abril 05, 2026

ENTRE A JUSTIÇA E A CONVENIÊNCIA:...- Hélio P. Leie



ENTRE A JUSTIÇA E A CONVENIÊNCIA:  O GESTO DE PILATOS QUE ECOA NA HISTÓRIA

O julgamento de Jesus Cristo permanece como um dos episódios mais emblemáticos da civilização ocidental. No centro da narrativa está a figura de Pôncio Pilatos, cuja atitude – simbolizada pelo gesto de “lavar as mãos – atravessou os séculos como um poderoso símbolo de omissão diante da injustiça.

Relatado no Evangelho de Mateus, o episódio apresenta um governador que, apesar de declarar não encontrar culpa no acusado, cede à pressão popular e autoriza a crucificação. O gesto ritual de lavar as mãos, diante da multidão, não apenas marcou a narrativa bíblica, como também ingressou no vocabulário universal como sinônimo de fuga de responsabilidade.

Mas teria sido esse um ato de covardia?

Sob a ótica religiosa, especialmente na tradição cristã, a resposta tende a ser afirmativa. Pilatos é frequentemente visto como um homem que, mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, preferiu preservar sua posição e evitar conflitos, sacrificando a justiça. Nesse sentido, sua atitude revela fragilidade moral diante da pressão coletiva.

Entretanto, o contexto histórico impõe nuances. Como representante do Império Romano na Judeia – uma província marcada por tensões políticas e religiosas – Pilatos tinha como missão primordial manter a ordem. Qualquer distúrbio, sobretudo durante a Páscoa judaica, poderia desencadear represálias severas por parte de Tibério. Assim, ceder á multidão pode ter sido menos uma escolha pessoal  e mais uma decisão estratégica para evitar uma possível insurreição.

Do ponto de vista jurídico, porém, a atitude permanece controversa. Investido de autoridade para julgar, Pilatos opta para transferir a responsabilidade à massa, abrindo mão de seu dever institucional. Tal postura levanta um dilema que atravessa os tempos: até que ponto a manutenção da ordem pode justificar a renúncia à justiça?

Mas do que um personagem histórico, Pilatos tornou-se um arquétipo. Seu gesto transcende o episódio bíblico e se projeta na vida pública contemporânea, evocando situações em que líderes, diante de decisões difíceis, escolhem a conveniência  em detrimento da responsabilidade. 

A pergunta que ecoa, portanto, não se limita ao passado: quantas vezes, ainda hoje, mãos são lavadas diante da verdade?

Entre a prudência política e a omissão moral, o julgamento de Pilatos continua a desafiar consciências – lembrando que, em determinados momentos da história, não decidir também é uma forma de deci

Bibliografia de referência:

- Padeceu sob Pôncio Pilatos, Vittorio Messori

- Flávio Josefo – menciona Pilatos em Antiguidades Judaicas.

- Tácito – registra a execução de Jesus sob Pilatos

- Evangelhos – principais relatos narrativos

QUAL FOI O DIA E O ANO QUE JESUS MORREU?


Desde os primeiros séculos até a época atual, eminentes pesquisadores, teólogos, historiadores e cientistas de todo o mundo se debruçam sobre a história e a existência de Jesus. Considerando apenas os estudos mais sérios e profundos que são muitas centenas, 100% deles admitem que em algum tempo, no primeiro século de nossa era, existiu ou viveu no que hoje é a Palestina ou o estado de Israel, uma pessoa chamada Jesus. Não se sabe quem era de verdade, o que fez ou o que falou. Tradições guardaram recordações que foram registradas em muitas dezenas de documentos, a maioria tardios, escritos a partir do segundo século. Praticamente nenhum estudioso sério nega a existência desse personagem. Até estudiosos ateus e agnósticos, que tentaram "provar" a inexistência desse Jesus, acabaram concluindo que as "evidências" de sua existência são incontestáveis. Se o que está escrito na Bíblia ou nos Evangelhos é a verdade ou não, não se sabe. Pode ser que alguma coisa que se escreveu sobre esse Jesus sejam mito, lendas ou fantasias, mas a sua existência é incontestável.

