fevereiro 15, 2026

MAÇONARIA, CARNAVAL e ALEGORIA,(Traço de Identificação) - Newton Agrella





Na Maçonaria é recorrente o uso de Alegorias como uma representação ou forma de expressão.

Há contudo que se fazer uma clara distinção entre Alegorias e Símbolos.  

As  Alegorias são os véus que ocultam o verdadeiro sentido das coisas.

E os Símbolos buscam transmitir idéias pontuais.

Neste sentido, Alegoria será exatamente como está definida no dicionário Aurélio: "Ficção que representa uma coisa para dar idéia de outra". 

Convém destacar que a  palavra alegoria advém do grego : *allos*, "outro", e *agoreuein*, "falar em público" . 

Trata-se na verdade de uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal. 

Diz-se "b" para significar "a". 

Uma Alegoria não precisa ser expressa no texto escrito: pode dirigir-se aos olhos e, com frequência, encontra-se na pintura, escultura ou em outras formas da arte ou de linguagem.

Do ponto de vista filosófico trata-se de  uma figura de linguagem  caracterizada como sendo um conjunto simbólico criado para transmitir um segundo sentido, além do sentido literal das palavras.

Entra-se assim no campo da linguagem simbólica, conotativa, figurativa. 

Eis aí o que sugere e identifica o Simbolismo Maçônico.

Cabe registrar que dentre os gêneros de expressão na Lenda  a aplicação da Alegoria torna-se mais patente, uma vez que acompanhada de uma moral que expressa claramente a relação entre o sentido literal (função denotativa) e o figurado (função conotativa).  

Sem entrar no mérito dos Graus mais avançados, pode-se afirmar que  na Maçonaria veremos que a  Lenda do 3o.Grau   está repleta de Alegorias com relação ao Tempo, à História, ao Ambiente de Trabalho dos Construtores, aos Sentidos e às Sensações Humanas .  

Além da Ética,  da Moral, e dos elementos  Metafísicos da Alma.

É interessante lembrar que a Alegoria permite transmitir conhecimentos através de raciocínios por analogia.  

Ao desbastar a pedra bruta vamos incorporando esse processo como uma forma de evolução e aprimoramento de nosso interior.

O painel alegórico da Loja do 1º grau no R.'.E.'.A.'.A.'.  contempla  muito mais do que um conjunto literal, figurado e oculto de símbolos, mas pretende expressar nesse conjunto simbólico, o caminho, as ações e os instrumentos necessários ao aprimoramento moral das nossas limitações e inconsistências.

Lá no fundo, o traço de identificação mais contundente entre a Maçonaria e o Carnaval no que concerne a "Alegoria" é que a mesma se constitui, numa verdadeira Narrativa Visual - materializando ideias abstratas em formas, cores e cenário que representem o conteúdo do que se pretende transmitir.



REVISITANDO O SALMO 23 - Barba


_O Senhor me guia mesmo quando não percebo_

_Mesmo quando a fé parece menor que o cansaço_

_Mesmo quando a alma pede pausa e o mundo exige pressa_

_Ele me conduz sem alarde, sem ruído, sem espetáculo_

_Ensina a descansar sem fugir da realidade_

_E a confiar mesmo sem entender o futuro_


_Nos dias em que a esperança parece sumir_

_E a coragem precisa ser lembrada_

_Quando a sombra se estende mais do que o horizonte_

_E o silêncio parece responder mais que as orações_

_Eu aprendo que não estou esquecido,_

_E que até o medo pode ser atravessado_

_Pois o Senhor está comigo_


_No vale onde a morte se faz morada_

_E a incerteza faz questão de bater à porta_

_Não encontro ausência, encontro Sua presença_

_Não encontro abandono, encontro Seu cuidado_

_Há uma mesa posta antes mesmo da fome_

_E um bálsamo que sobre mim se derrama_


_Assim sigo, imperfeito, mas sustentado_

_Errando, mas ainda caminhando_

_Caindo, mas sempre levantado por Mãos Invisíveis_

_Porque a vida não é isenta de sombras_

_Mas nunca é vazia de sentido nas Suas palavras_


_E mesmo quando a estrada termina em descanso_

_Mesmo quando a noite se transforma em manso_

_Mesmo quando o fim se revela em confiança_

_Vejo que tudo foi a mão do Eterno se estende em esperança_


_

ANIMA-TE - Adilson Zotovici

 

