novembro 25, 2024

ÉTICA? ÉTICA... ÉTICA! - Rui Bandeira


O tema comum do nosso encontro de hoje é ÉTICA. Mas será que todos temos a mesma noção deste termo? Não arriscarei muito se afirmar que, se fizéssemos um rápido inquérito entre todas e todos os presentes, obteríamos respostas diversas... Acho portanto útil maçar-vos alguns minutos com uma referência ao que os Mestre da filosofia entenderam, ao longo do tempo, sobre o significado de Ética.

Para Sócrates, a Ética consistia no conhecimento, de forma a vislumbrar, através da felicidade, o fim, o objetivo, dos nossos atos. A Ética tinha como propósito preparar o homem para se conhecer a si próprio, uma vez que, precisamente, é o Conhecimento a base do ato ético. Essencial era o Conhecimento da Lei, das normas sociais vigentes, porquanto, para Sócrates, a obediência à Lei era o limite entre a civilização e a barbárie. Em suma, para Sócrates, o Conhecimento que subjazia à Ética não se limitava à mensagem do Oráculo de Delfos, o conhecido aforismo do “Conhece-te a ti mesmo” – ainda hoje um dos pressupostos ideológicos da Maçonaria especulativa -, mas abrangia necessariamente o conhecimento, a obediência e a atuação respeitadora das leis vigentes na Sociedade, condição essencial para a existência e manutenção do corpo social.

Já para Aristóteles, a Ética podia ser definida como uma busca da felicidade dentro do âmbito do ser humano, se o Homem se esforçar a atingir a sua excelência. A Felicidade como objetivo era central no conceito aristotélico de Ética e consistia na realização humana e no sucesso que o Homem pretendia obter, para tal agindo no seu mais alto grau de excelência, através do desenvolvimento das suas qualidades de caráter. Esta noção de aperfeiçoamento, de aprimoramento das nossas caraterísticas, em busca da maior aproximação possível da Perfeição também é cara ao ideário maçónico.

Platão construiu o seu conceito de Ética em torno da finalidade da condução do Homem ao Bem, um dos valores arquetipicamente existentes no mundo ideal, no plano dos Deuses, que os homens apenas podiam aspirar a emular. Em face deste arquétipo do Bem, a vida humana não se poderia resumir apenas à busca do prazer, mas dever-se-ia dedicar a atingir o valor mais alto do Bem. Para tal, era essencial a ideia da Ordem, ou da Justa Proporção, que consistia no equilíbrio de diversos elementos desembocando no mesmo e justo fim. Designadamente, o Bem atingia-se através da atuação na justa medida, do equilíbrio, entre o Prazer e a Inteligência. Tal Bem, evidentemente – falamos do fundador do Idealismo... – não consistia nas coisas materiais, mas em tudo aquilo que permitia o engrandecimento da alma, ou seja, a ética platónica ensinava que acima dos prazeres, riquezas ou honras estava a prática das Virtudes – outro conceito que indubitavelmente integra o cerne do pensamento maçónico. 

Voltando agora a atenção para a Idade Média, verificamos que Santo Agostinho – talvez o melhor exemplo do pensamento dominante em dez séculos de História do Pensamento Ocidental – tinha, não surpreendentemente, uma noção completamente diferente do conceito de Ética. No paradigma agostiniano, a Ética Humana dependia de dois polos: por um lado, Deus, o Supremo Bem; por outro, o Pecado Original, afetando toda a Humanidade. Por via deste, o Homem não era intrinsecamente Bom e necessariamente que seria levado ao Mal e aos vícios da carne, a não ser que lograsse seguir uma vida virtuosa, em Deus. Para Agostinho, a atuação ética pressupunha o domínio da natureza humana, conspurcada pelo Pecado original, mediante uma vida virtuosa, através da qual seria possível aceder à Salvação. Para ele, a verdadeira Felicidade está na esperança da Salvação e, portanto, depende da Vida Eterna. Assim, embora Agostinho partilhasse com Aristóteles a noção da essencialidade da prática das virtudes e do aprimoramento individual, porque para ele Deus é o princípio e o fim de todas as coisas, a Felicidade é inatingível no decorrer da vida humana, só sendo alcançada junto de Deus na Vida Eterna, para tal sendo indispensável a conduta ética, isto é, a vida virtuosa.

Oposto à visão agostiniana da Ética é o conceito que dela teve Nicolau Maquiavel. Refletindo na esfera do Poder, sua obtenção, manutenção e exercício, mas facilmente se extrapolando o seu pensamento para a conduta humana em geral, Maquiavel define como valores essenciais a manutenção da pátria e o bem geral da comunidade, tudo se subordinando a eles, custe o que custar. Assim, uma ação só numa perspetiva histórica pode vir a ser considerada boa ou má, consoante o resultado com ela obtido em prol dos ditos valores essenciais. Esta crua visão facilmente pode ser considerada como anética, pois põe o acento tónico nos fins, nos objetivos, cuja obtenção ou não justificaria ou não a ação realizada. Mas a simples recusa desta noção é, a meu ver, insuficiente. Importa ainda anotar o primeiro aparecimento da prioridade absoluta do coletivo sobre o individual. O indivíduo pode ser sacrificado, sem qualquer limite, em prol do interesse coletivo, considerando Maquiavel ser tal perfeitamente ético... se resultar! Esta noção veio a ser desenvolvida amplamente, designadamente pela corrente materialista, nos séculos XIX e XX e, neste último século, temos visto várias consequências da sua aplicação. Adiante, que a companhia não é das melhores...

Descartes retoma o conceito de que a Ética constitui a realização da Sabedoria, suficiente para a Felicidade, a qual é por ele considerada “a melhor existência que um ser humano pode ter esperança de alcançar”. Para ele, a Ética assenta em dois pilares essenciais: a Virtude e a Felicidade, aquela entendida como uma disposição da vontade para efetuar escolhas de acordo com o juízo da Razão sobre o Bem, esta singelamente entendida como a tranquilidade. A noção cartesiana da ética redunda assim na compatibilização das visões socrática, aristotélica e platónica sobre o tema. O Renascimento na sua mais evidente expressão… 

A obra-prima de Baruch de Spinoza tem para nós, maçons, o sugestivo título de A Ética demonstrada à maneira dos geómetras. Está dividida em cinco partes, nas quais trata sucessivamente do Ser, do Homem, dos Afetos, da Servidão humana e da Liberdade. Para Spinoza, a razão e os afetos não se opõem. A própria razão é um afeto, um desejo de encontrar ou criar as oportunidades de alegria na vida e evitar ou terminar as circunstâncias causadoras de tristeza. Em suma, a Razão é ela mesma um afeto tendente à Felicidade. A ética de Spinoza é a ética da alegria, só ela nos conduz ao amor e à felicidade. Para ele, a Ética não resulta do altruísmo, bondade ou solidariedade, mas da própria condição natural. Está mais próximo dos clássicos gregos do que de Santo Agostinho. Tal como aqueles, para Spinoza a Felicidade é o objetivo último da ação humana. 

Locke acreditava que a Ética tem que ser demonstrada racionalmente, pois nenhuma regra de conduta moral é válida se a sua necessidade não for fundamentada através da Razão. Para ele, os principais fundamentos (racionais, obviamente) das regras morais são a busca da Felicidade e o propósito de evitar a deterioração da Sociedade.

A propósito de Razão, o teórico da Razão Pura, Immanuel Kant, relativamente ao conceito de Ética não estabelece nenhum bem ou fim que tenha de ser alcançado e não se pronuncia sobre o que temos de fazer, apenas sobre como devemos atuar. Para ele, o que importa é a intenção, a coerência entre a Lei e a ação, não o fim. Situa-se claramente nos antípodas do florentino Maquiavel. Se alguma aproximação lhe detetamos é ao pensamento de Sócrates.

Nietsche rejeita uma visão moralista do mundo e atribui os valores éticos ao campo das emoções, não da Razão. Para ele, o Homem Ético é aquele que não reprime os seus instintos, desejos e emoções, concretizando-os em atos libertários. Dificilmente se poderia conceber um conceito mais individualista do que este! 

