dezembro 14, 2024

ESQUADRO E COMPASSO - Rui Bandeira

 

esquadro, compasso, sol, maçom


Talvez o mais conhecido dos símbolos da Maçonaria seja o que é constituído por um esquadro, com as pontas viradas para cima, e um compasso, com as pontas viradas para baixo.

Como normalmente sucede, várias são as interpretações possíveis para estes símbolos.

É corrente afirmar-se que o esquadro simboliza a retidão de caráter que deve ser apanágio do maçom. Retidão porque com os corpos do esquadro se podem traçar facilmente segmentos de reta e porque reto se denomina o ângulo de 90 º que facilmente se tira com tal ferramenta. Da retidão geométrica assim facilmente obtida se extrapola para a retidão moral, de caráter, a caraterística daqueles que não se “cosem por linhas tortas” e que, pelo contrário, pautam a sua vida e as suas ações pelas linhas direitas da Moral e da Ética. Esta caraterística deve ser apanágio do maçom, não especialmente por o ser, mas porque só deve ser admitido maçom quem seja homem livre e de bons costumes.

É também corrente referir-se que o compasso simboliza a vida correta, pautada pelos limites da Ética e da Moral. Ou ainda o equilíbrio. Ou a também a Justiça. Porque o compasso serve para traçar circunferência, delimitando um espaço interior de tudo o que fica do exterior dela, assim se transpõe para a noção de que a vida correta é a que se processa dentro do limite fixado pela Ética e pela Moral. Porque é imprescindível que o compasso seja manuseado com equilíbrio, a ponta de um braço bem fixada no ponto central da circunferência a traçar, mas permitindo o movimento giratório do outro braço do instrumento, o qual deve ser, porém, firmemente seguro para que não aumente ou diminua o seu ângulo em relação ao braço fixo, sob pena de transformar a pretendida circunferência numa curva de variada dimensão, torta ou oblonga, assim se transpõe para a noção de equilíbrio, equilíbrio entre apoio e movimento, entre fixação e flexibilidade, equilíbrio na adequada força a utilizar com o instrumento. Porque o círculo contido pela circunferência traçada pelo instrumento se separa de tudo o que é exterior a ela, assim se transpõe para a Justiça, que separa o certo do errado, o aceitável do censurável, enfim, o justo do injusto.

Também é muito comum a referência de que o esquadro simboliza a Matéria e o compasso o Espírito, aquele porque, traçando linhas direitas e mostrando ângulos retos, nos coloca perante o facilmente percetível e entendível, o plano, o que, sendo direito, traçando a linha reta, dita o percurso mais curto entre dois pontos, é mais claro, mais evidente, mais apreensível pelos nossos sentidos – portanto o que existe materialmente. Por outro lado, o compasso traça as curvas, desde a simples circunferência ao inacabado (será?) arco de círculo, mas também compondo formas curvas complexas, como a oval ou a elipse. É, portanto, o instrumento da subtileza, da complexidade construída, do mistério em desvendamento. Daí a sua associação ao Espírito, algo que permanece para muitos ainda misterioso, inefável, obscuro, complexo, mas simultaneamente essencial, belo, etéreo. A matéria vê-se e associa-se assim à linha direita e ao ângulo reto do esquadro. O espírito sente-se, intui-se, descobre-se e associa-se portanto ao instrumento mais complexo, ao que gera e marca as curvas, tantas vezes obscuras e escondendo o que está para além delas – o compasso.

Cada um pode – deve! – especular livremente sobre o significado que ele próprio vê nestes símbolos. O esquadro, que traça linhas direitas, paralelas ou secantes, ângulos retos e perpendiculares, pode por este ser associado à franqueza de tudo o que é direito e previsível e por aquele à determinação, ao caminho de linhas direitas, claro, visível, sem desvios. O compasso, instrumento das curvas, pode por este ser associado à subtileza, ao tato, à diplomacia, que tantas vezes ligam, compõem e harmonizam pontos de vista à primeira vista inconciliáveis, nas suas linhas direitas que se afastam ou correm paralelas, oportunamente ligadas por inesperadas curvas, oportunos círculos de ligação, improváveis ovais de conciliação; enquanto aquele, é mais sensível à separação entre o círculo interior da circunferência traçada e tudo o que lhe está exterior, prefere atentar na noção de discernimento (entre um e outro dos espaços).

E não há, por definição, entendimentos corretos! Cada um adota o entendimento que ele considera, naquele momento, o mais ajustado e, por definição, é esse o correto, naquele momento, para aquela pessoa. Tanto basta!

O conjunto do esquadro e do compasso simboliza a Maçonaria, ou seja, o equilíbrio e a harmonia entre a Matéria e o Espírito, entre o estudo da ciência e a atenção às vias espirituais, entre o evidente, o científico, o que está à vista, o que é reto e claro e o que está ainda oculto ou obscuro. O esquadro é sempre figurado com os braços apontando para cima e o compasso com as pontas para baixo. Ambas as figuras se opõem, se confrontam: mas ambas as figuras oferecem à outra a maior abertura dos seus componentes e o interior do seu espaço. A oposição e o confronto não são assim um campo de batalha, mas um espaço de cooperação, de harmonização, cada um disponibilizando o seu interior à influência do outro instrumento. Assim também cada maçom se abre à influência de seus Irmãos, enquanto que ele próprio, em simultâneo, potencia, com as suas capacidades, os seus saberes, as suas descobertas, os seus ceticismos, as suas respostas, mas também as suas perguntas (quiçá mais importantes estas do que aquelas…) a modificação, a melhoria, de todos os demais.

Tantos e tantos significados simbólicos podemos descobrir e entrever nos símbolos mais conhecidos da Maçonaria… Aqui deixei, em apressado enunciado, alguns. Cada um é livre, se quiser, de colocar na caixa de comentários, o seu entendimento do significado destes símbolos, em conjunto ou separadamente, ou apenas de um só deles. Todos os significados simbólicos são bem-vindos! Cada um é também livre de, se quiser, nada partilhar, guardando para si as conclusões que nesse momento tire. Tão respeitável é uma como outra das posições. Este espaço é livre e de culto da Liberdade. Afinal de contas, tanto o esquadro como o compasso estão abertos… abertos às livres opções, entendimentos e escolhas de cada um!

dezembro 13, 2024

IDOSOS DEVEM FALAR MAIS


Os idosos são ridicularizados quando falam demais, mas os médicos veem isso como uma bênção, dizendo que os idosos aposentados deveriam falar mais porque atualmente não há como prevenir a perda de memória. A única maneira é falar e falar, cada vez mais. Existem pelo menos três benefícios para os idosos que falam mais...

