março 19, 2026

VESTAIS, GUARDIÃS DA CHAMA ETERNA -Abel Tolentino

 



VESTALES: CUSTODES FLAMMMAE AETERNAE

Por que esse título é simbólico?

Na Roma Antiga, a tradução carrega camadas de significado que iam além das palavras:

Custodes (Guardiãs): Não eram apenas funcionárias; elas eram as protetoras da alma da cidade. Se a chama se apagasse, acreditava-se que a proteção da deusa Vesta sobre Roma havia cessado, o que causava pânico na população.

Flammae Aeternae (Chama Eterna): O fogo no Templo de Vesta nunca deveria ser extinto. Ele representava a continuidade do Estado Romano e o "fogo doméstico" que unia todos os cidadãos como uma grande família.

Aeternae (Eterna): Reflete a própria ambição de Roma em ser a Roma Aeterna (Roma Eterna).

Um toque de história

Curiosamente, a chama só era apagada e reacendida ritualmente uma vez por ano: no Ano Novo Romano (1º de março). No resto do tempo, qualquer interrupção era vista como um presságio de desastre iminente.

E AGORA JOSÉ ? (hoje é seu dia) - Newton Agrella


Aos "Josés" cristãos, judeus ou de qualquer outra denominação religiosa no mundo, o que vale é que hoje, 19 de Março, este dia é seu !

O nome José em Português é a transliteração de YOUSEF em Hebraico, cujo significado é : "aquele que acrescenta”, fazendo uma referência a Deus. 

Interessante destacar que relatos históricos dão conta de que no início este nome era popular somente entre os judeus. 

Porém no começo da Idade Media, e em especial no continente europeu, o referido nome começou a tornar,se mais frequente entre os cristãos especialmente na Espanha e na Itália em homenagem a São José.

Na Inglaterra, o nome começou a se popularizar após a Reforma Protestante, assim como na Alemanha e Holanda.

A História ainda revela que o nome José começou a se tornar mais comum em Portugal em documentos datados da primeira metade do século XVI, na forma transliterada "Joseph".

O nome em si, sempre esteve intimamente relacionado a um preceito divinal, em razão de seu significado.

Relatos bíblicos, dão conta de alguns personagens de destaque,  fazendo referência no Antigo Testamento a José do Egito, como o décimo primeiro filho de Jacó e Raquel.

No  Novo Testamento cita-se José de Nazaré, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus.

Posteriormente, reverenciado pela Igreja Católica como São José, declarado em 1870 pelo papa Pio IX como o patrono da igreja universal.

E outro José de destaque é José de Arimatéia, um dos discípulos de Jesus.

José ainda ancora o nome de inúmeros santos no catolicismo, via de regra como um agente toponímico, ou seja; fazendo referência ao nome de seus locais de respectivas origens.

As transliterações do nome Yousef em hebraico, ganharam as seguintes formas mais conhecidas:  Giuseppe, em italiano, Joseph, em inglês, Jose em espanhol e José em português.

Sob a égide da interpretação semântica e muito mais sob o ponto de vista das emoções humanas tracos gerais do nome José ensejam as seguintes características: uma personalidade firme, uma pessoa que tem "os pés no chão", resiliente, incansável e que precisa se esforçar mais que os outros para conseguir o merecido reconhecimento.

Eis portanto, uma breve amostra do significado, da etimologia e do universo circunstante, que revelam características atinentes aos inúmeros Josés que compartilham de sua existência  mundo afora.

A própria Bíblia, e o Antigo Dicionário de Nomes Próprios, são fontes de pesquisa e apoio que serviram com base para a elaboração deste sucinto texto.

UM PADRE MAÇOM, DOMENICO ANGHERÀ - Luciano J. A. Urpia


 Domenico Angherà (1803-1873) foi uma das personagens mais controversas entre a Igreja e a Maçonaria italiana (na época da Unificação da Itália). Era abade beneditino, arcipreste católico e, simultaneamente, patriota radical e maçom. Sua vida foi um exercício de conciliação entre a batina e o avental, a paróquia e a Loja, a Teologia e a Revolução.

Sua trajetória maçônica começou após envolver-se na Insurreição de 1847 que o obrigou a se exilar em Malta. Iniciado na Maçonaria na Sicília, no exílio colaborou com o patriota Nicola Fabrizi. De volta à Itália em 1860, fundou a Loja "Sebezia" e tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente de Nápoles, expandindo sua Obediência de 23 para mais de 50 Lojas, inclusive no Egito. Vestia paramentos maçônicos sobre a batina e desenvolveu uma teologia própria: reinterpretou a Trindade como "Ar, Água e Fogo" e o INRI cristão como "Igne Natura Renovatur Integra" (Pelo fogo, a Natureza se renova por completo).

Sua posição era tão singular que chegou a lançar um comunicado maçônico contra o Grande Oriente de Roma, assinando como representante legítimo da Maçonaria napolitana. Em sua villa em Sant'Elmo, recebia visitantes do mundo inteiro em um verdadeiro "bazar" maçônico, onde vendia patentes, diplomas e publicações. Acusado de lucrar com iniciações, foi expulso da Ordem, após um processo que revelou a arrecadação de 140 mil liras. Morreu aos 70 anos, deixando a imagem de "maçom controverso" da Maçonaria italiana.

