abril 25, 2026

COGNIÇÃO ATIVADA - José Carlos Cavalcante



Há um momento curioso na vida em que a gente descobre que os amigos passam a ser quase uma espécie de remédio. Não vêm em comprimidos, não têm bula, não exigem receita médica mas fazem um bem danado.

Na juventude, o convívio social acontece quase por gravidade. Escola, trabalho, filhos pequenos, encontros improvisados. A vida empurra as pessoas umas para as outras. Já com o passar dos anos, especialmente na chamada melhor idade, é preciso fazer um pequeno esforço consciente para manter esse círculo vivo. E vale cada minuto investido nisso. 

*Um jantar entre amigos, por exemplo, raramente é apenas um jantar.* *É um verdadeiro laboratório de memórias e risadas. *Alguém lembra de uma história antiga, outro exagera um pouco nos detalhes como sempre acontece e de repente todos estão rindo como se tivessem vinte anos novamente.* O prato esfria, a conversa esquenta, e a noite fica curta.

 As festas em grupo também têm esse poder quase terapêutico. *Não importa se é um aniversário simples, um churrasco de domingo ou uma reunião improvisada. O que se compartilha ali não é apenas comida ou música, mas um pedaço da própria vida.* Cada um chega trazendo suas histórias, suas pequenas vitórias, às vezes suas preocupações. E curiosamente, quando tudo isso se mistura, a carga parece ficar mais leve. 

Há também aqueles encontros que envolvem movimento: uma caminhada em grupo, uma pedalada, um jogo de tênis ou mesmo uma aula coletiva de alguma atividade física. O corpo se movimenta, mas quem realmente agradece é o cérebro. A mente se mantém desperta, curiosa, ativa. Conversa-se antes, durante e depois. Muitas vezes o exercício acaba sendo apenas o pretexto para o verdadeiro objetivo: estar junto. 

A ciência hoje confirma aquilo que a sabedoria da vida sempre soube. O convívio social . Mantém a cognição viva, melhora o humor e protege contra a solidão silenciosa que às vezes tenta se instalar com o passar dos anos. Mas, para além das pesquisas e estatísticas, há algo mais simples e mais bonito: a sensação de pertencimento.

 Porque no fundo, envelhecer bem não é apenas acumular anos. É continuar acumulando encontros. E talvez um dos grandes segredos da longevidade esteja justamente nisso: manter a agenda com alguns compromisso que não aparecem em exames de laboratório, mas que fazem um enorme bem à alma, um jantar marcado, um passeio combinado, um grupo de amigos esperando.

 *Afinal, a vida pode até ser individual no nascimento e na despedida, mas no intervalo entre os dois momentos ela foi feita para ser compartilhada.

OBJETIVOS E RELAÇÕES DA ORDEM (Craft) - Tradução de António Jorge

 


Em Agosto de 1938, as Grandes Lojas de Inglaterra, Irlanda e Escócia concordaram e emitiram uma declaração idêntica nos seus termos. 

(excepto pelo nome da Grande Loja emissora, que aparece em todo o texto.)

Esta declaração, intitulada “Objecivos e Relações da Ordem“, tinha os seguintes termos:

• De tempos a tempos, a Grande Loja Unida de Inglaterra considerou conveniente expor de forma precisa os objetivos da Maçonaria, tal como praticados consistentemente sob a sua jurisdição desde a sua fundação como corpo organizado em 1717. 

• E também definir os princípios que regem as suas relações com as outras Grandes Lojas com as quais mantém um acordo fraterno.

• Em face das representações recebidas e das declarações recentemente emitidas que distorceram ou obscureceram os verdadeiros objetivos da Maçonaria, considera-se necessário, mais uma vez, enfatizar certos princípios fundamentais da Ordem.

 a admissão e filiação na Ordem é a crença no Ser Supremo. Isto é essencial e não admite concessões.

• A Bíblia, referida pelos maçons como o Volume da Lei Sagrada, está sempre aberta nas Lojas. 

• Todo o candidato deve prestar o seu Juramento sobre este livro ou sobre o Volume que, segundo a sua crença particular, confere santidade a um juramento ou promessa feita sobre ele.

• Todo aquele que ingressa na Maçonaria está, desde o início, estritamente proibido de tolerar qualquer ato que possa ter tendência para subverter a paz e a boa ordem da sociedade. 

• Deve prestar a devida obediência à lei de qualquer estado em que resida ou que lhe ofereça protecção, e nunca deve ser negligente na lealdade devida ao Soberano da sua terra natal.

• Embora a Maçonaria Inglesa inculque em cada um dos seus membros os deveres de lealdade e cidadania, reserva ao indivíduo o direito de ter a sua própria opinião em relação aos assuntos públicos. 

• Mas nem em nenhuma Loja, nem em qualquer momento na sua qualidade de Maçom, lhe é permitido discutir ou apresentar os seus pontos de vista sobre questões teológicas ou políticas.

• A Grande Loja sempre se recusou consistentemente a expressar qualquer opinião sobre questões de política externa ou interna, quer no país, quer no estrangeiro. 

• E não permitirá que o seu nome seja associado a qualquer acção, por mais humanitária que possa parecer, que infrinja a sua política inalterável de se manter afastada de qualquer questão que afecte as relações entre um governo e outro, ou entre partidos políticos, ou questões relativas a teorias rivais de governo.

• A Grande Loja está consciente de que existem Corpos, que se auto-intitulam de Maçónicos, que não aderem a estes princípios, e enquanto esta atitude se mantiver, a Grande Loja de Inglaterra recusa-se terminantemente a ter qualquer relação com tais Corpos ou a considerá-los Maçónicos.

• A Grande Loja de Inglaterra é um Corpo Soberano e independente que pratica a Maçonaria apenas dentro dos três Graus e apenas dentro dos limites definidos na sua Constituição como ‘Maçonaria Antiga Pura’. 