 



Não desistas do teu primo sonho

Sobre que o conceito trino atrela

Dalgum conhecimento eu suponho

Que com afincamento revela


Tu pensavas que simples exponho

Envergares broche na lapela

Vez que ainda pedreiro bisonho

Do luzeiro terias tutela


Faze por ti, teus iguais, proponho

E tua pedra bruta cinzela

Que sem luta o futuro é medonho


Compraz, Arte Real te acautela

E por ti muito faz, te enfronho

Tenaz, vê...o que fazes por ela !



MARROCOS REVIVE AS TRADIÇÕES JUDAICAS



Em um mundo onde símbolos judaicos são por vezes removidos das fachadas de cidades ocidentais, um processo quase inimaginável está em curso em Marrocos. Não foi resultado de acordos de normalização, nem tem como objetivo atrair turistas. Tudo começou com uma decisão pessoal, excepcional e sem precedentes de um homem: o Rei Mohammed VI.(foto)

Enquanto muitos países tentam apagar seu passado, Marrocos escolheu o oposto: tornou a memória judaica parte integrante de seu orgulho nacional. Partimos para examinar as figuras, os lugares e as decisões reais que mudaram a história.

1. A Ordem Direta: “Renovar Tudo

Em 2010, uma década antes do restabelecimento das relações oficiais, o Rei Mohammed VI tomou uma decisão estratégica: o patrimônio judaico de Marrocos não é apenas “o patrimônio dos judeus”; é o patrimônio de Marrocos e corre o risco de desaparecer. Ele não criou uma comissão burocrática. Emitiu uma ordem executiva para uma restauração abrangente. Os resultados falam por si (muitos deles financiados diretamente pelo palácio e pelo Ministério de Assuntos Religiosos):

167 cemitérios judaicos restaurados e cercados em todo o reino.

Dezenas de sinagogas antigas restauradas ao seu esplendor original, mesmo em aldeias onde não havia judeus há 60 anos.

13.000 túmulos restaurados e mapeados digitalmente para que as famílias possam encontrar seus entes queridos.

2. O Momento Histórico em Essaouira

Um dos momentos decisivos ocorreu em janeiro de 2020 na cidade de Essaouira (Mogador). O Rei inaugurou pessoalmente a "Casa da Memória" (Bayt Dakira). Este complexo singular inclui a antiga sinagoga Slat Attia, um centro de pesquisa e um museu. A imagem do Rei de Marrocos sentado na primeira fila diante da Arca Sagrada, rodeado por rabinos, transmitiu uma mensagem poderosa a todos os marroquinos: o judaísmo é uma raiz profunda da nossa identidade e temos orgulho disso.

3. Uma Constituição Única no Mundo

Este compromisso está inclusive consagrado em lei. Na nova Constituição marroquina (2011), o primeiro parágrafo, que define a identidade do Estado, afirma explicitamente que a identidade marroquina é nutrida e enriquecida pelo seu componente hebraico. Nenhum outro país do mundo árabe define o judaísmo na sua Constituição como parte integrante da sua identidade nacional.

4. Restauração dos Nomes Originais

A diretiva final e mais comovente veio quando o Rei ordenou a restauração dos nomes judaicos originais às ruas e praças dos bairros judeus (os mellahs). Em vez de apagar o passado e dar-lhe novos nomes, as placas azuis dos mellah de Marrakech agora exibem com orgulho os nomes de rabinos e comunidades do passado.

Em suma, quando você caminha por Marrakech e se sente seguro ao entrar na Sinagoga Slat Al Azama, ou quando vê um zelador marroquino cuidando de um cemitério judaico com profundo respeito, lembre-se: nada disso é garantido. É o resultado de uma liderança que decidiu que a história de Marrocos não pode ser contada sem contar a história do povo judeu. Você sabia da dimensão dessas reformas? Compartilhe esta mensagem para que todos saibam que existe um lugar onde nossa história é respeitada.

