fevereiro 10, 2026

A BIBLIA MAIS ANTIGA DO MUNDO - A ETÍOPE

 



Antes da Bíblia King James existir, já havia a Bíblia Etíope — uma das versões mais antigas e completas das Escrituras ainda preservadas.

Escrita em ge’ez, uma antiga língua da Etiópia, ela antecede a King James em quase 800 anos. Enquanto a KJV foi publicada em 1611, os manuscritos etíopes mais antigos conhecidos remontam aos primeiros séculos do cristianismo, com tradições que se consolidaram por volta do século IV.

A Bíblia da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo contém mais de 100 livros, incluindo textos que não fazem parte do cânon protestante. Entre eles estão:

1 Enoque

Jubileus

1, 2 e 3 Meqabyan (diferentes dos Macabeus gregos)

O Livro da Aliança

O Pastor de Hermas (em algumas tradições antigas)

Ela preserva uma tradição bíblica que se desenvolveu de forma relativamente independente do cristianismo europeu, mantendo escritos que em outros lugares foram considerados apócrifos ou deixados de fora dos cânones posteriores.

A Etiópia adotou o cristianismo oficialmente no século IV, tornando-se uma das primeiras nações cristãs do mundo. Desde então, sua tradição bíblica foi copiada à mão por séculos em mosteiros, muitas vezes em pergaminho, o que ajudou a conservar textos raros.

A existência da Bíblia Etíope nos lembra de algo importante: a história do cristianismo não é exclusivamente europeia. Antes da Reforma, antes da imprensa de Gutenberg, antes da própria Inglaterra ter uma tradução oficial, comunidades africanas já preservavam e estudavam suas Escrituras em uma tradição rica, antiga e própria.

A história bíblica é muito mais ampla — e muito mais diversa — do que muita gente imagina.

A Bíblia Etíope é simplesmente a Bíblia mais antiga e completa do mundo. Esquece aquela King James, porque essa daqui é de 800 anos antes! Escrita em pele de cabra – sim, pele de cabra! – no idioma Ge’ez, é também a primeira Bíblia cristã ilustrada já registrada. Foi descoberta num mosteiro perdido no meio do nada, lá na Etiópia, e felizmente preservada graças a um fundo de patrimônio cultural.

Agora, se liga na história: esses manuscritos são chamados Evangelhos de Garima, em homenagem ao monge Abba Garima, que chegou por lá em 494 d.C. E reza a lenda que o cara copiou tudo em um dia! Como? Dizem que Deus deu uma ajudinha, atrasando o pôr do sol pra ele terminar o trampo. Que história, hein? E detalhe: as cores das ilustrações ainda estão vivas!

A análise por radiocarbono confirmou: essa Bíblia foi feita entre 390 e 570 d.C., muito antes de qualquer outra versão famosa. Ah, e mais uma curiosidade:

 • A Bíblia Protestante tem 66 livros.

 • A Católica tem 73.

 • A Ortodoxa Oriental, 81.

 • E a Etíope? Tem 84 livros, incluindo textos que as outras igrejas rejeitaram ou perderam ao longo dos séculos.

A ORIGEM DO BALANDRAU NA MACONARIA BRASILEIRA - José Castellani





O substantivo masculino balandrau (da forma latina hipotética balandra), designa a antiga vestimenta, com capuz e mangas largas, abotoada na frente; designa também, certo tipo de roupa usada por membros de antigas confrarias, geralmente religiosas.

Embora alguns autores insistam em dizer que o balandrau não é veste maçônica, o seu uso remonta à primeira das associações de ofício organizadas (cujo conjunto é hoje chamado de maçonaria de ofício, ou Operativa), a dos “Collegia Fabrorum”, criada no século VI a.C., em Roma.

Segundo Steinbrenner, em “História da Maçonaria”, os collegiati, quando se deslocavam pela Europa, seguindo as legiões de soldados romanos, para reconstruir o que ia sendo destruído pelos conquistadores, portavam uma túnica negra. À semelhança deles, os membros das confrarias operativas dos francos-maçons medievais (século XIII em diante), quando viajavam para outras cidades, outros feudos ou outros países, usavam um balandrau negro. 

Os que condenam o uso do balandrau costumam afirmar que o Maçom deveria apresentar-se nas Sessões das Lojas, vestindo terno preto, camisa branca, gravata, sapatos e meias pretas; isto é altamente discutível. Tome-se por exemplo as regiões quentes nos Estados Unidos, onde os Maçons costumam trabalhar em mangas de camisa, portando o avental, evidentemente, pois traje maçônico mesmo, é o avental, já que sem ele o Maçom é considerado nu.

Na realidade, discutir traje ( além do verdadeiro traje, que é o avental), na Maçonaria, é o mesmo que discutir o sexo dos anjos, pois, sabendo-se que o traje masculino sofre variações através dos tempos, variando, inclusive, de povo para povo, na mesma época, é evidente que não se pode determinar a maneira de trajar. 

É permitido, por exemplo, em qualquer lugar do mundo, o uso de roupas típicas para Maçons estrangeiros (o albornoz árabe, por exemplo), ou o uso de uniforme, por parte dos militares, desde que estejam, é claro, com seu avental maçônico.

A existência de traje a rigor para os Maçons, mostra grande dose de influência clerical, significando o traje como sinal de respeito, o que, realmente, é inadmissível, já que a consciência do Homem está em seu interior, e não na sua roupa. A Igreja, que é bastante conservadora, já tem abandonado esta exigência; com mais razão, deve faze-lo a Maçonaria que, sendo evolutiva e progressista, não comporta anacronismos.

Que fique bem claro que traje maçônico é o avental, mas sob ele deve haver uma roupa decente; e o balandrau, como roupa decente, pode uniformizar o traje, o que é também, uma forma de mostrar a igualdade maçônica, evitando as ostentações do vestuário. E jamais nos esqueçamos que o balandrau já foi traje dos Maçons de Ofício.

Só é preciso ter em mente que o balandrau (que também é usado pelos Expertos, em algumas cerimônias) é veste talar, ou seja, deve se estender até os talões, ou calcanhares

A VERDADEIRA RAZÃO PARA UM TEMPLO MAÇÓNICO SER CHAMADO DE LOJA - Majesty Montanez


Porque é que um templo maçónico é chamado de Loja? 

É uma pergunta muito boa e a resposta correta a esta pergunta é repleta de sabedoria valiosa que é de grande e essencial importância para os maçons em particular, e para os filósofos em geral. 

Vamos, então, começar a desvendar este mistério para que possamos descobrir algumas das lições úteis que ele nos reserva como Filósofos, ou como amantes da sabedoria.

Todos os estudantes de Maçonaria sabem que a Maçonaria é de natureza simbólica, e que a maioria dos costumes fundacionais e símbolos da maçonaria são derivados do trabalho dos pedreiros do antigo Egipto e de outros países antigos. 

O costume maçónico universal de se referir aos templos ou locais de reunião como “Lojas” é um exemplo de um desses costumes fundamentais e símbolos da Maçonaria que vêm da antiga pedra de alvenaria. 