Habermas considera que a Ética depende da valorização da Diferença e da Liberdade Humana, impondo que a Diferença seja equiparada à normalidade. A Ética projeta-se em valores como a Vida, a Solidariedade, a Cooperação, a Amizade. 

Finalizo esta excursão por vários Mestres da filosofia com a referência a Peter Singer, filósofo australiano da Ética Prática. Para Singer, em termos de aplicação prática, Ética e Moral são sinónimos e enfaticamente ele chama a atenção para algo de que pudemos aperceber-nos ao longo do enunciado de pensamentos com que os venho maçando: a Ética NÃO É um conjunto de proibições. Como ele cristalinamente ilustra, mentir em circunstâncias normais é um mal – mas no caso de uma pessoa vivendo na Alemanha nazi a quem a Gestapo batesse à porta à procura de judeus, mentir negando a existência de judeus escondidos nas águas-furtadas da casa era o eticamente adequado...

Para Singer, Ética é uma perspetiva que concede à Razão um papel importante nas decisões e os juízos éticos devem ser formulados de um ponto de vista universal, isto é, os interesses individuais ou de grupo não valem mais do que os outros interesses de outros indivíduos ou de outros grupos. O juízo ético é aquele que procura, em relação a cada problema, determinar a solução ou a conduta que possibilite o maior bem, entendido como a maior e melhor satisfação das necessidades possível – ou seja, a maior Felicidade!

Feita esta resenha do pensamento de vários Mestres, verificamos que, na diversidade dos seus pensamentos, podemos detetar uma linha comum, talvez um pouco surpreendente: a Ética tem essencialmente a ver com a busca e o anseio humanos pela Felicidade! As normas, as imposições ou proibições de condutas que normalmente associamos à Ética não são o cerne do conceito, mas as condições para a viabilização dessa busca humana da Felicidade.

Entendemos assim facilmente porque há em diferentes épocas e latitudes tão diferentes conceitos de Ética: porque as condições de vida e de enquadramento social de cada época e latitude tornaram diferentes as formas de busca e de tentativa de concretização do humano anseio pela Felicidade.


Sendo assim, compreende-se que é normal a primeira afirmação que hoje fiz: cada um dos presentes terá uma diferente noção de Ética porque, embora de forma porventura subtil, a Felicidade que cada um busca é diferente da dos demais, é própria, pessoal e intransmissível.

Mas, sendo assim, que denominador comum poderei eu sugerir hoje, aqui e agora, sobre Ética, de forma que seja aceitável para os apressados espíritos de hoje, inundados de informação tão abundante que nem sequer logramos, por vezes, sobre ela incidir um juízo verdadeiramente crítico? 

Sem grande preocupação de rigor científico – por evidente e confessada falta de capacidade para tal -, mas procurando ilustrar o conceito de uma forma sugestiva, gostaria de vos propor um entendimento de Ética que julgo ser uma noção completa, isto é, com princípios, meios e fins: 

ÉTICA É O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM A DETERMINAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS MEIOS À NOSSA DISPOSIÇÃO PARA ATINGIRMOS OS FINS A QUE NOS PROPOMOS. 

Atenção que Ética não é uma declaração de princípios. Ética é a utilização dos princípios por cada um adotados. Um solene conjunto de princípios, por muito bonitos ou consensuais que sejam, que serve apenas para eles serem invocados, declarados, apregoados, mas que na realidade não são utilizados, é como a coleção de porcelanas da minha tia-avó: só serve para estar exposta na sala e ser exibida às visitas! Não passa de bacoca manifestação de vaidade e fútil exibição de pretensas preciosidades, alegadamente valiosas, mas realmente inúteis! Em nada e para nada releva ou interessa apregoar ou invocar ou proclamar solenes princípios se estes não passarem de palavras soltas em ocasiões julgadas oportunas e não forem efetivamente praticados.

A Ética não está nos princípios declarados, está nos princípios praticados. Não está nas palavras, está nos atos. Não está nos consensos formados, está nas cooperações levadas a cabo. Não está nas intenções, está nas concretizações. Não está nas justificações, está nas consequências. Não está dentro de cada um de nós, está no que cada um de nós projeta para o exterior de si.

A Ética não é um conceito estático, é uma aplicação dinâmica. O Homem não É ético. O Homem sempre, em cada momento, renova-se e FAZ-SE Ético, em cada decisão, em cada escolha, em cada ato.

Só temos verdadeiramente Valores, ou seja, Princípios, se os utilizamos SEMPRE para conformarmos os nossos atos na concretização dos nossos objetivos (e sempre é sempre: quando nos convém e principalmente quando não nos convém).

PRINCÍPIOS que determinam os nossos MEIOS para atingirmos os nossos FINS – esta a noção de Ética que considero adequada para todos. 

E esta noção de Ética, bem vistas as coisas, não é limitadora, é construtora. Construtora da nossa personalidade e da nossa conduta. Construtora da nossa imagem de nós perante nós próprios. Construtora do conceito que granjeamos dos outros em relação a nós. Construtora do que somos, do que fazemos, do que conseguimos. Construtora do sentido das nossas vidas. Construtora das nossas vitórias, mas também construtora da superação dos nossos desaires. Construtora da nossa Vida, do nosso lugar na Vida e da nossa legítima fruição da Vida. Construtora, em suma, da nossa FELICIDADE.

Afinal os Mestres tinham razão! Por isso os reconhecemos como tal!

Bibliografia:

https://jfariaadvogados.wordpress.com/2010/01/27/a-etica-de-socrates/, consultado em 8/4/2015.

http://www.webartigos.com/artigos/a-etica-em-aristoteles/23318/ , consultado em 8/4/2015.

http://www.webartigos.com/artigos/a-etica-platonica-e-aristotelica/87414/ , consultado em 8/4/2015.

https://sentadonalua.wordpress.com/2012/07/12/a-etica-de-santo-agostinho-frente-a-etica-aristotelica/, consultado em 11/4/2015.

http://descartesfilosofia.blogspot.pt/p/etica.html, consultado em 11/4/2015.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel , consultado em 11/420/15.

http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=79 , consultado em 11/4/2015.

http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica_%28livro%29 , consultado em 11/4/2015.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza , consultado em 11/4/2015.

http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia/A%20%C3%89TICA%20DEESPINOSA.pdf , consultado em 11/4/2015.

http://www.efdeportes.com/efd129/a-etica-revisitada-olhares-atraves-da-historia.htm , consultado em 11/4/15

http://afilosofiadaintegracao.blogspot.pt/2009/03/etica-de-kant.html , consultado em 11/4/2015. 

Peter Singer, Ética Prática, consultada em 11/4/2015, em http://docente.ifrn.edu.br/edneysilva/etica-pratica

AS LUVAS - Almir Sant’Anna Cruz



O Aprendiz recebe, quando de sua iniciação, dois pares de luvas brancas: um par masculino e outro feminino. 

Em vários cultos prescreve-se que se cubra as mãos para o cumprimento de funções sagradas. 

Na Igreja Católica, por exemplo, quando da consagração, os bispos e cardeais recebem luvas litúrgicas de seda, bordadas de ouro e com símbolos e monogramas, representando a pureza de coração e das obras.

Na Maçonaria, as luvas brancas simbolizam a distinção, a pureza e a inocência.

As luvas masculinas, para uso do Aprendiz, simbolizam a sua admissão no Templo da Virtude e indicam, pela sua brancura, que nunca deverá ser manchada com as águas lodosas do vício, pois seus atos devem ser puros e imaculados.

As luvas femininas são destinadas à mulher que o Aprendiz considera mais digna de sua estima e afeto, sua inspiradora de todas as obras grandes e generosas.

Goethe, iniciado em Weimar em 23 de junho de 1780, ofereceu o par de luvas brancas que recebera à Condessa Von Stein e fê-la ver que, se o mimo era de aparência insignificante, apresentava contudo a singularidade de não poder ser oferecido por um Maçom senão uma única vez em sua vida. 