Fonte: Equipe Editorial do Morocco Travel Center | Investigação Especial

fevereiro 14, 2026

O CONCEITO DE ÉTICA ATRAVÉS DA HISTÓRIA - Michael Winetzki


 

Entrevista no programa Conversas Filósoficas no YouTube conduzida pelo presidente da Academia Maçônica de Letras de Rondônia, irmão Vanderlei Coelho, com o irmão Michael Winetzki.

O MITO DO PODER E A MISSÃO REAL: ONDE ESTÁ HOJE A MAÇONARIA BRASILEIRA


Artigo de Helio P. Leite 

Entre a nostalgia do passado e os desafios institucionais do presente

Há um jargão repetido com frequência, inclusive por maçons, segundo o qual a Maçonaria no Brasil “vive das glórias do passado”, não produz mais líderes ou estadistas e deixou de integrar a elite estratégica do país. A afirmação embora contenha elementos de verdade, é simplificadora e, em certa medida, injusta com a própria história e com a função contemporânea da Ordem.

É inegável que a Maçonaria não ocupa hoje o espaço político-institucional que exerceu no século XIX e nas primeiras décadas da República. Naquele período, ela foi um dos raros ambientes de formação intelectual, filosófica e política disponíveis às elites dirigentes. Foi ali que se articularam projetos de Independência, de organização do Estado, da abolição e da República. Esse ciclo histórico, contudo, pertence a um Brasil em formação.

O erro começa quando se exige da Maçonaria do século XXI o mesmo papel da Maçonaria do século XIX. As sociedades modernas são estruturalmente diferentes. Hoje, a formação das lideranças é distribuída entre universidades, partidos políticos, instituições jurídicas, centros de pesquisa, igrejas, imprensa e organizações civis. Nenhuma ordem iniciática, por mais respeitável que seja, detém mais o monopólio da formação das elites.

Dizer que a Maçonaria “não produz mais líderes” é confundir ausência de heróis míticos com ausência de influência social. A Ordem continua formando magistrados, professores, militares, diplomatas, gestores públicos, empresários e líderes comunitários. A diferença é que essa influência tornou-se mais silenciosa, difusa e descentralizada – característica típica das sociedades maduras.

Também é preciso distinguir poder visível de influência duradoura. A Maçonaria não é mais uma elite hegemônica de governo. Mas continua sendo uma elite associativa, moral e histórica, com capacidade de formar redes de confiança, promover filantropia, educação e valores cívicos. Seu capital simbólico permanece relevante em muitas regiões do país.

Outro equívoco recorrente está em supor que a missão da Maçonaria seja fabricar estadistas. Nunca foi. Sua vocação  essencial é formar homens melhores, mais conscientes de seus deveres, mais preparados para servir à sociedade – seja como governantes, juízes, professores, pais de família ou cidadãos. Quando cumpre essa função, ela já realiza sua finalidade mais profunda.

Há ainda um aspecto pouco debatido, mas recorrente nos bastidores da Ordem. Muitos maçons dirigem críticas severas aos seus Grão-Mestres pelo fato de não se manifestarem publicamente, em nome da Maçonaria, contra os desmandos políticos, os escândalos de corrupção e abusos de poder que afligem o país. Espera-se deles uma postura semelhante à dos líderes maçônicos do século XIX, quando a Ordem atuava como força política organizada.

Essas críticas, contudo, partem muitas vezes de uma percepção anacrônica da realidade. São maçons saudosistas, que acreditam que a Maçonaria ainda detém, no Brasil contemporâneo, o mesmo poder político que exerceu nos tempos da Independência, da Abolição ou da Primeira República. Ignoram que o sistema político atual é regido por outras lógicas institucionais, jurídicas e midiáticas, nas quais uma potência maçônica já não possui legitimidade formal nem espaço institucional para agir como ator político direto.

Mais do que omissão, o silêncio dos Grão-Mestres costuma ser expressão de prudência institucional. Em um Estado democrático de direito, cabe às instituições maçônicas respeitar a separação entre sociedade civil organizada e poder constituído, evitando comprometer a Ordem em disputas partidárias ou ideológicas que poderiam fragmentá-la internamente.