Partindo da pressuposição de que Jesus existiu e que os Evangelhos, estão ou não certos sobre o que está escrito neles, todos relatam que ele começou a pregar quando tinha cerca de 30 anos. Quanto tempo durou sua pregação não se sabe, mas como no Evangelho de João são mencionadas três festas de Páscoa, estimava-se que sua vida pública tivesse durando 3 anos. Também se supunha que se o seu nascimento tivesse ocorrido no ano 1 a.C. e ele teria morrido no ano 33 d.C. com 33 anos. A data de sexta-feira, 3 abril de 33 d.C. era a preferido pelos antigos cristãos, partindo do pressuposto que Jesus tivesse nascido no ano 1 a.C. Entretanto o Evangelhos de Marcos, capítulo 3: 1, dize que João começou a pregar no 15º ano do reinado de Tibério, que corresponderia ao ano 28 d.C., e Jesus logo em seguida. 

 Entretanto sabemos que Herodes morreu no ano 4 a.C., e essa data está em documentos da antiguidade. Herodes foi uma personagem histórica incontestável. Segundo a Bíblia, Jesus ter nascido mais de um ano antes da morte de Herodes. Isso determinaria o nascimento de Jesus por volta do ano 6 ou 5 a.C. Então, se Jesus tivesse sido executado no ano 33 d.C., teria morrido com 39 ou perto dos 40 anos, o que contraria os próprios Evangelhos.

O Evangelho de João, afirma que o julgamento de Jesus ocorreu um dia antes da Páscoa (João 18: 28 e 19: 14), e coloca a crucificação em 14 de Nisan. O problema a ser resolvido é determinar em qual dos anos do governo de Pôncio Pilatos (26-36 d.C.), o dia 14 e Nisan caiu em uma sexta-feira. 

Como João afirma que Jesus morreu um dia antes da Pascoa dos judeus que é comemorado no dia caiu 15 de Nissan, e no calendário hebreu essa data é móvel e cada ano a Páscoa judaica cai em um dia da semana diferente do calendário gregoriano utilizado atualmente. Considerando que durante o governo de Poncio Pilatos, os únicos anos em que 15 de Nissan, caiu em um sábado foram nos anos 27, 30 e 33 d.C. Em todos os demais anos, 14 Nisan ocorreu em outros dias da semana.

Considerando que no ano 27, Jesus ainda não tinha iniciado sua vida pública, de acordo com Humphreys e Waddington, o calendário judaico lunar deixa apenas duas datas plausíveis dentro do governo de Pôncio Pilatos para a morte de Jesus, quando em ambas 14 Nisan teria ocorrido numa sexta feita conforme especificado no Evangelho de João: sexta-feira 07 de abril 30 d.C. ou sexta-feira 03 de abril de 33 d.C. A absoluta maioria dos pesquisadores, tanto judeus, cristãos, agnósticos ou ateus, concordam que a data mais plausível para a morte de Jesus tenha sido no dia 14 de Nissan, uma sexta-feira, no ano 30 d.C. 

Todos os quatro Evangelhos concordam que Jesus morreu algumas horas antes do início do sábado judaico, ou seja, ele morreu por volta 9ª hora (15 horas da tarde) em uma sexta-feira (Mateus 27: 62 e 28: 1, Marcos 15: 42, Lucas 23: 54, João 19: 31,42), tendo sido sepultado antes do anoitecer. É sabido que o dia judaico começa ao anoitecer logo depois que sejam vistas as três primeiras estrelas no céu. Como no dia seguinte seria o Dia da Páscoa dos judeus e ninguém poderia ficar insepulto, o sepultamento foi feito às pressas. 

Hoje é um consenso geral de que Jesus nasceu no reinado de Herodes o Grande que morreu um pouco antes da Páscoa do ano 4 a.C. Jesus teria nascido entre os anos 7 a 5 a.C. Então seria mais plausível ter iniciado a sua pregação com perto de 30 anos depois do ano 27 d.C. Se tivesse morrido no ano 33 d.C., teria ao morrer cerca de 39 anos com mais de 6 anos de vida pública. Isso vai contra a tradição que afirma que Jesus teve uma vida pública de pouco mais de 2 anos, segundo João e que morreu com 33 anos ou um pouco mais. 

Baseado nisso o ano 33 d.C., para a morte de Jesus está descartada e os modernos estudiosos preferem, em sua absoluta maioria, colocar a data da morte de Jesus no ano 30, no dia 14 de Nissan, que corresponde ao nosso 7 de abril, data que consideram como a mais coerente com as narrações dos quatro evangelhos. Entretanto isso não é consenso e alguns, não muitos, ainda prefiram a data de 3 de abril do ano 33. 