Primeiro: Falar ativa o cérebro, pois a linguagem e os pensamentos se comunicam, principalmente quando se fala rápido, isso naturalmente acelera o pensamento e melhora a capacidade de memória. Idosos que não falam têm maior probabilidade de desenvolver perda de memória.

Dois: Falar mais previne doenças mentais e reduz o estresse. Os idosos muitas vezes guardam tudo no coração sem dizer ou desabafar nada, sentem-se sufocados e desconfortáveis. Dar aos idosos a oportunidade de falar mais e ouvir uns aos outros irá ajudá-los a sentirem-se melhor.

Terceiro: A fala exercita os músculos ativos da face, exercita a garganta, aumenta a capacidade dos pulmões e reduz os perigos ocultos da vertigem e da surdez, que freqüentemente prejudicam os olhos e os ouvidos.

Resumindo: como adulto mais velho, a única maneira de prevenir a doença de Alzheimer é conversar ativamente e interagir com o maior número de pessoas possível. Não há outro remédio para isso. Por isso, é recomendado que grupos de amigos mais velhos se reúnam em algum lugar pelo menos uma vez por semana, durante cerca de 2 ou 3 horas, para trocar opiniões e eliminar o estresse com um sorriso.



SOBRE A AMIZADE - Marco Túlio Cicero



"A clara indicação de virtude, que naturalmente atrai uma mente de caráter semelhante, é o início da amizade". Nesse caso, o aumento do afeto é uma necessidade. Pois o que poderia ser mais irracional do que buscar prazer em coisas inanimadas, como cargos, fama, casas suntuosas e vestimentas, enquanto se tem pouco ou nenhum interesse em um ser sensível dotado de virtude, capaz de amar e retribuir o amor? Pois nada é mais prazeroso do que a reciprocidade de afeto e a troca mútua de bons sentimentos e favores. E se afirmarmos, com razão, que nada atrai e une tanto quanto a semelhança na amizade, será aceito como verdade que *os bons amam os bons e os unem a si mesmos, como se estivessem ligados pelo sangue e pela natureza*. 

[...] 

E já que não há amizade sem virtude, eu os encorajo a atribuir à essa uma importância tão elevada que, além dela, em seus pensamentos, nada seja mais valoroso do que a amizade.



dezembro 12, 2024

CHEGADA DO RITO SCHRÖEDER AO BRASIL - Werner Rinkus



O Rito Schröeder chegou ao Brasil em dezembro de 1855, com a fundação da Loja “Deutsche Freundschaft” (Amizade Alemã), por imigrantes alemães e suiços em Joinvile-SC.

Entretanto, este fato correu após a fundação do povoado denominado Dona Francisca, hoje município de Schroeder, cujo nome foi uma homenagem ao seu colonizador Senador Cristiano Mathias Schroeder, em 1851, sendo onde se concentraam as colônia germânicas e suíças, inicialmente.

Esta Loja (Amizade Alemã), em maio de 1859 uniu-se à Loja”Zum Südlichen Kreuze”(Ao Cruzeiro do Sul), que havia sido fundada em maio de 1856, tomando a nova Loja o título distintivo de “ Deutsche Freundschaft Zum Sülinchen Kreuze” Amizade Alemã ao Cruzeiro do Sul).

Naquela oportunidade, chegaram a compor o Rito Schröeder, cerca de 49 lojas, até o início da 1ª Guerra Mundial, somente no Rio Grande do Sul.

Infelizmente, o advento bélico fez com que o governo brasileiro, em 1917, proibisse as reuniões e o uso da língua alemã em todo o território nacional.

Esta proibição fez abater colunas todas as lojas Schröeder existentes. Assim permaneceu até 24 de junho de 1958, quando ocorreu a fundação da Loja Concórdia & Humanitas nº56, sob a jurisdição da GLMERGS, onde, então, voltou-se a desfrutar a beleza e o humanismo do genuíno Ritual Schröeder, primeiramente em alemão e posteriormente em português.

Entretanto foi no Estado do Rio Grande do Sul, que as lojas do Rito Schröeder se desenvolveram com maior ênfase, quando lá se estabeleceram as colonizações alamãs e italianas, surgindo (cada uma em sua época) fundações de associações, clubes e lojas maçônicas.

Com o advendo da 2ª Guerra Mundial, todas as lojas que utilizavam rito alemão foram obrigadas a trocar o seu rito (Schröeder) pelo rito Escocês. Com isso várias Lojas abateram colunas.

Havia muita pressão sobre os alemães e italianos, mormente sobre os alemães, já que eram os causadores diretos da 2ª Guerra Mundial. Quando, finalmente, foi permitida a reabertura das Lojas, no pós guerra, foi procurada uma maneira de se fundar uma loja no idioma alemão, a fim de preservar e manter as tradições e cultura germânica. Fundou-se, então, uma loja que trabalhava no Rito Escocês, porém, onde todo o ritual era lido e falado em alemão.

Somente tempos depois é que foi escolhido o Rito de Schröeder, sendo que, por falta de informações, possuía a denominação Schröeder, porém trabalhava no Escocês.

Assim surgiu de forma bastante peculiar, o Rito Schröeder no Rio Grande do Sul.

Com a chegada do valoroso Ir:. Kurt Max Hauster, da Alemanha, trazendo consigo o ritual alemão da Loja Absalom, foi que os irmãos daquela Loja tomaram conhecimento oficial, não só da formatação da loja, como, também, do rito, propriamente dito.

Todo o material então foi repassado à vários obreiros que se incumbiram de organizar as traduções, colocando-as em ordem para posterior elaboração dos rituais.

Feito isso, foi passado à Loja Concórdia & Humanitas, no dia 24/06/1958 (data oficial) e, assim, deram início aos trabalhos que têm curso até a presente data, principalmente nos estados do Sul do Brasil.

https://www.brasilmacom.com.br/rito-de-schroeder/

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DA VAIDADE -; Newton Agrella


Tanto se escreve e se fala a respeito da Vaidade, porém este é um dispositivo humano que parece não querer se desvencilhar da alma.

