES FiLOSOFICAS - Denizart Silveira de Oliveira Filho


PALESTRA “CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS E INICIÁTICAS AOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA MAÇONARIA.” 
 Ir∴ DENIZART SILVEIRA DE OLIVEIRA FILHO  



 

A INICIAÇÃO DE FATO - Adilson Zotovici





Controvérsias sobre o ato

Que se tem dito à exaustão

Mito sobre o desiderato

Da verdadeira iniciação


Em que pese atenção e tato

O cuidado e a inspiração

Em tese, a condução, o trato

É o fado à introspecção


Ato inicial com aparato

Que o esperto com cognição

Leva ao “seu ser” o candidato

Decerto à surdir nova visão


A incitar brilho que lhe é nato

E desperto à Luz, à ascensão

Que se conduz intimorato

No trilho incerto da perfeição


E na validação um hiato  !

Que no decorrer dessa incursão

“Iniciação ou não, de fato”...

Está na sua “Transformação” !



A FILOSOFIA INICIÁTICA DA VERDADE - Izautonio Machado


 

Um dos grandes propósitos da humanidade é a busca pela verdade. Tantos filósofos já se debruçaram sobre este tema, e ele sempre permanece desafiador no íntimo dos homens que cultivam o amor pela Sabedoria.

Muitas pessoas nem sequer cogitam esta busca.Seu fraco entendimento, aliado aos desejos e às satisfações materiais - que lhes obscurecem a visão - fazem com que não revelem nenhum interesse por descobrir sentido profundo das coisas.

A Arte de pensar nos conduz à investigação dos grandes enigmas da humanidade, por intermédio da reflexão em busca de respostas que darão sentido às nossas vidas. 

A busca pela verdade fez com que surgissem no seio da humanidade inúmeros sistemas filosóficos e religiosos que se propõem a responder às indagações nascidas da “necessidade de saber”. Não obstante, é por intermédio do raciocínio e da meditação que podemos aproximar nossos pensamentos da fonte pura da verdade.

Não é só por meio da simples leitura, mas pela reflexão, que se distingue os verdadeiros Iniciados.

O verdadeiro conhecimento está além das palavras e expressões; é a concepção do que está além do aparente que nos aproxima do entendimento mais profundo dos mistérios da Vida e do Universo. 



março 07, 2026

CIENTIFICAMENTE COMPROVADO!



Os idosos são ridicularizados quando falam demais, mas os médicos veem isso como uma bênção, dizendo que os idosos aposentados deveriam falar mais porque atualmente não há como prevenir a perda de memória. A única maneira é falar e falar, cada vez mais. Existem pelo menos três benefícios para os idosos que falam mais...

Primeiro: Falar ativa o cérebro, pois a linguagem e os pensamentos se comunicam, principalmente quando se fala rápido, isso naturalmente acelera o pensamento e melhora a capacidade de memória. Idosos que não falam têm maior probabilidade de desenvolver perda de memória.

Dois: Falar mais previne doenças mentais e reduz o estresse. Os idosos muitas vezes guardam tudo no coração sem dizer ou desabafar nada, sentem-se sufocados e desconfortáveis. Dar aos idosos a oportunidade de falar mais e ouvir uns aos outros irá ajudá-los a sentirem-se melhor.

Terceiro: A fala exercita os músculos ativos da face, exercita a garganta, aumenta a capacidade dos pulmões e reduz os perigos ocultos da vertigem e da surdez, que freqüentemente prejudicam os olhos e os ouvidos.

Resumindo: como adulto mais velho, a única maneira de prevenir a doença de Alzheimer é conversar ativamente e interagir com o maior número de pessoas possível. Não há outro remédio para isso. Por isso, é recomendado que grupos de amigos mais velhos se reúnam em algum lugar pelo menos uma vez por semana, durante cerca de 2 ou 3 horas, para trocar opiniões e desestressar com um sorriso.



O MALHETE DE WASHINTON - Luciano J. A. Urpia .


Pela primeira vez na História, o malhete utilizado por George Washington na cerimônia maçônica de lançamento da pedra fundamental do Capitólio dos Estados Unidos, em 1793, esteve presente durante o discurso sobre o Estado da União proferido pelo presidente Donald Trump no último dia 24 de fevereiro de 2026. A solicitação partiu do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, como parte das comemorações dos 250 anos da fundação do país.

O artefato histórico pertence à Loja Maçônica Potomac nº 5, a mais antiga de Washington, D.C., e guardiã do malhete desde que o primeiro presidente americano, iniciado na Maçonaria em 1752, o confiou ao irmão Valentine Reintzel após a cerimônia de 1793. Na ocasião original, Washington liderou uma procissão solene com Lojas Maçônicas e artilharia, atravessou o rio Potomac e desceu pessoalmente à trincheira onde seria erguido o Capitólio, realizando o ritual com milho, vinho e óleo, símbolos maçônicos de alimento, refresco e alegria.

