abril 02, 2026

A FORMAÇÃO DE LÍDERES MAÇÔNICOS NO SÉCULO XXI - Helio P. Leite



“No século XXI, a liderança maçônica nasce da união entre sabedoria iniciática e competência administrativa.”

A história da Maçonaria demonstra que, em cada época, a Ordem foi conduzida por homens que souberam interpretar os desafios de seu tempo e agir com sabedoria diante das transformações da sociedade.

Desde o surgimento da Maçonaria especulativa, no início do século XVIII, a liderança maçônica sempre esteve associada a três qualidade fundamentais: retidão moral, cultura intelectual e capacidade de conduzir homens.

Contudo, o século XXI apresenta circunstâncias novas e particularmente desafiadoras. A velocidade das mudanças sociais, a complexidade das organizações e a crescente exigência de transparência e eficiência administrativa fazem com que o exercício da liderança , inclusive no âmbito da Maçonaria, demande preparação cada vez mais sólida.

No caso do Grande Oriente do Brasil, a estrutura federativa, a extensão territorial e o número expressivo de Lojas e membros exigem dirigentes capazes de conciliar tradição iniciática e competência administrativa.

A liderança maçônica contemporânea não pode limitar-se apenas à condução  ritualística dos trabalhos. Ela exige também: capacidade de planejamento; visão institucional; habilidade de diálogo; preparo administrativo; e compromisso com a unidade da Ordem.

Isso significa que o líder maçônico do século XXI precisa reunir duas dimensões complementares.

A primeira é a dimensão iniciática, que constitui o fundamento moral da liderança. Sem ela, qualquer autoridade se torna vazia. É o conhecimento da tradição simbólica, a prática das virtudes e o compromisso com os princípios da Ordem que legitimam o exercício da liderança maçônica.

A segunda é a dimensão administrativa, que permite transformar ideais em ações concretas. Conduzir uma Loja, dirigir um poder ou exercer funções de grande responsabilidade dentro da Ordem exige organização, planejamento e capacidade de gestão.

Quando essas duas dimensões caminham juntas, surge o verdadeiro dirigente maçônico: aquele que governa não apenas com autoridade, mas também com sabedoria.

Nesse contexto, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de formação sistemática de lideranças dentro da Maçonaria.

Durante muito tempo, acreditou-se que a experiência acumulada ao longo da vida maçônica seria suficiente para preparar dirigentes. Em muitos casos, de fato, essa experiência produziu líderes notáveis. Contudo, a realidade contemporânea demonstra que a experiência , embora valiosa, pode ser significativamente fortalecida por processos estruturados de formação.

Programas de capacitação, cursos de planejamento, seminários de liderança e estudos de governança institucional representam instrumentos importantes para preparar irmãos que venham a assumir responsabilidades maiores dentro da Ordem.

Iniciativas como cursos de planejamento para Veneráveis Mestres ou mesmo a criação de uma Escola dedicada à formação administrativa maçônica podem contribuir decisivamente para esse objetivo.

Esses programas não têm por finalidade  transformar a Maçonaria em uma organização meramente burocrática. Ao contrário, buscam garantir que os valores iniciáticos da Ordem possam ser preservados e transmitidos com estabilidade institucional.

Afinal, instituições sólidas dependem de líderes preparados.

Ao investir na formação de suas lideranças, a Maçonaria não está apenas qualificando administradores. Está preparando irmãos capazes de orientar suas Lojas, preservar a harmonia da Ordem e conduzir a instituição com visão de futuro.

O século XXI exige líderes que compreendam a tradição e saibam dialogar com a modernidade.

Na Maçonaria, essa tarefa assume um significado ainda mais profundo. O líder maçônico não é apenas um administrador de estruturas; é também um guardião de valores e um orientador de consciências.

Por isso, a formação de líderes maçônicos deve ser vista como um investimento estratégico para o futuro da Ordem.

Quando a liderança se fortalece, as Lojas prosperam. Quando as Lojas prosperam, toda a instituição se engrandece.

E é assim que a Maçonaria continua cumprindo sua missão secular: formar homens melhores para construir uma sociedade mais justa e fraterna.

“Quem deseja conduzir homens deve primeiro aprender a governar a si mesmo.”



A FRATERNIDADE NO SÉCULO 21 - Byron J. Collier (Adaptado de tradução feita por Luciano R. Rodrigues)




..."Como maçons, nós nos orgulhamos da antiguidade e da história da maçonaria, mas nossas cerimônias e rituais em si serão suficientes para satisfazer as gerações futuras?"... 