Fonte:#curiosidadesdamaconaria #curiosidadesmaconicas #maconaria

AS BIZARRICES DA IDADE MÉDIA - Fagner Oliveira


 






Ah, a Idade Média! Um período tão fascinante quanto bizarro, onde a humanidade parecia estar em um experimento social que deu errado, mas ninguém teve a coragem de apertar o botão de "reset". Vamos mergulhar nesse caldeirão de curiosidades, costumes estranhos e hábitos que fazem você agradecer por ter nascido no século XXI. Preparem-se, porque esse texto vai ser "eita" atras de "eita".

A Nobreza: Ser chique era não ter a mínima noção de higiene.

Vamos começar pela elite, a nobreza. Esses caras eram o equivalente medieval aos influencers de hoje, só que nada de filtros e mais... bem, sujeira. Banho? Nah, isso era coisa de plebeu, não... também não era.

Acreditava-se que a água abria os poros e deixava o corpo vulnerável a doenças (sim, a lógica medieval era um negócio meio "Alice no País das Maravilhas"... Embora certas coisas nunca mudam) Então, os nobres preferiam perfumes fortes e roupas caríssimas para disfarçar o cheiro de "humano medieval". Imagina o fedor em um baile real? E ainda tinham a cara de pau de chamar isso de sofisticação.

Ah, e não podemos esquecer dos banquetes! Comer até explodir era um esporte nobre. Eles adoravam exibir suas riquezas com pratos absurdos, como cisnes recheados com faisões, que por sua vez eram recheados com perdizes. Tudo isso regado a litros de vinho e cerveja, porque água? Só se fosse benta e na testa.

O Clero: Santidade e Pecados... Criativos.

Agora, vamos falar da turma da batina. O clero medieval era uma mistura de santidade e hipocrisia, com um toque de criatividade para justificar os pecados. Os padres e bispos viviam pregando a moderação, mas muitos deles tinham uma queda por banquetes, vinho e, claro, "companhia" noturna(🫦). E não estou falando de rezar o terço.

Um dos costumes mais bizarros era a venda de indulgências. Basicamente, você podia comprar o seu lugar no céu. Roubou? Matou? Traiu? Tudo bem, basta pagar uma taxa para a Igreja e seus pecados eram perdoados. Era tipo um "plano de assinatura" para a salvação eterna. Conveniente, não?

E não podemos esquecer das relíquias sagradas. Acreditava-se que objetos como ossos de santos, pedaços da cruz de Cristo e até fios de cabelo de Maria tinham poderes milagrosos. Só que, curiosamente, havia tantos pedaços da "verdadeira cruz" espalhados pela Europa que, se juntassem todos, daria para construir uma catedral. Coincidência? Acho que não.

Os Camponeses ou melhor, sobreviventes.

Agora, vamos para a base da pirâmide social: os camponeses. Esses coitados viviam uma vida de trabalho duro, fome e... bem, mais trabalho duro. A dieta básica era pão (duro como uma pedra), cerveja fraca (sim, até as crianças bebiam) e, se tivessem sorte, um nabo ou dois. Carne? Só se o senhor feudal estivesse de bom humor.

E a higiene? Nem pense nisso. Banho era um luxo raro, e a maioria das pessoas vivia em casas de madeira e barro, compartilhando o espaço com animais. Imagina o cheiro de "casa medieval": uma mistura de suor, estrume e esperança perdida.

Ah, e os camponeses tinham uma relação peculiar com a justiça. Se alguém cometesse um crime, a solução era muitas vezes o "julgamento por ordálio". Basicamente, o acusado era submetido a uma prova dolorosa, como segurar uma barra de ferro em brasa. Se a ferida cicatrizasse, era inocente. Se infeccionasse, bem... azar o seu. Era tipo um "Deus decide", mas com um toque de sadismo bem, bem, beeeem humano.

As Mulheres: Beleza e/ou Tortura Estética.

E as mulheres? Ah, elas tinham seus próprios desafios bizarros. A beleza medieval era uma coisa peculiar. Para ter uma pele pálida e "angelical", muitas mulheres usavam chumbo na maquiagem. Sim, chumbo. O resultado? Envenenamento lento e uma aparência cadavérica. Mas, ei, pelo menos estavam na moda!

E os cabelos? Rapar a testa para parecer mais inteligente (ou algo assim) era uma tendência. E os vestidos? Eram tão apertados que algumas mulheres desmaiavam de tanto sufoco. Era tipo um "corset ou morte", literalmente... um estilo noiva cadáver. 

De fato uma Época muito "PE-CU-LI-AR".

A Idade Média foi, sem dúvida, uma época de contrastes. De um lado, a nobreza vivendo em luxo e falta de higiene; do outro, os camponeses lutando para sobreviver em meio a absurdos cotidianos. O clero pregava a santidade, mas vivia em meio a escândalos e hipocrisia. E as mulheres? Bem, elas sofriam em nome da beleza, como sempre.