• Não reconhece nem admite a existência de qualquer autoridade maçónica superior, seja qual for o nome que lhe dêem.

• Em mais de uma ocasião, a Grande Loja recusou, e continuará a recusar, participar em Conferências com as chamadas Associações Internacionais que afirmam representar a Maçonaria, e que admitem como membros entidades que não se conformam estritamente com os princípios sobre os quais a Grande Loja de Inglaterra foi fundada. 

• A Grande Loja não admite tal alegação, nem as suas opiniões podem ser representadas por qualquer associação deste tipo.

• Não há qualquer segredo em relação a qualquer dos princípios básicos da Maçonaria, alguns dos quais foram referidos acima. 

• A Grande Loja considerará sempre o reconhecimento das Grandes Lojas que professam e praticam, e que podem demonstrar que professaram e praticaram consistentemente, estes princípios estabelecidos e inalterados, mas em caso algum entrará em discussão com vista a qualquer nova ou variada interpretação dos mesmos. 

• Devem ser aceites e praticadas de todo o coração e na sua totalidade por aqueles que desejam ser reconhecidos como Maçons pela Grande Loja Unida de Inglaterra. 

A Grande Loja de Inglaterra foi questionada se ainda mantém esta declaração, particularmente em relação ao parágrafo sobre manifestações políticas e religiosas. 

A Grande Loja de Inglaterra respondeu que mantém cada palavra da declaração e, desde então, tem solicitado a opinião das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia.

Realizou-se uma conferência entre as três Grandes Lojas, e todas reafirmaram, sem hesitações, a declaração proferida em 1938: nada nos assuntos actuais foi encontrado que as pudesse fazer recuar desta posição.

Se a Maçonaria se desviasse do seu rumo ao expressar uma opinião sobre questões políticas ou teológicas, seria chamada não só a aprovar ou denunciar publicamente qualquer movimento que pudesse surgir no futuro, mas também lançaria as sementes da discórdia entre os seus próprios membros.

As três Grandes Lojas estão convencidas de que é apenas através desta rígida adesão a esta política que a Maçonaria sobreviveu às doutrinas em constante mudança do mundo exterior, e são obrigadas a registar a sua completa desaprovação de qualquer acção que possa tender a permitir o mais pequeno desvio dos princípios básicos da Maçonaria.

São da firme opinião de que, se alguma das três Grandes Lojas o fizer, não poderá manter a alegação de estar a seguir os Antigos Landmarks da Ordem e, em última instância, enfrentará a desintegração.

(Aprovado pela Grande Loja em 7 de Setembro de 1949) 


abril 24, 2026

FRAGMENTO ESPECULATIVO SOBRE O HOMEM VITRUVIANO- Newton Agrella



Nesse passeio no tempo, e obedecendo o caráter filosófico  da Simbologia Maçônica, uma das analogias de que se vale a Sublime Ordem, numa imensa gama de citações e exemplos é a figura do chamado "Homem Vitruviano".

O adjetivo "Vitruviano" faz referência ao arquiteto romano, , que viveu no século I  A.C. , cuja obra memorável foi Marcus Vitruvius Pollio" cuja obra "De Architetura", composta de 10 volumes -  que serviu como base e inspiração para inúmeros textos sobre Arquitetura, Urbanismo, Engenharia desde o período Renascentista

Munido desta inspiração, o célebre artista italiano Leonardo Da Vinci, criou o famoso desenho da figura masculina nua em duas posições sobrepostas com os braços circunscritos num círculo e num quadrado.

A ideia inicial, dá conta sobre a questão das proporções e as relações com o espaço.

Este breve prefácio, é um dispositivo para que se possa estabelecer uma correlação de um determinado momento em que a Arte e a Ciência se encontram de modo a permitir que o exercício do intelecto humano pudesse analisar questionamentos transcendentais e extemporâneos de caráter eminentemente especulativo e antropológico, sobre nossa origem e nosso papel na ordem do Universo.

A figura ainda traz uma questão alegórica, que sublima um ideal de humanismo, cujo intento é o de realçar a dignidade, o mérito e a ação vigorosa do pensamento e do raciocínio do homem.  

O desenho de Leonardo da Vinci, pode ser interpretado como a nossa própria essência anímica, física, espiritual e racional dentro do quadrado e do círculo, absolutamente despojada de qualquer vestimenta, de pé, na intersecção do chão e do cosmos, como uma espécie de entrega e submissão diante de um Universo a ser explorado.

Esse trabalho especulativo, de imensas possibilidades, é o que estimula o ser humano a buscar sua própria superação e a arquitetar o aprimoramento de seu templo interior

Lá no fundo, fica a percepção de que a intenção de Vitruvius era a de demonstrar a relação matemática entre as proporções do corpo humano com o Universo sugerindo a tese de que o homem teria sido   feito à imagem e semelhança de um Princípio Criador e Incriado.  

Nesse arcabouço arquitetônico de que se reveste a Maçonaria Especulativa, o valor do desenho de Da Vinci traduz-se como o ideal clássico do equilíbrio, da beleza, da harmonia e da perfeição estética das proporções do corpo humano.

Em razão do período da história da civilização conhecido como Renascimento, o desenho de Da Vinci, está intimamente relacionado ao Antropocentrismo, conceito humanista que se constitui na base filosófica da Maçonaria Especulativa.

Obras como "Sobre a Proporção Divina" de Luca Picioli,  "O Iluminismo Maçônico"  de J.Anatalino, "Ortodoxia Maçônica" de J.M. Ramon, e "Homem da Renascença" de Dan Danco foram subsídios para a elaboração dessa breve crônica maçônica.


DA CERTEZA ABSOLUTA - Heitor Rodrigues Freire



As três grandes certezas da vida, frequentemente citadas na filosofia popular, são: a morte, os impostos e a impermanência (ou a constante mudança). Essas certezas representam o fim inevitável, as obrigações financeiras e a natureza dinâmica da existência. 