Infelizmente, muitos estudantes de Maçonaria não percebem que a alma ou espírito da Maçonaria é essencialmente, filosófica e espiritual. 

Isto faz com que esses alunos não tenham conhecimento do significado verdadeiro e intencional da maioria dos nossos símbolos maçónicos, e inconscientemente dêem uma interpretação falsa não apenas aos nossos símbolos, mas à Maçonaria como um todo.

Isto é mais frequentemente um resultado do estudante limitar os seus estudos a uma pilha de livros e artigos propositadamente enganosos sobre a história e o assunto da Maçonaria que foram publicados por autoproclamadas “autoridades”, que na verdade são desqualificadas, excessivamente pretensiosas e abertamente tendenciosas.

No entanto, esta falta de um verdadeiro entendimento da Maçonaria é principalmente devido ao aluno cometer o erro de ignorar o significado do simples fato de que o trabalho da antiga pedra de alvenaria, que a Maçonaria usa como analogia ou símbolo do seu próprio trabalho e ensinamentos, era centrado em torno da religião e da filosofia, ou seja, o culto e estudo da Mãe Natureza, de nós mesmos e do Divino.

Como diz o velho ditado, “a verdadeira natureza de uma árvore pode ser conhecida pelo tipo de fruta que produz”, e os antigos pedreiros operativos, que eram de muitas culturas, nacionalidades, religiões e culturas diferentes, foram os construtores e criadores de todos os edifícios mais importantes do mundo antigo, que foram os templos e monumentos dedicados aos Deuses e Deusas das religiões antigas. 

Ao desconsiderar este aspecto da natureza do trabalho dos antigos maçons operativos, o estudante não-maçónico da Maçonaria geralmente perde o aspecto de que a Maçonaria é igualmente centrada em torno de Deus, o Supremo Arquitecto do Universo.

A natureza religiosa, filosófica e espiritual da Maçonaria é a razão pela qual o local de encontro de qualquer grupo de maçons é chamado de Templo, que é definido na linguagem quotidiana como sendo um edifício dedicado ao culto, ou considerado como a casa ou morada, de um Deus ou Deuses.

Por outro lado, um templo maçónico, como já foi mencionado, também é chamado de Loja, e isto ocorre porque os antigos pedreiros (que eram literalmente viajantes, ou “homens que viajavam”, devido à natureza do seu trabalho, que muitas vezes exigia que deixassem as suas famílias e lares por longos períodos de tempo, enquanto viajavam de um lugar para outro e trabalhavam em vários projectos de construção por todo o país), construíam sempre várias casas temporárias, chamadas de “Lojas”, perto do seu local de trabalho, que eles usavam como abrigos e oficinas.

Embora isto obviamente nos dê a razão superficial pela qual nós simbolicamente chamamos os  templos de “Lojas”, seria muito imprudente concluirmos automaticamente que esta é a razão para este antigo costume universal na sua totalidade, já que sabemos que a Maçonaria é essencialmente filosófica e espiritual, e usa os seus símbolos como método principal para ensinar e expressar importantes lições de vida baseadas em princípios e verdades filosóficas atemporais. 

Portanto, é altamente provável que a palavra Loja seja um símbolo maçónico que indiretamente expressa uma lição muito profunda e fundamental para nós sobre a verdadeira natureza da nossa existência.

Visto que a palavra Loja é sinónimo da palavra templo na linguagem simbólica da Maçonaria, devemos logicamente concluir que ambos se referem simbolicamente ao corpo humano como a “casa” em que Deus vive. 

Tal como é dito em I Coríntios 3:16 da Bíblia Sagrada, que é outro dos muitos símbolos da filosofia e espiritualidade maçónicas: "Você não sabe que é o templo de Deus e que o espírito de Deus vive em si?" 

O corpo humano pode ser simbolicamente e com muita precisão descrito como sendo uma miniatura, réplica do Universo, ou existência como um todo infinito. 

Isto permite-nos saber que o templo maçónico, ou a loja maçónica, é um símbolo tanto do Universo quanto do corpo humano; e isto é-nos muito poderosamente sugerido para na descrição simbólica da loja no ritual do primeiro grau da Maçonaria. 

Agora que sabemos que a loja maçónica é simbólica tanto do Universo quanto do corpo humano, e que a Maçonaria assim compara ou compara o Universo e o corpo humano a uma Loja de antigos pedreiros, tudo o que resta é descobrir porque é assim.

Mais uma vez, uma Loja, por definição comum, é uma casa ou casa temporária, ao contrário de uma casa permanente, o que tornaria a Loja um símbolo muito apropriado do Universo, já que o Universo não é apenas “a casa e o lar da humanidade”, mas uma casa temporária para nós, já que não vamos vivendo neste mundo para sempre. 

Todos nós, um dia, morreremos. 

Mas até então, devemos juntar-nos continuamente e unir-nos como maçons para fazer o trabalho que Maçonaria nos pede (fazer evoluir e aperfeiçoar a humanidade) dentro da “Loja” ou “oficina”, ou seja, dentro do Universo ou neste mundo da vida quotidiana. 

Esta é talvez a mais básica de todas as valiosas lições de vida que nós somos indiretamente ensinados pela Loja maçónica,  como um símbolo do Universo ou do macrocosmo (o “grande Universo”).

Quando olhamos para a loja maçónica como sendo um símbolo do corpo humano ou do microcosmo (o “pequeno Universo”), aprendemos uma lição de vida igualmente valiosa. 

Da mesma forma que o Universo é uma casa temporária e o lar da humanidade, o mesmo acontece com o corpo humano para o Espírito de Deus. 

E assim como nos devemos unir continuamente como maçons para fazer o trabalho da Maçonaria dentro da oficina ou Loja do Universo, colectivamente, devemos também fazer o trabalho da Maçonaria numa base igualmente constante, mas individualmente, dentro da Loja secreta, interior, ou oficina de nós mesmos como indivíduos, conseguindo assim equilíbrio e harmonia entre os dois pólos opostos de abnegação e egoísmo dentro de nós.

Como podemos ver finalmente, o uso da palavra Loja como um símbolo da Maçonaria contém algumas lições de vida muito úteis e valiosas para nós, de facto. 

Vamos então estar atentos e continuar a trabalhar colectiva e individualmente, e sem dúvida, incessantemente, para a evolução e perfeição da humanidade.

(Tradução de António Jorge, M∴ M∴)

fevereiro 09, 2026

REFLEXÃO SOBRE A MAÇONARIA E OS MAÇONS NOS DIAS ATUAIS - Emanuel Belém


 

A Maçonaria, enquanto instituição iniciática, não envelheceu. 

Quem envelheceu foram muitos dos seus filhos. 

A Ordem permanece a mesma; os homens é que se apequenaram.

Na Antiguidade, o maçom — ainda que não portasse esse nome formal — era o construtor do mundo, não apenas de templos de pedra, mas de ideias perigosas. 

Perigosas porque libertavam. 