Apesar de sua natureza fugaz e transitória, ela se revela a cada pouco como um perigoso combustível  que assim como uma droga, ela vicia e produz um efeito devastador.

Pior que tudo isso, a vaidade tem a nociva propriedade de valorizar a nossa própria existência, seja no terreno da aparência, dos atributos físicos e das qualidades intelectuais.

A sensação mais vã que ela promove é a de que esses atributos e qualidades venham a ser reconhecidos e admirados pelos outros.

Apesar de que um dos lemas promulgados pela Maçonaria seja o de "levantar templos às virtudes e cavar masmorras aos vícios" a Vaidade tem se mostrado cada vez mais evidente e circunstante entre os maçons à medida que o tempo passa.

O apego despudorado ao poder,   aos elogios fáceis, aos títulos, homenagens e medalhas, tornaram-se lugares-comuns, ao invés do esforço e dedicação ao crescimento interior, espiritual e intelectual, conforme os princípios Maçônicos basilares.

A despeito das tradições litúrgicas e eloquentes que são componentes do acervo histórico e cultista da Sublime Ordem - e que sem dúvida devem ser preservadas - a importância que tem sido dada aos aspectos aparentais denotam a superficialidade a que a Vaidade conduz.

A expressão de orgulho do próprio sucesso ou da ostentação das próprias qualidades nada mais significam que um traço inequívoco de insegurança e de necessidade de auto-afirmação.

Cavar masmorras à Vaidade é um exercício que exige despojamento da alma, desapossar-se e desapegar-se de tudo aquilo que tem um caráter vazio e fugaz.  

Aliás, a etimologia da palavra Vaidade é originária dos termos latinos "vanitas", "vanitatis" : cujo significado é nada mais do que "Vacuidade" (aquilo que se refere ou é próprio do vácuo) ou seja: VAZIO ABSOLUTO.

Isso portanto, traduz por si só o caráter singular desse substantivo.

Ao Maçom, impõe-se desenvolver e trabalhar continuamente o "auto-reconhecimento",  conhecer-se a si mesmo.

Parafraseando o renomado pensador e escritor francês Honoré de Balzac: 

"...é melhor deixar a Vaidade aos que não tem outra coisa para exibir..."

Se de um lado ela é uma via expressa rumo à satisfação, concomitantemente é o terreno mais fértil para a desvirtude se desenvolver.

dezembro 11, 2024

RESERVA SOBRE AS FORMAS DE RECONHECIMENTO - Rui Bandeira


 

Antigamente era, em muitos locais, perigoso ser maçom. 

Ainda hoje o é, em várias partes do globo. 

Os maçons tinham necessidade de se conseguirem reconhecer uns aos outros, sem necessidade de perguntar. 

Com efeito, se um maçom perguntasse a outrem se também era maçom e esse outrem não só não fosse maçom como denunciasse quem o inquirira, estava o caldo entornado… 

Havia, pois, que arranjar maneira de um maçom se poder assegurar que outro homem também tinha essa qualidade, de forma que, se assim fosse, o interrogado soubesse que tal interrogação lhe estava a ser feita e soubesse responder da mesma forma, mas que, se o interrogado não fosse maçom, não se apercebesse sequer da interrogação. 

Havia que criar uma forma de um maçom se dar a conhecer como tal, de maneira que só os maçons se apercebessem disso e só eles reconhecessem essa forma. 

Havia que poder testar se alguém que se arrogava de ser maçom efetivamente o era. 

E, sobretudo, havia que tudo isto fazer de forma discreta, apenas perceptível por quem devesse perceber. 

E havia, obviamente que guardar segredo dessas formas de reconhecimento.

Antigamente,não havia as facilidades e rapidez de comunicações e de deslocação que há hoje. 

Os agregados populacionais eram fechados, muito mais isolados do que agora e, sobretudo, mais distantes, em termos de tempos de viagem. 

Ir de Lisboa a Londres demorava semanas. Ir de Lisboa ao Porto demorava dias. 

Ir da Europa à Ásia, a África ou à América demorava meses. 

Um viajante que chegava a um qualquer local era um desconhecido e desconhecia quase todas ou todas as pessoas desse local. 

Se se arrogava qualquer título ou condição, não havia meios de comunicação rápidos que permitissem verificar, em terras distantes, se o afirmado era verdade.

Viajar era demorado e perigoso. 

Os maçons em viagem podiam beneficiar do auxílio de seus Irmãos. 

Muitas vezes sendo – viajante e residente – desconhecidos um dos outro. 

Não bastava ao viajante dizer que era maçom. 

Tinha de comprovar essa qualidade.

Antigamente era, pois. essencial que existissem formas de reconhecimento discretas, eficazes e de conhecimento restrito aos maçons. 

Que deviam ser e eram avaramente guardadas em segredo.

Essas formas de reconhecimento eram e são constituídas por determinados sinais, por certas palavras, por específicos toques. 

Os sinais permitiam que os maçons se reconhecessem como tal no meio de uma multidão, se preciso fosse, sem que mais ninguém se apercebesse. 

As palavras permitiam confirmar esse reconhecimento, constituindo uma segunda forma de verificação, que confirmaria a identificação ou permitiria desmascarar impostor que, por conhecimento ou sorte, tivesse efetuado corretamente um sinal de identificação. 

Os toques, discretos, permitiam, além de uma fácil identificação mútua absolutamente discreta e insuscetível de ser detectada por estranhos, também desmascarar impostores, pois não bastava, nem basta, usar um certo toque: é preciso saber quando o usar, para quê e que deve suceder em seguida…

Sempre os sinais de reconhecimento foram objeto de curiosidade profana. 

Por quem perseguia a Maçonaria e os maçons, por razões evidentes. 

Por quem, não sendo maçom, gostaria de se infiltrar entre os maçons ou, viajando, beneficiar da ajuda que os maçons residentes davam aos maçons viajantes. 

Ou, simplesmente, por quem era curioso…

Milhares e milhares de maçons conhecem os sinais de reconhecimento. 

Ao longo do tempo, milhões de maçons acederam a esse conhecimento, nas quatro partidas do Mundo. 