Para mim, só existem duas certezas absolutas: a existência de Deus (único e verdadeiro) e a certeza da morte.

A nossa existência é pautada por dois acontecimentos maravilhosos: nascimento e morte. Aprendi que, começando com o nascimento, certamente haverá um desfecho inevitável: a morte.

O acontecimento que mais aflige o ser humano é a morte. Todos sabemos que vamos passar por ela, o que a torna indiscutível. O medo que ela provoca já deveria ser devidamente entendido e aceito, porque a morte é irreversível, além de ser o único fato previsível em nossas vidas. Todos sabemos disso, mas mesmo assim reagimos, cada um a seu modo. A morte é algo que podemos experimentar apenas indiretamente, no outro que morre, porque quando morrermos não iremos experimentá-la. Iremos vivê-la.

Essa certeza implacável, naturalmente, longe de causar medo, deveria, ao contrário, nos estimular a promover uma mudança em nosso comportamento. Porque, a depender dele, estaremos pavimentando o nosso caminho. Ou, cavando a nossa própria derrocada. Isto porque, fatalmente, iremos colher o resultado da nossa plantação nesta encarnação.

A qualquer momento, não sei quando, chegará a hora de partir para novas realizações no plano espiritual, de voltar para a pátria celestial, e ali assumir novas missões em função do nosso plantio aqui na Terra. É interessante observar que cada um de nós já morreu muitas vezes ao longo de outras encarnações. Então, no íntimo, já sabemos como é a morte. E isso não deveria causar ansiedade.    

E com essa perspectiva natural e inevitável, comecei a conjecturar a respeito da morte, de sua finalidade e dos benefícios que proporciona – embora para uma grande maioria que não consegue alcançar esse entendimento, ela seja um castigo – e suas consequências.

Em vez de tristeza, ansiedade e desesperança, deveríamos aceitar a morte como um dado perfeitamente natural da vida. E, para isso acontecer, é preciso que se fale da morte, e não que se usem palavras ou expressões substitutas que amenizem o seu significado. Isso significa admitir que, assim como outros processos – como o nascimento –, a morte é um estágio da vida, o qual sabemos que virá implacavelmente para todos.

Entender essa situação como natural, e aceitá-la, representa uma libertação. Não há necessidade de temer a morte. Ela vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. É uma certeza absoluta: 100% das pessoas morrem. De nada adiantam os avanços tecnológicos. É uma regra que não tem exceção. Aceitá-la é uma questão de inteligência. Daí a importância de aproveitarmos a nossa encarnação enquanto aqui estivermos. E quando a nossa hora chegar, aceitemos com serenidade. E isso deve estar baseado na preservação consciente da vida, e não no medo de morrer.

Em suma, há dois tipos de morte: a física, quando ocorre a separação do corpo e da alma, e a espiritual, considerada como a separação da pessoa de Deus. A primeira nos transporta para o mundo espiritual, onde seremos destinados ao lugar para onde nossas ações apontaram. A segunda é a morte moral, metafísica, na qual, mesmo encarnados, nosso comportamento traz consequências que “matam” nossa existência sadia.  

Então entender essa situação como natural, aceitando-a, representa uma libertação. A propósito disso, transcrevo a seguir uma página, atribuída a Santo Agostinho: 


A morte não é nada.


“A morte não é nada.

Eu somente passei

para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês,

eu continuarei sendo.

Me deem o nome

que vocês sempre me deram,

falem comigo

como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo

no mundo das criaturas,

eu estou vivendo

no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene

ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi,

sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra

ou tristeza.

A vida significa tudo

o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora

de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora

de suas vistas?

Eu não estou longe,

apenas estou

do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela

como sempre foi.”


abril 23, 2026

ENTELÉQUIA E MAÇONARIA - João Anatalino (Adaptado por Sidnei Godinho)

 


Quem está familiarizado com a filosofia de Aristóteles, sabe o que significa o termo Enteléquia e certamente não vai estranhar a razão de termos feito a introdução deste estudo sobre o simbolismo maçónico com este conceito.

Este termo designa a energia que o Criador concedeu a todos os seres da natureza para levá-la à sua forma mais perfeita. 

Formada pelo prefixo *EN* (o que está dentro), o substantivo *TÉLOS* (objectivo, realização, acabamento) e o radical do verbo *ÉKHÔ*, (trago em mim, possuo), o vocábulo grego *ENTÉLÉKHÉIA* significa:

• 'A qualidade do ser que tem em si mesmo a capacidade de promover o seu próprio desenvolvimento."

No ser humano pode ser entendida como a força que o leva a enriquecer o espírito através da aquisição do conhecimento e também a capacidade que o organismo humano tem de promover o seu próprio desenvolvimento em termos físicos.

O que é Enteléquia

Como se pode intuir, este é um termo que já de inicio inspira uma série de especulações, tanto no campo das realidades físicas quanto espirituais. 

Grosso modo, diríamos que Enteléquia pode ser considerada como algo análogo ao nosso DNA, que na estrutura biológica determina a conformação física que ele poderá adquirir na sua história de Vida. 

Enteléquia é, pois, o princípio da vida. 

Em todas as formas do ser. (física ou espiritual).

Enteléquia é a potência que o move para o seu fim e o realiza como parte constitutiva do todo universal. 

Em qualquer elemento da natureza, seja mineral, vegetal ou animal, existe este “programa” único, original e fundamental que o dirige e o conforma para uma finalidade pré-determinada pelo Grande Princípio que rege a formação das realidades universais. 

E por consequência preside igualmente as realizações do espírito, conduzindo o homem à plenitude da sua arte, da sua técnica ou ciência e das suas virtudes éticas e morais. 

A Maçonaria e a Enteléquia

Também é pela energia da Enteléquia que o organismo do doente recupera o seu equilíbrio natural, reconduzindo-o à saúde; e no terreno das realidades espirituais é o que leva o iniciado, o recipiendário das verdades iniciáticas, à luz da iluminação.