Mas, apesar de todos os absurdos, a Idade Média nos deixou um legado fascinante. Foi um período de transformações, invenções e, claro, muita bizarrice. Então, da próxima vez que você reclamar da vida moderna, lembre-se: pelo menos você não precisa segurar uma barra de ferro em brasa para provar sua inocência. Ou pior, usar chumbo no rosto.

Confesso que no período da pandemia, eu vivi minha própria idade Média. Morava próximo de uma igreja. Os sinos tocavam a cada hora, a peste comendo solta... é foi um pouco mais "soft"... mas deu pra sentir um gostinho, mesmo que mais higiênico e tecnológico.

E aí, gostaram do tour pela Idade Média? Se sim, compartilhem e deixem um comentário. Se não, bem... eu entendo. Afinal, nem todo mundo tem estômago para tanto absurdo histórico. Até a próxima!



março 18, 2026

18 DE MARÇO DE 1314



Há 712 anos, em Paris, Jacques de Molay foi conduzido à fogueira. Não como criminoso, mas como homem que se recusou a morrer mentindo. Durante sete anos de prisão, sob tortura, sob ameaças e sob o peso de uma condenação fabricada por Filipe IV da França e pelo papa Clemente V, ele assinou confissões que jamais corresponderam à verdade! E quando chegou o momento final, diante da multidão reunida na Île de la Cité, ele retratou cada confissão imposta pelo tormento.

Naquele instante, Jacques de Molay não era mais apenas um Grão-Mestre, era a voz de uma Ordem inteira que se recusava a ser sepultada na desonra. O fogo que consumiu seu corpo não apagou nada, irmãos! Apagou apenas a ilusão de quem acreditou que a verdade poderia ser queimada junto com a própria carne.

A perseguição aos Cavaleiros Templários não nasceu da heresia. Nasceu da cobiça de um Rei minúsculo, endividado e da covardia de um papa submisso. Contra eles, Molay opôs algo que nenhuma fogueira alcança:

A integridade absoluta de quem escolheu morrer em pé, a honra que nenhuma câmara de tortura conseguiu arrancar!

Que essa memória nos convoque, hoje, a não curvar o joelho diante do falso, a não comprar paz com traição à própria consciência! Non nobis, Domine.

✠ “Iustus autem meus ex fide vivit.” ✠

“O meu justo viverá pela fé.”

(Hebreus 10,38).



PADRE PIETRO PALAZZINI, JUSTO ENTRE AS NAÇÕES




Pietro Palazzini lavava pratos na cozinha do Vaticano quando os gritos atravessaram as paredes.

Era 16 de outubro de 1943. Roma, ocupada pelos nazis havia apenas cinco semanas, estava prestes a testemunhar um dos seus dias mais sombrios. Pietro correu até a janela — e o que viu jamais o abandonaria.

Camiões militares bloqueavam as ruas estreitas do bairro judeu. Soldados das SS arrastavam famílias para fora das casas. Crianças gritavam pelos pais enquanto eram empurradas para os veículos. Idosos tropeçavam com as mãos amarradas atrás das costas.

Mais de mil pessoas foram levadas naquela manhã.

Dois dias depois, os comboios partiram para Auschwitz concentration camp. Apenas dezasseis regressariam.

Mas Pietro não conseguia parar de pensar naqueles que tinham escapado. Nos que estavam escondidos. Nos que respiravam com medo dentro de uma cidade vigiada por botas e silêncio.

Naquela noite, ele tomou uma decisão que mudaria destinos.

O seminário, a poucas ruas da rusga, tinha paredes espessas, quartos vazios e algo raro naquela Roma ocupada: a proteção simbólica do Vaticano. Pietro começou em segredo, conversando com outros padres. Logo chegou a primeira família — exausta, faminta, desesperada.

Ele levou-os a um quarto no terceiro andar e disse:

“Aqui estão seguros.”

Mesmo sabendo que segurança, naquele tempo, era apenas uma esperança frágil.

Vieram mais famílias. Os Rosenberg. Os Cohen. Os Segre. Cada uma carregando medo, poucas malas e um passado que precisava desaparecer para sobreviver. O seminário transformou-se em refúgio clandestino. Quartos viraram lares improvisados. Depósitos tornaram-se cozinhas. Crianças aprenderam a brincar em silêncio.

Mas esconder não bastava. Era preciso dar-lhes novas identidades.

Pietro nunca tinha falsificado nada. Ainda assim, à luz de velas, estudou certificados de batismo e aprendeu a reproduzi-los com precisão. Apagava nomes. Inventava histórias. Criava vidas novas para salvar as antigas.

Os Rosenberg tornaram-se Romanos.

Sarah Cohen tornou-se Maria Colombo.

Cada documento era um risco mortal. Se descoberto, significaria prisão — ou execução.

O inverno chegou duro. A comida escasseava. O frio invadia os corredores de pedra. Bebês choravam abafados nos braços das mães. Febres espalhavam-se. O medo era constante.

Mas eles estavam vivos.