Também há discordância com a data do nascimento de Jesus no tempo de Herodes, que morreu antes da Páscoa do ano 4 a.C., e com o início da pregação de João que ocorreu no 15º ano do reinado de Augusto, que corresponderia ao ano 27 ou 28 de nossa era. 

Essas várias divergências cujos dados parecem não combinar entre si e seguindo os próprios evangelhos que dizem que Jesus nasceu no tempo de Herodes, todos os estudiosos colocam o nascimento de Jesus entre os anos 7 e 5 a.C. 

O início da pregação de Jesus por volta do ano 27 ou 28 d.C., e sua morte no ano 30 a.C., são os dados que mais se aproximam com os textos bíblicos. Como o dia 14 de Nissan em uma sexta-feira aconteceu no dia 7 de abril do ano 30, essa é a data mais provável e atualmente a mais aceita para datar a morte de Jesus. E isso já é um consenso quase absoluta entre a maioria dos estudiosos do Jesus Histórico.

Fonte: Internet

PASSAGEM e TRAVESSIA - Newton Agrella

 


No universo semântico das palavras, determinados termos que expressam um significado singular como PESSACH e PÁSCOA que querem dizer "PASSAGEM", na sua essência  "alegórica", isto é, como figuras de linguagem, denotam relações distintas.

O termo hebraico *PESSACH* - que se comemora de Hoje para Amanhã -  na cultura  judaica diz respeito  à saída do Egito, liderada por Moisés, após cerca de 400 anos de escravidão, representado pela travessia do Mar Vermelho rumo à Terra Prometida, bem como uma referência a uma das pragas do Egito, quando o anjo da morte passou pela Terra levando os primogênitos egípcios e poupando os judeus, que marcaram as portas de suas casas com sangue de um cordeiro macho e sem defeito.

Por outro lado, a  *"PÁSCOA"* na cultura cristã é marcada pela figura exponencial de Jesus Cristo, reconhecido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus, que foi morto para salvar e libertar a humanidade do pecado. 

O significado alegórico é o da  passagem da morte para a vida quando ressuscitou ao terceiro dia, durante o Pessach.

A História explica e revela o surgimento do Cristianismo a partir do Judaísmo.

Os conceitos e idéias que revelam suas identidades se manifestam sob uma gama de diferentes proposituras dialéticas.  Porém inúmeros e inquestionáveis traços comuns se exteriorizam após detidas análises e estudos na sua coexistência.

PESSACH e PÁSCOA são águas da mesma nascente, mas que se tornaram rios que percorrem trajetos com suas próprias características. Cada um deles segue seu percurso geográfico, mas são cultuados em momentos muito próximos um do outro.

Jamais porém, deixarão de se identificarem como passagens ou travessias a que o ser humano se submete no curso da vida.

Sempre oportuno registrar que a MAÇONARIA carrega no seu arcabouço uma vasta quantidade de exemplos e referências históricas, místicas, lendárias e religiosas que dão sustentação à SIMBOLOGIA como a ciência base da Sublime Ordem, sejam nos graus simbólicos ou nos seus graus superiores ou filosóficos.

No final das contas o que importa é que a Passagem seja límpida, fluida e plena de significado no interior de cada um de nós, livre de dogmas ou proselitismos, posto que somos  resultado de nossa consciência.

O MURO DA PÁSCOA - Adilson Zotovici

 




Espírito desarmado

À fraternal celebração

Como tal JESUS Amado

Em seu calvário e redenção


É o momento adequado

Em verdade à introspecção

Nesse evento consagrado

De Fecundidade ao perdão


Com amor puro esquadrejado

Nivelado com o coração

Gradação de muro aprumado


Do canteiro a revelação

Ao Livre pedreiro empenhado

Que a Páscoa...é renovação !




POR QUE SE CHAMA "LOJA MAÇÔNICA"? - Kennyo Ismail



Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”?

 Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas! Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado.

 Vejamos: “Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.

 Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, “lodge”, significa cabana, casa rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário. Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou “shop”. 

Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode designar galeria de arte ou mesmo varanda. Os termos corretos para um estabelecimento comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”. 

Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e “comercio”.

 Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.

 Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana, espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial. Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos. Essas simples edificações que abrigam os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge, lodge, loggia, logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.

 A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim “alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.

À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas, podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja” é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em substituição às outras palavras que servem a esse fim. 

Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas Simbólicas de hoje.

abril 04, 2026

SEGUNDO PESSOA - Cesar Augusto Garcia


 

PROFESSA UMA CRENÇA NUM SER SUPREMO? - Jaime Lamb (Tradução de António Jorge)




É uma avaliação justa dizer que, nos tempos modernos, tem havido uma tendência cada vez mais popular para a secularização. 

No Ocidente, particularmente, um êxodo em massa da fé abraâmica e outras religiões monoteístas está em andamento há algum tempo. 

Por exemplo, uma recente pesquisa da Gallup mostrou que o número de americanos que se identificam como cristãos diminuiu de 80,1% para 75% entre os anos de 2008 e 2015. 

Atualmente, 21,3% dos americanos declaram não haver filiação religiosa. 

Tendências sociológicas deste tipo tendem a progredir exponencialmente; ou seja, podemos presumir que esta tendência não só continuará, mas fá-lo-á a uma taxa crescente de velocidade.

Tendo isto em mente, voltamos a nossa atenção para uma certa cláusula nos Landmarks maçónicos; ou seja, que *o candidato à Maçonaria deve professar uma crença num Ser Supremo.*

Como estes Marcos são um pouco maleáveis ​​no nível da Grande Loja de cada jurisdição, concentrar-nos-emos na redacção da questão como proposta ao candidato no estado de Connecticut:

•  “declara solenemente, na presença destas testemunhas, que é um crente firme na existência de um Ser Supremo?” [Ritual Oficial da Grande Loja de Connecticut AF & A.M., 2010] 

É importante notar que nunca se pergunta ao candidato se ele acredita em Yahweh, Jesus, Allah, Mithras, Buddha, e outros, nem jamais deveria ser assunto de um Maçom questionar o candidato para além de uma resposta afirmativa à questão proposta. 

Nem o candidato nem o Irmão são solicitados a elucidar ou esclarecer os detalhes da sua filosofia religiosa. 

De facto, a propósito do costume comum de que a discussão sobre religião ou política é desaprovada em Loja aberta, ele é ativamente admoestado a guardar essa informação para si mesmo, preservando assim a harmonia da Loja ao não introduzir um assunto potencialmente propenso a causar divisões.

A formulação da questão proposta ao candidato é muito concreta – é-lhe perguntado se acredita num Ser Supremo. 

Antes de prosseguirmos, peço ao leitor que reflita sobre as seguintes entradas do dicionário:

*SU·PRE·MO* |ê| (latim supremus, -a, -um) adjectivo 1. Superior a tudo. = SUMO; 2. Mais importante. = PRINCIPAL; 3. Que atingiu o limite ou grau mais alto. = EXTREMO, MÁXIMO, SUMO; 4. Último e mais solene. 5. Relativo a Deus. = CELESTE, DIVINO

• *SER* |ê| – substantivo masculino, 1. Aquilo que é, que existe. = ENTE; 2. O ente humano; 3. Existência, vida; 4. O organismo, a pessoa física e moral; 5. Forma, figura.

O leitor notará o amplo leque de possíveis interpretações produzidas pela combinação destas duas palavras. 

Observe também que não há dados aqui que sejam particularmente indicativos de uma entidade criadora transcendental residente num reino etéreo, por exemplo – embora essa seja uma interpretação tão válida como qualquer outra. 

Certamente não há implicações inerentes que perturbem as sensibilidades da sua era deísta típica do Iluminismo, como as que foram contadas entre os nossos Irmãos durante o desenvolvimento da Arte.

Além disto, uma crença num Ser Supremo – mesmo como um conceito teosófico interpretado pelo indivíduo, intelectualmente, e baseado no nível atual da sua compreensão cosmológica e escatológica racional – exclui quaisquer acusações de ateísmo, mantendo assim a cláusula seguinte das Old Charges: 

• “Um Maçon é obrigado pelo seu mandato a obedecer à lei moral; e se ele entender correctamente a Arte Real, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso. ”[ Charges of a Freemason, Grand Lodge of England, 1722]. 

Se a universalidade e a inclusão da Maçonaria em assuntos religiosos não eram o caso, os nossos antepassados deístas, quase gnósticos e joaninos podem ter tido dificuldade em cumprir os padrões de admissão na nossa nobre Arte. 

Isto sem mencionar muitos outros homens bons e dignos, bem recomendados, nesta era moderna e cada vez mais secular.