Talvez caiba, neste ponto, uma responsabilidade pedagógica aos próprios Grão-Mestres. Não para assumir um protagonismo político que já não lhes pertence, mas para esclarecer, com franqueza, aos Veneráveis Mestres e às Lojas de suas jurisdições em que patamar político efetivo hoje se encontram as potências maçônicas no campo do poder. Menos do que alimentar expectativas irreais, é preciso educar para a compreensão do novo lugar institucional da Maçonaria na sociedade brasileira.

Há ainda um dado incontornável: instituições irrelevantes não sobrevivem por mais de dois séculos. A Maçonaria brasileira atravessou Império, República, ditaduras e democracias. Sobreviveu a perseguições, divisões e crises internas. Essa longevidade não se explica apenas por nostalgia, mas por uma capacidade real de adaptação e renovação.

O problema, portanto, não é a existência de um passado glorioso. O problema seria transformar esse passado em refúgio, em vez de responsabilidade. A grande questão contemporânea não é se a Maçonaria teve importância histórica – isso é um fato -, mas como ela traduz esse legado em missão presente.

Talvez não seja mais forjadora de heróis nacionais. Mas ainda pode – e deve – ser escola permanente de ética, civismo e compromisso social. Se não governa mais a nação, ainda pode ajudar a formar melhores cidadãos para governá-la.

Ness sentido, a crítica que  afirma que a Maçonaria vive apenas das glórias do passado revela menos sobre a instituição  e mais sobre a necessidade de redefinir, com lucidez e coragem, o seu papel no Brasil do nosso tempo.



E O ZERO? - Heitor Rodrigues Freire









De repente, me vi fascinado quando percebi a importância do zero. Até então, eu não havia parado para analisar ou entender seu significado. Fiquei encantado com sua importância, que decorre diretamente de sua manifestação silenciosa e significativa.

O zero é um dos conceitos mais revolucionários e fascinantes da história do pensamento humano. Embora hoje pareça óbvio, ele demorou séculos para ser amplamente difundido.

A criação do zero pode ser considerada um fato tão importante para a humanidade quanto o domínio sobre o fogo ou a invenção da roda, na pré-história. Apesar de ser um número natural, ele não foi criado como unidade natural, isto é, não foi criado para a contagem.

O zero foi o último número a ser criado. Sua origem deveu-se não à necessidade de marcar a inexistência de elementos num conjunto, mas uma concepção posicional da numeração.

O zero resolveu o problema da mecanização das operações numéricas, dos cálculos, o que permitiu as criação das máquinas de calcular e dos computadores. Basta lembrar que o zero constitui o fundamento da linguagem computacional.

Até a criação do zero, a humanidade encontrava uma forma bastante particular de representar e contar quantidades. Os algarismos romanos não foram desenvolvidos para desenvolver cálculos, mas para registrar quantidades. Não havia representação entre os algarismos romanos para o zero.

Os babilônios (3.000 a.C.), usavam dois pequenos calços inclinados para marcar um espaço vazio entre números (para distinguir, por exemplo, 101 de 11). 

Os maias desenvolveram o zero por volta do ano 4 d.C., usando o símbolo de uma concha. Eles o utilizavam de forma complexa em seu calendário, mas esse conhecimento não influenciou o resto do mundo porque estavam isolados geograficamente. Ao mesmo tempo, essa barreira demonstra como o conhecimento circula no tempo e no espaço.

Então, quem “inventou” o zero?

A resposta curta é que não houve um único "inventor", mas sim uma evolução conceitual e simultânea que ocorreu ao longo de séculos.

No entanto, se tivermos que dar crédito a uma cultura e a um indivíduo pela forma como usamos o zero hoje (como um número real e não apenas um espaço vazio), o crédito vai para a Antiga Índia e para o matemático Brahmagupta, que viveu no século VII. Em seus escritos, ele teorizou sobre o conceito de zero, identificando-o como um número com valor próprio nulo e o definiu como o resultado da subtração de um número a si próprio.