Em fevereiro, Pietro soube de uma rusga em San Lorenzo: doze famílias descobertas, deportadas. Homens que ele conhecia tinham tomado a mesma decisão que ele — e pagado o preço.

Naquela noite, o medo quase o quebrou. Pensou em desistir. Pensou em mandar todos embora antes que fosse tarde.

Então a pequena Sarah — agora Maria — entregou-lhe um desenho: o seminário, com duas palavras escritas abaixo.

“Casa Segura.”

Pietro guardaria esse papel pelo resto da vida.

Na primavera, a esperança começou a infiltrar-se nos corredores. As forças aliadas aproximavam-se. Pela primeira vez, as famílias sussurravam sobre o “depois”.

Em 4 de junho de 1944, tanques americanos entraram em Roma.

Pietro ficou à porta enquanto as famílias saíam para a luz do sol após oito meses de sombras. Houve lágrimas, abraços, promessas de memória eterna.

Trinta e sete pessoas entraram como fugitivas.

Saíram como sobreviventes.

Depois da guerra, Pietro voltou à rotina discreta: ensinar seminaristas, cumprir tarefas simples, viver sem alarde. Vieram promoções e, em 1973, foi nomeado cardeal pelo Pope Paul VI.

Ele raramente falava da guerra. Mesmo chamado de herói, permanecia silencioso, carregando memórias que não cabiam em palavras: passos no corredor, papéis escondidos no bolso, rostos que não chegaram a tempo.

Em 1985, Israel reconheceu-o como Justo entre as Nações. Encontrou sobreviventes que havia protegido — agora adultos, segurando filhos e netos, vidas inteiras nascidas de um ato de coragem.

“Só fiz o que qualquer pessoa deveria fazer”, disse.

Mas a verdade é outra.

A maioria não arrisca a vida por estranhos.

A maioria não transforma o próprio local de trabalho em refúgio.

A maioria não cria identidades novas enquanto o perigo ronda a porta.

Pietro Palazzini morreu em 2000, aos 88 anos, mais de meio século depois daquele dia em que os camiões avançaram para Auschwitz.

No seu funeral, não foram títulos que falaram mais alto. Foram famílias. Filhos e netos cujos nomes verdadeiros um dia tinham sido sussurrados atrás de portas fechadas.

Falaram de um jovem padre que escolheu coragem quando o silêncio era mais seguro. Que abriu a porta quando o mundo se fechava. Que salvou trinta e sete vidas — e todas as gerações que vieram depois.

Pietro nunca soube se tinha salvado o suficiente. Pensava muitas vezes nos que não chegaram.

Mas trinta e sete pessoas viveram.

E os filhos dessas pessoas viveram.

E os netos também.

Às vezes, a história não é feita por multidões.

É feita por alguém que escuta um grito, olha pela janela — e decide não virar o rosto.

Fonte: Facebook/Sobre literatura


A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E CONHECER-SE NA MAÇONARIA - Gilson Alves



Todos nós aqui passamos pelo Primeiro Grau.

Todos nós aqui ficamos ali, sentados em silêncio, aguçando nossos sentidos.

E se nos reportarmos ao mundo profano e, fazendo uma analogia com a Vida Maçônica, numa frase que muitos aqui já escutaram, enquanto alunos, quando um professor dizia: “ 

Façam silêncio; senão, não irão “pegar” o fio da meada”.

Em Maçonaria é a mesma coisa.

Achamos também que, quando somos convidados a ingressar nessa Nobre Arte Real, por sermos homens de bons costumes, não precisamos nos aprimorar, que não precisamos evoluir e por vezes, alguns dizem: 

“Queria ser como aquele Irmão! “ – referindo-se ao seu conhecimento em Maçonaria, mas não se esmera para tal.

Pois bem, um simples exercício pode fazer a diferença: Pensar.

O Ser humano distingue-se dos demais animais pela capacidade de processamento de informações através do ato de Pensar.

Pensar é formar idéias na mente, é imaginar, considerar ou descobrir.

O Filósofo René Descartes disse: 

“Com a palavra Pensar entendo tudo o que sucede em nós, de tal modo que o percebemos imediatamente por nós mesmos: portanto, não só entender, querer, imaginar, e sim também sentir é o mesmo que Pensar”. 

Pensar estabelece relações, as conceitua e encontra um significado para elas. 

Formar relações entre vários conceitos é julgar.

Estabelecer o significado de vários conceitos é raciocinar.

Assim o ato de Pensar implica três funções básicas: Conceituar; Julgar e Raciocinar.

O pensador mexicano Antônio Caso dizia: 

"Liberdade é pensamento. Pensamento é liberdade.

Na essência do pensar está a autonomia." 

Partindo dessa última definição de que na essência do Pensar está a autonomia, na Maçonaria o ato de pensar está diretamente ligado ao postulado da Liberdade. 

Liberdade para desenvolver seus conceitos a partir dos ensinamentos recebidos, porque somos livres e autônomos para falar e assumir posições, sem afastar-nos da Filosofia Maçônica e de seus princípios.