O maçom antigo incomodava o tirano, afrontava o dogma, rasgava a noite com a lâmpada da razão. 

Ele não pedia licença à ignorância, nem autorização ao medo coletivo.

Nas revoluções — sobretudo a Francesa — o maçom foi herege para os reis, subversivo para os tronos e criminoso para os privilégios. 

Lutou pela igualdade quando igualdade significava guilhotina. 

Falou em liberdade quando liberdade custava a cabeça. 

Não espalhava boatos: espalhava ideias. 

Não fazia política de estimação: fazia história.

Quando combateu a escravidão — no Brasil e no mundo — o maçom verdadeiro não perguntou se o escravo era “do seu partido”, “da sua religião” ou “do seu círculo social”. 

Viu um homem acorrentado e isso bastou. 

A causa não era ideológica; era humana. 

O maçom daquela época entendia algo simples e profundo: não existe liberdade individual possível em uma sociedade construída sobre a servidão coletiva.

Os filósofos, questionadores, opositores e garantistas das liberdades — muitos deles maçons — tinham um traço comum: odiavam a mentira, desprezavam o fanatismo e desconfiavam do poder. 

Não idolatravam políticos. 

Não se ajoelhavam diante de cargos. 

Não confundiam opinião com verdade. 

Eles sabiam que a primeira tirania nasce na mente que se recusa a pensar.

Agora compare isso com grande parte dos maçons atuais.

O que se vê, com raras exceções, é a degeneração do espírito iniciático.

Maçons que não constroem, apenas repetem.

Que não estudam, apenas compartilham.

Que não buscam a verdade, mas defendem narrativas.

Que não praticam a tolerância, mas espalham ódio político travestido de virtude moral.

São maçons que se comportam como na fábula do rato no celeiro:

• quando o aviso surge — a ratoeira da injustiça, da censura, da miséria, da perda das liberdades — eles dizem:

• “Não é comigo.”

• Até o dia em que é.

Esses maçons modernos gritam slogans, não princípios.

Defendem “políticos de estimação”, não a República.

Espalham fake news, fofocas e mentiras como se fossem verdades reveladas, esquecendo que a Maçonaria nasce justamente para combater a ignorância organizada.

Eles falam em Ordem, mas vivem no caos moral.

Falam em Liberdade, mas defendem censura quando lhes convém.

Falam em Igualdade, mas só para os seus.

Falam em Fraternidade, mas excluem, rotulam e atacam.

E ainda assim — aqui está a verdade incômoda — a Maçonaria não é culpada.

A Maçonaria permanece a mãe de todos os maçons, pura em seus princípios, firme em seus landmarks, clara em seus símbolos. 

Quem falhou foram os filhos que abandonaram o trabalho da pedra bruta e passaram a polir apenas o próprio ego.

O problema não é a Ordem. 

O problema é o maçom que trocou o avental pelo palanque, o silêncio reflexivo pelo grito histérico, o estudo pela corrente de WhatsApp.

A Maçonaria não foi feita para produzir militantes, fofoqueiros ou agitadores de ódio. 

Ela foi feita para formar homens livres em sociedades livres.

Quando o maçom esquece isso, ele pode continuar frequentando lojas — mas já não pertence ao Templo.





O QUE VOCE VAI DEIXAR COMO LEGADO?

 





Ela passou 75 anos lavando as roupas dos outros por centavos. Então entrou em um banco e chocou o mundo.

Se você cruzasse com Oseola McCarty nas ruas de Hattiesburg, Mississippi, veria apenas o que todos viam. Uma senhora pequena e idosa empurrando um carrinho de compras. Sapatos gastos. Vestido simples. Caminhando devagar de volta para sua casa de madeira sem pintura, no lado mais pobre da cidade.

Você jamais imaginaria o que ela carregava dentro do coração.

A vida de Oseola foi decidida quando ela tinha apenas doze anos. Era a década de 1920, no sul profundo dos Estados Unidos. Sua tia adoeceu, e alguém precisava cuidar dela. A escola terminou ali, na sexta série. Sua educação acabou antes mesmo de começar de verdade.

Mas o trabalho nunca parou.

A partir daquele dia, Oseola teve uma única ocupação: lavar roupas. Não em lavanderias com máquinas, mas no quintal de casa, com um esfregador, um caldeirão de água fervente e as próprias mãos. Ela lavava as roupas das famílias ricas de Hattiesburg — camisas, vestidos, lençóis. Cobrava alguns centavos por peça.

Trabalhava do nascer do sol até a luz desaparecer. Todos os dias. Por setenta e cinco anos.

Estudantes universitários passavam em frente à sua casa a caminho da Universidade do Sul do Mississippi. Ela os observava pela janela, livros debaixo do braço, futuros abertos diante deles. Perguntava-se como seria sentar em uma sala de aula. Abrir um livro e entender as palavras. Caminhar por um palco usando beca e capelo.

Mas nunca reclamou. Apenas trabalhou.

E economizou.

Não gastava com luxos. Não tinha carro. Nem televisão colorida. Nunca viajou. Jamais andou de avião. Viveu de forma extremamente simples, guardando cada moeda que sobrava. Ela dizia sem rodeios:

“Eu não gasto dinheiro. Eu economizo.”

Em 1995, Oseola tinha 87 anos. Suas mãos estavam deformadas pela artrite. Décadas esfregando roupas em água fervente cobraram seu preço. Ela sabia que seu tempo estava se esgotando.

Então foi ao banco e fez uma pergunta simples:

“Quanto eu tenho?”

O atendente consultou a conta. Décadas de centavos, níqueis e notas pequenas haviam se acumulado em algo extraordinário: 280 mil dólares.

Oseola poderia ter vivido como uma rainha em seus últimos anos. Poderia ter comprado a casa dos sonhos. Poderia ter viajado para lugares que só conhecia por revistas.

Mas ela pensou nos estudantes. Aqueles que passavam em frente à sua casa cheios de esperança. Pensou na educação que nunca teve. Nas oportunidades que lhe foram negadas.

E decidiu.

Separou uma pequena quantia para sua igreja. Guardou apenas o suficiente para pagar o aquecimento de casa. E então doou 150 mil dólares para a Universidade do Sul do Mississippi, criando um fundo de bolsas de estudo.

Quando perguntaram o motivo, ela respondeu com simplicidade:

“Eu quero que as crianças tenham a educação que eu não tive. Quero que elas tenham uma chance.”

A notícia se espalhou por toda a América. Aquela mulher minúscula, que vivera quase noventa anos no anonimato, tornou-se símbolo de algo que o mundo precisava desesperadamente lembrar: que grandeza não tem nada a ver com riqueza ou status. Que o sacrifício de uma única pessoa pode mudar inúmeras vidas.

O presidente Bill Clinton a convidou para a Casa Branca. Ela carregou a Tocha Olímpica em 1996. A universidade lhe concedeu um doutorado honorário. A mulher que deixou a escola na sexta série tornou-se Dra. Oseola McCarty.