Oswald Wirth afirma: As luvas brancas, recebidas no dia de sua iniciação, evocam ao Maçom a lembrança de seus compromissos. A mulher que lhas mostrar quando ele estiver a ponto de desfalecer será como uma consciência viva, a guardiã de sua honra. Que missão mais elevada poderia ser confiada à mulher que mais se estima? 

Jules Boucher in A Simbólica Maçônica, dá às luvas um sentido esotérico: Sabemos, com certeza, que um magnetismo real emana da extremidade dos dedos e que as mãos enluvadas de branco só podem deixar filtrar um magnetismo transformado e benéfico. De uma assembléia de Maçons, onde todos usam luvas brancas, desprende-se uma ambiência muito particular, que aliás pode ser sentida muito nitidamente pela pessoa menos atenta. Uma impressão de apaziguamento, de serenidade, de quietude, constituem a sua consequência natural.

O uso das luvas na Maçonaria é bastante antigo. 

Na Maçonaria operativa, os Talhadores de Pedra recebiam luvas para o seu trabalho manual e isto fazia parte do seu contrato. 

Mais tarde introduziu-se o costume do novo Aprendiz oferecer um par de luvas a cada membro de sua Loja. 

Atualmente, este hábito mudou e a Loja é quem passou a oferecer as luvas ao Aprendiz.


Excerto do livro O que um Aprendiz Maçom deve saber - Interessados contatar o Irm.’. Almir no WhatsApp (21) 99568-1350

PRANCHA DE TRAÇAR - Nuno Raimundo

 








Uma “Prancha de Traçar”, ou “Prancha Traçada” como também é costume se designar, pois é o resultado final que é avaliado, não é mais do que um trabalho efetuado por um maçom. Independentemente do material do qual é elaborado ou tema abordado, ela é sempre de extrema relevância no processo de aprendizagem e formação do maçom bem como no seu trajeto pelos vários graus do rito que pratique.

O fato de se designarem por Pranchas de Traçar, os trabalhos apresentados em Loja e executados por Maçons, é originário da Maçonaria Operativa, a maçonaria dos artífices pedreiros da época da Idade Média.

Era nas suas pranchas que eles desenhavam as plantas dos imóveis, criavam os seus projetos de construção e montavam a maqueta da construção a realizar. Algo que nos dias de hoje, é efetuado pela classe dos arquitetos (provindo dessa classe outra designação pela qual também é conhecida a prancha de traçar, a “Peça de Arquitetura”).

É através da execução de pranchas que o maçom toma um maior contato com a vasta simbologia maçônica e a interpreta à sua própria maneira. Ele nas suas pranchas, emprega o seu cunho pessoal e a sua noção sobre os vários assuntos ou temas maçônicos em análise.

Qualquer assunto é passível de ser traçado numa prancha, devendo apenas o mesmo ser executado através de um método de estudo e pesquisa sobre o tema, de forma a completar ou inovar o que já existe sobre a matéria em análise, ou se possível, criar algo novo que ainda não exista comentado ou feito, nomeadamente no caso de pranchas em que a pintura ou a música são a temática central.

Todas as pranchas são passíveis de serem comentadas, apesar de ser costumeiro se afirmar que “prancha de Mestre não se comenta”, as críticas e comentários existem à mesma, nem que seja para assertivar ou elogiar o Irmão que a executou para além do tema que serviu de base à construção da prancha. Já em relação às pranchas dos Aprendizes e Companheiros, essas recebem as críticas necessárias à formação dos mesmos, na medida em que tal seja necessário.

E tal como a construção mais simples é fruto de uma intensa pesquisa e enorme trabalho no seu desenvolvimento, também as pranchas dos pedreiros, agora “livres”, são executadas com o mesmo sentido de responsabilidade e labor. Sendo que a prancha a realizar, independentemente do seu tema, dever acima de tudo conter as três grandes qualidades maçônicas, “Força, Sabedoria e Beleza”.

“Força”, porque deve ser forte o suficiente para ficar impregnada na alma do maçom; “Sabedoria”, porque uma prancha deve conter informação relevante que ensine os demais; e “Beleza”, porque neste mundo nada pode ser forte e sapiente, se não encerrar em si algo de belo.

Agora se esta prancha que eu “tracei” engloba as qualidades maçônicas, só os leitores o poderão afirmar…


novembro 24, 2024

SARAU POETICO DA ANMI

 


DETERMINANTE - Adilson Zotovici

 



Respeitável irmão sindicante

Com respeito e serventia

Trago algo preocupante

Que a Ordem vivencia


Sei que és bem vigilante

De grande sabedoria

Que estás um passo adiante

Entre os teus da confraria


Inda assim sou suplicante

Sobre a missão de valia

Que te deu o comandante

Confiante, com alegria


Labor assaz  relevante

Conjunção de astúcia e energia

“Ver  igual num semelhante”

Exigindo de ti  maestria


Com amor, austero, pujante

“Perscrutação à porfia”

Sem temor,  não obstante,

Até  alguma teimosia...


Vez que é determinante

O aspirante à  Maçonaria

Que pode ser um farsante...

Ou teu Grão Mestre algum dia !



SERÁ A MAÇONARIA AINDA RELEVANTE ? - Brian Louis Chaytor e Brian Lawrence Chaytor” (pai e filho)

O século XXI revelou-se uma era de mudanças colossais – globalização, inteligência artificial, exploração espacial, redes sociais e a expansão da iniciativa privada, que teve um crescimento de proporções sem precedentes.

Apesar destes grandes avanços, o novo milénio também nos apresentou um número cada vez maior de desafios – exclusão social, ataques terroristas, distúrbios políticos e um alarmante aumento na frequência de desastres naturais. Todos esses eventos tiveram um efeito radicalmente transformador nos sistemas económicos, políticos e ecológicos à escala global. Estamos a viver no meio de um mundo em rápida mudança.

Tem sido dito muitas vezes que a mudança é o que faz o mundo girar. A energia em movimento atravessa todo o universo, causando um estado de constante transformação. Como consequência desta lei universal, a raça humana continua a sua marcha dinâmica para a frente, transitando perpetuamente de um estado de menor complexidade para um estado de maior complexidade. Em resumo, à medida que as nossas realidades internas e externas mudam, o mundo como nós conhecíamos, não existe mais.

Isto leva-nos à questão: depois de durar 300 anos, a Maçonaria evoluiu o suficiente para se tornar relevante para uma nova geração de jovens?

A resposta está para além do véu enganoso marcado nos nossos sentidos pelas maravilhas desta era da informação em rápida mudança. Para obter um grau apropriado de perspectiva, é necessário mergulhar numa fonte mais profunda, explorando a própria essência da natureza humana.

As necessidades emocionais são inerentes a todos os seres humanos. Para que um homem atinja um grau de autorrealização, as suas necessidades emocionais, aquelas que são parte da sua essência, devem ser primeiro satisfeitas. Isto deve-se, em parte, à capacidade comprovada da Maçonaria de atender às necessidades mais delicadas do homem, o que possibilitou a sua resiliência à passagem do tempo, consolidando a seu poder de permanência.

A Maçonaria é uma instituição seletiva onde nem todos são aceites; a menos, claro, que o candidato esteja disposto a se mostrar como um homem bom, na linguagem de um bom relatório. Uma vez seja recebido, o novo membro tem acesso a uma fraternidade mundial que honra a irmandade do homem sob a paternidade de Deus. É este aspecto notável da filiação que satisfaz a necessidade intrínseca de pertença de um jovem; particularmente para algo que é importante e vale a pena.

A Maçonaria oferece a um jovem a oportunidade de estabelecer amizades duradouras com pessoas que pensam de forma semelhante. Ter este tipo de vínculo com outros membros tranquiliza o novo Maçom que, caso ele sinta a necessidade de recorrer a alguém para pedir conselhos, pode fazê-lo a qualquer momento, confidenciando a um dos seus irmãos. É este aspecto da sociedade que preenche alguns dos outros desejos inatos do homem, a saber: a necessidade de ser sociável, enquanto experimenta um sentimento de segurança no ambiente que o rodeia.