Filosoficamente, a Maçonaria mostra ao homem-maçom que ele tem um compromisso consigo mesmo, com o seu Pensar, o que fazer de sua própria existência. 

Pois, quando o homem prescinde de si mesmo, de seus deveres, quando o homem abre mão da sua liberdade, da quantificação do seu Eu; quando o homem esquece de si próprio, está a negar-se como Ser.

O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates. 

O grande pensador ensina ao Maçom-Aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a Pensar.

Aprendendo a Pensar aprende-se a conhecer, a discernir, a falar. 

Aprendendo a pensar encontraremos, sem dúvida, meios e modos que facilitam a busca, a procura, a investigação, o ponto de chegada.

Assim, nesse vai-e-vem do Pensar, nesse vai-e-vem da busca, o Aprendiz, introspectivamente, passará a conhecer-se melhor.

Conhecer é descobrir o Ser. Assim para o Aprendiz, o descobrimento do Ser é o auto conhecimento e deve levá-lo à introspecção, à análise da sua forma de vida antes da Iniciação. 

Estabelecendo a partir de então os limites entre o profano e o iniciado, corrigindo as eventuais falhas de construção de seu edifício, passando a Pensar e agir dentro dos limites estabelecidos, que pode significar simbolicamente o nascimento do novo Ser.

O Maçom estará pronto para a busca dos conhecimentos da Ordem a partir do Auto Conhecimento e da “Morte” dos resquícios contrários à Filosofia Maçônica inerentes ao profano.

“Conhece-te a ti mesmo” nos leva à conclusão de que se não praticarmos o conhecimento de nós mesmos, se não nos propusermos a esmiuçar o nosso espírito com o objetivo de melhorá-lo, com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós uma melhoria moral, não conseguiremos desbastar a Pedra Bruta. 

O Primeiro Grau é onde utilizamos com maior propriedade os sentidos da Visão e da Audição.

Com eles desenvolvemos o Pensar, estabelecemos relações e comparações que formarão os alicerces do desenvolvimento e nos ajudarão nos passos seguintes da caminhada. 

Lembrando que todos iniciam na Ordem no Primeiro grau, e cada um tem seu momento de despertar, porque não existe prazo determinado para o seguimento da jornada. 

O que deve acontecer é a maturação do iniciado, uma etapa de cada vez, um degrau após o outro, e mesmo assim sem jamais deixar de ser Aprendiz, sem jamais deixar de utilizar os sentidos da visão e da audição com Sabedoria. 

Cada degrau da escada de Jacob inexiste sozinho, ele sempre será o resultado do somatório do conhecimento adquirido nos Degraus Anteriores. 

Pratique o Pensar para conhecer-se, para então buscar o diferencial, a formatação do novo Eu através do conhecimento, para a transformação, para o renascimento, para a prática da verdadeira maçonaria.

O Pensar, nos traz a reflexão, através de perguntas sobre a capacidade e a finalidade humana que movem o mundo.

São perguntas que nos fazem aproximar dos conhecimentos maçônicos. 

São as perguntas e não as respostas que nos fazem evoluir.

O exercício do Pensar te faz diferente, te faz Novo!

Por isso, na faça de sua vida maçônica, um conjunto de respostas, faça-a de perguntas.

Só assim o seu Templo Interior terá paredes Retas, Belas e Justas. 

Portanto...

Pense...

Reflita...

Pergunte...

Evolua.... , pois desistir da Maçonaria é desistir de si próprio.





março 17, 2026

POR QUE NASCEU A MAÇONARIA - Michael Winetzki



Na noite de ontem, realizei mais uma palestra internacional, com tradução simultânea, no C.E.M.I - Centro de Estudos Maçônicos Internacionais, com sede no México, mas com a presença de irmãos (e irmãs) de toda a América Latina.

O tema da palestra foi "Por que nasceu a maçonaria" e foi uma.dissertacão  baseada em história real, sobre os fatos sociais, políticos e econômicos que permeavam a Grã Bretanha quando do nascimento de nossa Ordem.

Foi a segunda palestra que fiz para o C.E.M.I.. No dia 15 de setembro do ano passado fiz a primeira palestra com tradução simultânea pela IA do Zoom, para aquela instituição.

Em razão da diferença de fuso horário a palestra começou as 23h00 no Brasil e devido ao interesse expresso nas inúmeras perguntas, terminou por volta de duas horas da manhã.

Os irmãos que desejarem os slides da palestra podem solicitar pelo whatsapp 61.9.8199.5133 que terei prazer em enviar.


COMPARTILHAR - Newton Agrella




Muitas vezes amanhecemos com notícias que nos sobressaltam, e fazem-nos pensar quão enfurnados cada um de nós, vive seu mundinho de maneira tão pequena e egoísta.

Grande parte disso se deve ao orgulho, ou à vergonha de expormos nossas fraquezas, e limitações.

Quando não, nos defrontamos com o medo de sermos julgados e de alguma sorte, termos a cabeça colocada a prêmio.

Não raro, emoção e razão caminham desconexas e inibem a possibilidade de compartilharmos tristezas, angústias e frustrações, de maneira simples e natural, sem qualquer resquício de preconceitos.