Mas nenhuma homenagem foi maior do que o dia em que ela conheceu Stephanie Bullock, uma jovem de dezoito anos — a primeira beneficiária da Bolsa Oseola McCarty.

Stephanie a abraçou e chorou.

— Obrigada, disse. A senhora mudou a minha vida.

Oseola sorriu e respondeu:

“Eu só fico feliz por ter feito algo. Não queria morrer e não deixar nada para ninguém.”

Oseola McCarty faleceu em 1999.

Mas ela não deixou “nada”.

Ela deixou tudo.

Seu fundo de bolsas continua crescendo. Todos os anos, jovens atravessam palcos usando becas e capelos. Seguram diplomas conquistados. Caminham rumo a futuros possíveis porque uma mulher passou setenta e cinco anos curvada sobre um caldeirão de água fervente, economizando centavos e sonhando com uma oportunidade que nunca teria — mas que outros teriam.

Ela provou que generosidade não se mede pelo que se possui, mas pelo que se está disposto a abrir mão. Ela deu tudo para que outros tivessem aquilo que lhe foi negado.

A lavadeira de Hattiesburg, Mississippi, nunca estudou álgebra, química ou literatura.

Mas ensinou ao mundo a lição mais importante de todas:

Que o sacrifício silencioso pode ecoar por gerações.

Que uma vida vivida com propósito pode tocar milhares.

E que a verdadeira riqueza não é o que você acumula — é aquilo que você deixa para trás, como legado;

Fonte: Facebook

PODEMOS SER CRISTÃOS E MAÇONS? - Todd E. Creason



Há algumas razões pelas quais queria abordar este tópico, principalmente devido ao número de comentários e questões que recebo sobre este assunto. 

Na maioria das vezes não são perguntas; dizem-me ”não se pode ser cristão e Maçom”.

Isto não é verdade. 

Eu sou cristão e Maçom. 

E também tenho as coisas na minha vida alinhadas na ordem correta. 

Deus primeiro, depois a família, depois o meu trabalho e a Maçonaria ocupando a retaguarda. 

Eu sou cristão há mais de trinta anos. 

Sou um leitor regular da Bíblia e frequento a igreja. 

Nada é mais importante para mim do que meu relacionamento com Deus. 


Eu trabalhei duro na minha vida para aplicar os valores que eu encontro na Bíblia para a minha vida, e como todos os cristãos, falho. 

No entanto, eu nunca encontrei nada na Maçonaria que entre em conflito seja de que forma for com o que eu leio na Bíblia. 

E eu nunca estive envolvido com uma igreja que tivesse uma proibição contra a Maçonaria – na verdade, um dos diáconos de uma igreja a que eu pertenci por mais de uma década era um Grau 33º (muito antes de eu saber exatamente o que isso significava).

Algumas denominações e algumas igrejas individuais, no entanto, proíbem os seus membros de se juntarem à Fraternidade, por uma variedade de razões. 

Eu não vou entrar por todas essas razões, mas a queixa mais comum que ouço na minha área é o fato de que a nossa Fraternidade está aberta a todos os homens que acreditam na existência de Deus – por isso é aberta a todas as principais religiões. 

As nossas orações de abertura e encerramento não são necessariamente sectárias, portanto podem ser aplicadas a qualquer uma das principais religiões monoteístas. 

Porque a Maçonaria acolhe homens de todas as religiões, nós não fechamos as nossas orações com “em nome de Jesus nós oramos“. 

Algumas denominações cristãs e igrejas têm um problema com isto. 

É direito deles, e eu posso até respeitar a sua posição.

Esta posição de admitir membros de todas as crenças religiosas não é nova para a Maçonaria. 

De facto, a Maçonaria tem desempenhado um papel muito importante na história da nossa nação sobre este mesmo tópico de tolerância religiosa e liberdade religiosa na América. 

Na América, nós temos liberdade de religião. 

Está na nossa Constituição – está lá por causa dos maçons. 

Este conceito de liberdade de religião veio das Lojas Maçónicas. 

De fato, há alguns conceitos, para além da liberdade religiosa que foram emprestados da Maçonaria pelos nossos Pais Fundadores quando eles elaboraram a Constituição dos Estados Unidos. 

A Maçonaria ontem e hoje respeita TODAS as religiões e TODOS os americanos têm o direito de adorar como desejar

E é por causa destes direitos assegurados em parte pelas tradições da Maçonaria, que estas igrejas têm hoje todo o direito de proibir os seus membros de se juntarem às nossas Lojas se acharem que isso está em conflito com as suas crenças religiosas

Creio que você gostará disto, afinal foi ideia nossa!

Assim sendo, eu não vou discutir se as denominações ou igrejas têm o direito de criar regras como estas – elas claramente podem; nem vou discutir se estas proibições são certas ou erradas.

Se essas são as suas crenças, então precisamos de as respeitar. 

O que nunca devemos fazer como maçons é discutir crenças religiosas nas nossas lojas, ou julgar essas políticas ou essas crenças – eu vejo muito isso na comunicação social. 

Questionar as visões religiosas de alguém ou as políticas da sua igreja é o caminho mais seguro para começar uma briga – é algo profundamente pessoal. 

Uma das formas mais fáceis de dividir a sua Loja e alienar um Irmão de outro é discutir religião entre vocês – a segunda, é discutir política. 

Nós todos sabemos que não devemos discutir religião ou política em Loja e as razões pelas quais não o devemos fazer. 

Outra razão pela qual eu quis tocar neste assunto é por causa de algumas das coisas desagradáveis que eu li recentemente na comunicação social, dirigidas a igrejas e denominações que mantêm uma proibição de que os seus membros se possam juntar a uma Loja Maçónica. 

Como membro da Fraternidade que ajudou a fundar o conceito de liberdade religiosa na América, devemos praticar o que andamos a pregar há tanto tempo.

Nem todas as igrejas têm atitudes negativas perante a Maçonaria – longe disso! 

Muitos respeitam a organização e muitos até se juntam aos maçons para angariar fundos para apoiar causas locais. 

Recentemente, juntei-me a uma igreja que eu frequentava há algum tempo, e antes de entrar, uma das coisas que eu perguntei ao pastor daquela igreja era como esta igreja se sentia sobre a Maçonaria. 

Esta igreja respeita o bom trabalho que a nossa Fraternidade faz, e há alguns maçons que frequentam a minha igreja – notei placas maçónicas no estacionamento na primeira manhã em que participei, então eu tinha quase a certeza de como ele iria responder, quando lhe fizesse a pergunta.

Eu sou um crente. 

Eu sou também Maçom. 

Na minha experiência, não vejo conflito entre os dois; na verdade, acho que se complementam. 

Muitos dos princípios e costumes ensinados na Bíblia são espelhados pelos ensinamentos da Fraternidade também. 

Conceitos que buscamos como Maçons Livres como verdade, amor fraternal, caridade, tolerância, etc., são os mesmos conceitos que os Pastores das igrejas cristãs pregam em todos os domingos. 

A Fraternidade dá-me oportunidades para aplicar estes princípios. 