CORREGULAÇÃO MAÇÔNICA - Sérgio Quirino e Jair Duarte




Em várias Potências Maçônicas brasileiras, este ano haverá a troca de gestão nas Lojas Simbólicas. Nessa temática, temos avançado no discernimento de que a Loja deve “funcionar organicamente”, que ela não tem dono, não depende de dois ou três membros e quão infantil é a formação de “panelinhas”.

Decerto, ainda encontramos essas aberrações em algumas Augustas e Respeitáveis Lojas, porém não configuram mais a maioria.

Estamos nos conscientizando de que as Lojas devem passar por um processo de SUCESSÃO ADMINISTRATIVA, e não por um projeto ELEITORAL DE COMANDO. Portanto, fiquemos atentos quando os primeiros sinais dessa profanação aparecerem.

Podemos declarar que é, sim, uma profanação, porque os argumentos de interesse pessoal (eu) confrontam-se com as diretrizes coletivas (nós). O ápice do vexame, contudo, tanto maçônica quanto profanamente, consiste em algum “Irmão” acionar a justiça comum, a fim de que um não iniciado (juiz) estabeleça a “ordem” dentro da Ordem. 

ASSUNTOS MAÇÔNICOS DEVEM SER TRATADOS ESTRITAMENTE POR MAÇONS.

Relembrando o 13º Landmark: “O direito de cada Maçom de apelar das decisões de seus Irmãos em Loja aberta à Grande Loja ou Assembleia Geral dos Maçons”.

Dessa forma, isso justificaria a expulsão do Irmão impetrante da ação, em virtude do não cumprimento dos juramentos prestados.

Nesse caso, tratamos de uma situação extrema. Todavia, o comum é haver um “clima quente” ou “ambiente pesado” no período que antecede a troca de gestão. É, então, que entra em cena a Corregulação Maçônica.

A corregulação é um processo biológico e emocional no qual uma pessoa procura estabilizar outra. Em nosso caso, é quando um Irmão mais calmo/tranquilo propõe-se a lembrar a todos de que estamos juntos para vencer nossas paixões/desejos, submeter nossa vontade/ambição e fazer/trazer novos progressos/futuro na/para a Maçonaria/Loja.

Assim, esse período pode representar uma oportunidade de crescimento e conhecimento do que seja, de fato, a Loja como grupo e os Irmãos como indivíduos.

A MAÇONARIA NÃO É VIDA, É LABORATÓRIO PARA APRENDER A VIVER.

Sendo assim, é o momento ideal para que, sem sofismo, equívocos ou reservas mentais, possamos intercambiar ideias e posições sobre quem, por determinado período, será o “Mestre da Obra” (Venerável Mestre). Para tanto, sugerimos cinco pontos para a perfeição da atividade:

1. Segurança na exposição da diferença positiva entre sucessão e eleição.

2. Participação de Mestres Instalados calmos, e não reativos.

3. Parcimônia nas palavras e consciência de que nem toda ação necessita de uma reação.

4. Compreensão da insatisfação por parte de Irmãos, que devem receber todo o acolhimento fraternal que merecem.

5. Compartilhamento das experiências semelhantes passadas e o registro do progresso para os futuros pleitos.

Se a Loja está em consenso: “Graças te rendemos GADU.....”, mas se houver algum entrave, não podemos permitir segregações, abandonos e cisões. O poder é temporal e efêmero. Tudo passa mais rápido do que imaginamos, e nossa obrigação como correguladores é sermos o “orvalho de Hermon”. 

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

 


NÃO HÁ SORTE - Adilson Zotovici




Não é sorte estar sob o dossel !

Obreiro, desde iniciado

No canteiro tem desbastado

De aporte o maço e cinzel


Pronto, junto ao trono assentado

Ao que tem estudado fiel

O esquadro, a régua, o cordel...

E até ali então chegado


"Não há acaso", nem sempre mel

Cargo ao homem determinado

Que enfrente o amargo ou uma Babel


O Momento é oportunizado

E cônscio investe no papel

O Livre pedreiro "preparado" !