O futuro exigirá uma melhor compreensão do que realmente significa ser um maçom através de um melhor conhecimento de nós mesmos e praticar os princípios que todos prometemos manter em nossos juramentos ou obrigações. 

Acredito ainda que o exemplo silencioso de homens com integridade, que exibem as virtudes morais e sociais dos homens bons e que fazem a coisa certa por causa da justiça, prevalecerão e preencherão as lacunas sociais criadas nesta nova era.

Para que nossa fraternidade não apenas sobreviva, mas cresça, devemos tornar o acolhimento de novos membros e a retenção dos irmãos existentes uma parte importante do que fazemos na Loja. 

As experiências dos primeiros meses de um Aprendiz e do Companheiro e os primeiros anos de um Mestre Maçom, determinarão como eles verão a Maçonaria pelo resto de suas vidas. 

É por isso que o compromisso com a orientação e a sustentação da comunhão é relevante, agora mais do que nunca. 

Acredito que nossas Lojas devem procurar melhores maçons e não mais maçons.

Há uma velha história sobre um homem que estava considerando oferecer-se como candidato à maçonaria. 

Ele selecionou uma das duas Lojas em sua área local. 

Depois que ele foi iniciado como maçom, um amigo perguntou por que ele tinha selecionado sua Loja em particular. 

Sua resposta foi que, após entrevistas com oficiais das duas Lojas, sua seleção foi fácil porque uma Loja estava muito interessada nele como candidato enquanto a outra estava interessada nele como um irmão. 

Qual você acha que ele escolheu?

Embora tornemos nossas reuniões mais interessantes por eventos sociais e educação maçônica, a força motriz que traz maçons a se unirem é a nossa irmandade quando nos encontramos, seja em reuniões na Loja ou por encontros casuais na rua. 

Não leva muito tempo para um novo maçom perceber que ele pode formar novas amizades para o resto de sua vida. 

No entanto, um dos principais perigos vem quando a “novidade” da experiência maçônica começa a desgastar. 

Quando o comparecimento de um irmão se torna irregular ou ele para de ir à Loja, sugere-se que:

1) suas prioridades mudaram,

2) ele está sobrecarregado com deveres da Loja

3) algo mudou em sua vida.

A fim de descobrir o que mudou para o irmão, devemos estar dispostos e capazes de se engajar em diálogo aberto e franco.

Para chegar ao ponto de conversa honesta e aberta com nossos irmãos maçônicos, devemos estar mais próximos. 

Temos que fazer um esforço concentrado para obter os pontos de vista e sentimentos de todos os membros, não apenas de alguns. 

Portanto, se a formalidade de uma reunião da Loja, impede a entrada de alguns membros, devemos reconhecer isso e solicitar suas opiniões em reuniões menos formais ou em discussões. 

É importante que cada Irmão sinta que ele não foi deixado de fora, que a Loja acolhe seus pontos de vista, e que ele “teve sua palavra”.

Uma das armadilhas mais comuns que devemos ter cuidado para evitar, é apenas associar-se com os maçons que tem a mesma opinião que nós, pois podemos criar o que parece ser “panelinhas”. 

Eu digo mesma opinião porque às vezes não passamos tempo suficiente para entender completamente todos os nossos irmãos. 

Eles podem ser da mesma opinião, mais do que nós percebemos!

Finalmente e mais importante ainda, devemos praticar a compreensão e a tolerância.

Compreensão para se sentir livre para discutir questões delicadas, questões humanas que são importantes para fazer e manter bons relacionamentos. 

Porque somos todos diferentes, cada um de nós vem de diferentes origens e cada um de nós pensa e age de forma diferente. 

Portanto, devemos nos conhecer um ao outro o suficiente para que possamos conversar em um nível que promova a amizade e, ao mesmo tempo, evitar a discórdia. 

Devemos também assumir uma atitude que é completamente tolerante com as opiniões e ideias de nossos irmãos. 

Podemos sentir que sua idéia ou ponto de vista está errado, mas devemos reconhecer que eles têm suas próprias razões para suas expressões, e não é nossa sorte julgá-los por isso. 

..."Como pessoas, tudo que nós dizemos e fazemos, são coisas que mais tarde gostaríamos que pudéssemos ter de volta."

Bem, nós podemos abertamente sermos honestos com nós mesmos e tentar corrigir os erros rapidamente e facilmente perdoar essas transgressões por outros. 

• Eu ouso dizer que todos nós conhecemos irmãos da maçonaria que, por uma razão ou outra, estão em algum nível de disputa emocional com outros maçons. 