O ser humano, grosso modo, entende que é maior que si mesmo e poucas são as vezes que consegue externar suas necessidades, senão por algum tipo de pressão, ou quando o coração parece que vai explodir.

A busca não é pela perfeição, até porque ela é inatingível.  

O trabalho sim, é pelo aprimoramento interior, e pela vontade de acertar e erigir um templo mais seguro, consistente, comprometido com uma qualidade de vida cada vez melhor e compartilhar com o semelhante o êxito, a felicidade e o bem estar como instrumentos legítimos da virtude.

Ser "humano", não é apenas uma condição de espécie, mas antes de tudo, estagiar pelos labirintos mais profundos da Consciência.

Esta perfeita imperfeição é a tradução mais exata do que se constitui a nossa natureza hominal e anímica.

O amplo conjunto de correntes filosóficas que compõe a dialética maçônica, propicia aos seus adeptos a chance de exercer a liberdade de pensamento, sem estar vinculado a visões esteriotipadas e muito menos subjugado a dogmas, que impõem a restrição ao direito da argumentação.

"Ser livre e de bons costumes", não é um mero slogan de uma peça publicitária, senão, um preceito ético e moral que estimula o homem a explorar os mistérios da consciência sob a égide espiritual, intelectual e sobejamente especulativa.



CIÊNCIA X RELIGIÃO - Mauricio Nunes



Recentemente, a pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, responsável por avanços promissores no tratamento de lesões na medula espinhal, foi questionada no programa Roda Viva não exatamente sobre sua descoberta — mas sobre o fato de a proteína estudada ter formato de cruz. Em poucos minutos, o foco saiu da ciência e foi parar na velha suspeita: não estaria ela misturando religião demais na conversa?

Mas por quê?

Desde quando reconhecer beleza, simbolismo ou até transcendência em algo invalida uma pesquisa científica? A ciência pede método e evidência. Não pede que a alma fique do lado de fora aguardando autorização.

Esse episódio me fez lembrar de Tomás de Aquino, um homem que, séculos atrás, ousou algo que ainda hoje soa revolucionário: pensar Deus sem medo.

No século XIII, quando muitos temiam que a razão pudesse ameaçar a fé, Tomás fez o movimento inverso. Em vez de afastá-la, convidou-a para a mesa. Não inventou uma filosofia do zero, como faria séculos depois René Descartes com seu célebre “penso, logo existo”. Tomás preferiu construir pontes. Aproximou o pensamento robusto de Aristóteles — que já era complexo para muita gente — da tradição cristã.

O resultado dessa engenharia intelectual foi batizada de Tomismo.

Ok, admito que o nome escolhido talvez não seja dos mais sedutores, mas nessa filosofia — se assim podemos chamá-la — a razão não combate a fé; prepara-lhe o caminho.

Tomás não era ingênuo. Sabia que nem tudo cabe numa equação. A razão pode ir longe — mas não vai até o fim de tudo. Há mistérios que ela aponta, mas não esgota. E há verdades que só se deixam conhecer pela fé. E aqui está o pulo do gato: para Aquino, razão e fé não brigam, se completam. São duas asas. E, convenhamos, ninguém voa com uma só.

Elas não são inimigas mortais, são mais como parentes que discutem no jantar de domingo, mas continuam morando na mesma casa.

O curioso é que transformamos tudo num duelo dramático. “É ciência!” grita um lado, como se estivesse defendendo a última fatia de pizza racional do universo. “É religião!” rebate o outro, com a convicção de quem já reservou lugar na eternidade.

Como se Deus estivesse ameaçado por um microscópio. Ou como se um telescópio pudesse finalmente anunciar: “Senhoras e senhores, encontramos o sentido da vida. Está a 12 bilhões de anos-luz e fecha às sextas.”

Talvez seja apenas nossa irresistível necessidade de transformar qualquer assunto — inclusive o infinito — numa discussão de reunião de condomínio.

No fundo, se a verdade é uma só, talvez ela esteja assistindo a tudo isso como quem vê duas pessoas brigando pelo controle remoto… enquanto o filme continua passando, indiferente, e nenhum dos dois percebe que a televisão nem estava ligada.

Fonte: A Toca do Lobo - Facebook


março 16, 2026

A IMPORTÂNCIA DA LETRA CURSIVA - Heitor Rodrigues Freire



O desenvolvimento tecnológico, com todas os seus atrativos e nuances, com o passar do tempo acabou ofuscando uma das atividades mais importantes para o nosso desenvolvimento cognitivo: a escrita à mão. Isso vem causando um prejuízo poucas vezes detectado pela invisibilidade com que age, ao substituir a letra cursiva pela letra de forma e pela digitação. Escrever à mão pode até parecer antiquado, mas, sem dúvida, é um dos exercícios mentais mais importantes que podemos realizar. Escrever à mão possibilita à nossa mente uma boa oportunidade para se fazer presente no aqui e agora.