Ao longo de mais de dois séculos, o malhete histórico foi emprestado apenas para cerimônias de lançamento de pedras fundamentais de monumentos emblemáticos, como o Monumento a Washington, a Catedral Nacional e a Instituição Smithsonian. Sua presença inédita no discurso presidencial representou um gesto simbólico de continuidade histórica, conectando os rituais fundacionais da república ao atual momento político americano.

Vale ressaltar que Donald Trump não é maçom.

Fonte: The Washington Times | washingtontimes.com em Curiosidades da Maçonaria


março 06, 2026

QUANTAS VOZES A IGREJA SILENCIOU




Durante séculos, a Igreja Católica foi uma das instituições mais poderosas do planeta e como toda autoridade absoluta, também errou, algumas vezes de forma histórica.

O caso mais famoso é o de Galileu Galilei, em 1633, o cientista italiano foi julgado pela Inquisição por afirmar algo hoje óbvio: a Terra gira em torno do Sol. 

A teoria heliocêntrica contrariava a interpretação literal das Escrituras adotada pela Igreja na época, Galileu foi forçado a se retratar publicamente e passou o resto da vida em prisão domiciliar, seu crime não foi científico, foi político.

Somente em 1992, quase 350 anos depois, o Vaticano reconheceu oficialmente que errou ao condená-lo. 

O Papa João Paulo II declarou que a Igreja havia cometido um “erro trágico de julgamento”, Galileu já estava morto há mais de três séculos.

Mas ele não foi o único.

Durante a Inquisição, tribunais eclesiásticos perseguiram judeus, muçulmanos convertidos, mulheres acusadas de bruxaria e qualquer pessoa considerada “ameaça à ordem religiosa”. 

Estima-se que dezenas de milhares foram presas, torturadas ou executadas em nome da fé.

Em 2000, o mesmo João Paulo II fez um pedido público de perdão pelos “pecados cometidos pelos filhos da Igreja” ao longo da história,  incluindo violência religiosa, perseguições e abusos de poder. 

Foi um gesto simbólico, mas sem punições, indenizações ou revisões jurídicas dos atos cometidos.

O pedido de desculpas não apaga o passado, mas revela algo importante: instituições também erram e quase sempre demoram a admitir.

A pergunta que fica é incômoda:  quantos outros “Galileus” a história ainda silenciou antes de pedir perdão?

O CONDE DE GRASSE-TILLY - Kennyo Ismail



Alexandre François Auguste de Grasse (14/02/1765 - 10/06/1845), que se tornaria Conde de Grasse-Tilly, é um dos 11 Cavalheiros de Charleston, pais dos Altos Graus do R.E.A.A.; o responsável pela sua exportação, dos EUA para a Europa; e pai de seus Graus Simbólicos.

Ele era membro da célebre loja francesa "Saint Jean d'Écosse du Contrat Social”, que ostentava o título de "Loja Mãe Escocesa da França". Mas como oficial do exército francês, assumiu um posto na colônia da Ilha de São Domingos, hoje dividida entre República Dominicana e Haiti. Lá, adquiriu uma plantação de tabaco e escravizados. Quando da Revolução Haitiana, teve que partir com sua família para Charleston, na Carolina do Sul, EUA, onde, envolvido com as atividades maçônicas, fez parte do grupo que desenvolveu o R.E.A.A. e fundou seu 1º Supremo Conselho, em maio de 1801 (190). 

A maioria dos rituais incluídos aos do Rito de Heredom, para compor o novo rito, foram fornecidos por Grasse-Tilly e eram praticados por sua loja.

Grasse-Tilly retornaria a São Domingos, onde, em 1802, funda o Supremo Conselho de Porto Príncipe (191). Em 1804, consegue transferência para a França, onde funda o Supremo Conselho da França, em 20/10/1804. Um mês depois, funda a Grande Loja do R.E.A.A. da França, elaborando os rituais do simbolismo para esta. Isso levou o Grande Oriente da França a fazer um acordo, incorporando as lojas da Grande Loja e passando a permitir os trabalhos nos graus simbólicos do R.E.A.A. (192).

Durante as Guerras Napoleônicas, por suas obrigações militares, Grasse-Tilly dirigiu-se a outros países europeus onde fundou novos Supremos Conselhos, na Itália (1806) e na Espanha (1811). Posteriormente, fundaria também na Bélgica, então parte dos Países Baixos (1817). Este último concederia patente a Montezuma, em 1829 (193).

Por isso, se não fosse o Conde de Grasse-Tilly, o R.E.A.A. não teria se espalhado pelo mundo, ainda na primeira metade do século XIX; os graus simbólicos do rito não teriam sido desenvolvidos; e Montezuma não teria criado o Supremo Conselho brasileiro.