Dá-me instruções sobre como incorporar estes conceitos na minha vida a cada dia. 

Isto encoraja-me, tal como a minha igreja, a continuar a trabalhar para me melhorar a mim mesmo e ao meu carácter moral. 

Eu não vejo qualquer conflito. . . para mim.

Mas voltando à minha pergunta original. 

Pode-se ser um Maçom e um cristão? 

Eu claramente posso e sou!

Mas se você pode ser um Maçom e um cristão é entre você, Deus e sua igreja. 

Contudo, qualquer maçom lhe dirá que nunca deve colocar a Loja antes do seu relacionamento com Deus.

E se isto significar que você não entre numa Loja Maçónica por causa de uma proibição contra a adesão, então você deve respeitar iss

Eu só posso responder a esta pergunta relativamente a mim mesmo; você deverá fazer o mesmo por si.


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fevereiro 08, 2026

A INFLUÊNCIA ECONOMICA ARABE NO REINO UNIDO

 

Emir do Qatar Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani e Rei Charles III - Foto: Getty Images
Emir do Qatar Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani e Rei Charles III - Foto: Getty Images

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CARAS Qatar INFLUÊNCIA GLOBAL

Família Real do Qatar investiu 100 bilhões de libras no Reino Unido nas últimas décadas

Entre os investimentos estão aquisições imobiliárias, participações empresariais e projetos de infraestrutura no país; confira

Redação

Muito antes de o Qatar se consolidar como potência de grandes eventos globais, a Família Real do país já compreendia o valor estratégico de se aproximar de outras monarquias tradicionais. Entre todas, uma relação se destacou pelo peso histórico, simbólico e econômico: a construída ao longo de décadas com a monarquia britânica.

Essa aproximação nunca foi apenas protocolar. Ela foi acompanhada de cifras, investimentos estruturantes e uma presença econômica tão profunda no Reino Unido que hoje torna difícil separar diplomacia, negócios e posicionamento estratégico internacional. Estimativas apontam que estruturas financeiras ligadas à Família Real do Qatar investiram cerca de £ 100 bilhões – R$ 718234200000,00 – em ativos no Reino Unido ao longo das últimas duas décadas, segundo levantamento do jornal britânico The Times.

A publicação analisou aquisições imobiliárias, participações empresariais e projetos de infraestrutura no país e constatou que esses investimentos não se dispersaram. Segundo os estudos, eles se concentraram em ativos simbólicos e estratégicos, como: a loja de departamentos Harrods, ícone do varejo de luxo londrino; o The Shard, maior arranha-céu do Reino Unido; participações relevantes em Canary Wharf, coração financeiro de Londres; ativos em infraestrutura, hotelaria e transporte aéreo.

Contribuição bilionária

Em 2022, empresas com participação significativa de capital qatari no Reino Unido contribuíram com cerca de £ 3,4 bilhões – R$ 24,42 bilhões – em impostos pagos ao Tesouro britânico, segundo relatório do Centre for Economics and Business Research. Por trás dessa capacidade financeira está o Qatar Investment Authority, fundo soberano controlado pela Família Real, que administra cerca de US$ 557 bilhões em ativos globais, volume que supera o PIB anual de países como Bélgica ou Suécia.

ESPECULAÇÕES - Adilson Zotovici



Especulações aos milhares

Na Sublime Instituição

Em templos, salas, até bares

Que nos chamam sempre a atenção


Da sociedade quiçá olhares

Curiosidade, especulação

Sem noção e às vezes vulgares

E até maldade, indiscrição


Mas há entre os nossos pares

Uma grande busca, à exaustão

Famosos ou de grande expressão


Pessoa, Dumont...avatares

Personalidades singulares

Como Kardec e Napoleão




DEZ ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO - Noam Chomsky



O linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo Noam Chomsky na sua obra intitulada: "Armas silenciosas para guerras tranquilas" fala sobre as 10 Estratégias de Manipulação da sociedade através da imprensa ou mídia:

1. A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO. 

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”

2. CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES. 

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO. 

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE. 

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6. UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO. 

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7. MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8. ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Estimular o público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9. REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10. CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

fevereiro 07, 2026

O ATRASO CULTURAL DO BRASIL - Cesar Romão



O atraso cultural brasileiro é um tema recorrente no debate sociológico, histórico e político nacional. Frequentemente atribuído a fatores superficiais ou a supostas falhas individuais da população, esse atraso possui, na realidade, raízes profundas e estruturais. Trata-se de um fenômeno historicamente construído, relacionado à forma como o Brasil foi inserido no sistema colonial, à manutenção de desigualdades sociais e à concentração do acesso ao conhecimento. 

Aqui analiso as principais causas do atraso cultural no Brasil e discuto caminhos possíveis para sua superação, compreendendo cultura e educação como dimensões centrais do desenvolvimento social e democrático.

Desde o início da colonização, o Brasil foi estruturado como colônia de exploração. Diferentemente de países europeus que, já no início da modernidade, investiam na formação de universidades, imprensa e centros de produção intelectual, o território brasileiro foi mantido à margem da produção cultural autônoma. A ausência deliberada de instituições educacionais e científicas não foi casual, mas uma estratégia de controle político, que visava impedir o surgimento de pensamento crítico capaz de questionar a ordem colonial, ainda presença de maneira subliminar em nosso país. 

A escravidão, que perdurou por mais de três séculos, desempenhou papel central na consolidação do atraso cultural brasileiro. Além da exploração econômica, o sistema escravista produziu analfabetismo estrutural, desumanização social e apagamento sistemático dos saberes africano e dos povos originários. A escravidão impediu a formação de uma cultura democrática, baseada na igualdade de direitos e no acesso universal ao conhecimento a caminho de uma nação independente. 

Historicamente, as elites brasileiras trataram a cultura e a educação como privilégios, não como direitos sociais. O acesso ao conhecimento formal, aos livros e às instituições de ensino permaneceu concentrado em pequenos grupos, funcionando como mecanismo de distinção social. Um processo que pode ser compreendido como monopólio do capital cultural, que contribui para a reprodução das desigualdades e para a exclusão simbólica das classes populares.

Mesmo após a independência, o Brasil manteve uma relação de dependência cultural em relação à Europa e, posteriormente, aos países centrais do capitalismo. Modelos educacionais, artísticos e científicos passaram a ser importados de forma acrítica, enquanto a produção intelectual nacional era frequentemente desvalorizada. Um fenômeno de colonialidade do saber, caracterizado pela hierarquização dos conhecimentos e pela negação da legitimidade dos saberes locais.

Outro fator relevante é a instabilidade das políticas educacionais e culturais. A ausência de projetos de longo prazo, aliada à politização ideológica da educação, compromete a consolidação de avanços estruturais. Soma-se a isso a presença de um anti-intelectualismo difuso, expresso na desvalorização do professor, na hostilidade ao pensamento crítico e na confusão entre conhecimento científico e mera opinião.