Esta definição parece ter-se difundido, e o zero foi ativamente incluído na notação indiana. Os registos numéricos parecem indicar que, a partir dessa época, sua utilização se popularizou. Assim, no século IX, o matemático indiano Mahavira estudou e estabeleceu as operações de adição, subtração e multiplicação envolvendo o número 0. No entanto, ele falhou no resultado da divisão, o que foi corrigido no século XII por Bhaskara II, o último matemático clássico indiano. 

O zero significa três coisas ao mesmo tempo: um conceito que representa o "nada" ou o "vazio"; um número usado para quantificar a ausência de objetos; e um algarismo que serve como marcador de posição no nosso sistema numérico. Em resumo, o zero é mais do que "nada"; ele é a ponte entre o positivo e o negativo, a base do nosso sistema numérico e um pilar da ciência e da tecnologia, sendo um dos conceitos mais revolucionários da história humana. 

Filosoficamente, o zero nos ensina que o nada é tão vital quanto o ser. Sem o zero, não há sistema binário, não há cálculo, não há compreensão do vácuo e não há entendimento da liberdade humana. O zero é a borda onde a realidade termina e a possibilidade começa.

A introdução do zero forçou a filosofia a lidar com um paradoxo fundamental: como podemos dar um nome e um símbolo para algo que não existe? Ou seja, criou-se um enigma que forçou os matemáticos e os filósofos a buscar um significado e um símbolo que representasse e conceituasse o zero.

Assim, podemos ver como a história é algo realmente fascinante e merece uma busca aprofundada a quem se propõe a obter conhecimento. A internet é farta em informações das mais variadas fontes, filosóficas e históricas, principalmente. Viva a curiosidade e o conhecimento!


fevereiro 13, 2026

INSATISFAÇÃO - Sidnei Godinho


Há um ditado popular que diz:

..."Quem não sabe o que quer, perde o que tem e depois descobre que perdeu o que queria"...

Quantas e quantas vezes passamos por situações de mudanças que requerem decidir por onde seguir, abandonar o que não mais importa, adaptar-se às novas condições e aceitar o que se tornou inevitável.

É um ciclo normal e que se aplica à qualquer campo da vida, seja na família, escola, trabalho, nas interações sociais e mesmo nos sentimentos, onde aflora tanto o compatível quanto as ranhuras duma relação. 

Não é o conflito de mudar que causa a angústia, mas a incerteza do por quê, afinal há quem apenas não se contente nunca com o que tem ou com quem é.

E há ainda aqueles que desejam mudar pelo que vê nos outros e não em si mesmo, mais uma falácia da Vaidade que oculta a amarga necessidade de se comparar para ser igual num universo que é distinto.

Cada um é único e a cada um Deus lhe concede uma história ímpar de vivências próprias.

Não relegue então quem o universo lhe permitiu se tornar para ter ou ser o que vê na aparência alheia.

Mudar não é proibido, mas sempre haverá o custo da dúvida entre estar certo ou errado, ao menos pondere a vontade, não pelo que simplesmente deseja, mas pelo que é necessário.

..."O que tenho, trago de onde venho e define quem sou.

O que vejo é o que almejo de onde não vim e de quem não me tornei"...

Aprenda a decidir pelo que realmente é importante e mais, aprenda a reconhecer o que conquistou para não se sentir vazio quando cheio de recursos ou mesmo estar solitário quando rodeado de amigos.

Não queira um dia descobrir que já tinha o que precisava e perdeu na busca do que apenas queria.



O ALFABETO GREGO



O alfabeto grego é um dos sistemas de escrita mais antigos ainda em uso, surgido por volta do século IX a.C.. Ele influenciou diretamente o alfabeto latino (usado no português) e é muito utilizado até hoje em ciência, matemática, física, química, filosofia e medicina.

fevereiro 12, 2026

JOHN LOCKE - O HOMEM MAIS PERIGOSO DO MUNDO!

 


Em 1683, o homem mais perigoso do mundo fugiu da Inglaterra para a Holanda.

 Não parecia muito formidável.  

Ele tinha 51 anos, era magro e asmático.  