Houve zangas. 

Houve dissensões. 

Houve abandonos. 

Houve traições. 

Houve inconfidências. 

Um segredo só é verdadeiramente secreto se for conhecido apenas por um – e, mesmo assim, se este não falar a dormir… 

Era inevitável que as formas de reconhecimento dos maçons fossem expostas. 

Existem livros. 

Existem filmes. 

Existem vídeos. 

Existem panfletos. 

Existem, hoje em dia, inúmeros suportes em que estão expostas aos profanos as formas de reconhecimento dos maçons. 

Mas também existem publicados nos mesmos suportes formas de reconhecimento falsas ou inventadas ou simplesmente ultrapassadas… 

Quem está de fora tem o magno problema de descobrir o que é verdadeiro e o que é falso, de distinguir o certo do inventado, de descortinar o que se mantém vigente e o que foi ultrapassado…

Por isso, ainda hoje, as formas de reconhecimento vigentes, apesar de conhecidas por milhões, apesar de repetidamente expostas, continuam a ser úteis e eficazes.

Mas, mesmo que algum profano consiga conhecer os sinais, palavras e toques certos e consiga descobrir quando os utilizar e como o fazer corretamente, ainda assim só logrará, quando muito, enganar alguns maçons durante algum tempo e acabará – porventura mais cedo do que mais tarde – por ser desmascarado como impostor. 

Porque não basta executar o sinal certo na hora precisa, pela forma correta, nem dizer a palavra adequada, pela forma prescrita, a quem deve ouvi-la, nem dar o toque acertado, no momento asado e sabendo o que se deve passar a seguir. 

Tudo isso já é suficientemente complicado – mas não basta. 

Tudo isso, ainda que porventura executado de forma atinada, constitui ainda uma determinada informação: que quem o fez tem um determinado nível de conhecimentos, uma certa postura e compostura, um exigível comportamento, um específico nível de desenvolvimento pessoal, social e espiritual. 

Ser maçom e ser reconhecido como maçom não é só conhecer e saber executar sinais, palavras e toques. 

Isso é o que menos importa. 

É, sobretudo, saber fazer um percurso, utilizar um método, avançar num caminho.

As formas de reconhecimento são apenas sinais exteriores básicos e nem sequer particularmente importantes. 

Isso também, mas sobretudo muito mais, é que faz com que um maçom seja reconhecido como tal pelos seus Irmãos.

Reservo o segredo dos sinais, palavras e toques que constituem as formas de reconhecimento dos maçons, porque a isso me comprometi. 

Mas digo e afirmo: podíamos divulgar, publicar, mostrar, explicar, exemplificar, ensinar, filmar e exibir o filme, executar todos os sinais, palavras e toques de reconhecimento; podíamos ensinar a toda a gente como e quando e por que forma utilizar cada um deles. 

Ainda assim, pouco tempo e apenas um razoável cuidado bastariam para reconhecer quem efetivamente é maçom e quem, ainda que perfeitamente executasse todos os sinais, palavras e toques, não o é!

Porque ser maçom é muito mais do que saber sinais, palavras e toques. 

Ser reconhecido como tal implica muito mais do que essas minudências, pois não basta saber sinais, palavras e toques para ser reconhecido maçom. 

É preciso efetivamente sê-lo e vivê-lo e praticá-lo.

Que nunca ninguém se esqueça disto. 

Seja profano ou tenha sido iniciado. 

Especialmente estes!




FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE NA VISÃO MAÇÔNICA - Sidney Godinho


Quando  se  analisa  a  arquitetura  de  uma  loja maçônica,  estruturada  em  suas  Jóias  e  luzes,  e divididos  seus  conhecimentos  em  seus  graus hierárquicos,  representados  por  suas  ferramentas  de trabalho,  pode-se  bem  depreender  que  ao  Ap.’.  compete a  Força  e  a  Fé,  pois  é  o  início  e  como  todo  principiante, basta  somente  crer  naquilo  que  agora  tem  como Verdade  Absoluta,  para  malhar  e  cumprir  as  orientações que  lhe  são  ministradas. 

É  a  exploração  do  Corpo  como  matéria,  pois  os sentimentos  afloram  enquanto  a  razão  é  ofuscada  pela empolgação  natural  do  desconhecido.  

A  Fé  se  define como  “a  primeira  das  três  virtudes  teologais;  um conjunto  de  dogmas  e  doutrinas  que  constituem  um culto”  (Aurélio,  2006)  e  sendo  o  dogma  “um  ponto fundamental  e  indiscutível  de  uma  doutrina  ou  um sistema”  (Aurélio,  2006),  clarifica-se  ao  Ap.’.  explorar  a Força  de  seu  corpo  e  crer  com  toda  sua  Fé. 

Já  ao  C.’.M.’.,  a  maturidade  alcançada,  após  os trabalhos monitorados, permite-lhe avançar doutrinariamente  e  abandonar  o  Rés-do-Chão, alternando  seu caminhar e explorando novas crenças,  onde  o  corpo  é  deixado fora  e  a  Alma  é  trabalhada  para  fundamentar  o  que  era Fé  e  então  torná-la  em  Esperança  ou  seja  na  “segunda das  três  virtudes  teologais;  esperar  aquilo  que  se  deseja” (Aurélio,  2006).  

"Onde  outrora  se  cria,  hoje  se  deseja." 

A  literatura  maçônica  relata  que  nas  antigas escolas  operativas  e  mesmo  nos  primórdios  das  lojas especulativas  tinham-se  como  graus  apenas  o  Ap.’.  e  o C.’.M.’.,  visto  que  comparado  a  atividade  laboral  era  o Comp.’.  o  executor  das  tarefas  em  uma  obra  e  o habilitado  para  tal,  cabendo  ao  Ap.’.  ser  seu  auxiliar braçal.  

Somente  mais  tarde  a  função  de  M.’.  foi introduzida  como  um  controle  de  qualidade  e  um organizador  da  execução  de  um  empreendimento,  o  que também  foi  trazido  para  a  Ordem  como  o  mais  alto grau. 

Esta  visão  do  Maçom  somente  pode  ser conseguida  quando  ele  consegue  ver  a  si  mesmo, interiorizando-se  para  enfrentar  seus  temores  e questionar  suas  crenças,  libertando-se  de  preconceitos obscuros  e  alcançando  a  clarividência  no  meio  que  o circunda. 