O ano de 1500 marca um momento decisivo na história mundial.  Enquanto a Europa vivia profundas transformações culturais, intelectuais e científicas, o território que viria a se tornar o Brasil era incorporado ao sistema colonial português, inaugurando um processo histórico que ajudaria a explicar parte do atraso cultural brasileiro em relação ao continente europeu.

Na Europa, a cultura de 1500 estava fortemente marcada pelo Renascimento, movimento que promoveu a valorização do ser humano, da razão, da ciência e das artes. Inspirados nos ideais da Antiguidade Clássica greco-romana, pensadores e artistas romperam gradualmente com o pensamento medieval, dominado pelo teocentrismo. O humanismo estimulava o estudo da filosofia, da história, da matemática e das ciências naturais, ampliando os horizontes intelectuais da sociedade europeia.

Outro fator decisivo foi à imprensa, criada no século XV, que revolucionou o acesso ao conhecimento. Livros passaram a circular com maior rapidez, permitindo a difusão de ideias, o questionamento da autoridade religiosa e o fortalecimento da educação laica. Ao mesmo tempo, universidades se consolidavam, cidades cresciam e uma burguesia urbana passava a financiar artistas, cientistas e intelectuais. A Europa entrava, assim, na chamada Idade Moderna, marcada pela inovação cultural e pelo espírito crítico.

Em contraste, o Brasil nasce sob uma lógica completamente diferente. Desde o início da colonização, o território brasileiro foi visto pela Coroa portuguesa como uma colônia de exploração, e não de povoamento intelectual ou cultural. 

Não houve, nos primeiros séculos, incentivo à criação de universidades, centros de pesquisa ou produção artística autônoma. A educação ficou restrita à catequese religiosa, sobretudo conduzida pelos jesuítas, com o objetivo principal de controle social e conversão dos povos indígenas.

Além disso, o modelo econômico baseado na monocultura, no trabalho escravizado e na exportação de produtos primários limitou o desenvolvimento de uma elite intelectual ampla e crítica. Enquanto a Europa produzia ciência, filosofia e arte, o Brasil produzia riqueza para a metrópole. O acesso ao livro, à leitura e ao pensamento científico era extremamente restrito, e a circulação de ideias modernas era, muitas vezes, censurada.

Esse atraso cultural não pode ser interpretado como incapacidade do povo brasileiro, mas como consequência direta de opções históricas e estruturais impostas pelo sistema colonial. A ausência de políticas educacionais amplas, o desprezo pelo conhecimento local e a dependência cultural da Europa criaram um descompasso que se prolongou mesmo após a independência.

A diferença entre a efervescência cultural europeia em 1500 e o atraso cultural brasileiro tem raízes profundas na forma como cada sociedade foi inserida na história. Enquanto a Europa se reinventava culturalmente, o Brasil era impedido de construir, de maneira autônoma, seus próprios caminhos intelectuais. Compreender essa origem é essencial para analisar os desafios culturais e educacionais que o país ainda enfrenta no presente.

A superação do atraso cultural brasileiro exige medidas estruturais e de longo prazo. Em primeiro lugar, a educação deve ser tratada como política de Estado, com continuidade institucional independentemente de mudanças governamentais. Investimentos consistentes na educação básica, na formação docente e na valorização do magistério são condições indispensáveis.

Além disso, é fundamental democratizar o acesso ao capital cultural, por meio da ampliação de bibliotecas públicas físicas e digitais, do incentivo à leitura, da valorização da ciência e da ampliação do acesso a bens culturais. A cultura deve ser compreendida como bem público e direito social, não como privilégio de classe.

Outro aspecto central é o reconhecimento e a valorização dos saberes historicamente marginalizados. A inclusão efetiva das culturas dos povos originários, afro-brasileiras e populares nos currículos escolares contribui para romper com a colonialidade do saber e fortalecer a identidade cultural nacional.

É necessário estimular a produção intelectual e científica brasileira, fortalecendo universidades, centros de pesquisa e políticas de divulgação científica. Combater o anti-intelectualismo e promover o pensamento crítico são tarefas essenciais para a construção de uma sociedade democrática e culturalmente emancipada.

O atraso cultural no Brasil não é resultado de deficiência intelectual ou incapacidade histórica de seu povo, mas consequência de escolhas políticas e estruturais realizadas ao longo de sua formação social. A herança colonial, a escravidão, a concentração do capital cultural e a dependência intelectual moldaram uma sociedade marcada pela desigualdade no acesso ao conhecimento.

Superar esse atraso exige reconhecer a cultura como campo de disputa política e investir de forma contínua na educação, na valorização do saber e na democratização do acesso ao conhecimento. Somente por meio dessas transformações será possível romper com o legado histórico da exclusão cultural brasileira e construir um projeto de desenvolvimento verdadeiramente inclusivo.

Em 1471 a Itália já tinha os Museus Capitolinos, em 1506 o Museu do Vaticano, Reino Unido em 1545 os Museus das Armaduras Reais, em 1683 o Museu Ashmolean em Oxford, a França em 1683 o Museu de Belas Artes e Arqueologia, a Rússia o Museu Hermitage em 1764, o Museu Charleston nos Estados Unidos em 1773, o museu do Louvre na França em 1793, Museu Indiano em 1814 na Índia, no Brasil em 1818 o Museu Nacional. Sim o Museu Nacional, aquele que na noite de 02 de setembro de 2018 acompanhamos arder em chamas, destruindo quase a totalidade do acervo histórico e científico com vinte milhões de itens catalogados, além de seu edifício histórico que já foi residência oficial dos Imperadores do Brasil. Razão provável da tragédia: abandono e descaso político. O mesmo abandono e descaso com a Cultura que persegue nosso país desde a chegada dos portugueses. Em tempo: não foi descobrimento, foi chegada. 




A ETIMOLOGIA DO NOME BOAZ - Leonardo Sousa de Freitas



Resumo

Esta pesquisa objetiva discutir especificamente a etimologia do nome Boaz (בעז, em hebraico), abordando suas diferentes interpretações e dissertando sobre as reflexões e conclusões do autor sobre seu significado.

Introdução

Etimologia (do grego antigo ἐτυμολογία, composto de ἔτυμος [verdadeiro, real] e -λογία [estudo]) é um campo de estudo da linguística que trata da história ou origem das palavras e da explicação do significado de palavras através da análise dos elementos que as constituem [1]. Em outros termos, é o estudo da composição dos vocábulos e das regras de sua evolução histórica [2].

A história mostra que, no caso dos hebreus, era costume antigo a práxis de atribuição a pessoas de nomes com significados particulares à sua história ou à sua predestinação, seja de forma direta ou através da composição de palavras. O nome Jacó, por exemplo, deriva da raiz hebraica “kov”, que significa “agarrar pelo calcanhar”, “enganar”, “conter”, “ficar” ou “suplantar”. Assim foi chamado porque saiu do ventre da mãe segurando o calcanhar do irmão gêmeo Esaú, que nascera primeiro [3]. Após uma luta com um ser angelical, o anjo lhe ordenou que mudasse seu nome para Israel, que significa algo como “aquele que luta com Deus”. As doze tribos de Israel vieram portanto, literalmente, dos filhos de Israel. 