Ele tinha, de acordo com uma descrição, “um rosto comprido, nariz grande, lábios carnudos e olhos suaves e melancólicos”.

 No entanto, o rei da Inglaterra o considerava um de seus inimigos mais mortais.

Como braço direito do principal adversário político de Carlos II no país, era suspeito de conspirar para assassinar o rei.

 Mas o que realmente o tornava uma ameaça ao trono não era sua habilidade nas artes mortais, mas seu gênio nas artes literárias.

 Nas mãos de John Locke, a caneta era realmente mais poderosa que a espada.

 Locke deixou a Inglaterra com uma arma poderosa: uma que acabaria derrubando não apenas um monarca, mas todos.  

Essa arma era um livro, na época um rascunho inédito: Dois Tratados de Governo.

 Esse livro foi um caso filosófico sistemático para a liberdade.  

Locke sabia que seu livro antiabsolutista poderia levá-lo à morte pelo monarca absoluto da Inglaterra.  

De fato, no mesmo ano, o aliado de Locke, Algernon Sidney, foi executado por traição, e os Discursos sobre o governo de Sidney foram citados como prova em seu julgamento.

 Assim, Locke não publicou seus Tratados até 1689, um ano depois que o sucessor de Carlos,Jaime II, foi deposto na "Revolução Gloriosa",e mesmo assim apenas anonimamente. 

 Locke negou publicamente a autoria pelo resto de sua vida, admitindo-a apenas em seu testamento. 

 Locke morreu em 1704.

 No final do século, as ideias dos Dois tratados sobre o governo de Locke tornaram-se os elementos da filosofia fundadora da América:

 Igualdade, no sentido original, não de habilidades iguais ou riqueza igual, mas de não subjugação;

 Direitos inalienáveis;

não aos direitos do governo, mas à vida, liberdade e propriedade;

 Democracia, no sentido original, não de mero voto majoritário, mas de soberania popular: a ideia de que os governos não devem ser senhores, mas servidores do povo;

Consentimento dos governados;

a ideia de que os governos só podem governar legitimamente com o consentimento dos governados, ou seja, do povo soberano;

 Governo Limitado;

A ideia de que o único propósito e escopo adequado do governo legítimo é apenas garantir os direitos do povo;

 Direito de Revolução;

A ideia de que qualquer governo que ultrapasse seus limites e espezinha os próprios direitos que foi encarregado de garantir é uma tirania, e que o povo tem o direito de resistir, alterar e até mesmo abolir governos tirânicos.

 Essas ideias animaram a Revolução Americana e permearam a Declaração de Independência, a Constituição e a Declaração de Direitos. 

 A experiência americana de enorme sucesso disparou o prestígio mundial da filosofia política lockeana.  

À medida que os princípios políticos de Locke foram adotados em todo o mundo, a liberdade se espalhou e o absolutismo recuou.

 As ideias contidas nos documentos que John Locke contrabandeou por mar da Inglaterra em 1683 viraram o mundo de cabeça para baixo.

 Desde então, essa conquista maravilhosa para a humanidade foi parcialmente revertida de várias maneiras. 

 Os inimigos da liberdade distorceram os termos de Locke para perverter seu significado para servir às variantes modernas do absolutismo.

 Mas a história mundial tomou um curso muito mais livre porque Locke viveu, pensou, escreveu e publicou.

 Quer ele soubesse ou não na época, John Locke era o homem mais perigoso do mundo e também o mais heróico: uma ameaça para os tiranos e um libertador por gerações.

 Fontes: livro de Jim Powell "John Locke: Natural Rights to Life, Liberty, and Property" -"Cartas sobre a Liberdade"

Presente de Grego - Facebook - Via Dilson Sampaio da Fonseca

A ARTERIOSCLEROSE DE UMA LOJA - Fábio Serrano


Antes de tudo, convém assentar uma pedra angular: não escrevo estas linhas para defender o abandono do ritual ou a negligência dos nossos regulamentos. 

Pelo contrário, sou um fervoroso defensor de que a forma protege o conteúdo. 

O ritual é a moldura que permite à Loja operar num tempo e espaço sagrados, distintos do profano. 