A neurociência aponta que a letra cursiva é crucial para o desenvolvimento cognitivo, ativando áreas cerebrais ligadas à memória, atenção, linguagem e coordenação motora fina, mais do que a digitação ou a letra de forma, pois seus movimentos complexos integram os hemisférios e fortalecem circuitos neurais, facilitando a aprendizagem e a retenção de informações, sendo uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento cerebral. 

Segundo um artigo publicado no Correio Braziliense por Larissa Carvalho, que escreve sobre comportamento e bem-estar, “estudos em grafologia sugerem que a escrita cursiva tende a se associar à agilidade mental e à facilidade para encadear ideias. Como as letras são ligadas, o traço acompanha o raciocínio quase sem pausas, o que pode refletir um pensamento mais contínuo, organizado e focado em conexões rápidas” 

Uma pesquisa recente publicada no Japão com pessoas idosas constatou que as mais ativas e saudáveis, e que mantinham a mente mais afiada, tinham em comum o hábito de escrever à mão diariamente. 

Entre os diversos benefícios da letra cursiva para o cérebro, elencamos alguns:

Ativação neural: a complexidade dos movimentos da cursiva estimula o córtex motor, o cerebelo e outras regiões, promovendo maior conectividade entre os hemisférios cerebrais;

Memória e aprendizagem: a integração sensório-motora e a memória muscular desenvolvidas pela cursiva tornam o cérebro mais receptivo a estímulos, melhorando a retenção de informações e a compreensão de ideias;

Diferenciação da escrita: diferentemente da digitação, a cursiva exige um traçado contínuo e segmentado, o que cria uma memória motora específica e melhora a psicomotricidade; 

Desenvolvimento motor e cognitivo: a escrita contínua (com letras ligadas) exige o controle fino de movimentos, fortalecendo a musculatura das mãos e dedos, além de aprimorar a coordenação olho mão;

Melhora na ortografia e memória: a união das letras ajuda na memorização motora das palavras, reduzindo erros ortográficos ao integrar a grafia com a forma correta de escrevê-las;

Neurociência e a era digital: mesmo em telas, a escrita cursiva digital, especialmente com feedback háptico (toque), pode ativar essas áreas, mas a experiência tátil do papel ainda oferece um estímulo mais rico;

Especialistas alertam para os prejuízos de abandonar a cursiva, pois a falta de treino pode impactar negativamente a capacidade de leitura e escrita de longo prazo, reforçando a necessidade de um equilíbrio com a tecnologia. 

Em resumo, a letra cursiva não é uma habilidade ultrapassada, mas uma ferramenta neuro-cognitiva essencial que fortalece o cérebro e apoia o aprendizado de forma única, sendo mais do que apenas uma caligrafia bonita. Aliás, caprichar na letra é também um excelente exercício.

Além dos benefícios acima, do ponto de vista filosófico, a escrita cursiva representa a fluidez, a individualidade e uma conexão pessoal e ininterrupta com a história e a tradição da comunicação humana. Ela simboliza também: 

Fluidez e continuidade: o movimento contínuo da caneta no papel reflete um fluxo de pensamento ininterrupto, conectando letras e palavras em um único gesto. Isso contrasta com a natureza fragmentada ou "em blocos" da escrita de forma ou digitação;

Individualidade e identidade pessoal: cada pessoa desenvolve um estilo cursivo único. A caligrafia é vista como uma expressão de personalidade, humor e até mesmo do estado emocional do escritor, tornando-a uma assinatura visual de sua identidade;

Tradição e história: a escrita cursiva está profundamente enraizada na história da civilização ocidental, sendo o método padrão de escrita por séculos. Ela representa uma ligação tangível com documentos históricos, cartas antigas e a evolução da alfabetização;

Ato intencional e deliberado: em contraste com a digitação rápida, a escrita cursiva exige um ritmo mais lento e deliberado, incentivando um envolvimento mais profundo e consciente com o ato de escrever e com o conteúdo que está sendo produzido; 

Em essência, a escrita cursiva é vista filosoficamente como um símbolo da humanidade na comunicação: um traço físico e único que conecta a mente, a mão e o papel de uma maneira que as tecnologias modernas muitas vezes simplificam ou tornam anônimas. 

Enfim, caros amigos, o uso de letra cursiva se constitui numa prática que não só aprimora nossa letra, mas nos proporciona um desenvolvimento cognitivo que se traduz em ativação cerebral.

Usemo-la, pois.


IGUALDADE, EM PRINCÍPIO - Newton Agrella





Todos trocamos ideias, impressões, umas mais interessantes outras menos...

Mas lá no fundo, simplesmente compartilhamos, dividimos e convivemos.

A rigor somos todos iguais. 

Todos aqui gostamos de ler, escrever, pensar e sobretudo refletir e ponderar sobre tudo o que experienciamos e nos toca a alma.

Refletimos, como forma de viver a Filosofia da qual somos adeptos, e na medida do possível, expressando-a por escrito ou através de postagens em vídeos ou áudios, mas sempre tendo em mente que somos agentes de uma mesma missão: 

"Difundir a Arte de Especular" - sem nos deixar levar pela vaidade ou por qualquer tipo de sentimento de superioridade, nem tampouco de inferioridade.