É  o  que  na  psicologia  Junguiana  se  denomina Inconsciente  Individual,  ou  seja:  no  inconsciente estariam  ocultas  a  sede  de  poder  e  notoriedade,  além de  complexos  e  conflitos  que  se  traduzem  em dinâmicas  patológicas  e  demandam  profunda  reflexão como parte  de  um tratamento  psicoterapêutico. 

A  este  processo  de  diferenciação  da personalidade,  pela  seleção  psicológica  do  ego  de Freud,  Jung  chama  de  Individuação.  

É  um  meio  pelo qual  a  pessoa  se  torna  singular,  ainda  que  sujeita  às forças  da  coletividade. 

É  uma  análise  dinâmica  que  passa  pela compreensão  da  finitude  da  existência  material, objetiva,  face  à  inevitabilidade  da  morte  física,  e  vai  ao limite  da  busca  da  existência  de  Deus,  para  justificar sua  auto-realização  como  o  encontro  da  totalidade  da Vida. 

Cabe  agora  ao  Mestre  propagar  a  Última  Virtude e  a  mais  importante,  o  AMOR,  pois  como  Aprendiz  e Companheiro  já  vislumbrou  a  Fé  e  a  Esperança. 





dezembro 10, 2024

POR QUE EU ?



Arthur Ashe, o lendário jogador de Wimbledon, estava morrendo de AIDS.

Foi contaminado com sangue infectado durante uma cirurgia cardíaca em 1983.

Ele recebeu cartas de seus fãs, uma das quais perguntou:

"Por que Deus teve que escolher você para pôr uma doença tão horrível?"

Arthur Ashe respondeu:

Muitos anos atrás, cerca de 50 milhões de crianças começaram a jogar tênis, e uma delas era eu.

Cinco milhões realmente aprenderam a jogar tênis,

500 000 mil se tornaram Tenistas profissionais,

50 mil chegaram ao circuito,

5 mil alcançaram Grand Slam,

50 delas chegaram a Wimbledon,

4 delas chegaram à semifinal,

2 delas chegaram à final e uma delas era eu.

Quando eu estava comemorando a vitória com a taça na mão, nunca me ocorreu perguntar a Deus

" Por que eu? "

Então, agora que estou com dor, como posso perguntar a Deus, "Por que eu?" .

A felicidade lhe mantém doce!

Os julgamentos mantêm você forte!

As dores lhe mantêm Humano!

A falha mantém você humilde !!

O sucesso mantém você brilhante!

Mas só a fé o mantém em pé.

Às vezes você não está satisfeito com sua vida, enquanto muitas pessoas neste mundo sonham em poder ter sua vida.

Uma criança em uma fazenda vê um avião que voa e sonha em voar.

Mas, o piloto desse avião, voa sobre a fazenda e sonha em voltar para casa.

Assim é a vida!! Aprecie a sua ...

Tenha fé em você mesmo! Caminhe humildemente e ame com o coração !...

"A vida é uma aventura doida da qual jamais sairemos vivos"...

Abraços no teu coração ❤️

APRENDENDO A CAMINHAR...- Newton Agrella


É inegável que cada um de nós está no seu momento particular de vida.

Uns traçando planos a longo prazo...

Outros buscando realizar seus sonhos com um pouco mais de urgência...

Mas há uma corrente daqueles que simplesmente se entregam ao sabor do acaso e  espreitam o tempo como um aliado indisfarçável.  

Preferem se deixar levar pelas leis naturais das circunstâncias.

De qualquer maneira obedecemos a um instante que pertence a cada um de nós.   

Somos singulares nas nossas dores, nas nossas angústias, nas nossas frustrações e  nossos medos...

Entretanto, invariavelmente assumimos um caráter universal quando compartilhamos de nosso sucesso, nossa felicidade, nossas conquistas e de nossas realizações.

A rigor somos conchas que se abrem e se fecham conforme as águas batem nas pedras.

Os caminhos são infinitos e percorre-los exige calma e discernimento porque eles são o destino de cada um de nós...

O que não é nosso é o cronômetro,  juiz natural dessa nossa jornada chamada Vida...

dezembro 09, 2024

DICIONÁRIO DE SÍMBOLOS MAÇÔNICOS: GRAUS DE APRENDIZ, COMPANHEIRO E MESTRE - Almir Sant’Anna Cruz

A grande maioria dos Dicionários e Enciclopédias Maçônicas são obras volumosas e algumas compreendendo até diversos tomos, contendo centenas e milhares de verbetes, muitos deles com pouca ou nenhuma relação específica com a Maçonaria.

Esse tratamento dado pelos ilustres autores, além de tornar a obra uma peça dispendiosa, que nem todos podem adquirir, resulta em um livro em que o leitor não o lê na totalidade, limitando-se a fazer consultas nos verbetes que lhes interessam e eventualmente em outros que lhe chamaram a atenção quando da consulta.

Além disso, a maioria dos verbetes é apresentada sinteticamente, não aprofundando o assunto e levando o leitor ávido por mais informações ou necessitando apresentar em Loja uma peça de arquitetura, a procurar outros livros que tratem do tema procurado.

Este dicionário, talvez uma forma um tanto pretensiosa de nomear este livro, não é melhor do que nenhum outro já publicado. Ele é apenas diferente.

Diferente por não ter a pretensão de abordar os temas Maçônicos como um todo – que seria uma tarefa hercúlea e além da capacidade deste autor.

Diferente por se limitar aos Símbolos, com ênfase nos presentes fisicamente no Templo e nos figurados nos Painéis dos Graus, embora alguns verbetes que não tratam propriamente de Símbolos, foram julgados convenientes sua inclusão no dicionário.

Diferente por procurar não ficar na apresentação sintética dos verbetes, não os esgotando, o que seria praticamente impossível, mas pelo menos ampliando as explicações, de forma a dar ao leitor um razoável entendimento do significado de cada verbete abordado.

Como na grande maioria dos dicionários, para facilitar a procura de verbetes conexos, eles são grafados em negrito no corpo do texto do verbete consultado.