• Essas disputas são realmente importantes no grande esquema das coisas? 

• Eu realmente acredito que uma boa discussão honesta faria com que a maioria das disputas não existisse. 

Cada um de nós deve aprender a buscar e aceitar admoestações e sussurros de bons conselhos de outros, e pelo menos ter alguma concordância, *“concordando em discordar”.*

Peço-lhe que considere e pratique essa compreensão, tolerância e expresse um interesse genuíno no seu companheiro maçom, o homem que você chama de Irmão.


abril 01, 2026

PESSACH É A FESTA DA INCLUSÃO! - André Naves


Ainda que me faltem condições e autoridade para discorrer sobre o tema, já que toda a tradição e sabedoria culturais judaicas foram-me castradas violentamente pelos tribunais inquisitoriais, além de sepultadas pelas poeiras dos séculos e do olvido, arriscar-me-ei a tecer um singelo e humilde comentário acerca de um pequeno, mas fundamental, aspecto da simbologia trazida pela festividade de Pessach.

Pessach é a Festa da Liberdade e também da Inclusão!

É um lembrete perene, e daí sua necessária repetição, de que não há espaço para fermentação e expansão do “eu”. Ao contrário, nossa individualidade, a festa nos lembra, só se completa quando nosso “eu” se dissolve num harmônico “nós”. Ou seja, todos temos nossa essência individual que deve ser potencializada e celebrada, mas nossa dignidade só se perfaz coletivamente, com a pressuposição de que estamos todos juntos, em um mesmo caminho, e devemos cuidar uns dos outros.

Assim como o povo judeu, em sua jornada rumo a Jerusalém, era formado pelas mais diversas individualidades que, com suas diferentes capacidades, atuou mediante o cuidado coletivo mútuo de maneira a potencializar as características e possibilidades pessoais de cada um, nós, em nosso labor constante de aperfeiçoamento devemos buscar apoio nas melhores capacidades coletivas.

Nenhum de nós é tão pequeno que não possa contribuir. Nenhum de nós é tão poderoso que não precise de algum auxílio!

Somos diferentes, somos diversos, somos únicos. Somente com a união de nossas melhores capacidades conseguiremos, com sucesso, alcançar nossos objetivos finais! 

Chag Pessach Sameach!

MENSAGEM DA ARLS NOVA ERA PAULISTANA 116



 

PALESTRA NAS ARLS NOVA ERA PAULISTA 116 E ESTRELA PAULISTANA 304









Na noite de ontem, terça feira, a convite do irmão Nereu Cassaro, tive a honra de proferir uma palestra em sessão pública conjunta das ARLS Nova Era Paulista 116;e Estrela Paulistana 304. O tema foi "O caminho da Felicidade" baseada no meu livro de mesmo nome e minha palestra mais requisitada, pelos ensinamentos que transmite, baseados na Cabalá.

Sob a direção dos Veneráveis Mestres Camilo Simão Neto da Loja Nova Era e Eduardo Micheli da Estrela Paulistana a sessão recebeu diversas autoridades.
 Estiveram  presentes o Delegado Regional Odivaldo Siviero, os Delegados Distritais Maurício Fernandes Eiras e Valdemar Galano, Nereu Martins Cassaro, Grande Secretario de Relações Interiores e José Aquino Neto Grande representante.

Como sempre acontece em minhas palestras, foi solicitado a cada irmão e convidado a doação de alimentos que foram encaminhados para a instituição LR Benvindo de Santo André. Também como de hábito, em nome do SGM Jorge Anysio Haddad, entreguei a cada um dos Veneráveis Mestres, uma medalha representativa da história da GLESP.

Merece destaque o espetacular ágape, uma maravilhosa peixada, digna dos melhores restaurantes. Para quem não gosta de peixe havia muitas outras opções como filés de frango, linguiças, saladas, etc. 


MAÇONARIA DO SÉCULO XXI – PENSAR, SENTIR E VIVER - Luís Carlos M.'.M.'. (Revisão Sidnei Godinho)



A sociedade moderna vem assistindo ao desmoronamento de muitas estruturas e, ao mesmo tempo, a estruturação de uma nova ordem mundial. 

Poderosas correntes de mudanças impulsionadas por estupendas forças arquetípicas vêm sacudindo todas as instituições e até mesmo a vida pessoal dos membros da Comunidade humana.

O que, por outras palavras, queremos dizer é que a história recente das sociedades humanas vem mostrando a continuidade de uma velha tendência: *a de nos voltarmos contra nós mesmos.* 

É sabido que construímos o mundo em que vivemos ao longo das nossas relações com ele. 

Mas, como também se sabe, se construímos o mundo também somos por ele construídos.

Assim acontece no mundo e assim acontece na MAÇONARIA. 

Acompanhar as mudanças que se operam no mundo e estar afinado com o seu diapasão é um dever de todo mortal que deseja administrar bem a sua vida neste plano do Universo. 

Entretanto, como membros de uma Organização que preserva grandes planos de evolução social, esse dever é multiplicado, pois, além de administrar a nossa vida, temos, também, de auxiliar no desenvolvimento da sociedade.

Esta dificuldade de compreensão é uma das nossas maiores limitações. 

Para nós é fácil entender as coisas divididas, aos pedaços: os acontecimentos isolados, os objectos fragmentados, as pessoas separadas umas das outras. 

Lidamos bem com fragmentos. 

Mas não compreendemos com facilidade que tudo o que nos cerca existe em relação, em conjunto, que tudo tem a ver com tudo, tudo depende de tudo.

Em especial, temos dificuldade de entender que não estamos separados daquilo que observamos.

Eis, portanto, mais uma definição de Maçonaria: 

• “É a arte de interagir, construir algo em comum, descobrir a nossa humanidade mais profunda na relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo natural. 

• E deixar que os outros descubram em nós a sua humanidade e o mundo nos mostre a sua amplitude”, o que em uma única palavra quer dizer *“Acolhimento”*.

Sabe-se também que, a Maçonaria é uma “Família”, uma “Família Universal”. 

Ser Maçom é, pois, pertencer a esta Família Universal. 

A família acolhe os seus membros e, portanto, família é “Acolhimento”. 

*Assim, se família é acolhimento, então, Maçonaria é também Acolhimento.*

Faz parte da missão suprema da Franco-Maçonaria (como uma Organização de construtores sociais, de formadores de opinião e de condutores anónimos da sociedade) auxiliar a humanidade nesses momentos de mudanças de ciclos, para que as inevitáveis transformações não causem tantos transtornos ao homem.

Contudo, não é isto o que em geral fazemos no quotidiano...😔 

O exame do noticiário de qualquer jornal, de qualquer emissora de TV, mostra que muitas vezes o nosso dia-a-dia não é marcado pelo acolhimento e pela construção, mas sim pela rejeição, exclusão e divisão e pela destruição.

• (É notório em nossos boletins a quantidade de processos e litígios entre irmãos, lojas e Potências) 

Mas, como “a Ordem é os seus membros”, perguntamos: 

_ "Estamos qualificados para operarmos competentemente nesse quadro avassalador que se apresenta ao homem da sociedade contemporânea?" 

Refletir para reconstruir talvez seja o lema a ser adoptado pela actual geração de maçons, a fim de reestruturar a Ordem maçónica nesse limiar do Terceiro Milénio.

Em muitas situações, convivemos com os outros e com o mundo afastando-nos, desconfiando, destruindo. 

Isto é, não acolhemos, e, é claro, recebemos o mesmo em troca, tanto em termos de violência entre pessoas quanto em relação às catástrofes naturais: enchentes, secas e outras consequências da agressão ao meio ambiente. 

Ou seja, vivemos em conflito com a ordem natural das coisas e em desacordo com a nossa biologia.

Este ânimo de não acolher, não compartilhar, dividir, separar, manifesta-se em todas as dimensões do quotidiano e, infelizmente, também em nossas lojas. (contendas constantes sobre poder e prestígio) 

O que estamos propondo é apenas uma reflexão, pois como dizia Balzac: *“Revolução muda tudo, menos o coração do homem”.*

É preciso respirar fundo e refletir sobre o que é elementar:

*DESBASTAR A PEDRA BRUTA*, aparar as arestas da prepotência e do egoísmo, da sua própria verdade e tornar-se uma *PEDRA POLIDA* que pode ser integrada junto às demais, na construção desse templo que é a *VIDA*. 


A FORÇA - Rui Bandeira



A obra humana, para ter valia, deve estar dotada de Força. 

A ação do maçom deve beneficiar da Força.

Não é de força física que aqui se trata. 

Ao mencionar esta característica de que devem estar dotados os maçons e o comportamento e as obras destes, quer-se, em primeiro lugar, fazer referência à Força de Caráter que deve ser apanágio do maçon. 

Força de caráter para seguir o, por vezes estreito e acidentado, caminho da virtude.

Em segundo lugar, Força de Vontade. 