O Rei Davi foi bisneto de Boaz, por sua vez descendente de Jacó (Mt 1,1-17). Por intermédio do profeta Natã, disse o Senhor a Davi: “Tua casa e o teu Reino serão firmes para sempre” (2Sm 7, 16). Vale a atenção para a semântica da “casa firme”, que também pode ser entendida como “casa forte”.

Revisão da literatura

Há diversos artigos e estudos maçônicos e profanos sobre Boaz. Encontra-se tanto somente extratos das passagens bíblicas formando uma narrativa histórica [4] como interpretações teológicas no sentido de atribuir a Boaz qualidades como bondade, generosidade, respeito e fidelidade [5] [6].

Assim sendo, todos esses trabalhos exploram a figura de Boaz, suas passagens bíblicas ou seu significado maçônico. Em relação especificamente à palavra Boaz, William Almeida de Carvalho, em sua monografia “Discussões Bíblicas: Booz ou Boaz?”, investiga a bíblia em hebraico para dissertar sobre as nomenclaturas Boaz e Booz, considerando que a palavra é adotada de ambas as maneiras, a depender do foro de leitura. Não se encontrou, porém, qualquer monografia, artigo ou estudo que discuta com profundidade a etimologia do nome Boaz. Mostram-se aparentemente inéditos, portanto, o objeto e escopo desta pesquisa.

Preâmbulo - Citações bíblicas

Primeiramente, o Dicionário Bíblico Online [7] mostra que o nome Boaz aparece em 24 versículos na Bíblia Sagrada, em um total de 28 vezes. É nos livros de Rute em que consta o maior número de citações: são 20 delas, o que se deve ao relato de sua história com a moabita que dá nome ao livro. I Crônicas, Mateus e Lucas, que tratam especificamente da genealogia de Boaz, tanto de sua ascendência como descendência, juntos somam 6 citações, e II Crônicas possui uma citação, que revela Boaz como inspiração para o nome da coluna à esquerda da entrada do Templo de Salomão.

Trata-se, portanto, de nome bíblico, público, não exclusivo da literatura maçônica.

Pesquisa em Português

Alguns autores relatam a semântica do nome como "nele está a força", "nele há rapidez" ou "rapidez" [8]. João Anatalino, no livro “Conhecendo a Arte Real”, relata que, no alfabeto hebraico, Boaz significa firmeza e Jackin força [9].

Exame nos rituais de iniciação do Grande Oriente do Brasil igualmente revelaram diferentes usos do nome Boaz. No Ritual de Emulação, o nome Boaz é descrito como “em força”. O Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Brasileiro o utilizam, mas não descrevem seu significado. O Rito Schröder, o Rito Moderno e o Rito Adonhiramita não o adotam em suas cerimônias, substituindo-o por diferentes nomes, fora do escopo desta pesquisa. 

 Pedro Juk relata que “segundo estudiosos, o nome BOAZ, se utilizado como termo complementar de JAQUIM (nome da outra Coluna e que significa “Ele”, ou “Deus” estabelecerá) forma a seguinte frase: “Ele” (Deus) estabelecerá com força” [10]. Não são citados, porém, quais seriam esses estudos.

 Também foi encontrado o significado de “alvoroço, grande alegria” [11]. A mesma fonte alega que, em algumas culturas africanas, Boaz é um nome que significa “luz” ou “clareza”. Essas interpretações, como a de “vivacidade” [https://www.apologeta.com.br/boaz/] não apresentaram quaisquer lastros na literatura.

Pesquisa em Inglês, Italiano, Espanhol, Francês e Alemão

A pesquisa anglófona revelou que autores bíblicos [12] e no “Emulation Ritual” [13] seu significado é dito como "em força" ("in strength"). 

Em outros rituais de iniciação ingleses, como no ritual “West end” [14], são adotadas a mesma terminologia e etimologia: “in strength”. No ritual de iniciação da “Gran Loggia Regolare d’Italia” o significado, em Italiano, é simplesmente “Forza” [15]. Já no ritual do “Rito Escoces Antiguo Y Aceptado de la Gran Logia de España”, em Espanhol, adota-se o significado “Con fuerza” [16]. Diversos rituais de iniciação pesquisados em Francês e em Alemão, tal qual seus equivalentes em português, não a adotam em suas cerimônias.

No versículo da Wikipedia sobre Boaz [17] é dito que o nome pode expressar tanto velocidade como força. Viria de be'oz (em/na força de) ou "bo'oz" (na força dele). A raiz "zz" significaria "to be strong"(ser forte).

Na lista de significados dos nomes nas Sagradas Escrituras (“Meanings of names in Holy Scriptures”) da Abrahamic Study Hall simplesmente se lê “strength” (força) [18]. Igual significado é relatado por Emery Barnes no The Journal of Theological Studies [18a]

Pesquisa em Hebraico

Assim, dadas as incoerências com as explicações nos diferentes idiomas, se fez necessária exploração da etimologia da palavra em hebraico, idioma cuja Bíblia serviu de origem para as diversas traduções já abordadas. O alfabeto hebraico é ilustrado na Figura 1:

Figura 1: alfabeto hebraico


É importante ressaltar que a palavra Boaz não existe em hebraico e o nome (בעז) só pode ser explicado como um composto [19], como se segue. 

Considerando que, em hebraico, se lê da direita para a esquerda, a soletração literal do nome Boaz em hebraico é Bet - Vav - Ayin - Zayin. 

A letra Ayin, como se vê no alfabeto, não se pronuncia, tal qual a letra H, em muitos casos, na língua portuguesa. Assim, em hebraico, o nome é escrito apenas como Bet - Ayin - Zayin, conforme Figura 2.

Figura 2: “O que o Senhor quer dizer com BOAZ” em hebraico (em tradução livre)


ב (a letra Bet, ilustrada na Figura 3) se trata de um prefixo, que significa “in, within or by means of” (“em, dentro ou por meio de”).

Figura 3: a letra Bet



A segunda parte do nome, (עזז), vem do verbo hebraico azaz, que significa “to be strong” (ser forte). A vertente de interpretação de azaz como “swiftness” (rapidez, velocidade), segundo o BDB (Brown-Driver-Briggs) Theological Dictionary, publicação de referência sobre a bíblia em hebraico e em aramaico, aponta para uma possível interpretação da etimologia desse verbo em árabe, em cuja interpretação remeteria a um cavalo [20]. Abordagem semelhante é feita pela The Library of Biblical Literature, que aponta activity (atividade) como um significado para Boaz oriundo da raiz árabe do verbo supracitado [21].

Em outra frente, são dadas interpretações para cada letra, isoladamente, do nome Boaz. Dentre outras interpretações, Bet denota uma casa e representa o conceito universal de um recipiente [22]. Ou seja, aquilo que recebe algo.