Eu não proponho a anarquia, mas a vitalidade. 

Não questiono a regra, mas o "preciosismo cego" que, sob o pretexto de zelar pela perfeição, acaba por assassinar o espírito real da fraternidade.

Na medicina, a arteriosclerose refere-se ao endurecimento das artérias. 

As paredes, que deveriam ser flexíveis para permitir a circulação do sangue, tornam-se rígidas, estreitas e, eventualmente, bloqueiam o fluxo, levando à morte do tecido ou à falha do órgão. 

Na Loja, enfrentamos um risco semelhante. Quando o foco de uma sessão se desvia do aprimoramento moral e do calor da fraternidade para uma discussão vazia sobre a vírgula de uma ata ou o alinhamento preciso de um objeto que não afeta o andamento dos trabalhos ou a prática da verdadeira Maçonaria, estamos a sofrer de uma arteriosclerose ritualística.

O ritual deve ser uma ferramenta de trabalho, não uma mordaça. 

Se um Irmão comete um deslize formal, o ambiente de harmonia deveria permitir integrar e corrigir com discrição ou explicar pedagogicamente por que fazemos as coisas de determinada maneira. 

Muitas vezes, o que defendemos como regra máxima é apenas uma tradição oral que se fixou numa memória de trabalho local. 

Castigar um Irmão por algo que sequer está escrito é contraproducente e gera uma desarmonia que nos afasta do verdadeiro propósito da reunião.

Nós não nos reunimos para prestar culto à burocracia; reunimo-nos para nos tornarmos homens melhores. 

Se a sessão termina e os Irmãos saem mais exaustos do que inspirados, se saem mais distantes uns dos outros devido a picuices formais, então falhámos na nossa principal tarefa. 

O rigor é essencial, mas deve ser imbuído de humanidade. 

As nossas veias maçónicas precisam de ser flexíveis o bastante para aceitar as imperfeições humanas, permitindo que a fraternidade flua sem obstáculos. 

Assim, ao soar o malhete de encerramento, garantiremos que cada um saia do Templo mais justo e feliz do que quando entrou.





fevereiro 11, 2026

O SIGNIFICADO DAS COLUNAS GÉMEAS



Sobre o possível sentido e significado das colunas, duas questões principais se nos colocam:

1. Porque lhes foi dado um nome?

2. Quais os seus possíveis significados?

Quanto à primeira questão, parece ter sido costume entre os povos do Médio Oriente dar nome aos objetos sagrados. 

Assim, os Babilónicos, consta que, em comum com as nações suas vizinhas, tinham o costume de atribuir nomes significativos e, de certa forma, sagrados aos seus edifícios. 

Da mesma forma está escrito que, para comemorar a vitória dos israelitas sobre Amaleque, “Moisés edificou um altar e lhe chamou Adoninissi [o Senhor é minha bandeira]”. 

Dessa maneira estabelece-se que, de fato as Duas Colunas não eram somente objectos decorativos ou funcionais, mas também objectos sagrados por causa dos nomes peculiares que lhes foram dados.

Quanto à segunda questão, o seu significado tem sido interpretado quer etimológica, quer simbolicamente.

Assim, na tradução grega da Bíblia, a Versão dos Setenta, os dois nomes em Crónicas, são traduzidos por palavras que significam “força” e “direito”. 

A Bíblia de Genebra traduzia Jachin por “firmar” e Boaz por “em força”, mas Lionel Vibert critica a tradução e afirma que o certo seria “Ele firmará” e “N’Ele há força”.

Pelo menos dois autores entendem que Salomão ergueu as Duas Colunas como monumento comemorativo das promessas feitas pelo Senhor ao seu pai David. 

E que lhe foram repetidas numa visão, em que a voz do Senhor proclamou: ‘então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre’. 

A mesma promessa é feita num sonho ao profeta Natã: ‘Vai, e diz a meu servo David: Assim diz o Senhor… Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre…’. 

Assim a palavra Jachin deriva da palavra Jah, que significa “Jeová”, enquanto que achir significa “firmar” e quer dizer que “Deus firmará a sua casa de Israel”. 