Força de vontade para combater o vício, isto é, para combater e anular, se possível, os defeitos que, infelizmente, todos nós temos.

Mas a Força não respeita apenas às características intrínsecas do Homem, refere-se igualmente às das suas obras.

E, neste plano, a Força de que aqui se fala respeita à Eficácia das ações humanas. 

Pode agir-se com muita boa vontade, mas se a nossa atuação for estéril, se a nada conduzir, se do nosso ato nada nascer, nada frutificar, nada mudar, nenhum efeito se obtiver, então mais valia ter estado quieto e poupado o esforço absolutamente inútil… 


• Quando nada de útil se pode fazer, então manda o bom senso (a Sabedoria de que ontem falava…) que nada se faça. 


O Homem deve agir, deve actuar, mas deve fazê-lo com eficácia, de forma a que dos seus actos resultem efeitos, especialmente os efeitos pretendidos, que devem melhorar o que existia antes de se actuar.


Também no plano das características de que devem estar dotadas as obras humanas, a Força é sinónimo de Durabilidade. 


Pouca utilidade tem a construção que se desmorona ao mais leve sopro de vento ou que, ao jeito de construção na areia, é destruída logo que a maré sobe… 


Neste sentido, o Homem prudente procura que aquilo que constrói seja durável, que seja utilizável com proveito enquanto seja útil. 


E com isto, tanto nós podemos estar a referir à construção de um edifício ou de uma ponte, como à edificação da relação que partilhamos com a nossa companheira de vida ou àquela que temos com os nossos filhos, ou ainda aos laços de amizade que tecemos ao longo de nossas vidas.


A obra humana, seja física, seja relacional, deve, à imagem do seu autor, estar dotada de Força. 


Isto é, deve corresponder ao que se pretende dela (eficácia) por todo o tempo que se destinar a durar (durabilidade), no limite para toda a nossa vida e, se possível, para além dela.


Para os maçons, é importante, mas não basta, que os seus actos estejam dotados de Sabedoria; é imperioso que tenham também a Força que os faça valer a pena.


É assim que a Força é outra coluna de suporte do Templo que interiormente cada um de nós deve edificar.


Bom dia meus irmãos. 🙏 


Rui Bandeira M.'.M.'.

março 31, 2026

OS NEANDERTAIS TINHAM QUALIDADES HUMANAS

 


Durante décadas — talvez séculos — um dos maiores equívocos da arqueologia foi repetido com a convicção arrogante de uma verdade eterna: os neandertais eram brutos, lentos, quase caricaturas grotescas arrastando a própria ignorância pelas cavernas da pré-história.

Essa ideia ganhou força no século XIX, quando os primeiros fósseis começaram a surgir. A mentalidade da época precisava de um “outro” inferior, uma justificativa fácil para explicar por que apenas nós, os Homo sapiens, havíamos sobrevivido. Bastou observar um crânio mais robusto aqui, um arco superciliar mais pronunciado ali, para decretar: “Se desapareceram, é porque eram estúpidos.”

Uma conclusão confortável. Conveniente. Falsa.

E então, em 1911, surge uma figura disposta a desafiar o consenso: o antropólogo escocês Arthur Keith. Ele reconstruiu um neandertal francês de forma ousada: não como um monstro arqueado e feroz, mas como um ser humano. Sentado ereto. Vestido. Pensativo diante da luz quente de uma fogueira.

Uma imagem simples — e, para a época, escandalosamente revolucionária.

Keith foi ridicularizado, atacado, tratado como um sonhador fora da realidade. Mas, sem saber, havia puxado o primeiro fio de um mito que começaria a desmoronar.

A partir de 1939, com escavações mais cuidadosas e o avanço das técnicas arqueológicas, o quebra-cabeça começou a mudar. E cada peça nova desmontava mais uma camada do preconceito científico.

Durante o século XX, análises químicas, genéticas e comportamentais revelaram algo que ninguém esperava admitir: nós sempre estivemos errados sobre eles.

Hoje sabemos que os neandertais possuíam uma cultura impressionante — complexa, planejada, adaptada. Não eram nômades desorganizados vagando sem rumo. Eles escolhiam locais estratégicos, se deslocavam conforme o clima e a migração dos animais, administravam recursos com inteligência.

Praticavam medicina rudimentar. Cozinhavam com técnica precisa. Construíam estruturas. Fabricavam roupas especialmente pensadas para o frio extremo.

E mais: criavam embarcações simples, pescavam, caçavam com táticas sofisticadas, mineravam pigmentos e dominavam tecnologias que só hoje começamos a compreender por completo.