Tão importante quanto isto, a Maçonaria equipa um jovem com as ferramentas necessárias para melhorar todos os aspectos do seu carácter. O sistema maçónico permite ao membro livrar-se de alguns dos seus traços menos favoráveis, diminuindo as suas fraquezas; e também facilita uma compreensão mais profunda de quem ele é, refinando os seus pontos fortes. O processo é transformacional e esclarecedor, propício para uma jornada rumo à autorrealização, que gradualmente se torna o objetivo final de um Maçom.

Estas são apenas algumas das várias qualidades transcendentes e incondicionais que diferenciam a instituição da Maçonaria, do resto.

Algumas pessoas podem dizer que “tudo isso soa muito atraente, mas… que tipo de conhecimento específico pode um jovem esperar obter da Maçonaria, que o torna estritamente único e não pode ser encontrado em nenhum outro lugar?”

Ao se tornar um Maçom, um jovem pode esperar ter acesso a um tipo de conhecimento que não é afetado pela passagem do tempo

Ele pode esperar aprender que… A maçonaria é universal.

A maçonaria não conhece credo, raça ou cor. Os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade que a Maçonaria defende e pelo qual luta, não conhecem limites. Estes proverbiais axiomas abrangem todas as culturas e atravessam todas as linhas geográficas; promulgando um genuíno senso de fraternidade entre todas as nações. E embora a Maçonaria não seja nem uma religião nem um substituto para uma, a Arte reconhece o significado de todas as religiões, captando as suas qualidades correspondentes, unificando as suas variações; mas ainda assim permanecendo imparcial para todas. Conta dentro do seu círculo com judeus, muçulmanos, cristãos e hindus entre muitos outros. A natureza embrionária da Maçonaria também a torna igualmente acolhedora para aqueles homens que não são necessariamente crentes, mas que, sendo fiéis à sua consciência, somente professarão uma crença num Ser Supremo. A abreviatura GADU, que significa o Grande Arquiteto do Universo, é verdadeiramente uma expressão igualitária, imparcial e integradora. O termo é não confessional, permitindo a cada Maçom o direito de seguir o caminho espiritual que escolher.

Um jovem também pode esperar aprender que… A maçonaria é educacional.

Uma das principais facetas da Maçonaria é a aplicabilidade das suas sábias filosofias à vida quotidiana. A Arte inculca a moralidade, encorajando os seus membros a serem éticos em todos os seus empreendimentos. Ela incute a caridade, enfatizando a interdependência existente e o terreno comum de toda a humanidade. As lições são transmitidas na sua forma mais pura, reivindicadas sem pretensão e demonstradas com franqueza. As discussões e palestras são fontes de grande inspiração, motivando cada iniciado a fornecer contribuições favoráveis à sociedade, tornando-a um lugar melhor para todos. A liberdade de expressão, a liberdade de consciência e a liberdade de pensamento são os três preceitos atemporais que permanecem a pedra angular da fundação maçónica, sempre pronta para destruir a ameaça iminente dos três principais inimigos da humanidade, a saber: ignorância, fanatismo e tirania. Os seus rituais são o canal que transmite este conhecimento sem tempo, tornando a essência discernível. Tais rituais desempenham um papel fundamental em manter a chama viva. O sistema maçónico de comunicação expressa-se por meio de símbolos, um idioma que é compreensível em todas as línguas do mundo e decifrável por todos os iniciados, permitindo que cada Maçom obtenha benefícios dos ensinamentos na proporção da sua capacidade individual.

Desde o começo da Grande Loja da Inglaterra, a Maçonaria tornou-se progressivamente um órgão organizado de formulação de políticas. A essência infundiu a substância dando-lhe identidade, o espírito adquiriu forma tornando-a inteligível, e a fundação que tinha sido colocada em séculos passados deu origem a uma superestrutura. Desde há trezentos anos, a Arte vem disseminado a sua sabedoria antiga pelo mundo todo. Este conhecimento perene tem sido transmitido a partir do repouso caseiro dos seus Templos de instrução, aquelas construções diferentes a que comumente nos referimos como “a Loja“. É na Loja que a cada pedreiro é estendido o privilégio de participar nos seus mistérios, e é lá que ele aprende que tal conhecimento antigo e inestimável, é verdadeiramente transcendente no tempo.

Desde tempos imemoriais a essência da Maçonaria tem vivido e respirado no coração da humanidade. A partir desse momento esclarecedor e definidor, quando o homem percebeu pela primeira vez a sua consciência e desenvolveu um senso de identidade, a tocha da Maçonaria ergueu-se e elevou-se, emergindo como um farol de luz inextinguível para todos os que buscam a verdade reverenciarem e seguirem.



novembro 23, 2024

𝗔 𝗢𝗥𝗜𝗚𝗘𝗠 𝗔𝗙𝗥𝗜𝗖𝗔𝗡𝗔 𝗗𝗢𝗦 𝗔𝗡𝗧𝗜𝗚𝗢𝗦 𝗘𝗚𝗜́𝗣𝗖𝗜𝗢𝗦


A hipótese da origem monogenética africana da humanidade, apoiada pelos trabalhos do professor Leakey, mudou radicalmente a compreensão sobre o povoamento do Egito e do mundo. Há mais de 150 mil anos, os únicos seres morfologicamente humanos viviam na região dos Grandes Lagos, nas nascentes do Nilo. Isso confirma a antiga suposição de que a humanidade teve suas origens aos pés das "Montanhas da Lua", na África.

𝗔 𝗘𝘅𝗽𝗮𝗻𝘀𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗥𝗮𝗰̧𝗮 𝗛𝘂𝗺𝗮𝗻𝗮

Dessa região, o homem iniciou sua jornada para povoar o mundo, resultando em dois fatos importantes:

1. Os primeiros seres humanos eram etnicamente homogêneos e negroides, com pigmentação escura. A variação racial aconteceu posteriormente, conforme o homem se adaptou a diferentes climas.

2. Havia duas principais rotas de migração: o Saara e o Vale do Nilo.

Neste artigo, discutiremos a ocupação do Vale do Nilo pelos povos negroides, desde o Paleolítico Superior até a época dinástica, centrados nos vários estudos de grandes intelectuais africanos como Cheikh Anta Diop. E tantos outros não africanos.

𝗢𝗰𝘂𝗽𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗡𝗲𝗴𝗿𝗮 𝗻𝗮 𝗕𝗮𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗼 𝗡𝗶𝗹𝗼

Antropólogos são unânimes em reconhecer a presença de uma raça negra no Egito desde os tempos pré-históricos até o período dinástico. A população egípcia no período pré-dinástico era predominantemente negra, e esse elemento negro permaneceu dominante ao longo de toda a história egípcia. O termo “mediterrânico” não deve ser confundido com “branco”, já que os mediterrâneos eram mais próximos da “raça morena”.

𝗘𝘃𝗶𝗱𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀 𝗔𝗻𝘁𝗿𝗼𝗽𝗼𝗹𝗼́𝗴𝗶𝗰𝗮𝘀 𝗲 𝗥𝗲𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗔𝗿𝘁𝗶́𝘀𝘁𝗶𝗰𝗮𝘀

O arqueólogo Flinders Petrie argumenta que o tipo étnico dos primeiros egípcios era negro, identificando-os como os Anu, cujo ancestral comum era Ani ou An, associado ao deus Osíris. Petrie também sugere que, embora existisse uma distinção entre os povos pré-dinásticos e os dinásticos, ambos pertenciam à raça negra.

As representações artísticas dos egípcios durante o período protohistórico e dinástico confirmam sua negritude. Elementos indo-europeus ou semitas são representados apenas como estrangeiros ou cativos. Faraós como Narmer, Zoser, Quéops e Amenófis I, entre outros, possuíam feições tipicamente negroides, evidenciando que todas as classes sociais no Egito antigo pertenciam à mesma raça negra.

𝗔𝗻𝗮́𝗹𝗶𝘀𝗲 𝗖𝗶𝗲𝗻𝘁𝗶́𝗳𝗶𝗰𝗮 𝗲 𝗖𝗹𝗮𝘀𝘀𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗥𝗮𝗰𝗶𝗮𝗹

Estudos modernos, como a análise da melanina preservada em fósseis, confirmam a classificação dos antigos egípcios como parte das raças negras. Além disso, estudos osteológicos indicam que os egípcios pertenciam à raça negra, corroborado pela predominância do grupo sanguíneo B, também encontrado em populações da África Ocidental.