A Maçonaria é, sem dúvida, uma sociedade que desperta a curiosidade de todos, geralmente por estar envolta em uma bruma de mistérios que leva o público em geral a fazer os mais diversos conceitos dela. Certamente muitos Maçons nela ingressaram primeiramente por conta dessa curiosidade, que não deve ser refreada ou desprezada, pois a curiosidade é a mãe de todas as invenções.

Segundo o escritor Maçom francês Alec Mellor, “A Franco-Maçonaria detém um recorde, singular para uma sociedade dita secreta: o da bibliografia. Em 1925, o estudioso alemão August Wolfsteg chegava em sua Biliographie der freimaurerischen Literatur [Bibliografia da Literatura Franco-Maçônica] ao número fantástico de 54 mil títulos aproximadamente. O número atual se fosse conhecido, certamente provocaria vertigens”.


Interessados contatar o Irm.’. Almir no WhatsApp (21) 99568-1350

O SALMO 133


OH! QUÃO BOM E SUAVE É QUE OS IRMÃOS VIVAM EM UNIÃO!

É COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA, QUE DESCE SOBRE A BARBA, A BARBA DE AARÃO, E QUE DESCE À ORLA DE SUAS VESTES;

É COMO O ORVALHO DE HERMON QUE DESCE SOBRE SIÃO; PORQUE ALI O SENHOR ORDENOU A BÊNÇÃO E A VIDA PARA SEMPRE.

Grande parte do cerimonial maçônico tem sua origem, nos ritos da antiguidade, adaptado às exigências modernas. Dos ritos antigos, a influência mais visível é da hebraica. Segundo alguns estudiosos, a Maçonaria moderna é considerada como a herdeira dos ritos, práticas e tradições hebraicas, a começar pelo Templo de Jerusalém, que é o arquétipo das Igrejas, e indiretamente dos Templos Maçônicos. O Salmo 133 exalta a beleza do fato dos irmãos estarem juntos, em harmonia, é uma eloquente descrição da beleza do amor fraternal, e por esta razão muito mais apropriado para ilustrar uma sociedade cuja existência depende daqueles nobres princípios.

A abertura do Livro Sagrado marca o início real dos trabalhos numa loja maçônica, pois o ato, embora simples, porém solene, é de grande importância, pois que simboliza a presença efetiva da palavra do Grande Arquiteto Do Universo.

A leitura do salmo foi usada pela primeira vez na metade do século XVIII, por algumas Lojas do Yorkshire, na Inglaterra, quando ainda nem havia um rito plenamente organizado. Em pouco tempo, esse hábito foi abandonado e já, a partir da adoção do rito Inglês de Emulation, (conhecido também como “York”),  abria-se a Bíblia em qualquer lugar, sem leitura de versículos. Todavia, esse hábito foi retomado por algumas Grandes Lojas norte-americanas, principalmente a de Nova York. Nos EUA, no simbolismo, só se pratica o rito de York, pois o REAA só é praticado nos Altos Graus. Da Grande Loja de Nova York, por cópia, o salmo foi introduzido no Brasil e em algumas outras Obediências da América do Sul, no REAA.

Análise

O Salmo 133, também denominado Salmo da Fraternidade ou Concórdia, é lido pelo Ir.’. Or.’. durante a abertura dos trabalhos no Grau de Ap.’. M.’.

Sua autoria é atribuída a David onde ele exalta a beleza do fato dos irmãos estarem juntos, em harmonia.

O Salmo faz menção a personagens, objetos e lugares, conforme veremos a seguir:

Aarão

Era irmão mais velho de Moisés. Primeiro sacerdote (Êxodo cap.29 Versículos 4 – 7) hebraico do qual passou a ser patriarca e ajudou seu irmão mais novo a libertar o povo hebreu da escravidão no Egito. Seu nome significa “iluminado”, “elevado” ou “sublime”. Tinha o dom da oratória, ao contrário de seu irmão Moisés, que quase nunca falava, pois apresentava problemas de dicção. (Êxodo cap. 4 vers.10).

As Vestes de Aarão:

Os sacerdotes, como guardiões da palavra de Deus se vestiam de forma própria, de modo que suas vestes o distinguissem dos demais fiéis.

“Farás a teu irmão Aarão vestes sagradas em sinal de dignidade, de ornato… de sorte que ele seja consagrado ao meu sacerdócio. Eis as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod (veste sacerdotal), um manto, uma túnica bordada, uma mitra (uma insígnia pontificial, gorro, touca), e um cinto. Deverão usar fios de lá azul púrpura e vermelha, fios de ouro de linho puro… farás também o peitoral.. e encheras de pedras de engate … e serão aquelas pedras os nomes das doze tribos de Israel.” (Êxodo cap.28 Versículo 4 e 40)

O Óleo da Unção:

É comum se encontrar na Bíblia citações sobre óleos de unção utilizados em consagrações sacerdotais.

No salmo 133, é citado “…o óleo precioso sobre a cabeça…”

O Êxodo cap. 30 vers. 22 ao 33, descreve qual o óleo citado no Salmo em estudo:

“O senhor disse a Moisés, escolhe os mais preciosos aromas: 500 ciclos de mirra… 250 ciclos de junco odorífero, 500 ciclos de cássia e um hin (unidade de medida hebraica) de azeite de oliveira. Será este o óleo para a sagrada unção. Este será para mim, o óleo da unção sagrada, de geração em geração.”

Hermon:

O Monte Hermon se localiza na cordilheira de Antilíbano, fazendo divisa entre Israel, Líbano e Síria. Com mais de 2.000m de altitude, seu cume permanece nevado durante o ano inteiro.

Sião:

É uma das colinas sobre as quais se construiu Jerusalém. Possui cerca de 800 metros, e se localiza entre os vales de Cedron e de Tyropocon a qual segundo a Bíblia, David tomou dos Jebuseus, mais ou menos em 1.000 A.C.(Aarão viveu por volta de 1300 A.C.).

Sião ou Sion passou a ser o nome simbólico de Jerusalém, da Terra Prometida, da Cidade de Davi.

Interpretação

“OH! QUÃO BOM E QUÃO SUAVE É QUE OS IRMÃOS VIVAM EM UNIÃO!”

Essa frase faz alusão aos que vinham em romaria de todas as partes de Israel para se reunir em volta do templo. Representa a união de pessoas de todas as classes em adoração a Jeová (Deus).