Boaz, da mesma forma se comporá de B, que significa “em” e oaz, que significa “força”, dando se ao todo o significado de “em força ela será firmada”.

Entretanto o hábito de dar uma interpretação moral aos nomes das Duas Colunas não é uma invenção maçónica. 

Já no Século XVII um Teólogo Puritano se manifestou escrevendo que essas colunas foram erguidas “para notar que foi Deus quem lhe deu o poder e o domínio sobre todas aquelas nações, e cumpria a promessa feita a Moisés e ao seu povo de Israel”. 

“Os topos das colunas eram curiosamente adornados: para mostrar que os que persistem, constantes, até ao fim serão coroados. 

O trabalho de lírios [simbolizava] o Emblema da Inocência, Romãs o da produtividade, havendo muitas sementes num pomo: a Coroa deles lhes declarará a Glória…”..

Em consonância com o costume, já mencionado, de os antigos hebreus darem nomes significativos aos objectos sagrados, os estudiosos modernos da Bíblia concordam em que os nomes das Duas Colunas devem ser enigmáticos. 

Além do mais, que eles devem ter um significado religioso; as colunas têm nome porque são objectos sagrados.

Procurando o possível significado desses nomes, obviamente enigmáticos, e “examinando em seguida o Salmo, que dizem haver Salomão cantado ao concluir-se o templo, notamos que duas das frases notáveis nele são:

_Para a ‘firmação’ do sol em sua gloriosa mansão no céu, e…

_Para a ‘casa grande’ ou templo em que Iavé habitaria para sempre”.

Assim como as duas colunas do grande templo de Tiro eram símbolos gémeos de Melcarte, o deus de Tiro, assim também, com grande probabilidade as duas colunas erguidas pelo mestre Tírio [Hirão], defronte do Templo de Salomão, deviam ser símbolos de Jeová, o Deus de Israel. 

As Duas colunas são elas mesmas designações de Jeová.

Quanto ao seu significado, provavelmente a melhor explicação dos dois nomes é a da Enciclopédia Judaica:

_“Jachin” (“Ele firmará”), e

_“Boaz” (“Nele está a força”).

Explanação análoga nos é dada pela Bíblia de Genebra e por Bede, e foi este o significado que, no dia da minha iniciação, na instrução do aprendiz, me comunicaram teria a Palavra Sagrada: “Em Força”.

Fonte: A∴ R∴ – R∴L∴M∴A∴D∴ (Junho de 5997)

FRANKLIN E VOLTAIRE - Luciano J. A. Urpia


 Em 1778, dois dos maiores pensadores do século XVIII, Benjamin Franklin e Voltaire, se encontraram na Academia de Ciências de Paris. Esse encontro histórico, ocorrido em 29 de abril, foi um dos últimos na vida de Voltaire, que viria a falecer em 30 de maio daquele ano. Pouco antes, o filósofo francês havia sido iniciado na Maçonaria na Loja "Les Neuf Sœurs" em 7 de abril, entrando no Templo de braço dado com Franklin e usando o avental de outro ilustre iluminista, Helvétius. Embora suas trocas tenham sido marcadas mais por gestos de mútua admiração do que por debates profundos sobre a implantação da democracia na Europa, o momento simbolizou o encontro entre o Iluminismo europeu e os ideais revolucionários que brotavam na América.

A influência de Franklin na Maçonaria francesa, contudo, foi profunda e política. Como Venerável Mestre da Loja "Les Neuf Sœurs" entre 1779 e 1781, ele transformou-a em um fervoroso centro de propaganda pela independência americana. Seu trabalho ajudou a disseminar os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre uma notável rede de intelectuais e militares, incluindo figuras como Lafayette e Beaumarchais. Franklin deixou Paris em 1788 para participar da formação do novo regime nos Estados Unidos, retornando antes da inauguração do presidente George Washington, em 1789, fechando assim um ciclo crucial em que a Maçonaria serviu de ponte para as revoluções que moldariam o Ocidente.

A imagem em destaque, de autor e data desconhecidos, mostra um encontro de Voltaire (que estava no fim da vida) e Benjamin Franklin, que viria a falecer 12 anos depois.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA