dezembro 04, 2024

O QUE É A VERDADEIRA PAZ NA MAÇONARIA - Dario Angelo Baggieri



Amados irmãos, presenciamos aos final dos trabalhos a singela e  profunda frase: QUE A PAZ, A HARMONIA E A CONCÓRDIA, SEJAM A TRÍPLICE  ARGAMASSA COM QUE SE LIGUEM AS NOSSAS OBRAS. Vemos isto repetidamente  inúmeras vezes, e a grande maioria dos irmãos, não fazem a devida  introspecção, sobre a profundidade simbólica, Filosófica e Esotérica  contidas neste aforisma enigmático.

O vocábulo PAZ exprime a tranquilidade, o sossego, a concórdia, o  entendimento e a harmonia que reina no seio da humanidade, seja nos  governos ou na sociedade particulares. Ela é garantidora da boa  convivência entre as pessoas e ausência de conflitos entre tendências.  Daí poder dizer que a paz interior é a tranquilidade da consciência,  assim como a beatitude é a paz do espírito tão indispensável à vida  humana, permitindo assim que o homem se realize como ser criado à imagem  e semelhança do Grande Arquiteto do Universo.

É importante definir a paz no sentido bíblico: um estado de espírito motivado pelo facto de estar tudo bem. É o “shalom”  dos israelitas, que por sua vez é traduzida como felicidade material,  prosperidade, segurança, saúde e, também, a felicidade espiritual. Esta  última só existe se a pessoa estiver bem como o GADU, que nos disse:  “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de  Deus”. E Ele quer que os homens vivam em concórdia uns com os outros,  quando através do apóstolo Paulo, afirmou: “Seja vossa preocupação fazer  o que é bom para todos os homens, procurando, se possível, viver em paz  com todos, por quanto de vós depende”.

Aí surge uma pergunta: porque esta sequencia:

PAZ => HARMONIA => CONCÓRDIA e não Harmonia, Paz e Concórdia ou  Concórdia, paz e Harmonia ou outras possíveis combinações? Qual o  Sentido deste sequencial? Aí começa o entendimento do Simbolismo, que  aflora no filosófico e se completa no Esotérico.

Como irmãos maçons devemos conscientizar-nos de que temos que buscar  não só a paz pessoal, mas também a paz da coletividade Maçónica e da  comunidade em que vivemos. Mahatma Gandhi, com muita convicção afirmou: “Não existe caminho para a Paz; a Paz é o caminho”.

Como caminho, o primeiro deles encontra-se na família, esta que tem  na Maçonaria uma enorme defensora, pois reconhece ser ela a base de  tudo. E neste “tudo” está a fonte dos valores que uma pessoa carrega por  toda a vida: respeito, tolerância, fidelidade, solidariedade,  companheirismo e demais virtudes próprias as criaturas do bem. Diante,  pois, de um horrível quadro da violência, nota-se que falta a paz na  maioria dos lares do Universo de uma maneira geral e também nos lares  brasileiros. Dai concluir o seguinte: a paz começa em casa.

Parafraseando Carmelino Souza Vieira, fazendo uma transferência,  podemos concluir que a Paz é a base de tudo. Não existe Harmonia sem  Paz… Não existe Concórdia sem Harmonia. Mas a Paz, subsiste por si só.  Ela CONTÉM os outros dois, mas NÃO ESTÁ CONTIDA NECESSARIAMENTE,  naqueles.

Vejamos ipsis literis o que está contido no Ritual:  “Conceda-nos o auxílio de Tuas Luzes e dirige os nossos trabalhos a  perfeição. Concede que a Paz, a Harmonia e a Concórdia sejam a tríplice  argamassa com que se ligam as nossas obras.”

Para que os trabalhos ocorram de forma “Justa e Perfeita” é  necessário que os Irmãos estejam entrelaçados, unidos por meio da  “tríplice argamassa”, pois sem ela não há Loja, se não houver a comunhão  em Loja, por meio da União, não há “egrégora”, e não fluindo a  energia não passamos de simples batedores de malhetes e te produtores  de um ritual como tantos presentes na vida profana. Sem esta União e a  mistura não há a troca de energias e por conta disso não ocorre o  aprimoramento individual, não ocorre o “desbastar a pedra bruta”  inclusive.

Vivemos um tempo de preocupação, um tempo de discórdia e de  (des)harmonia, um tempo de desencontros e de individualismo intenso.  Estamos na era do consumismo, ou seja, da valorização das pessoas pelo o  que elas tem sempre vinculado a um património ou até mesmo a estética  de um poder aquisitivo, isto sempre em detrimento ao que a pessoa é como  ser-humano, como ser no mundo.

No contexto social atual por conta da sensação de insegurança, por  conta da globalização das informações por meio da tecnologia, vivemos  uma relativização do tempo estático e com isso surge também a sensação  de que tudo está perdido e que estamos em desordem total.

É evidente que falta na sociedade “paz”, bem como também falta a  “harmonia”, sem contar a falta de “concórdia”, pois aparentemente tenho a  sensação de que estamos na era da discórdia, ou seja, é moda discordar  mesmo que não se tenha fundamentos plausíveis e razoáveis para  fundamentar tal discordância. Quando não vemos pessoas discordar uma das  outras e chegar no calor da problematização partirem para a violência  física e verbal.

Fraternos Irmãos é necessário e importante para a evolução da nossa  sociedade que passemos exemplos de “paz”, de “harmonia” e de  “concórdia”, buscando o consenso e o auxílio do nosso próximo profano. É  necessário que venhamos a importar-nos com o que acontece em sociedade  sob pena de sucumbirmos os mesmos males que vem sofrendo a nossa  sociedade, sucumbirmos por valores perdidos.

Sejamos realmente IRMÃOS na verdadeira PAZ, pois somente assim  teremos no bojo da nossa Sublime Ordem, a Harmonia e a Concórdia com que  se liguem, se argamassem e se completem, as nossas obras.

https://www.freemason.pt/o-que-e-a-verdadeira-paz-na-maconaria-uma-visao-holistica/

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