“Um eterno aprendiz” é uma das frases mais proferidas no ambiente da Maçonaria, na sua maioria, pelos que se comportam como “Um eterno mestre”.
São os que sentem que tem de ser protagonistas.
Há diferença entre comportamento e conduta.
Alcançar o Grau 3 dá-nos a plenitude de deveres; e não de direitos.
Com muita tristeza, frequentemente observamos, após a exaltação, a diminuição imediata de apresentação de trabalhos, até se extinguir.
A frequência do Irmão fica mais irregular e o “eterno aprendiz”, do nada, torna-se um critico ferrenho à Ordem e às Instituições.
Se galgou cargos ou graus, costuma amparar-se nos títulos nobiliárquicos.
Nas cerimónias exige lugares especiais e tratamento diferenciado.
Mas, dos males, esses são os menores.
Todos percebem a fragilidade destas demonstrações públicas de vaidade e o falso reforço da autoestima, que revelam nada mais do que o ridículo desses comportamentos.
O mal maior reside no comportamento de protagonista.
O Irmão trabalha para que a Loja assuma e realize os seus planos.
Se alguma proposta não tiver a sua autoria, trabalha na tentativa de alterar e até mesmo boicotar o acordado entre os demais Irmãos.
Com a desculpa de procurar uma solução melhor e como se fosse um “sábio conselheiro”, esbarra na ingerência administrativa nos trabalhos e nas Lojas.
Esta ingerência vaidosa e improdutiva, invariavelmente resulta em desarmonia na Loja.
Um alerta no sentido do protagonismo famigerado se faz necessário.
Todos nós, na condição de humanos, somos susceptíveis às tentações da arrogância e da soberba, pois elas são retroalimentadas pelas bajulações e pelas pseudo lideranças.
Da teoria à prática, a distância é grande.
Às vezes, não são possíveis adequações pessoais.
Por isso, é necessário o alerta para a compreensão de que a prática simbólica do “eterno aprendiz” está para além da vaidosa e superficial repetição da aprendizagem.
É preciso a sua interiorização; isto é, Introjetar e viver esta alegoria no pleno simbolismo do eterno aprendiz.
O avental monocromático do aprendiz é indicativo da alvura que deve conter os nossos propósitos e mostra como é desnecessário adornos e decorações neste instrumento de trabalho.
O avental do aprendiz é também maior em tamanho.
A sua dimensão indica a segurança na aprendizagem.
O mau uso das ferramentas pode lançar lascas contra nós, com riscos de mutilar ou deixar cicatrizes, indicando a nossa imperícia.
Às vezes, apresenta-se uma correlação “eterno aprendiz” com o “eterno mestre”.
De um lado simbólica, do outro, concreta, traduzida na expressão de não saber ler e nem escrever.
Mas, o nosso famigerado protagonista sabe bem soletrar nos três níveis da palavra.
Ele s/o/l/e/t/r/a – so/le/tra – soletra.
Repetidamente soletra.
Tolamente, ele acredita ser como o personagem principal da Loja na cabeça dos obreiros e coloca-se como “o sábio”, “o mestre”, “o orador”, “o arauto da verdade”, em alguns casos, realmente um grande famigerado que traz perigo à harmonia da Loja.
Famigerado é o adjetivo que designa, em geral, o célebre.
Mas, mas é também usado no sentido pejorativo, associado àquele que não goza de boa reputação junto aos demais.
Na construção da Maçonaria, todos os tijolos são iguais.
Dimensões, posições, origens, ângulos, pouco importam.
Todos, um dia, estaremos à vista.
Com o passar dos anos, vêm os chapiscos,
Depois de décadas, a cobertura do reboco; e, rapidamente,
A cal do esquecimento cobre definitivamente toda a parede.
Aí, o bom tijolo, bem assentado, sem trincas ou imperfeições,
Sente que cumpriu a sua missão.