De uma forma geral, o espírito humano tem despendido muita energia na tarefa de descobrir qual é o princípio que rege a vida do universo. 

Os cientistas o procuram no infinitamente pequeno, estudando a estrutura e o comportamento das mais ínfimas partículas da matéria física. 

Os espiritualistas o perseguem nas relações que a nossa mente estabelece com o mundo das realidades subtis. 

Mas de qualquer forma, todo conhecimento é visto como resultado da busca deste Tesouro Arcano, que embora oculto ao vulgo, se manifesta nas realizações de todos os seres da natureza e se desvela aos puros de coração, que o buscam não com finalidades egoístas, mas com verdadeiro ideal de espírito.

• Cremos não estar a dizer nenhum impropério se afirmarmos que todo Maçom, ao ser iniciado nos Augustos Mistérios da Arte Real, está na verdade penetrando no Reino de Enteléquia. 

Mas para poder usufruir de todas as belezas que este reino concentra será necessário que ele se dispa das suas roupagens críticas e da sua armadura lógica. 

Nele há de viajar somente com o seu espírito, sua intuição, sua crença em quem o conduz vendado. 

Pois tudo neste novo mundo é metáfora, símbolo, alegoria, analogia, enfim, estruturas arquetípicas que estão na base do Inconsciente Coletivo da Humanidade e são trazidos para o mundo das nossas realidades quotidianas através desses artifícios linguísticos. 

E nelas, estas estruturas transformam-se em crenças, mitos, lendas, alegorias e outros folclores que a nossa mente utiliza, para traduzir em linguagem aquilo que só a sabedoria do espírito consegue entender.

Como faziam os nossos antigos irmãos alquimistas, os verdadeiros maçons também andam em busca da sua pedra filosofal. 

Da mesma forma que na antiga Arte dos Adeptos, são poucos o que a encontram. 

Mas isto não quer dizer que ela não exista. 

Vamos procurá-la nas estruturas arquetípicas da mente humana, uma das quais, a maçonaria, é um verdadeiro arsenal de referências simbólicas que nos liga a este Princípio fundamental da nossa vida individual e corporativa.

..."Há mais coisas entre os Céus e a Terra do que sonha nossa vã Filosofia"..



ESFRIAMENTO DAS RELAÇÕES PESSOAIS - Newton Agrella

 



Não é por acaso que as relações humanas circunstancialmente acabam ganhando um caráter meramente protocolar.

São conexões - que por razões diversas e que nem sempre encontram uma explicação ou justificativa plausíveis - se perdem no tempo e se diluem.

É natural que o distanciamento acaba gerando um vazio, que por vezes, se torna abismal e invariavelmente  complicado para ser preenchido.

E mesmo após tanto tempo, quando essas relações se restabelecem, fica instalado um certo vestígio de indiferença, que por mais que se tente, mal se consegue disfarçar.

Aliado a isso tudo, numa tentativa de minimizar essa sensação desconfortável e intrigante, arranja-se um bode expiatório que recebe o singelo nome de "falta de sintonia ou afinidade".

Provavelmente, esse eufemismo em forma de desculpa, devesse ser melhor e mais realísticamente substituído por "falta de empatia", ou seja, de reconhecer em sí mesmo a indiposição de explorar a capacidade de se identificar com a outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer e de apreender do modo como ela apreende. 

Isso tudo, sem no entanto, perder a própria identidade.

Trata-se pois, da sutil arte de se reconstruir relações, sem que o emocional sobrepuje a lógica e a razão, agindo como uma espécie de agente restaurador.

As experiências amargas fazem parte do processo de maturidade e de aprimoramento da consciência.

Não é imperativo que se tenha que estar com aqueles com quem já se tenha vivido experiências negativas amiúde. 

Não faz mal algum, poder ouvir e compartilhar momentos com aqueles com quem já divergimos ao longo da vida.  

Pelo contrário, talvez este seja um sinal de evolução.

Quebrar paradigmas, aprender a estar no lugar do outro e acima de tudo ter a certeza de que ninguém é superior a outrem, são desafios dos quais não se deve fugir; nem tampouco se furtar de enfrentá-los.

O tempo passa e o desafio mantem-se alí.


abril 22, 2026

OS LANDMARQUES DA CLASSIFICAÇÃO DE PIKE - José Castellani



Albert Pike (1809-1891) foi um célebre maçom norte-americano, nascido em Boston. 

Poeta, advogado e militar --- chegou ao generalato --- foi Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho da Jurisdição Sul dos Estados Unidos do REAA. 

Sua obra máxima é "Morals and Dogma on the Anciet and Accepted Scottish Rite of Freemasonry" (1871), onde estuda os Altos Graus um a um. (é considerada a obra máxima do rito).

A classificação de landmarques feita por Pike, foi resultado de um amplo estudo e de uma arrasadora e erudita crítica ao emaranhado de falsos limites, apresentados pelos autores da época, incluído, aí Mackey, seu discípulo e seu Grande Secretário, quando ele era Grão-Mestre Provincial.

Para Pike, os landmarques são apenas cinco:

1. A necessidade dos maçons reunirem-se em Loja;

2. O governo de cada Loja por um Venerável Mestre e dois Vigilantes;

3. A crença no Grande Arquiteto do Universo e numa vida futura;

4. A cobertura dos trabalhos da Loja;

5. A proibição da divulgação dos segredos da Maçonaria, ou seja, o sigilo maçônico.

Pouco há a comentar sobre um trabalho como esse, bastando dizer o seguinte: todas as regras relacionadas são verdadeiros landmarques; é a única classificação conhecida em que isso ocorre. 

Mesmo que alguns autores contestem uma ou outra dessas regras, nenhum deles pode deixar de reconhecer essa verdade. 

Pela sua erudição maçônica, pela síntese absoluta, que faz, em sua relação de limites, e por relacionar somente verdadeiros landmarques, Pike, com sua compilação, é que deveria merecer a maior credibilidade dos  maçons, como ocorre nos países de fala inglesa.

Isso, porém, não acontece, nos países latinos, onde a classificação de Mackey reina soberana. 

• --- sendo, quase sempre, a única conhecida e tomada como lei incontestável --- 

Embora seja uma das mais falhas e mais mentalmente castradoras de todas as compilações existentes. 

Não sendo, sequer, aceita em sua pátria, os Estados Unidos, onde apenas QUATRO das CINQÜENTA E DUAS Grandes Lojas norte-americanas a seguem.

Uma regra maçônica, para ser um verdadeiro landmarque deve ser:

Imemorial,

• --- ter antiguidade suficiente, para que nem se possa estabelecer, no tempo, a sua origem --- 

Espontânea, 

• --- O que significa que ela não tem autor conhecido, mas foi gerada pelo uso da comunidade --

E universal aceitação. 

• --- uma norma, só aceita em algumas comunidades maçônicas, não é um legítimo limite, mas, sim, uma regra particular de conduta --- 

Das 25 regras de Mackey, pelo menos 19 não seriam verdadeiros landmarques. (por esses critérios) 


COMO FOI CRIADA A PRIMEIRA VACINA DO MUNDO ?



A primeira vacina surgiu a partir dos estudos realizados pelo médico inglês Edward Jenner. Ele observou pessoas que se contaminaram, ao ordenharem vacas, por uma doença de gado e chegou à conclusão de que essas pessoas tornavam-se imunes à varíola. A doença, chamada de cowpox, assemelhava-se à varíola humana pela formação de pústulas (lesões com pus).

Diante dessa observação, em 1796, Jenner inoculou o pus presente em uma lesão de uma ordenhadora chamada Sarah Nelmes, que possuía a doença (cowpox), em um garoto de oito anos de nome James Phipps. Phipps adquiriu a infecção de forma leve e, após dez dias, estava curado. Posteriormente, Jenner inoculou em Phipps pus de uma pessoa com varíola, e o garoto nada sofreu. Surgia aí a primeira vacina.

O médico continuou sua experiência, repetindo o processo em mais pessoas. Em 1798, comunicou sua descoberta em um trabalho intitulado “Um Inquérito sobre as Causas e os Efeitos da Vacina da Varíola”. Apesar de enfrentar resistência, em pouco tempo, sua descoberta foi reconhecida e espalhou-se pelo mundo. Em 1799, foi criado o primeiro instituto vacínico em Londres e, em 1800, a Marinha britânica começou a adotar a vacinação. A vacina chegou ao Brasil em 1804, trazida pelo Marquês de Barbacena.

Fonte: Ref História do Brasil

abril 21, 2026

OS SÍMBOLOS EM MAÇONARIA: O ENSINAR E O APRENDER - Paulo M.

 


É conhecido que a maçonaria recorre extensivamente a símbolos como forma de transmissão do conhecimento. 

É evidente que esses símbolos terão algum significado. Todavia, é menos evidente, é que não há significados universalmente aceites ou impostos para os símbolos maçónicos. 

O que um interpreta de um modo, outro pode interpretar de modo diverso. 

Assim sendo, de que serve a simbologia na maçonaria? 

A que aproveita essa “plasticidade” nos significados dos símbolos? 

E como é que se pode usar os símbolos como meios de comunicação do seu significado subjacente, se esse significado pode variar de pessoa para pessoa?

Para o entendermos, temos que recuar no tempo. 

Bem antes da maçonaria especulativa ter surgido – o que sucedeu, oficialmente, em 1717 – já os maçons operativos se socorriam de símbolos para se recordarem dos ensinamentos que os seus mestres lhes haviam transmitido. 

De fato, muitos dos trabalhadores da pedra não sabiam ler nem escrever, pelo que se socorriam de pictogramas e representações de objetos para o efeito. 

Os símbolos não eram propriamente secretos; o seu significado – as técnicas a que os mesmos se referiam – é que era apenas revelado a alguns. 

A maçonaria especulativa veio a adotar esse método de transmissão de conhecimento. 

Assim, hoje como outrora, os símbolos são auxiliares de memória, instrumentos de suporte ao conhecimento, verdadeiras mnemónicas- diríamos hoje: são cábulas – que nos permitem recordar, evocar e especular

Mas se o seu significado pode ser individualizado, como é que o conhecimento passa sem se perder, sem se desvanecer, sem se espraiar numa mar de semânticas? 

De forma muito simples: para tudo há um início, e o método consiste, precisamente, em dar a cada um os pontos de partida, sem estabelecer qualquer ponto de chegada… 

Assim, a um aprendiz é, desde logo, ensinado o significado comum de vários símbolos: o esquadro, o prumo, o nível, o mosaico bicolor do chão dos templos, a pedra bruta, a pedra polida, entre outros. 

É das poucas ocasiões que, em maçonaria, alguma coisa é verdadeiramente ensinada, e mesmo aí os significados gerais são dados com parcimónia de explicações e de forma sucinta e concisa. 

A cada um é dito, então, que deverá procurar interpretar cada símbolo de forma pessoal, podendo quer aplicar o significado original, quer levá-lo até onde o deseje. 

E é esse o trabalho do aprendiz: estudar os símbolos, construir um significado em torno dos mesmos, e aplicá-lo a si mesmo.

E como se mantém um denominador comum? 

Quando um maçom se refere ao prumo, os demais sabem que se refere à retidão moral, à integridade, à verticalidade de caráter – aquilo que ouviu quando, ainda aprendiz, lhe “apresentaram” os símbolos. 

Contudo, mais tarde cada um irá interiorizar a seu jeito o que estas palavras significam. 

O que será sinal de caráter para um poderá ser duvidoso para outro; a nenhum, porém, é imposto qualquer significado universal. 

E porquê? 