Grasse-Tilly morreu aos 80 anos de idade, vítima de pneumonia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(190) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences. New York & London: The Masonic History Company, 1914.

(191) COIL, H. W.; BROWN, W. M. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Macoy, 1961.

(192) SIMON, J. REAA: Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cabiers - 5829. Bonneuil-en-Valois:

Éditions de La Hutte, 2013.

(193) ISMAIL, K. Ordem sobre o caos. Brasília: No Esquadro, 2020.

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.


março 05, 2026

O ORIENTE NA TRADIÇÃO MAÇÔNICA - Jorge Gonçalves


 

Desde as primeiras civilizações, a observação do movimento do Sol permitiu identificar direções fixas no horizonte, originando os pontos cardeais. Essa orientação também aparece nas tradições religiosas: “A glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta que está voltada para o Oriente.” (Ezequiel 43:4)

Na Maçonaria, essa simbologia também se manifesta na orientação da Loja. Nos costumes dos “Modernos”, a Loja está organizada no eixo Oriente e Ocidente, com o Venerável Mestre no Oriente e os Vigilantes no Ocidente. Já na tradição dos “Antigos”, os três oficiais refletem o movimento aparente do Sol: o Venerável no Oriente, o Primeiro Vigilante no Ocidente e o Segundo Vigilante ao Sul.

Na próxima terça feira, dia 10 de março, às 19h30, o Ir∴ *Natanael Fernandes de Souza*, praticante do R∴E∴A∴A∴ e herdeiro da tradição dos “Antigos”, fará uma apresentação em uma Loja do Rito Moderno, abordando a evolução histórica do Oriente no templo maçônico.



A IRA - Wagner Barba



Hoje tenho mais de 60 anos, e o tempo, com sua constância implacável e ao mesmo tempo generosa, ensina lições que só a vivência é capaz de oferecer. 

A vida nos educa não apenas pelos acertos, mas, sobretudo, pelas situações difíceis, pelas perdas, pelos conflitos e pelas escolhas que fazemos ao longo do caminho.

Muitas vezes reflito sobre como teria sido valioso possuir, há 30 ou 40 anos, o entendimento que hoje carrego. Não para reescrever a própria história, mas para atravessá-la com mais leveza, menos desgaste emocional e maior equilíbrio interior.

Entre os aprendizados mais claros que o tempo nos oferece está a compreensão de que a ira não traz benefício algum. Ela não fortalece argumentos, não melhora relações e não produz justiça. Ao contrário, a ira compromete a saúde mental, alimenta a ansiedade, tensiona o corpo, perturba o raciocínio e retira a serenidade necessária para lidar com qualquer situação de forma lúcida.

Aprendemos também que não ter ira não significa concordar com tudo ou aceitar injustiças passivamente. Significa escolher a calma como instrumento de clareza, o autocontrole como forma de proteção e a serenidade como expressão de maturidade. A ausência de ira nos permite responder, em vez de reagir; compreender, em vez de atacar; e preservar a própria paz, mesmo diante de divergências.

No fim, o tempo nos mostra que a ira só prejudica quem a carrega. Ela não atinge o outro na mesma medida em que consome, silenciosamente, aquele que a mantém viva. Libertar-se da ira é um gesto de sabedoria, de respeito consigo mesmo e de cuidado com a própria saúde mental.

A verdadeira vitória, com os anos, não está em vencer discussões, mas em manter a tranquilidade da mente e a integridade do espírito.



O EGITO QUE CONTAVA HISTÓRIAS - Rogério de Paula


Os Manuscritos que Revelam a Alma de uma Civilização Milenar

Quando pensamos no Egito Antigo, logo nos vêm à mente as pirâmides, os faraós e os grandes templos de pedra. No entanto, entre os blocos monumentais de Gizé e os relevos de Luxor, existia um outro legado igualmente poderoso: a literatura escrita em papiro.

Durante o Império Médio (c. 2055–1650 a.C.), considerado por muitos egiptólogos como a “idade clássica” da literatura egípcia, surgiram obras que revelam não apenas crenças religiosas, mas também emoções humanas profundas, reflexões filosóficas e ensinamentos morais. 

Textos como o Conto de Sinuhe narram a história de um cortesão que foge do Egito após a morte do faraó e vive anos no exílio. Mais do que uma aventura, trata-se de uma reflexão sobre identidade, pertencimento e lealdade ao Estado faraônico.

Outro exemplo marcante é o Diálogo de um Homem com sua Alma, um texto surpreendentemente introspectivo. Nele, um homem debate com sua própria alma sobre o sofrimento e o desejo de morrer — um registro raro da angústia existencial na Antiguidade.

Os ensinamentos morais também ocupavam lugar central. As Instruções de Ptahhotep, datadas do final do Antigo Império (c. 2400 a.C.), apresentam conselhos sobre humildade, justiça e autocontrole, valores essenciais para manter a maat — o princípio de ordem e equilíbrio cósmico.

Já no período do Novo Império (c. 1550–1070 a.C.), encontramos textos mitológicos como A Contenda entre Hórus e Seth, que relata a disputa divina pelo trono do Egito. Essa narrativa não apenas entreteve gerações, mas também reforçou a legitimidade política e religiosa do faraó como representante de Hórus na Terra.

E não podemos esquecer os textos funerários, como o Livro dos Mortos, que guiava o falecido na jornada pelo além, demonstrando a profunda preocupação egípcia com a vida após a morte.

Essas obras mostram que o Egito Antigo foi muito mais do que uma civilização de monumentos colossais. Foi também uma cultura que refletia sobre ética, destino, sofrimento, política e transcendência. Seus escribas preservaram em papiros aquilo que a pedra não podia expressar: sentimentos, dúvidas e esperanças humanas.

Ao estudarmos esses textos, percebemos que, apesar da distância de milênios, as inquietações egípcias continuam surpreendentemente atuais. Eles nos ensinam que a verdadeira grandeza de uma civilização não está apenas em suas construções, mas na profundidade de seus pensamentos.

📚 Fontes:

LICHTHEIM, Miriam. Ancient Egyptian Literature, Vols. I–III. University of California Press, 1973–1980.

PARKINSON, R. B. The Tale of Sinuhe and Other Ancient Egyptian Poems. Oxford University Press, 1997.

ALLEN, James P. Middle Egyptian Literature: Eight Literary Works of the Middle Kingdom. Cambridge University Press, 2015.

ASSMANN, Jan. Death and Salvation in Ancient Egypt. Cornell University Press, 2005.



março 04, 2026

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO - Kennyo Ismail



"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma daquelas obras que mudaram o mundo. Só que pra pior. Não surgiu do nada, mas algo desenvolvido com base em jornais antissemitas do final do século XIX, plagiando elementos de outra obra, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", de Maurice Joly (1829-1878).

Trata-se de uma adaptação do romance histórico e ficcional "Biarritz" (1868), de Hermann Goedsche, jornalista alemão antissemita, que também odiava a Inglaterra e a Democracia, e falsificava documentos para incriminar lideranças democráticas (217).

Em resumo, a obra relata uma conspiração judaico-maçônica para dominar o mundo. Ela foi publicada no jornal Znamya, de São Petersburgo, Rússia, entre agosto e setembro de 1903. A versão russa teria sido elaborada por Sergei Nilus.

Essa publicação não seria a única em solo russo e a obra serviria de referência para que a Maçonaria russa fosse fechada, no princípio da revolução bolchevique, em 1922.

Naquela década de 20, muitos jornais sérios da Europa e dos Estados Unidos denunciaram a fraude da obra, apontando os plágios e inconsistências da teoria apresentada, em vão. Pessoas e até editores antissemitas já se nutriam da obra. Como poderia ser mentira, se eles concordavam e apreciavam cada palavra?

Na mesma época, a obra já havia sido incorporada entre as referências bibliográficas nazistas, na Alemanha, o que levaria, na década seguinte, ao fechamento das potências, prisão de maçons em campos de concentração, saqueamento das lojas e surgimento de propaganda antimaçônica, incluindo filmes, na Alemanha Nazista (219).

E no Brasil de Getúlio Vargas, não seria diferente. Gustavo Barroso, então Presidente da Academia Brasileira de Letras e líder intelectual da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que crescia no país, tratou de traduzir e publicar a obra. A partir dela, o chefe da milícia integralista, Mourão Filho, desenvolveu o Plano Cohen, usado por militares integralistas para ordenar o fechamento da Maçonaria brasileira e instaurar a Ditadura Varguista, em novembro de 1937. A fraude somente seria revelada em 1945 (220).

Assim, seja na Rússia, na Europa Continental ou no Brasil, essa obra fictícia foi usada para enganar a população, perseguir inocentes, ferir a Democracia e atacar a Maçonaria. Ela ainda é publicada e comercializada em vários países, como Brasil e EUA, especialmente em países árabes, desde a criação do moderno Estado de Israel.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(211) COOPER, R. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry. London: Lewis Masonic, 2011.

(218) Idem, Ibidem.

(219) KARG, B.; YOUNG, J. K. O Livro Completo dos Maçons. São Paulo: Madras, 2012.

(220) ISMAIL, K. Maçonaria Brasileira: a história ocultada - Vol. I. Brasília: No Esquadro, 2021.

(221) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 81.

Fonte: *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*