Eles falavam. Planejavam. Negociavam. Conviviam com grupos de Homo sapiens e, em muitos momentos, colaboraram com eles.

Mas talvez o mais surpreendente seja o que diz respeito à alma.

Sim, à alma.

Porque os neandertais tinham senso estético, simbólico e espiritual.

Criavam arte com pigmentos minerais. Guardavam objetos com significados pessoais. E, segundo pesquisas de 2019, podem ter participado de rituais envolvendo garras de aves de rapina — objetos tratados como amuletos sagrados, talvez símbolos de poder, proteção ou transcendência.

E emocionalmente? Nada de brutalidade. Nada de selvageria.

O que encontramos são histórias de cuidado.

Indivíduos com fraturas que nunca cicatrizariam completamente. Caçadores com lesões na coluna, idosos com doenças incapacitantes, crianças fragilizadas. Pessoas que, em qualquer sociedade estritamente pragmática, seriam abandonadas.

Mas eles não eram abandonados.

Eles eram protegidos.

Alguém dividia comida com eles.

Alguém carregava seu peso.

Alguém cuidava de suas feridas.

E eles celebravam. Exploravam sons. Criavam flautas pentatônicas capazes de melodias completas — músicas que, talvez, ecoaram em cerimônias, festas, rituais.

E enterravam seus mortos com intenção clara: flores, ferramentas, pigmentos, objetos importantes.

Inclusive crianças híbridas entre neandertais e Homo sapiens, tratadas com a mesma dignidade.

A velha imagem do “homem das cavernas estúpido” nunca existiu.

O que existiu foi outra humanidade. Diferente, sim — mas sensível, criativa, estratégica, cooperativa, inteligente.

E aqui está a parte incômoda, a que quase ninguém gosta de admitir:

Quanto mais descobrimos sobre os neandertais, mais percebemos que a verdadeira ignorância não era deles. Era nossa.

Fonte: História Perdida - Facebook 

MACONARIA: RAZÃO E INTUIÇÃO - Luís Carlos M.'.M.'. (Revisão Sidnei Godinho)



Nós, seres humanos, por natureza temos necessidade de explicações. 

Precisamos entender a nós mesmos, compreender os outros e o mundo em que vivemos. 

Desta necessidade nasceu a ciência, e das aplicações dela se originou a tecnologia.

Entretanto, há outros domínios da nossa existência que não podem ser explicados pela ciência. 

Neles a tecnologia não atua, ou não age do modo objetivo, concreto e eficaz com que opera no lado mecânico e concreto do nosso viver. 

Este imenso âmbito inclui os sentimentos, emoções, intuição e a subjectividade.

Como mostra a experiência, esse lado não pode ser explicado de modo objetivo: precisa ser compreendido, e para isso de pouco ou nada valem a eficácia e a exatidão da ciência e da tecnologia. 

A região intuitiva e subjetiva do nosso existir não pode ser simplesmente negada e afastada. 

Ela não deixa de fazer parte das nossas vidas por meio dessa atitude. 

Ao contrário: quanto mais negamos os nossos sentimentos, emoções e subjectividade, mais sofremos em consequência disso.

O lado racional e objetivo e a parte intuitiva e subjetiva da condição humana precisam estar juntos. 

Não podem viver divididos, afastados, como se um, nada tivesse a ver com o outro. 

Precisam conviver, complementar-se, fertilizar-se mutuamente. 

Um deve buscar no outro o equilíbrio que perdeu pela divisão e pelo afastamento.

Nas nossas sociedades atuais, e delas não se exclui a Sublime Instituição Maçónica, privilegia-se o conhecimento científico e as suas aplicações – as tecnologias. 

No outro polo – e postas num plano secundário -, estão as humanas, isto é, os estudos (que incluem a filosofia, simbologia, a literatura e as demais artes) que visam a compreender o ser humano nos seus sentimentos, emoções e subjetividade.(Intuição) 

A tecnociência busca a clareza da explicação. 

As humanas buscam a subtileza da compreensão. 

Ambas, quando isoladas, são necessárias – mas insuficientes – para compreender e explicar a complexidade da vida e das sociedades humanas. 

Quando elas se complementam, tornam-se necessárias e bastantes.

"O que não pode ser explicado precisa ser compreendido."

Por isso o técnico- científico e o humano (intuitivo) precisam conviver, acolher-se um ao outro. 

O filósofo francês Albert Camus disse a mesma coisa de outro modo: 

“Se o mundo fosse claro, a arte não existiria”. 