Porque, se a maçonaria se destina a tornar cada homem num homem melhor, deve fazê-lo dentro do absoluto respeito pela sua liberdade. 

Por isso se diz que *em maçonaria tudo se aprende e nada se ensina*, no sentido de que cada um deve procurar os seus próprios ensinamentos sem esperar que lhos facultem. 

Cada um deverá poder procurar, no mais íntimo de si, o que quer fazer dos princípios que lhe são transmitidos. 

Se quer segui-los ou ignorá-los, quais aqueles a que vai dar maior preponderância, e até onde vai levar esse ânimo de se superar. 

E é por tudo isto que, sendo essa luta de cada homem consigo mesmo, algo de mais único do que uma impressão digital, a liberdade individual de interpretação se impõe sobre qualquer eventual tentativa de normalização do significado dos símbolos.


A AMIZADE TEM O PODER DE RENOVAR A ALMA - Newton Agrella




Amizade não é ter amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. 

É antes de tudo, independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual a sua, é abstrair uma experiência diferente.

Amizade envolve intempéries. Clima bom, clima ruim, momentos estáveis e instáveis.

E mesmo assim, atravessar o tempo sem se preocupar com o frio ou calor.

Amizade significa aceitação, bem como, colocar-se no lugar do outro e ter a percepção que mesmo tendo opiniões e conceitos distintos sobre as coisas, o respeito, a tolerância e a capacidade de absorver as diferenças é o que conta, é o que vale e é o que pesa.

Amizade pra valer, desconhece a indiferença, ela não se ausenta mesmo nas horas mais desagradáveis.  

Amizade não impõe onipresença, não se exige que a pessoa esteja sempre por perto, de plantão. 

Amizade não é dependência, condição proposta ou submissão.  

Amizade é transparência, é comungar presencialmente ou virtualmente em qualquer cenário da vida.

Amizade é virar a página sem esquecer do livro, e compartilhar a história, sem se preocupar com o epílogo.

Amizade dispensa formalidade,  carimbo ou protocolo.

Ela é o que sai da alma e obedece sem pestanejar o que manda o coração.



abril 20, 2026

GRAUS FILOSÓFICOS - Francisco Pucci




A expressão Graus Filosóficos já se tornou corrente na Maçonaria – usa-se em contraposição a Graus Simbólicos.

Conquanto já faça parte dos nossos usos e costumes, inclusive sendo útil para diferenciar os graus anteriores dos posteriores criados na história dos Ritos, estas expressões objetivam conceitos extremamente inadequados que nos servem de paradigmas inconscientes.

Quando nos referimos à Maçonaria, independentemente dos graus dos quais estejamos falando, invariavelmente nos vem à mente a ideia de uma “filosofia”. 

Não há como ser diferente, pois uma instituição que pretende a construção de um determinado modelo de homem, almejando com isso uma profunda transformação social, terá obrigatoriamente uma “filosofia”, que é permanentemente atualizada nas suas lendas, ritos, mitos, símbolos e doutrinas. 

Mesmo se estiver de acordo com este raciocínio, o leitor atento provavelmente estar-se-á perguntando a razão de colocarmos “filosofia” entre aspas. 

Para diferenciá-la de Filosofia, com “f” maiúsculo. 

Desejamos defender aqui a tese de que, ao falarmos de Maçonaria, existe uma diferença entre “filosofia” e Filosofia, e que isto é fundamental para a nossa práxis.

Estudar e conhecer Filosofia pode ser sinónimo de erudição ou indicação de um status profissional. 

Erudito, segundo os dicionários, é quem tem instrução vasta e variada, que é sabedor de muitas coisas. 

Um professor de Filosofia, um filósofo profissional ou alguém com “amor à sabedoria” (que é o que significa o termo) podem ser eruditos em Filosofia; conhecer autores e obras, sistemas filosóficos e história da Filosofia. 

Isto não faz de nenhum deles um filósofo, no sentido existencial. 

Assim como conhecer profundamente Teologia não faz de alguém um religioso.

Começa a aparecer a pedra de toque para fazer a distinção que pretendemos.

Dois parágrafos acima falávamos de práxis. 

Devemos diferenciar práxis de prática

Prática refere-se, ainda segundo o dicionário, ao acto ou efeito de praticar; à experiência nascida da repetição dos atos. 

Necessitamos prática para dirigir automóveis ou para realizar uma cirurgia. 

Já práxis é a totalidade do nosso agir enquanto seres humanos. 

Cada ação humana implica aspectos objetivos (como fazer, falar, produzir) e aspectos subjetivos (como valores, ideologias, condicionamentos de toda ordem e as atitudes deles decorrentes). 

*Prática refere-se ao que eu sei fazer; práxis refere-se ao que eu sou.*

Paulo Freire, o notável pedagogo brasileiro, já nos ensinava que a atividade essencialmente humana é a reflexão, e a práxis humana deve ser composta de ação e reflexão. 

Assim mesmo: uma ação de mão dupla onde as partes são inseparáveis. 

Quando o nosso agir está dissociado da reflexão, alienamo-nos. 

Quando alienados, por mais ativos que sejamos, não somos os senhores da nossa história; não estamos na direção das nossas vidas. 

Somos levados pelas circunstâncias. 

Para se desalienar, é preciso “filosofar”, perquirir, duvida

Os fatos são-nos dados pela existência, e podem ser organizados pela Economia, pela Sociologia, pela Antropologia, mas é “filosofando” que os interpretamos, que os julgamos e que os transcendemos.

Neste sentido de um compromisso consciente com a existência é que devemos ser seres ativos e reflexivos, isto é, adoptar uma postura naturalmente filosófica. 

Esta postura implica numa atitude inquiridora e céptica, sem ser relativista ou cínica. 

Devemos ser filósofos no sentido do ideal marxiano de ser pescador pela manhã, poeta à tarde e filósofo à noite, sem que sejamos pescadores profissionais, poetas profissionais ou filósofos profissionais. 