ESQUIZOFRENIA - Jean van Win


            

            A palavra esquizofrenia, do grego schizein (divisão) e phrèn (mente), descreve uma separação entre a mente e a realidade. Observo há tempos que os maçons com quem convivo parecem incorporar exatamente essa dualidade, transitando entre dois mundos. No bar, momentos antes, usamos o tratamento informal; dentro do templo, o tratamento formal predomina. Recriamos o mundo pelo poder do ritual, estabelecendo uma realidade convencional onde tudo possui um significado oculto. Dizemos que é meio-dia quando são 20h30, e qualquer desvio das regras desse "outro mundo" é imediatamente percebido como uma violação inaceitável.

            Nessa passagem, deixamos para trás o mundo profano e ingressamos em um tempo e espaço onde os símbolos e a liturgia nos conduzem por uma experiência única. Não se trata de mera fantasia: nada é mais sério do que brincar, como quando crianças decidem quem serão os índios e os caubóis, estabelecendo valores e comportamentos levados a sério. Estamos, literalmente, brincando de construir um Templo, vivenciando uma metáfora bíblica que desperta em nós uma consciência progressiva do nosso ser moral.

            No cerne desse mito está um pensamento conceitual indefinível, que muitos maçons chamam de Grande Arquiteto do Universo. Não se trata de defini-lo ou identifica-lo com qualquer divindade estabelecida, cada um tem o direito de ver as coisas à sua maneira. Na pequena vila de Court Saint Étienne, na Bélgica, há um mausoléu que traz gravados os símbolos de todas as religiões e filosofias do mundo. Em sua porta de bronze, o emblema dos Rosacruzes antecede um belo quarteto do poeta Emerson: "De dentro ou de trás, uma Luz brilha através de nós sobre as coisas; Ela nos faz perceber que não somos nada além da Luz." De dentro ou de fora? Nenhuma explicação imanentista nem transcendental. Emerson nos deixa à nossa esquizofrenia e à responsabilidade de nossa resposta individual.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA Por Luciano J. A. Urpia

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PALESTRA "RAZÃO" - Michael Winetzki

 Palestra de Michael Winetzki realizada na 

ARLSV LUZ E CONHECIMENTO em 17/3/2024




QUER TOMAR UM CAFÉ COMIGO? - Michael Winetzki

 


Este blog teve início no dia 20 de setembro de 2011. Aproveitei um blog pessoal que já existia para dar início ao compartilhamento dos melhores trabalhos que eu recebia nos grupos maçônicos, e não só maçonaria, mas história, filosofia, ciência, arte, cultura, etc.

          Desde então foram mais de 4.270 excelentes textos, mais uma centena de autores, 862.000 acessos até o dia de hoje e bem mais de 2.000 horas de trabalho para proporcionar este conhecimento aos interessados.

         É um grande prazer fazer este blog e na medida de minhas forças continuarei a faze-lo. Mas dá trabalho e algumas despesas.

         Assim, não há obrigação nenhuma. Ele sempre será gratis, mas se você curte a minha companhia, ainda que virtual, quem sabe pode pagar um cafezinho. Apenas um café, que tenho certeza, ofereceria com alegria se nos encontrássemos ao vivo.

        Deposite, se quiser, o valor de um café, R$ 10,00 ou quanto quiser ou puder no Pix de Michael Winetzki, na Caixa Econômica Federal, chave tel. cel. 61981995133. Não precisa se identificar, não precisa enviar comprovante, não precisa fazer nada. E nem tem obrigação de depositar nada. 

       Encaro apenas como cortesia de algum leitor que agradece pelo trabalho que me dá lhe proporcionar o prazer destas leituras.

       Um caloroso TFA

abril 03, 2026

SEXTA-FEIRA SANTA - Adilson Zotovici

 




Caminham alguns à exaustão 

Entre outros vários sacrifícios

Por amor, por tradição,

Encarando até como ofícios 

Todos emotivos, por única razão 


Vê-se nos sagrados edifícios

Sacerdotes silentes em oração

Com amigos, familiares, patrícios,

Fiéis cristãos, em adoração,

Vivendo momentos propícios 


Lá fora é organizada a procissão

Muitas velas a iluminar o caminho

Onde o povo em peregrinação

Segue orando com fé, baixinho,

A “ JESUS “, após sua crucificação 


E a dor aguda de cada espinho,

Sentida pelos fiéis feito expiação,

Para mostrar a ELE, todo carinho

Todo respeito e veneração

Pela salvação da humanidade, sozinho 


É sexta-feira da Paixão !!!

Pela intolerância julgado,

Com arrogância, sem compaixão,

Morto e então sepultado,

A caminho da Ressurreição!