“É COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA, QUE DESCE SOBRE A BARBA, A BARBA DE AARÃO;”

Simboliza que o óleo foi entornado com tal abundância, que desceu pela barba de Aarão.

Barba que simbolizava respeito e poder numa sociedade patriarcal, por isso o óleo chegar à barba simboliza a unção do poder sacerdotal de Aarão.

Entende-se aí por cabeça os cinco sentidos, visão, audição, paladar, olfato e tato, significando a purificação dos mesmos pelo óleo.

“E QUE DESCE À ORLA DE SUAS VESTES;”

As vestes fazem alusão ao nosso corpo físico, que na abertura dos trabalhos maçônicos, quando todos se unem e concentram, é banhado pela energia divina.

“É COMO O ORVALHO DE HERMON;”

Simboliza o orvalho que desce do monte durante a noite, criando condições propícias para a manutenção da vida em uma região desértica. Simboliza também o a água do degelo que desce para alimentar o rio Jordão, responsável pelo abastecimento da região.

Ou seja, através do seu orvalho o Monte Hermon proporciona a vida.

“QUE DESCE SOBRE SIÃO;”

Simboliza descer sobre Jerusalém, que foi construída sobre o Monte Sião.

“PORQUE ALI O SENHOR ORDENOU A BENÇÃO E A VIDA PARA SEMPRE.”

Simboliza que a reunião dos romeiros (irmãos), fazia com que a benção descesse sobre todos, manifestada no orvalho, e nas águas do Jordão que tornavam possível a vida na Terra Prometida.

Conclusão:

O Salmo 133 é conhecido como o Salmo da Fraternidade. Não poderia haver uma forma melhor de se abrir nossos trabalhos, pois como não sentir a alegria em estarmos juntos cada vez que estamos aqui? Como não perceber a leveza que nossa Oficina nos traz, mesmo depois de dias difíceis no mundo profano? Como não sentir o carinho e afeto de nossos irmãos, expressados pela alegria de mais um momento da nossa união?

Na minha percepção, fica claro que essa deve ser a base da nossa conduta, a bússola moral da sociedade, não só maçônica, mas profana também.

A grande maioria dos problemas da humanidade que nós vivenciamos atualmente (ex: guerras, fome, violência, miséria), seria minimizada com esse conceito. Infelizmente, vivemos atualmente em uma sociedade onde tudo vira motivo de disputa, onde a ganância impera, onde não há tolerância, onde cada um se preocupa apenas consigo mesmo, e é cada vez mais rara a compaixão com o próximo.

Hoje, estando dentro da Ordem, vejo que estes são os valores que nos guiam, a união, a fraternidade, a benemerência, e a compaixão. Que possamos cada vez mais, levar isso do mundo maçônico para o mundo profano, e que continuemos fortes e determinados em nosso ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

O GADU deixou uma mensagem muito clara: resumiu praticamente os dez mandamentos da Lei em apenas uma frase:”Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Bibliografia:

Bíblia Sagrada

Ritual do Aprendiz

SER UM HOMEM, NASCIDO LIVRE - Darin A. Lahners


No grau de Aprendiz , uma das coisas que mais me chamou à atenção foi  a seguinte pergunta e resposta depois de você, como candidato, bater  pela primeira vez na porta da sala para declarar o seu desejo de se  tornar um Maçom. É uma pergunta feita ao Diácono Júnior pelo Diácono  Sénior. A questão é: “Com que direitos e benefícios espera ele ser admitido?” A resposta é: “Sendo homem, nascido livre, de boa reputação e bem recomendado“.  Depois de o candidato entrar no Templo da Loja, a mesma pergunta é  feita pelos 1º e 2º Vigilantes e pelo Venerável Mestre ao Diácono  Sénior. Para ser correcto, o Mestre Venerável pergunta duas vezes ao  Diácono Sénior. Ele responde uma vez no altar quando relata a causa do  alarme na porta do Templo e outra quando o candidato está a ser  examinado pelo Venerável Mestre, antes de ser reconduzido para o  Ocidente, onde o 1º Vigilante lhe ensina a se aproximar do Oriente por  um passo regular e ereto.

A principal razão que me chamou à atenção foi o termo “nascido  livre”. Há uma resposta bastante simples para o porquê de ainda ser  usado no nosso ritual. Para citar a explicação que Chris Hodapp dá sobre  o termo no seu livro Maçonaria para Leigos (Freemasonry for Dummies):

“O termo“ nascido livre”  vem dos dias em que escravidão, servidão contratada e vínculo eram  comuns. Significa que um homem deve ser o seu próprio Mestre e não estar  ligado a outro homem. Atualmente, isto não é um problema, mas a  linguagem é mantida por causa da sua antiguidade e do desejo de manter a  herança da Fraternidade”.

Contudo, ao ler “Uma Palestra sobre Vários Rituais da Maçonaria”, do  Rev. George Oliver D. D., enquanto ele explica as Palestras Prestonianas  para Aprendizes, encontrei outra explicação interessante.

A terceira parte da Palestra de Aprendiz Prestoriano, apresentada por Oliver, é a seguinte:

P: Que tipo de homem deve ser um Maçom livre e aceite?

R: Um homem livre, nascido de uma mulher livre, irmão de reis e companheiro de príncipes, se Maçons.

P: Porquê livre?

R: Para que os hábitos cruéis da escravidão não contaminem os verdadeiros princípios nos quais a Maçonaria se baseia.

P: Uma segunda razão…

R: Porque os Maçons que foram  escolhidos para construir o templo do rei Salomão foram declarados  livres e isentos de todas as imposições, deveres e impostos. Depois,  quando este templo foi destruído por Nabucodonosor, a boa vontade de  Ciro deu-lhes permissão para erigir um segundo templo, e ele colocou-os  em liberdade para esse fim. É a partir desta época que ostentamos o nome  de Maçons Livres e Aceites.

P: Porquê irmão de reis e companheiro de príncipes?