𝗣𝗲𝗿𝗰𝗲𝗽𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗔𝗻𝘁𝗶𝗴𝗼𝘀 𝗘𝗴𝗶́𝗽𝗰𝗶𝗼𝘀 𝗦𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗦𝗶 𝗠𝗲𝘀𝗺𝗼𝘀

Os antigos egípcios referiam-se a si mesmos como kmt, que significa “os negros”, uma referência direta à cor de sua pele. Esse termo era usado para descrever a população egípcia como distinta dos povos estrangeiros. Curiosamente, os egípcios não aplicavam o termo “negros” aos núbios, que eram chamados de nahas, sem conotação racial.

𝗥𝗲𝗹𝗮𝘁𝗼𝘀 𝗖𝗹𝗮́𝘀𝘀𝗶𝗰𝗼𝘀 𝗲 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗶𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗛𝗲𝗿𝗼́𝗱𝗼𝘁𝗼

Escritores gregos e latinos, como Heródoto e Aristóteles, descreviam os egípcios como negros, com lábios grossos, cabelo crespo e pernas finas. Esses relatos reforçam a identidade racial dos antigos egípcios, alinhando-se com os testemunhos históricos.

𝗥𝗲𝗹𝗮𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗖𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮𝗶𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝗼 𝗿𝗲𝘀𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗔́𝗳𝗿𝗶𝗰𝗮 

A civilização egípcia compartilhava muitas tradições com outros povos da África , como a circuncisão e o totemismo, práticas comuns entre os africanos desde tempos pré-históricos. Além disso, a língua egípcia antiga tem parentesco comprovado com línguas africanas como o walaf, falado no Senegal.

𝗔 𝗥𝗲𝗱𝗲𝘀𝗰𝗼𝗯𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗛𝗲𝗿𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗔𝗳𝗿𝗶𝗰𝗮𝗻𝗮

A redescoberta do verdadeiro passado dos povos africanos deve ser um fator de união e não de divisão. A história e cultura do Egito antigo são centrais para a compreensão da herança africana, da mesma forma que a Grécia e Roma são para a civilização ocidental. A criação de um corpus de ciências humanas africanas, apoiado em bases históricas sólidas, contribuirá para o progresso e o desenvolvimento dos povos africanos.

 𝗖𝗼𝗻𝗰𝗹𝘂𝘀𝗮̃𝗼

A redescoberta da verdade sobre o passado africano é fundamental para a construção de uma nova visão da história da humanidade. O Egito antigo, uma civilização negra, é um elemento essencial para entender a história africana e mundial. O reconhecimento desse fato permitirá uma aproximação verdadeira entre os povos, promovendo a união e o progresso em direção a um futuro mais justo e inclusivo.

Se desejar se aprofundar mais neste assunto sugerimos a consulta das ricas obras indicadas abaixo.

𝗦𝗨𝗚𝗘𝗦𝗧𝗢̃𝗘𝗦 𝗗𝗘 𝗟𝗘𝗜𝗧𝗨𝗥𝗔: 

✓Diop, Cheikh Anta:  A Origem Africana da Civilização: Mito ou Realidade;

✓Asante, Molefi Kete :A História da África: A Busca pela Harmonia Eterna;

✓Obenga, Théophile: Filosofia Africana: O Período Faraônico, 2780–330 a.C.;

✓Van Sertima, Iva:Egito Revisitado

✓ Hassan, Fekri : O Egito na África;

✓Williams, Chancellor : A Destruição da Civilização Negra: Grandes Questões de uma Raça de 4500 a.C. a 2000 d.C.;

✓ Keita, Shomarka Omar Y. Artigo: Estudos de Crânios Antigos do Norte da África;

✓James, George G.M : Legado Roubado.



USO DO TERNO PRETO NA MAÇONARIA - Pedro Juk




Em 16/11/2018 o Respeitável Irmão Paulo Guebert, Loja Obreiros da Paz, 2.909, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

"Estou fazendo um trabalho sobre o Terno Preto na Maçonaria, gostaria de saber mais informações sobre o tema."

CONSIDERAÇÕES:

Em que pese as mais estapafúrdias interpretações e afirmativas temerárias que já se deu sobre o terno preto (inclusive o de credos pessoais) na Maçonaria, aborda-lo como “traje maçônico” é o mesmo que o “chover no molhado”. 

Não obstante se saber que a indumentária maçônica vem sofrendo variantes ao longo dos tempos, no meu entender não há como se estereotipar o modo do se vestir maçônico, pois a maneira de se trajar também varia entre as populações resultando numa transformação de povo para povo.

No passado, a exemplo de homens do século XVIII, esses usavam vestimentas bordadas, de cinturas marcadas e adornadas com laços vistosos. Utilizavam inclusive perucas e assim se apresentavam - se maçons - para os trabalhos maçônicos, entretanto nunca despidos dos seus aventais.

É imperativo mencionar que em muitas partes do mundo os maçons usam roupas típicas em sessões de Loja. Irmãos tripulantes de embarcações, por exemplo, se apresentam para sessões nos trabalhos maçônicos muitas vezes com seus uniformes de trabalho; do mesmo modo é comum se ver militares usando nos Templos o seu fardamento; Irmãos árabes, por exemplo, em Loja usando albornozes, enquanto que em países de clima quente veem-se maçons trabalhando nas Lojas em “manga de camisa” (vestindo camisa de mangas curtas); também é comum Irmãos na Escócia se apresentarem aos trabalhos trajando seus kilts. 

Embora se tenha que seguir inquestionavelmente o que determinam os rituais em vigência, no que diz respeito ao traje, cabe, mesmo assim, mencionar que o verdadeiro traje maçônico é o avental. Nunca é demais expor que em Maçonaria, se um Irmão, ao se apresentar para uma sessão em Loja estiver sem o avental, ele será considerado “despido”, portanto estará impedido de ingressar nos trabalhos. 

No rigor da tradição maçônica, a roupa que o Maçom está vestindo, desde que decentemente trajado, é o que menos importa, porém o avental é imprescindível.

A bem da verdade, aqui no Brasil, principalmente o terno preto, ou o parelho preto, com camisa branca, meias pretas e sapatos pretos é o traje de missa herdado da Igreja Católica nos períodos mais remotos da sua história colonial.

Sob um pretenso simbolismo para o terno preto, destaco o que citou o saudoso Irmão José Castellani in O Prumo, nº 101: 

“Não há também, qualquer interpretação ou implicação de ordem esotérica referente à cor preta do traje dos Irmãos, mas, sim em relação ao avental nos três graus do simbolismo, não havendo, portanto, nenhuma implicação hermética ou metafísica. Qualquer que seja o traje, o maçom estará nu se estiver sem avental”. 

Em síntese, a uniformidade indiscriminada para o traje do maçom nada mais é do que uma intransigência anacrônica que traz ainda grande dose de influência clerical. Em Maçonaria simbólica a cor preta pode ter o seu simbolismo apropriado na Câmara do Meio, mas isso não deveria se estender até o ponto de se uniformizar indiscriminadamente o vestuário do maçom como indicam muitos rituais e regulamentos.

A seguir o trecho de um texto resposta que eu dei a respeito do terno preto em março de 2014 e que fora publicado posteriormente no hoje extinto diário maçônico JB News do saudoso Irmão Jerônimo Borges. Acredito que esse conteúdo também pode servir para essas considerações:

“O uso do terno na maçonaria brasileira está enraizado nos costumes e sincretismo religioso, geralmente oriundo da Igreja Católica que dentre outros influenciou diretamente a Maçonaria com o traje de missa. Aliás, nesse particular tem-se dado mais valor ao molho do que à carne. O verdadeiro traje maçônico é o Avental. Além do que se chama equivocadamente de terno (três - calça, colete e paletó) o que se identifica mais como parelho (par – calça e paletó)”.

O trecho acima também menciona o uso do terno na Maçonaria brasileira e a sua relação com os costumes eclesiásticos. 