Eis um dos pontos principais da Ética do Acolhimento Maçónico: ela tem muito de ciência, pois Maçonaria é uma ciência, mas também muito de arte (Intuição), visto ser, a Maçonaria, a Arte Real.

No entanto, se esta situação é mais ou menos fácil de ser descrita, é muito difícil de ser resolvida na prática. 

O excesso de objetividade e pragmatismo tende a reduzir o humano às suas necessidades e medidas, isto é, ao homem máquina.

A principal consequência disso é o quotidiano duro e frio de muitos dos ambientes em que ocorrem as ações de sociabilidade. (Inclusive nossas sessões) 

Gerou-se uma atmosfera pesada, permeada por um mal-estar que atinge a todos e a todos embrutece.

• Se admitirmos uma Maçonaria débil no presente, não se pretenda que é a Instituição que sofreu regressão, mas os homens, de presença efémera na Sublime Ordem, que deixaram de estar à altura da Arte Real.

*A Maçonaria que se fala e se pratica no mundo, só fala em mudança de processos, e não de mentalidades.*

O que pretendemos propor não é uma mudança apenas para tornar diferente, pelo contrário, senão vejamos: a vida das organizações está mudando radicalmente; a vida é outra dentro das empresas e do mercado

Isto significa mais do que mudar simplesmente processos, mudar tecnologia e metodologia. 

É, portanto, necessário dar ênfase e criar um novo jeito de pensar, sentir e viver Maçonaria. 



ARLS UNIÃO PAULISTA 34



 

Na noite de ontem tive o prazer de visitar a Augusta e Respeitável, Centenária, Benfeitora e Benemérita Loja Simbólica União Paulista n. 34 da GLESP, em São Paulo. O enorme título se justifica porque no próximo dia 20 de abril a Loja estará completando 135 anos de existência, 36 a mais do que a Potência que a abriga e tem importantíssima atuação na história da maçonaria paulista e do Brasil.

Ao entrar no templo, no segundo andar do Palácio Maçônico Francisco Morato fui cordialmente recebido pelo irmão Luis Baumann, com quem mantenho frequentes relações de estudo da Ordem, e que me apresentou a cada um dos irmãos presentes. Pouco depois chegou o simpático Venerável Mestre João Peixe Pereira, que conduziu com maestria a sessão de primeira instrução a um novo aprendiz maçom.

A Loja tem seis aprendizes na coluna do norte é daqui a duas semanas vai iniciar o sétimo. É emocionante ver uma Loja tão tradicional repleta de novos maçons, que irão garantir a sua perpetuidade.

Expus os projetos para a biblioteca e os irmãos demonstraram acentuado interesse pela possibilidade de ter fácil acesso ao tesouro de livros da GLESP. Em nome do SGM Jorge Anysio Haddad presenteei a Loja com uma medalha comemorativa dos 80 anos da Grande Loja, para fazer parte do acervo histórico da Loja.

março 30, 2026

A ORDEM DAS MULHERES MAÇONS - Luciano J. A. Urpia

 


A Ordem das Mulheres Maçons é a organização maçônica feminina mais antiga e maior do Reino Unido, atuando nos mesmos moldes da Maçonaria masculina tradicional. Fundada em 1908 como Grande Loja da Honorável Ordem da Maçonaria Antiga, a instituição adotou seu nome atual em 1958. Originalmente aberta a ambos os gêneros, a Ordem tornou-se exclusivamente feminina em 1935 e tem sua sede em Notting Hill Gate, Londres, desde 1925, sendo administrada de forma voluntária pela Grã-Mestra e sua equipe.

Com cerca de 4.000 membros distribuídos por mais de 300 Lojas no Reino Unido e no exterior, a Ordem acolhe mulheres com mais de 21 anos, de qualquer raça ou religião, que acreditem em um Ser Supremo e sejam de bom caráter. Além das reuniões regulares, a instituição promove o desenvolvimento dos seus membros através da Sociedade Pembridge - um grupo dedicado a maçons novos e jovens - e incentiva ativamente a progressão nos graus superiores.

A Ordem colabora estreitamente com a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) na promoção do Programa Universitário, participando em feiras de calouros por todo o país para apresentar a Maçonaria feminina. Esta relação de cooperação se estende também à Honorável Fraternidade dos Antigos Maçons (Maçonaria para Mulheres), com quem compartilha cerimônias, vestes e projetos comunitários, demonstrando o compromisso conjunto com a transparência e o serviço à sociedade.

Extraído do site oficial da Grande Loja Unida da Inglaterra | www.ugle.org.uk @order_of_women_freemasons

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


VELHICE - Simone de Beauvoir



“Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura, apenas deixando o tempo assentar.

O corpo se aproveitou da minha distração.

Não sei quando foi que decidiu envelhecer, porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante. 

Um dia eu era movimento, urgência, promessa. No outro, continuidade. 

Não houve um aviso claro, nem um momento exato. 

O corpo foi mudando enquanto a mente seguia intacta, cheia de planos, curiosidades e vontades. As mãos ganharam histórias, o rosto aprendeu novos mapas, e o espelho passou a refletir alguém que não chegou de repente, mas foi se tornando. 

O envelhecimento não bateu à porta; entrou enquanto eu estava ocupada vivendo.

Há algo de delicado nisso. O corpo não traiu, apenas acompanhou o tempo. 

Ele desacelerou onde antes corria, pediu cuidado onde antes exigia força. Não perdeu dignidade, ganhou linguagem. Cada mudança passou a comunicar experiência, não declínio.

Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido, apenas compreendido. 

É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca. 

A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível. 

O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.”



ALAN TURING - SALVOU O MUNDO, MAS O MUNDO NÃO O SALVOU




 Em 1941, o mundo estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial. No meio daquele caos, em um lugar discreto da Inglaterra, um homem quieto e aparentemente comum travava uma batalha diferente. Ele não carregava armas nem lutava nas trincheiras. Era um matemático chamado Alan Turing, e sua mente estava prestes a mudar o rumo da história.

Naquela época, a guerra no mar estava virando contra os aliados. Submarinos alemães, conhecidos como U-boats, afundavam navios cheios de comida, combustível e suprimentos que iam para a Grã-Bretanha. O país começava a enfrentar escassez, e a situação parecia cada vez mais desesperadora.

O motivo era um segredo nazista chamado Enigma. Era uma máquina de criptografia extremamente complexa, capaz de criar bilhões de combinações diferentes para codificar mensagens militares. Todos os dias, à meia-noite, o código mudava. Matemáticos brilhantes já tinham tentado decifrá-lo e falhado.

Foi então que Turing teve uma ideia ousada: para derrotar uma máquina, seria preciso outra máquina. Em Bletchley Park, um centro secreto de inteligência britânica, ele começou a desenvolver um equipamento capaz de testar milhares de combinações automaticamente. Muitos colegas achavam que ele estava perdendo tempo e dinheiro, mas Turing insistiu.

Depois de meses de tentativas frustradas, ele percebeu um detalhe simples, mas decisivo: os operadores alemães costumavam terminar mensagens com a mesma expressão — “Heil Hitler”. Aquela repetição criou uma pequena brecha no sistema. Com isso, a máquina de Turing finalmente conseguiu quebrar o código.

A partir daquele momento, os britânicos passaram a ler comunicações secretas da Alemanha antes mesmo que os próprios generais alemães agissem. Isso mudou completamente o rumo da guerra e ajudou a encurtar o conflito em cerca de dois anos, salvando milhões de vidas.

Mas essa vitória trouxe um dilema cruel. Para manter o segredo, os aliados não podiam reagir a todos os ataques. Em alguns casos, Turing e sua equipe sabiam que certos navios seriam afundados — e mesmo assim precisavam deixar acontecer, para que os nazistas não descobrissem que o código havia sido quebrado.

Quando a guerra terminou, seria de se esperar que Turing fosse celebrado como herói. Mas não foi o que aconteceu.

Na época, a lei britânica tratava a homossexualidade como crime. Em 1952, após um incidente em sua casa, Turing acabou admitindo seu relacionamento com outro homem. Em vez de reconhecimento por tudo que fez, ele foi levado a julgamento e recebeu uma escolha cruel: prisão ou castração química. Para continuar trabalhando, ele aceitou o tratamento hormonal.

Os efeitos foram devastadores. Seu corpo mudou, sua saúde mental piorou e a depressão tomou conta.

Em 7 de junho de 1954, Alan Turing foi encontrado morto em casa, aos 41 anos, vítima de envenenamento por cianeto. Durante décadas, seu papel na guerra permaneceu em segredo.

Só muito tempo depois o mundo descobriu a verdade: aquele homem, quase esquecido, havia ajudado a derrotar o nazismo e ainda lançou as bases da computação moderna, tecnologia que hoje está presente em todos os computadores e celulares.

Alan Turing salvou milhões de vidas e ajudou a moldar o futuro.

Mas, ironicamente, o mundo que ele ajudou a salvar não conseguiu salvá-lo.

Fonte: Enfim ciência, Facebook