R: A um rei na Loja é lembrado de que,  embora uma coroa possa adornar a sua cabeça e um ceptro a sua mão, o  sangue nas suas veias é derivado do pai comum da humanidade, e não é  melhor do que o do sujeito mais malvado. O estadista, o senador e o  artista são lá ensinados que, tal com os outros, eles são, por natureza,  expostos a enfermidades e doenças; e que um infortúnio imprevisto, ou  uma estrutura desordenada, pode prejudicar as suas faculdades e  nivelá-las com as mais ignorantes da sua espécie. Isto é motivo de  orgulho e incita cortesia ao comportamento. Homens de talentos  inferiores, que não são colocados por fortuna em tais posições  exaltadas, são instruídos na Loja a considerar os seus superiores com  estima peculiar; quando os descobrem voluntariamente despojados das  armadilhas da grandeza externa e condescendentes, no emblema da  inocência e do vínculo de amizade, para rastrear a sabedoria e seguir a  virtude, auxiliada por aqueles que estão abaixo deles. A virtude é a  verdadeira nobreza, e a sabedoria é o canal pelo qual a virtude é  dirigida e transmitida; Sabedoria e virtude apenas marcam a distinção  entre os Maçons.

P: De onde surgiu a frase – nascido de uma mulher livre?

R: Na grande festa que Abraão deu ao  seu filho Isaac. Posteriormente, quando Sara, esposa de Abraão, viu  Ismael, filho de Hagar, a escrava egípcia, provocando e perturbando o  seu filho, ela protestou a Abraão, dizendo: Afasta essa escrava e o seu  filho, pois eles não podem herdar como os nascidos livres. Ela falou  como sendo dotada de inspiração divina; sabendo que, se os rapazes  fossem criados juntos, Isaac poderia absorver alguns dos princípios  escravos de Ismael; sendo universalmente reconhecido que as mentes dos  escravos estão muito mais contaminadas do que as dos nascidos livres.

P: Porquê essas igualdades entre os Maçons?

R: Todos somos iguais pela nossa criação, mas muito mais pela força da nossa obrigação”.

Algumas coisas acima se destacaram para mim. A primeira é que um homem deve ser livre para que “os hábitos cruéis da escravidão não contaminem os verdadeiros princípios sobre os quais a Maçonaria se baseia“. Para tentar entender isto, fui ver as definições de vicioso e de hábitos. Uma das definições de cruel é: “Ter a natureza do vício; mal, imoral ou depravado“. Uma das definições de hábito é: “Uma disposição estabelecida da mente ou do carácter“. Isto parece apontar para uma crença na época de que os escravos seriam de carácter imoral.

Esta crença parece estar apoiada na resposta à pergunta que pergunta a origem do termo mulher livre.

“Ela falou como sendo dotada de inspiração divina; sabendo que,  se os rapazes fossem criados juntos, Isaac poderia absorver alguns dos  princípios escravos de Ismael; sendo universalmente reconhecido que as  mentes dos escravos estão muito mais contaminadas do que as dos nascidos  livres”.

Por que seria universalmente reconhecido que as mentes dos escravos  estão muito mais contaminadas do que as dos nascidos livres? Eu acho que  é impossível responder a isto, pois não sou daquele tempo. Devo  suspeitar que a resposta que Chris Hodapp deu acima, que é a ideia de  que um escravo não seria capaz de ser o seu próprio Mestre,  provavelmente é a resposta mais próxima que poderíamos esperar  encontrar. Também vale a pena mencionar que isto também pode ser um  remanescente da arte especulativa proveniente da arte operativa. Na  época, os pedreiros operativos não estariam dispostos a partilhar os  segredos de seu ofício com alguém que não os pudesse proteger. Um  escravo, ou servo contratado poderia ser obrigado pelo Mestre a lhe  contar esses segredos. Portanto, pelas mesmas razões, Maçons  especulativos não gostariam que alguém que não pudesse proteger os  segredos fosse membro.

Olhando para a última pergunta: “Porquê essas igualdades entre os Maçons?” A resposta que é dada é: “Somos todos iguais pela nossa criação, mas muito mais pela força da nossa obrigação“.  Esta resposta é uma homenagem emocionante à ideia essencial da nossa  irmandade de que somos irmãos devido à nossa obrigação. No entanto,  também demonstra por que a ideia de alguém não ter nascido livre seria  prejudicial para a Ordem. Isto fica mais claro na quarta parte das  palestras de Preston com esta pergunta e resposta:

P: Como não trouxe outras recomendações, o que veio aqui fazer?

R: Não pela minha própria vontade e  prazer, mas para aprender a governar e governar minhas paixões, ser  obediente à vontade do Mestre de manter uma língua de boa reputação,  praticar sigilo e fazer mais progressos no estudo da Maçonaria.

Oliver menciona que “Esta cláusula foi introduzida para ilustrar a subordinação necessária para garantir a observância da disciplina estrita na Loja“. Como Mateus 6:24 diz: “Ninguém pode servir a dois senhores. Ou você vai odiar um e amar o outro, ou será dedicado a um e desprezará o outro”.  Portanto, seria impossível ser obediente ao Mestre da Loja, assim como  ao Mestre que o possuía. Para evitar a potencial na desarmonia Loja,  seria essencial que apenas homens nascidos livres pudessem participar.

Independentemente das razões originais, felizmente vivemos numa época  em que isto já não é uma preocupação. No entanto, para os nossos irmãos  que viveram numa época em que estas coisas abomináveis ainda eram  praticadas, era uma preocupação. Penso que parte da razão pela qual  permaneceu no nosso ritual é como um lembrete de que não devemos entrar  na Maçonaria devido a quaisquer motivos mercenários. Perguntam-nos  várias vezes ao longo dos nossos graus se a nossa razão para buscar o  avanço maçónico é de livre e espontânea vontade. Se não fosse, então  você não seria livre, mesmo que nascesse livre. Você estaria a entra por  outras razões, para além das da sua própria vontade. Isto é o que  nossos irmãos da época de Preston e antes tentavam evitar afastando da  Fraternidade aqueles que não nasceram livres.


Tradução de Antônio  Jorge  https://www.freemason.pt/

dezembro 08, 2024

FAMÍLIA - Adilson Zotovici


              Hoje é o dia da FAMILIA


Pedras juntas sob um teto

Numa obra equilibrada

Traçada por Grande Arquiteto

Para o amor ter morada


Inefável seu projeto

Para ser bem aprumada

Erigida com afeto

Nivelada, esquadrejada


Deu ferramental correto

Que cada uma assentada

Cumpra cabal o objeto


É a família Sagrada

Justa por plano concreto

Perfeita...bem edificada !