Discussão

Mesmo em Português brasileiro a tradução de Boaz já foi feita de formas diferentes dentro de um mesmo rito. No ritual de emulação (chamado de Rito de York do GOB) do Grande Oriente do Brasil, em sua versão de 2009, seu significado era “em solidez”. Na revisão desse ritual de 2020, considerando que foram apontadas algumas correções com o intuito que a versão brasileira do Emulation Ritual ficasse mais próxima à versão original publicada pela Grande Loja Unida da Inglaterra, o significado de Boaz foi alterado para “em força”.

Analisando as diferentes traduções em outras línguas e a etimologia do nome em hebraico, a tradução de בעז como “in strength” ou “em força”, com o uso do prefixo in/em, a despeito das citações literárias em contrário [23], soa como uma tradução literal que gerou um neologismo. No entendimento do autor a expressão não faz sentido, tanto em Português como em Inglês. Não foram encontradas referências de uso de um prefixo dessa forma, nesse contexto, em ambas as línguas. Vale ressaltar que uma etimologista e algumas pessoas que já moraram na Inglaterra confirmaram ao autor essa interpretação. 

No âmbito bíblico ou maçônico, mesmo com a junção dos significados das duas colunas da entrada do Templo de Salomão, imaginando a expressão “em força” como parte de uma expressão maior, sozinha sem sentido completo, a expressão “Ele estabelecerá em força” segue sem coerência gramatical, apesar de menções ao sentido de que Deus estabelecerá de forma incisiva ou firmemente o Reino de Israel [24].

Mesmo considerando apenas a tradução do Emulation Ritual do inglês para o português, sem considerar o erro da tradução do original hebraico, “em força” não parece ser a terminologia mais adequada. Simplesmente “Força”, "Ser forte" ou traduções semelhantes parecem ter mais sentido. A tradução mais harmônica encontrada nesta pesquisa foi "a força está nele" ("the strength is within him", sendo “bo” = “in him” e “az” = “strength”) [25, 26]. Ao cabo, maçonicamente essa tradução faz mais sentido que as demais, considerando a semântica das forças das colunas que, simbolicamente, sustentaram o Templo de Salomão (isto porque consta que essas duas colunas não teriam efetivamente sustentado nenhuma parte da construção [27]).

No caso do Ritual de Emulação publicado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, tendo em vista que seu texto segue inalterado desde 1823 [28], fica evidente uma importante dificuldade para qualquer tipo de correção histórica. Apesar desse embaraço, outrossim, ser uma realidade brasileira, como no caso da discussão sobre o uso do Ritual de Emulação como “Rito de York” no âmbito do Grande Oriente do Brasil, a tradução do Emulation Ritual sofreu diversas alterações e adaptações recentes, o que mostra alguma abertura para novas correções, como a proposta nesta pesquisa, em revisões futuras.

Conclusão

As evidências apontam que a tradução do significado do nome Boaz do hebraico para o inglês como “in strength”, e consequentemente para o Português como “em força” pode não ser a mais adequada, em detrimento de traduções menos literais mas que fariam mais sentido, como "the strength is within him" (“a força está nele”) ou, simplesmente, “strength”(“força”), tal qual no ritual da “Gran Loggia Regolare d’Italia”. Há de se convir, porém, que o Emulation Ritual, publicado em 1813, após cerca de 100 anos de discussões e conciliações, não só ritualísticas mas, principalmente, políticas (considerando a delicada e morosa junção das duas Grandes Lojas então existentes na Inglaterra), foi produzido em um contexto muito diferente do atual em que, apenas com um aparelho com acesso à internet, tem-se acesso a boa parte do conhecimento da humanidade, tanto os superficiais como os profundos. Há de se compreender, portanto, eventuais falhas metodológicas na tradução dos termos bíblicos para o inglês feita nos séculos XVIII e XIX.

Este trabalho, apesar de ter como mote a discussão etimológica do nome Boaz, teve por plano de fundo um processo de aprimoramento pessoal. A revisão da literatura, a pesquisa bíblica e a leitura e sistematização dos diversos rituais de aprendiz, tanto em Português como nos demais idiomas, serviram tanto como um enriquecimento do conhecimento geral e maçônico do autor como de construto para um maior entendimento dos caminhos da evolução desses rituais em seus respectivos países. Considerando que a maior parte do antigo testamento foi escrita em hebraico [29], estudo intensivo desse idioma permitiu ao autor maior acurácia na condução da proposta deste artigo, considerando a assertividade advinda da leitura e interpretação das escrituras em sua versão original

Referências 

[1] https://dicionario.priberam.org/etimologia

[2] ALMEIDA E COSTA, J.; SAMPAIO E MELO, A. (coord.). Dicionário da Língua Portuguesa. 7ª ed. revista e ampliada. Porto: Porto Editora, 1995.

[3]https://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/399273-conheca-a-origem-do-nome-israel-leia-trecho-de-livro.shtml

[4] https://estiloadoracao.com/quem-foi-boaz-na-biblia/

[5] https://www.bibliaon.com/boaz_homem_de_deus/

[6] https://ultimato.com.br/sites/jovem/2017/06/08/rute-boaz-e-uma-historia-de-amor-maior/

[7] https://www.casadosenhor.com.br/dicionario/palavra.php?palavra=BOAZ&id=691

[8] https://minhabibliaonline.com.br/boaz-na-biblia

[9] https://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/3269112

[10] http://pedro-juk.blogspot.com/2020/10/boaz-significado-da-palavra.html

[11] https://www.significadodonome.com/boaz/

[12] https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1200000779

[13] https://www.stichtingargus.nl/vrijmetselarij/ovo_remul1.html

[14] https://www.stichtingargus.nl/vrijmetselarij/s/taylors_r1.html

[15] https://www.stichtingargus.nl/vrijmetselarij/s/glri_r1.html]

[16] https://www.stichtingargus.nl/vrijmetselarij/s/espana_r1.html

[17] https://en.wikipedia.org/wiki/Boaz#:~:text=The%20etymology%20of%20the%20name,preferred%20%22of%20sharp%20mind%22

[18] https://www.abarim-publications.com/Meaning/Boaz.html

[18a] Barnes, W. Emery (1904). Jachin and Boaz. Journal of Theological Studies. 447–451.

[19] https://www.abrahamicstudyhall.org/2021/02/26/meanings-of-names-in-the-bible/

[20] https://hebrewcollege.edu/wp-content/uploads/2018/10/BDB.pdf , p.362

[21]

[22] https://gabrielelevy.com/pages/the-letter-bet

[23] https://hebrewcollege.edu/wp-content/uploads/2018/10/BDB.pdf , p.363

[24] https://reavivadosporsuapalavra.org/2013/02/08/i-reis-7-as-colunas-do-templo-jaquim-e-boaz/

[25] https://versiculoscomentados.com.br/index.php/estudo-de-1-reis-7-21-comentado-e-explicado/]

[26] Bíblia Ave Maria. https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/i-reis/7/

[27] https://www.behindthename.com/bb/fact/25748

[28] https://en.wikipedia.org/wiki/Emulation_Lodge_of_Improvement

[29] https://www.franciscanas.org.br/noticias/a-biblia-foi-escrita-em-tres-linguas/