A Filosofia será ferramenta de aprimoramento do olhar e do raciocínio, e para isso é importante conhecer os filósofos e os seus pensamentos. 

“Filosofar”, porém, será a nossa atitude constante.

Eis porque, meus Irmãos, conceber graus filosóficos e não-filosóficos na Maçonaria é defender uma posição maçonicamente contraditória, pois não pode haver Maçonaria que não seja essencialmente filosófica. 

E, consequentemente, não pode haver Maçom que não seja filósofo . 

Se fomos iniciados, então basta-nos “saber” sinais, toques e palavras; “conhecer” algumas instruções e princípios. 

Se somos iniciados, então sinais, toques e palavras servirão para reconhecermos pessoas com as quais teremos uma identidade de interesses, de convicções, de posturas sociais e espirituais. 

Viveremos os nossos princípios, pois eles serão conscientemente compreendidos e livremente aceitos.

A Iniciação é uma conversão, uma metanóia. 

Os Irmãos que nos acolhem numa Loja, dirigentes ou não, podem apenas fazer-nos o convite, mostrar-nos o caminho e fornecer-nos as ferramentas. 

O sim terá que ser nosso. 

A transformação da nossa atitude perante nós mesmos e perante o mundo é tarefa exclusivamente nossa. 

E responderemos solitariamente às nossas consciências pela nossa decisão.

Se não realizarmos esta conversão, continuaremos frequentando Lojas simbólicas, onde apenas repetiremos enfadonhos gestos e palavras, e Lojas filosóficas, onde apenas recordaremos o cobridor e leremos os rituais.

E voltaremos à nossa vida real sem marcas, sem sinais, sem toques e sem palavras.



ASSOMBRAÇÕES MAÇÓNICAS - Nuno Raimundo




Começo o título do texto de hoje com a palavra “assombrações” porque de frequentemente surgem notícias que assombram o mundo maçónico.

Algumas vezes são verídicas e factuais, outras nem tanto, mas a maioria totalmente falsas. 

Contudo, as notícias que me suscitam alguma preocupação na verdade, são aquelas que são mesmo verdadeiras e que focam algo que foi feito ou envolveu de forma negativa algum membro da Ordem Maçónica.

Quando algum maçom transgride as regras da “civilização”, seja através de condutas marginais ou por comportamentos ditos desviantes, e por isso mesmo passiveis de críticas por ultrapassarem qualquer tipo de razoabilidade, não será apenas o maçom em questão que sofre as consequências, mas a Maçonaria na generalidade. 

Até porque a opinião pública irá sempre condenar a Maçonaria no seu todo e não apenas quem foi o causador da notícia ou situação em apreço.

Quando ocorrem esse tipo de situações, por norma, são sempre desenvolvidas novas teorias face às existentes bem como outras são usualmente relembradas, sejam elas verdadeiras ou falsas. 

Para o comum dos mortais o que importa é falar, mesmo que não saiba do quê e são sempre lançados para a “fogueira” nomes de eventuais maçons, tenham essas pessoas ligações à Maçonaria ou não, acarretando sérios prejuízos para essas personalidades.

Naturalmente que todos os maçons condenam quem não sabe viver em sociedade, principalmente aqueles que se assumem como sendo “pessoas livres e de boa conduta”. 

Porquê esses devem ter sempre algum cuidado e parcimónia nas suas ações, uma vez que estão sempre debaixo do escrutínio permanente do mundo profano.

Algo que os maçons deverão ter atenção é que devem nas suas práticas mundanas ter os mesmos comportamentos que terão na sua vida privada, ou seja, ” fazer à vista de todos o que fariam se ninguém os estivesse a observar”. 

E ter tal noção é uma forma de limitar acontecimentos onde poderão “derrapar” ou que sejam propícias situações impróprias para os maçons, seja a nível pessoal como coletivo.

O “segredo” que é análogo à Maçonaria também fomenta tais situações, porque pode levar a pensar que a coberto de um certo tipo de segredo  tudo se possa fazer; o que na realidade é completamente falso!

A ignorância profana sobre o que se passa no seio das Lojas Maçónicas leva à efabulação sobre o que por lá é tratado. 

E essa é quiçá uma das condicionantes a que todos os maçons estão sujeitos.

Normalmente quando a Maçonaria é falada nos círculos mais mundanos é quase sempre referente a teorias que pululam por aí, sobre os rituais possíveis de serem praticados ou pela eventual identificação dos membros de alguma Obediência. 

Mas quando algum maçom se mete a jeito, tanto pior… A mediatização que envolva um caso que envolva um maçom ou algum alegado maçom é amplamente exponenciada, mesmo que o indivíduo seja inocente ou não. 

A fome pela obtenção de informação sobre qualquer coisa que envolva ou toque a Maçonaria é sempre enorme.

Mas quando é tornado público situações que envolvem conflitos de egos, usurpações de poder, ambições desmedidas, projetos pessoais e afins, obviamente que a crítica é forte e incisiva, pois se a Maçonaria se assume como uma Ordem de carácter filosófico, evolucionista que beira a espiritualidade, como podem ter lugar tais comportamentos!?

Mas a verdade é que eles existem e temos de viver com eles, tentando solucioná-los da melhor forma possível e caso a caso. 

E estes “fantasmas” que vão aparecendo de tempos a tempos e que alimentam o descrédito que a população tem sobre a Maçonaria é sempre alvo de repúdio, inclusive interno no seio das várias Obediências.

- *Os problemas entre ”EGOS e MALHETES” acabam sempre por prejudicar o “ESQUADRO e o COMPASSO”*…-

O que me remete em jeito de conclusão para a seguinte reflexão:

Farão estas individualidades tanta falta à Maçonaria que ela não subsista sem eles ou eles é que sentem que fazem falta à Maçonaria para que esta Instituição possa progredir?!”





abril 19, 2026

AS CHAVES MAÇÓNICAS DA CASA BRANCA - Javier Banco




Com pouco mais de dois séculos de idade, a residência presidencial, agora icónica, tem uma história curiosa por trás dela, que a liga, a partir do momento da sua fundação e construção com a maçonaria, uma irmandade a que pertenceram quinze presidentes dos Estados Unidos.