Não obstante os comentários até aqui considerados, segue parte de um trabalho elaborado pelo Respeitável Irmão Marcos Sant’Anna, Ex Grande Mestre Bibliotecário da Grande Loja Maçônica do Estado de Alagoas:

“TRAJE MAÇÔNICO” (TERNO x BALANDRAU). Observamos primeiramente que “Traje” significa “Vestuário habitual; vestuário próprio de uma profissão ou atividade; vestes.” Como o traje em questão é o “maçônico”, dependendo da Potência, encontramos uma regularização para esta vestimenta no Regulamento Geral e/ou nos Rituais. Em geral, é estabelecido que o “Traje Maçônico” compreende “terno escuro (preto ou azul marinho), camisa branca, gravata preta, meias e sapatos pretos” ou Balandrau, em Sessões Econômicas. Tendo em mente que a Maçonaria Moderna (Sistema Obediencial) foi criada no séc. XVIII (1717) e pesquisando a origem de ambos os Trajes, verificamos que: O TERNO: Em uma rápida pesquisa na Internet, encontramos alguns dados interessantes, de um Trabalho bem mais longo e abrangente feito por Acadêmicos do Curso de Tecnologia do Vestuário da UNISEP (União de Ensino do Sudoeste do Paraná – www.unisep.edu.br). Segue alguns trechos: “Do final do século XIX ao início do século XX, para os homens, o traje aceito para todas as ocasiões formais ainda era a sobrecasaca e a cartola. Porém, o TERNO, usado com um chapéu homburg, era cada vez mais visto em LONDRES” (LAVER, 221)”. “... só a partir do final da 1º Guerra Mundial (1914 – 1918) que as roupas masculinas caminham em direção à informalidade. O terno passou a ser usado habitualmente e depois de 1922 ficou mais curto e não possuía abertura atrás e as calças passaram a ser extremamente largas onde se via apenas o bico dos sapatos.” “Todas essas mudanças instituíram para o homem o terno como traje formal e, a partir da década de 70, este passa a ter duas peças e não mais três. (VICENT-RICARD, 1989).” Observamos que, por definição, TERNO é um vestuário de três peças (calça, colete e paletó). Ao passar para duas peças (calça e paletó), ele muda sua característica e chama-se de DUQUE ou PARELHO. Como o processo foi gradativo, as Lojas de roupas e a população continuaram com o termo “Terno”, embora erradamente. Se procurarmos no dicionário Aurélio as palavras “DUQUE” encontraremos “vestuário masculino constituído por paletó e calça de igual fazenda e cor (usa-se geralmente o termo “terno”, embora de modo impróprio)” e “PARELHO” veremos “roupa de homem (calça e paletó)”. Como podemos ver na história deste vestuário, regulamentado como “traje maçônico”, não há nenhum respaldo histórico maçônico e nem tampouco é estabelecido seu uso pela Maçonaria Universal (...).

Concluindo o seu trabalho, após várias laudas, o Irmão Marcos Sant’Anna escreve:

Se colocarmos a palavra “Maçom” em um site de pesquisa, no link de “imagens”, encontraremos dezenas de milhares de fotos e gravuras. Encontraremos homens vestidos de fraque, terno, balandrau, camisas de manga cumprida e curta, sem chapéu, com chapéu, com cartola etc. A variedade é imensa, pelo mundo todo. 

Só existe uma coisa em comum a todos estes homens que os faz ser identificados como Maçom; o AVENTAL MAÇÔNICO. 

Esta é, verdadeiramente, a vestimenta universal que identifica um Maçom. Sem o AVENTAL, nós não o identificaríamos como tal. 

É necessário que reflitamos profundamente sobre isto, em prol de uma maior harmonia entre os Irmãos, com maior integração fraterna e uma melhor operacionalização profana de nossos Aprendizes e Companheiros em sua senda ao mestrado. 

O texto acima é precioso e ajuda a ratificar que simbolicamente o terno não é autêntico na liturgia maçônica e muito menos a sua cor generalizada ou formato de vestimenta. Muito menos o terno é um vetor que pode influenciar os trabalhos de aperfeiçoamento do homem – proposta primordial da Moderna Maçonaria.

Concluindo, acredito que essas considerações poderão ser úteis àqueles que se interessarem pelo tema, contudo não é a minha intenção tornar o assunto laudatório, pois embora não concorde com os apaixonados pelo terno como traje maçônico, antes me cabe respeitar as opiniões alheias. Nesse sentido, o leitor poderá pesar, utilizando a balança do bom senso, sobre o que verdadeiramente é mais qualificado, importante e adequado para uma Instituição como a Maçonaria que tem seus ensinamentos voltados para a razão, assim como para a autenticidade dos fatos.



DIA MUNDIAL DO FIBONACCI


Hoje, 23 de novembro, é o Dia Mundial do Fibonacci, no qual recordamos um dos matemáticos mais influentes da Idade Média

Um, Um, Dois, Três: são os primeiros quatro números da sequência matemática mais famosa, a de Leonardo Fibonacci, na qual cada número é dado pela soma dos dois anteriores. Hoje, 23 de novembro, 23/11 em notação americana, é o Dia Mundial do Fibonacci, para lembrar um dos matemáticos mais importantes da história, aquele a quem devemos a introdução dos números que usamos hoje, incluindo zero.

“De abacaxi às cascas do nautilus que passa pelo Partenon e pelo homem vitruviano de Leonardo: a sucessão de Fibonacci pode ser identificada em muitos setores, natureza e não só”, explicou Luca Balletti, da Unidade de Comunicação e Relações Públicas do Conselho Nacional de Pesquisa (Cnr).

 Pouco conhecido do público em geral, mas fundamental para a história da matemática, de fato, para o matemático italiano, especialmente com a publicação de Liber abbaci, deveu-se à introdução na Europa de nove números indianos, ou árabes, e o sinal "0", cuja adoção foi inicialmente objetada, mas depois gradualmente espalhem-se até revolucionar completamente a matemática.

Leonardo Fibonacci nasceu em Pisa em 1175, interessou-se por matemática quando era jovem seguindo o seu pai que era o representante dos comerciantes pisanos na cidade portuária de Bejaia, na Cabília, região da atual Argélia. Além da matemática, Fibonacci também se tornou apaixonado pela geometria e álgebra árabe, estudando ambas as teorias dos maiores matemáticos da época e criando as suas próprias. 

Um exemplo é a seção dourada, uma síntese entre arte e arquitetura, uma proporção divina que encontramos nas estátuas harmoniosas de Fidia e também no Homem Vitruviano de Leonardo.

A proporção divina descoberta por Leonardo Fibonacci é evidente desde a antiguidade, usada para alcançar uma dimensão harmônica das coisas, e também presente na natureza. Na base existem fractais, ou seja, figuras geométricas em que um padrão idêntico se repete em todas as direções e em uma escala menor, e portanto a cada ampliação da figura aparecem motivos iguais e recorrentes.

No reino vegetal a série Fibonacci pode ser encontrada no arranjo de folhas num ramo e sementes ou caules de algumas flores. Uma sucessão do movimento rotativo que gera uma forma helicóide imaginária, cada folha ou semente estará sempre alinhada à primeira, dando origem a uma figura geométrica que se repete.

Na arte e arquitetura a proporção dourada está presente dentro da Pirâmide de Queops, entre o semilato da pirâmide e a altura da fachada triangular construída sobre ela, no Partenon, mas também em pinturas como a Gioconda.

Fibonacci tem, portanto, o crédito por descobrir uma relação matemática inquebrável entre números, a harmonia da natureza, da arte e do universo.

#pribetelgeuse

novembro 22, 2024

A ÁGUIA BICÉFALA DE LAGASH ,- Sidnei Hodinho



Alguns símbolos adquiriram tal vigor que até o não iniciado sabe que os mesmos se referem à Maçonaria. 

O esquadro e o compasso são disso mesmo um bom exemplo: pessoas com um pouco de cultura reconhecem-nos como símbolos da maçonaria. 

Não sabem é, e só o iniciado sabe, que pela disposição dos mesmos existe um significado intrínseco. 

A águia bicéfala está num outro patamar, onde somente os mais atentos percebem quando esta é um símbolo maçónico.

A “Águia de Duas Cabeças de Lagash” é o mais antigo brasão do Mundo. 

Nenhum outro símbolo emblemático no Mundo pode rivalizar em antiguidade. 

A sua origem remonta à antiquíssima Cidade de Lagash [1]. 

Era já utilizado há cerca de mil anos antes do Êxodo do Egipto, e há mais de dois mil anos quando foi construído o Templo do Rei Salomão.

Com o passar dos tempos, passou dos Sumérios para o povo de Akkad [2], destes para os Hititas [3], dos recônditos da Ásia menor para a posse de sultões, até ser trazida pelos Cruzados aos imperadores do Oriente e Ocidente, cujos sucessores foram os Hapsburg e os Romanoff.

Em escavações recentes, este “brasão” da Cidade de Lagash foi descoberto numa outra forma: uma águia com cabeça de leão, cujas garras se cravam nos corpos de dois leões, estes de costas voltadas. 

Esta é, sem dúvida, uma variante do símbolo da Águia.

A Cidade de Lagash situava-se na Suméria, no sul da Babilónia, entre os rios Eufrates e Tigre, sendo perto da actual cidade de Shatra, no Iraque. 

Lagash possuía um calendário de doze meses lunares, um sistema de pesos e medidas, um sistema de banca e contabilidade, sendo ainda um centro de arte e literatura, para além de centro de poderes político e militar, tudo isto cinco mil anos antes de Cristo.

No ano 102 a.C., o cônsul romano Marius decretou que a Águia seria um símbolo da Roma Imperial. 

Mais tarde, já como potência mundial, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma voltada a Este e outra a Oeste, como símbolo da unidade do Império. 

Os imperadores do Império Romano Cristianizado continuaram a sua utilização, tendo sido depois adoptada na Alemanha durante o período de conquista e poder imperial.

É provável que a águia bicéfala tenha sido usada como símbolo maçónico desde o 12º século. 

Já as evidências disponíveis indicam ter sido usada pela maçonaria em 1758, após a criação do Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente em Paris. 

Era parte do Rito de Perfeição, do antigo Rito dos vinte e cinco graus, evoluindo em grande parte para o sistema Escocês. 

Não existe duvida relativa ao uso da águia bicéfala pelo Supremo Conselho, 33º, Jurisdição Sul dos USA, desde 1801.

Os sucessores do Conselho de Imperadores do Ocidente e Oriente, são os vários Supremos Conselhos do Grau 33° espalhados pelo mundo, que herdaram a insígnia do emblema pessoal de Frederico o Grande, considerado como o primeiro Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceite, conferindo ao Rito o direito de a usar em 1786. 

Simultaneamente adoptou (acrescentou) mais sete graus (Aceites) aos vinte e cinco conhecidos (Antigos), chegando-se então a trinta e dois graus Antigos e Aceites. 

A estes graus foi acrescentado o Grau governativo do Rito com o número trinta e três.

Observa-se que os Supremos Conselhos que tinham laços com a Grande Loja de Inglaterra têm nos seus selos a águia com as asas para cima, enquanto que os supremos conselhos que tinham laços com a Grande Loja de França, têm nos seus selos a águia com as asas voltadas para baixo. 

Existe este padrão, seja ele intencional ou não.

Nos compêndios de heráldica encontramos a águia bicéfala e acreditamos que como resultado da presença dos cruzados no Oriente, trazida como símbolo para os Imperadores do Oriente e do Ocidente, cujos sucessores foram nos últimos tempos, os Habsburgos e os Romanovs, em cujas moedas ela aparece sistematicamente. 

Foi sendo copiada pela maioria das “Cidades Livres da Europa”, principalmente as da Alemanha, e como emblema no Império Oriental resultante da união de Bizâncio com Constantino.

O fato de a águia estar representada com as asas abertas para cima ou para baixo é uma questão directamente relacionada com o desenho do selo por um Supremo Conselho em particular, como resultante do gosto artístico de cada povo, preferindo uns o estilo clássico copiando a natureza, enquanto outros dão preferência à representação marcial. 

A Águia Bicéfala de Lagash é o mais antigo emblema do mundo e nenhuma outra figura pode gabar-se desta Antiguidade.

Como símbolo do Rito Escocês Antigo e Aceito a Águia Bicéfala de Lagash tem as suas asas abertas e é coroada (encimada) pela coroa da Prússia. 

As suas garras estão pousadas numa espada desembainhada que tem uma fita como ornamento, serpenteando-a desde o seu punho até à extremidade da lamina, contendo a divisa: “Spes Mea in Deo Est” (“A Minha Esperança Está Em Deus).

(Adaptado de Autor desconhecido)

novembro 21, 2024

A MARCHA DO APRENDIZ - João Lima


 

Uma das primeiras lições que aprendemos na Maçonaria é como adentrar no Templo ritualísticamente.

 Aprendemos, assim, a “Marcha do Aprendiz”. Vamos depois, aos poucos, percebendo outros pontos, como o sentido de circulação em Loja, o “caminho” da palavra (primeiro em uma coluna, depois na outra, depois no Oriente e finalmente no Altar) e mesmo o passar do tempo místico (o sol no zênite no início dos trabalhos, a meia-noite em ponto, ao final dos trabalhos). Tudo no Templo nos remete ao movimento. 

Ao mesmo tempo, somos constantemente lembrados de nossa principal tarefa: lapidar a pedra bruta, procurando constantemente nosso próprio aperfeiçoamento.

Com isso a Maçonaria nos ensina e lembra constantemente que não há evolução sem movimento. Só progride aquele que tem a coragem de avançar.

 Só chega a algum lugar quem se dispõe a sair de onde se estava. Figurativamente, dizemos que quem não evolui, não muda de ideia, não avança fica “na mesma”, imutáveis como pedras.

Por outro lado, somos chamados, figurativamente, de pedras brutas. Mas isso não quer dizer que sejamos imutáveis. Pelo contrário: somos pedras, sim, mas em constante evolução, sendo lapidadas e polidas dia a dia, rumo a nos tornarmos algo melhor do que éramos antes. Assim, esse chamado à evolução é também um chamado ao movimento: só deixarei de ser quem sou e me tornarei quem desejo ser se eu buscar conscientemente essa mudança. Só através de meu próprio esforço é que serei capaz de vencer a distância entre o que sou e aquilo que tenho potencial para ser.

Para isso, é imprescindível não ter medo nem vergonha de questionar-se e, se for o caso, mudar de ideia, de opinião, de atitude. Já foi dito que muito mais triste que mudar de ideia é não ter ideia alguma para mudar. Não há nada de errado em mudar de opinião ao reconhecermos que estamos errados. Isso é sinal de evolução. Errado é apegar-se a uma falsa noção de infalibilidade, à certeza de que eu estou certo o tempo todo!

Um grande sábio disse certa vez: “só sei que nada sei”. Quando temos a humildade de reconhecer o quão pouco sabemos, aumentamos a chance de aprender. Pois quem sabe que pouco sabe, está aberto a aprender com todos e com qualquer um, em qualquer oportunidade. Por outro lado, aquele que se julga “grande” ou “sábio” desprezará as lições dadas pelos “pequenos”, na falsa certeza de que estes não tem nada a lhe ensinar.

E esse é um dos aspectos mais belos da Maçonaria, onde não há cargo maior ou mais importante que “Irmão”: somos todos iguais e, como iguais podemos aprender com todos e contribuir para o crescimento de todos. Com certeza todos nós já nos admiramos (por exemplo) com lindas e profundas peças de arquitetura apresentadas por “simples” Aprendizes.

Sim somos pedras brutas sendo lapidadas. Portanto, carregamos em nós a contradição de sermos imutáveis como a rocha, ao mesmo tempo em que estamos em constante evolução. Isso quer dizer que devemos nos ater a nossos princípios (os ideais de justiça, honestidade e retidão, por exemplo) e não ao que é secundário (nossa reputação, nossas opiniões, nossas “certezas”…). Em outras palavras, devemos ser como as árvores, que mudam as folhas de acordo com a necessidade, sem jamais mudar as raízes.

Que ao final dessa semana que se inicia possamos ter a alegria de ter evoluído um pouquinho mais nessa caminhada, reforçando nossos princípios e buscando evoluir naquilo que nos falta. Que o G.’.A.’.D.’.U.’. nos ampare e fortaleça nessa jornada. 

novembro 20, 2024

QUE É A MAÇONARIA? - Sérgio Quirino


(Quais são os PRINCÍPIOS da Maçonaria?)

Recapitulando:

(I) Qual é a BASE da Maçonaria?

Nossa Base é o que representa para nós o Grande Arquiteto do Universo.

(II) Qual é a REGRA da Maçonaria?

A Lei Natural que nos induz à prática do bem e à incapacidade de praticarmos o mal.

(III) Quais são as CAUSAS da Maçonaria?

A Verdade, a Liberdade e a Lei Moral.

(IV) Quais são os PRINCÍPIOS da Maçonaria?

(V) Quais são os FRUTOS da Maçonaria?

(VI) Qual é a FINALIDADE da Maçonaria?

(VII) Quando FINALIZA a Maçonaria?

O fato de a Liberdade ser uma CAUSA, e não um PRINCÍPIO, pode ter gerado surpresa nos Irmãos. Afinal, assim como o Esquadro e o Compasso, a legenda Liberdade-Igualdade-Fraternidade está vinculada à Maçonaria em virtude da Revolução Francesa (1789-1799). Na verdade, os revolucionários pregoavam “Liberté, Egalité, Fraternité ou la Mort”.

Contudo, os juízos fundamentais que alicerçam a Maçonaria desde o seu início (1717) e os quais devem ser tratados como verdadeiros Landmarks mundiais são:

1º) A IGUALDADE, como primeiro Princípio, baseia-se na universalidade de que todos devem ser regidos pelas mesmas regras, garantindo, assim, os mesmos direitos e deveres. Contudo, na prática, nossos labores traduzem a aplicação da virtuosa equidade. Para tornar feliz a humanidade, é imperativo sabermos que não somos todos iguais. Não é a aplicação de um mesmo recurso que trará o mesmo resultado. Sendo assim, a igualdade não está na ação, mas na obtenção de uma mesma resposta, em grupos diferentes.

2º) A FRATERNIDADE é a promoção dos laços de harmonia e união entre os Irmãos, a nos fortalecer na luta por uma causa. A vivência desse sentimento nos estimula à ideia da Fraternidade Universal, tonificados por ações em prol da igualdade e dos trabalhos de conscientização da cidadania entre os homens.

3º) A CARIDADE maçônica não ocorre por atos de vaidade, próprios aos que dão com orgulho, humilhando quem recebe. Não se trata de simples ato de doação; é a virtude de suprir a necessidade do próximo, tendo aplicação nos âmbitos moral e material. É a benevolência com o outro e o amor mútuo com todos. Todavia, há o uso da razão em nossas ações, de forma altruísta, avaliando se é justo e necessário. Assim, desenvolvemos formas eficazes de beneficiar os necessitados, minorando a dor, acalentando a alma desiludida e visando, sobretudo, à difusão do amor fraternal.

Princípio vem do latim principium, cuja significação primária é transmitir a ideia de começo ou início. Ademais, remete também à origem, ao ponto de partida, ao que serve de fundamento. Nesse viés, devemos, como Maçons:

TRABALHAR COM SABEDORIA PELA IGUALDADE, TER A FRATERNIDADE COMO FORTE ARGAMASSA DE NOSSA ORDEM E  BELEZA RESPLANDECENDO PELA CARIDADE.

SÃO ESSES E POR ESSES PRINCÍPIOS QUE NOS INSPIRAMOS.

 


DO QUOCIENTE ESPIRITUAL - Heitor Rodrigues Freire


A evolução científica e tecnológica está se processando de forma muito acelerada. A velocidade das descobertas causa perplexidade, tal a imensa gama de informações que circulam a cada momento.

No início do século XX, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 1990 é que o conceito de inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções e com seus pares. O psicólogo americano Daniel Goleman criou o termo “Quociente Emocional-QE”, que se refere à habilidade natural do ser humano para exprimir emoções.

Agora a ciência começa este novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios e da vida.

Este tema sempre mereceu da minha parte uma grande atenção. 

No livro QS - Inteligência Espiritual, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda esse tema que é tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, as torna mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida.

Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas, provenientes de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado ‘Ponto de Deus’ no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar significado e valores para nossas vidas, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. 

 O assunto é tão atual que foi abordado em reportagens de capa pelas revistas americanas Newsweek e Fortune.  Segundo Dana Zohar, “a inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.

Ela é autora de oito livros, entre eles O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para o português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas e foi lançado no Brasil pela Record.

“Inteligência espiritual tem a ver com o que eu sou, com os meus valores”, lembra a pensadora, que avisa: “precisamos alimentar essa inteligência para motivar a cooperação – entre a família, a comunidade, os países. Só assim vamos encontrar soluções positivas para o planeta, e nos encontrar nessa busca também”.

Dana elencou doze princípios da inteligência espiritual:

1.Ter pensamentos positivos, sempre. Não pensar como vítima das circunstâncias, pensar que sofrer é uma oportunidade de ser forte. “A crise econômica atual é uma oportunidade de pensar nossos valores”, lembra Dana.

2. Descobrir quem você é. O que me faz levantar de manhã? Para que eu vivo, por quem ou por que daria minha vida? O que me motiva a fazer as coisas diariamente?

3. Ter humildade. Precisamos saber que o que fazemos parte de um sistema, e que precisamos prestar atenção nos outros, lembrando que existem diversos pontos-de-vista – não apenas o seu, unicamente.

4. Viver a compaixão. A origem dessa palavra significa “sentir com”. Lembre-se sempre: eu sinto que sou você, e que você sou eu.

5. Rever seus valores. Precisamos pensar menos em “eu, meu” e mais em “nós, nossos”. E precisamos rever nossos valores para servir uns aos outros. Como fazer isso? “Pergunte a você mesmo, qual é o melhor que você pode dar”, avisa a filósofa.

6. Viver o presente. Tire o peso do passado e das preocupações – e viva o agora.

7. Estamos conectados, e o jeito que vivo minha vida afeta a vida do outro. “Se me sinto negativo, espalho essa negatividade para minhas relações, minha comunidade. Mas se me sinto esperançoso e que posso fazer melhor, espalho essa atitude para as outras pessoas”.

8. Responda a uma questão fundamental: sempre perguntar por quê! Nós nos fechamos à verdade se não questionamos.

9. Mudar a sua mente, seus paradigmas, e colocar seus pontos-de-vista sob uma nova perspectiva. Isso é muito necessário no meio empresarial, destacou Dana. Educação significa memorização, imposição? Ou é ajudar as crianças a fazerem as boas perguntas? 

10. Valorizar seus princípios, mesmo que sejam impopulares. Entretanto, não seja arrogante de que está certo, mas questione-se. Escute os outros, mas veja o que você quer acreditar, para o que você quer lutar.

11. Celebrar a diversidade. Isso não significa numa empresa, por exemplo, simplesmente colocar uma mulher ou negro num cargo alto, mas construir um pensamento do que significa a diferença para você, e o que ela tem a te ensinar. Dizer “obrigada por ser diferente, por me fazer questionar a mim mesmo”.

12. Descobrir a sua vocação, o seu propósito de vida e em como você pode fazer a diferença. “Você não precisa ser Gandhi ou Barack Obama. Cozinhar um bolo para sua família, um pai que vai brincar com o filho dando o seu melhor, são maneiras de servir a humanidade com o melhor que temos”.

Para terminar, um recado aos comunicadores e educadores em geral: “Eu chamo a todos para a revolução não-violenta, onde as novas tecnologias podem mudar o mundo, sim, e que é preciso acreditar que você pode fazer a diferença.”

Ou seja, nossa encarnação tem uma pedagogia própria, por meio da qual vai nos ensinando o que realmente somos, proporcionando aos que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir e mente para discernir a oportunidade de construirmos a nossa evolução.