O que nos torna iguais é saber que trabalhamos incansavelmente, em prol do contínuo aprimoramento de nosso nível de Consciência.

O que nos diferencia, enquanto seres humanos, são de fato, as "oportunidades", que diante das circunstâncias, umas mais favoráveis outras menos,  podem nos conduzir a experiências distintas.

Fato é, que inobstante a isso, juntos somos sempre muito mais, porém acima de tudo, sempre iguais !!!


março 15, 2026

HARA II (*) - Heitor Freire





O autoconhecimento, quando praticado de forma contínua, torna-se um meio eficaz de evolução espiritual e enriquece naturalmente a vida, uma vez que o aprendizado abre novos caminhos, consolida outros e cria novas perspectivas. 

Assim, percebemos que o corpo humano é uma prova inconteste da existência de Deus. Composto por tantos órgãos, células, moléculas, átomos, neurônios e centros de energia distribuídos ao longo da cabeça, tronco e membros, nosso corpo configura uma miniatura do universo, cujo funcionamento independe da vontade de cada um. Todos os componentes têm vida própria, obedecendo a um ordenamento lógico e natural, que emana de uma fonte primordial: Deus.

Essa energia permeia o universo, envolve o ser humano e se distribui por todo o seu corpo, de forma inteligente e ativa. Cada órgão tem sua individualidade e função, e todos estão irmanados e integrados dentro do corpo de cada pessoa.

Dentro desse universo, o papel do umbigo vai além da psiquê e da biologia. Ele é, também, um ponto cármico, um nó de energias para inúmeras tradições religiosas e culturais. É nessa região da barriga, um pouco abaixo do umbigo, que se concentra a energia vital – o ki dos japoneses, o chi dos chineses e o prana dos indianos. 

O nome do ponto abaixo do umbigo, em japonês, é chamado hara; em chinês é considerado o baixo dantian; e no yoga chama-se chakra esplénico. Esse centro energético é o grande reservatório de ki, chi e prana.

Descobrir e estudar o umbigo está se constituindo para mim num processo enriquecedor para o meu autoconhecimento. O mistério que envolve o umbigo o torna um enigma a ser decifrado. É como se fosse a minha esfinge pessoal. É o meu nó górdio que foi cortado, mas tenho que desatar cosmicamente. 

Na busca de um entendimento maior, encontrei o livro Hara, o centro vital do homem (ed. Pensamento), escrito por Karlfried Graf Durckheim (1896-1988), um ex-diplomata alemão, psicoterapeuta da Universidade de Kiel, e mais tarde prisioneiro de guerra no Japão. Durckheim tornou-se um mestre zen que trabalhou com o conceito do hara como terapia esotérica, estudando e divulgando o seu significado, cujo entendimento tem me proporcionado um grande aprendizado. Ele escreveu:

“O hara liberta o homem da imagem de uma persona, isto é, de todas as posturas internamente não-verdadeiras pertinentes ao papel que alguém exerce no mundo ou que gostaria de representar. O hara possibilita a Gestalt (um conceito psicoterápico focado na responsabilidade do indivíduo, na experiência baseada no “aqui e agora”), que expressa a essência de um homem com singeleza, além de concretizá-la progressivamente. Assim, o homem está livre da obrigação de querer parecer, ou de ser mais do que é.  A timidez, o constrangimento e a falsa submissão desaparecem. O homem que se torna consciente de suas raízes no hara posiciona-se com naturalidade e liberdade, como ele simplesmente é, nem mais nem menos, conquistando por isso sua beleza interna específica. (...)

Resumindo: a fixação no centro significa hara, garante ao homem o prazer de uma força que o torna capaz de dominar a existência de um modo diferente do que consegue com o ego. Ela é uma força que, misteriosamente, sustenta, organiza e forma o homem e que, além de solucionar seus problemas, faz dele um ser total.”

Apresento a seguir, uma prática a ser realizada por quem se interessar pelo hara, obtida pela IA: 

Aplicar tensão ou "setar" o ponto hara (Seika Tanden) envolve técnicas de respiração, postura e foco mental para concentrar a energia vital (ki) cerca de 3 a 4 dedos abaixo do umbigo, no interior do abdômen. Isso proporciona estabilidade, equilíbrio emocional e aumento de vitalidade. 

Aqui estão as formas de aplicar tensão no hara, baseadas em práticas orientais:

1. Respiração hara 

A técnica principal para ativar essa área é a respiração abdominal profunda e consciente.

Postura: Sente-se de forma confortável (como em seiza ou com pernas cruzadas) com a coluna ereta, ou deite-se de costas.

Localização: Coloque as mãos no baixo ventre, logo abaixo do umbigo.

O movimento: Inspire pelo nariz, focando em expandir o baixo abdômen como um balão. Ao exalar, contraia suavemente o abdômen, levando o umbigo em direção à coluna.

A tensão: Mantenha o foco mental e uma leve pressão muscular no hara, como se estivesse "fechando o dreno" de um tanque de energia.

Para quem tiver um interesse maior, recomendo a leitura do livro citado.

(*) Este tema já foi objeto de um outro artigo, que escrevi em 2021.