A  ligação entre a Casa Branca e a Maçonaria remonta a 12 de Outubro de 1792. (véspera da cerimônia de lançamento da pedra fundamental) 

Naquele dia, a taverna “Fountain Inn” em Georgetown – agora um dos bairros históricos de Washington DC – estava cheia de gente. 

Multidões de vizinhos tinham ido testemunhar a cerimónia de colocação da primeira pedra do que seria a “Casa do Presidente” (como era então chamada).

Entre a multidão estava um grupo de homens usando vestes maçónicas, que iniciaram a marcha até ao local de construção. 

Uma vez lá, o Venerável Mestre da Loja n° 9 de Maryland – o espanhol Pedro Casanave – oficiou a cerimónia, colocando a pedra fundamental no canto sudoeste do sitio e depositando uma placa de metal que comemorou o evento.

Entre os presentes, além dos comissários do distrito federal e dos curiosos de Georgetown e cidades vizinhas, estava o arquiteto do edifício, o irlandês James Hoban, que também era Maçom.

Após a Guerra da Independência dos Estados Unidos, Hoban decidiu tentar a sorte na nova nação; deixou a sua terra natal e estabeleceu-se em Charleston. 

Foi lá que o arquiteto irlandês teve a oportunidade de conhecer George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, e também membro da Maçonaria.

Aquele primeiro encontro foi frutífero, porque quando algum tempo depois Washington convocou uma competição para a construção da futura Casa do Presidente, ele escolheu – entre dúzias de propostas – o desenho feito pelo jovem James 

Naquela época (Julho de 1792), Hoban já era membro da Loja nº 9 de Maryland

Entre os diferentes edifícios da sua terra natal, que o inspiraram a projetar a Casa Branca, havia um prédio em Dublin, a chamada Casa Leinster. 

Esta mansão foi construída por James Fitzgerald – Duque de Leinster – que, segundo vários autores , também era Maçom e fundador de uma Loja em Kilwinning. 

Aparentemente, Fitzgerald usou a mansão de Leinster para celebrar as “reuniões” da sua Loja.

Em todo o caso, não há razão para suspeitar que Hoban fez um projeto semelhante ao da Leinster House pelas suas supostas ligações com a Maçonaria. 

De fato, muito provavelmente, a sua decisão tinha apenas um sentido estético, já que era um edifício que ele conhecia dos seus anos em Dublin.

Por outro lado, existem outras ligações entre a Casa Branca e a Maçonaria. 

Pouco depois de Hoban e os seus irmãos maçons da Loja n° 9 de Maryland terem realizado a cerimónia da pedra fundamental, os trabalhadores começaram o trabalho de construção sob as ordens de Colin Williamson, mestre de obras de origem escocesa.

Williamson era sobrinho de John Suter, proprietário do “Fountain Inn”, onde se celebravam as Sessões da Loja de Mariland. 

Ambos, tio e sobrinho, eram maçons. 

John Suter pertencia à Loja nº 9 e Williamson pertencia a uma Loja escocesa.

A participação de Williamson nas obras durou até 1794, quando ele discutiu com Hoban e cessou a sua colaboração. 

Este revés forçou-o a procurar novos trabalhadores, que finalmente chegaram da Escócia. 

Especificamente, a maioria dos trabalhadores eram maçons da Loja n° 8 em Edimburgo.

Alguns dos maçons que vieram de Edimburgo para trabalhar na Casa Branca ficaram nos EUA no final do trabalho, e acabaram fazendo parte da Loja Federal n° 15 de Maryland , criada em Setembro de 1793 pelo próprio James Hoban.

Curiosamente, durante a remodelação da Casa Branca feita pelo presidente Harry Truman, um outro Maçom, em 1949, foram descobertas algumas pedras com marcas de lapidação usados pelos maçons de Edimburgo.

Estas pedras foram espalhadas entre diversas Lojas maçónicas no país.

Menos de um ano depois da impressionante cerimónia de fundação da Casa Branca, a cena repetiu-se no local do edifício do Capitólio. 

Em 18 de Setembro de 1793 , um grupo de pessoas, incluindo numerosos membros de várias lojas maçónicas, desfilou solenemente para o local escolhido.

Uma pessoa se destacou entre as outras: o próprio George Washington, que vestia os habituais paramentos maçónicos. 

Foi ele quem oficiou a cerimónia, colocando a primeira pedra e acompanhando o ato com vinho, milho e azeite. 

Hoje, numerosas pinturas, gravuras e relevos – como o que existe numa das portas do Capitólio – relembram o episódio daquele dia.

Apesar do tão impressionantes que estes atos possam nos parecer hoje e que certos rumores e “teorias de conspiração”, essas cerimónias maçónicas – e a ligação de personagens relevantes no nascimento dos EUA – não implicam que a Maçonaria estivesse por detrás da Revolução Americana, nem da criação da nova nação nem da construção do distrito federal.

A filiação à Maçonaria era mais do que usual naquela época nos dois lados do Atlântico, especialmente entre certos círculos, e as cerimónias de fundação de pedras também eram comuns, não apenas entre os maçons, como acontece hoje em dia.

De fato, ainda hoje, lojas maçónicas por todo o mundo, continuam a fazer aberturas semelhantes em hospitais, faculdades ou universidades, com o único propósito de “desejar” um bom final para as atividades que lá acontecerão.

Considerando que vários maçons ocuparam posições importantes no nascimento da capital federal, não é estranho que eles quisessem “iniciar” a nova Nação da melhor maneira possível, por um ato que era de grande importância para eles e que foi imbuído de ideais com profundo significado.